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sábado, 13 de agosto de 2011

Virgem de Guadalupe - Protetora dos Nasciturnos

Nossa Senhora de Guadalupe contra a cultura da morte


"Se ouve o sangue de teu irmão clamar a mim.. " (Gen 4:10).

Nossa Senhora contra o dragão vermelho de sete cabeças. (Ap. 12,1)
A vida humana está e sempre tem estado no centro da grande batalha entre o bem e o mal, entre a Luz e as trevas.
A batalha entre a "Cultura da Vida" e a "cultura da morte".
Apenas Satanás pode se alegrar na destruição dos viventes: por sua insidia a morte entrou no mundo (cf. Sb 2, 24).
Satanás, que é "homicida desde o princípio", e também "mentiroso e pai da mentira" (Jm 8, 44), enganando ao homem, o conduz aos confins do pecado e da morte, apresentando muitas vezes como logros o frutos de vida.
Desde o princípio da história humana um dos maiores enganos do demônio tem sido a instigação de assassinatos rituais de homens, mulheres e meninos, em sacrifícios humanos oferecidos a diferentes 'deuses' pagãos (demônios).
Sendo o sacrifício de meninos inocentes o mais deplorável de todos.
Podemos ler no livro de Levitico como Deus fala a Moisés sobre o sério crime de oferecer meninos a Moloch, referindo-se a costume caananita de sacrificar meninos ao deus Moloch.
As pequenas vítimas eram executadas e logo incineradas. (Lev 20,1-5 e 18,21).

No continente americano, faz cinco séculos, cruéis sacrifícios humanos eram realizados no império asteca.
Na maioria dos casos os rituais incluíam o canibalismo dos membros das vitimas.
Grande parte deles eram cativos ou escravos e os demais incluíam mulheres e meninos pequenos.
Nunca se saberá talvez com exatidão quantos foram sacrificados.
Mais recentemente Woodrow Borah, possivelmente a maior autoridade na demografia de México ao tempo da conquista, tem estudado em detalhe e achado os números estimados de pessoas sacrificadas no México central no século XV, por cerca de 250.000 por ano.
Vários métodos eram usados. As vitimas tinha o peito aberto com pedras de lava vulcânica e lhes extraiam os corações ainda palpitando, ou eram decapitados, o acertados por flechas, apedrejados, o despelados vivos, ou enterrados vivos.
Talvez o método mas popular era o levar as vitimas ao topo das pirâmides, onde eram acostados sobre uma pedra plana.
Ali os sacerdotes lhes abriam o peito com um pedra cerimonial e seu coração era arrancado enquanto ainda palpitava. Os corpos inertes eram então arrojados abaixo pelas íngremes escarpas das pirâmides.
Logo que os corpos, ou as partes deles, chegavam ao pé das pirâmides depois de uma cena com contorções grotescas, os sacerdotes removiam as extremidades, as que eram logo cozinhadas e comidas.
As mãos e os músculos eram considerados especialmente deliciosos. As cabeças eram colocadas em gigantescos pilares de madeira, onde permaneciam em exibição.
O dois 'deuses demônios' principais do panteão asteca a quem se realizavam a maioria dos sacrifícios eram Huitzilopochtli e Tezcatlipoca.
Seus 'sacerdotes' pintavam seus corpos de negro; seu cabelo, nunca se haviam cortado, estava permanentemente empastado com sangue seco.
Seus dentes estavam afilados em pontas agudas.
Todos esses assassinatos rituais alcançaram seu ápice em 1487, quando para a dedicação de um novo templo a Huitzilopochtli em Tenochtitlám (atual cidade de México), em uma cerimônia que durou 4 dias e quatro noites, sob o constante barulho de gigantescos tambores de pele de serpente, o governante asteca Tlacaelel presídio o sacrifício de mais de 80.000 cativos.
Os meninos eram vitimas freqüentes dos sacrifícios, em parte porque eram considerados puros.
No ano 2002, o arqueólogo do governo mexicano João Alberto Romám Berreleza anunciou os resultados de exames forenses aos ossos de 42 meninos, em sua maioria meninos de uns 6 anos, sacrificados durante uma festa no templo maior da Cidade de México, o principal centro religioso asteca.
Todos compartiam uma característica: cáries avançadas, abscessos ou infecções ósseas suficientemente dolorosas como para fazê-los chorar.
"Se considerava um pressagio propicio que chorassem muito no momento do sacrifício" precisou Romám Berreleza.
O historiador nativo mexicano do século 16, Ixtlilxochitl estimava que um de cada cinco meninos no México foi sacrificado.

Nossa Senhora de Guadalupe, Coatlaxopeuh, pisou esta serpente em 1531.
Hoje nos encontramos nós mesmos em meio de um enorme e dramático conflito entre o bem e o mal, a vida e a morte, a "cultura de vida" e a "cultura da morte".
João Pablo II afirmou em Denver, em ocasião do oitavo Dia Mundial da Juventude, "Com o tempo, as ameaças contra a vida não diminuem. Ao contrário, adquirem dimensões enormes.
Não se trata apenas de ameaças procedentes do exterior, das forças da natureza ou dos "Cains" que assassinam a os "Abeis"; não, se trata de ameaças programadas de maneira cientifica e sistemática.
O século XX será considerado uma época de ataques massivos contra a vida, uma serie interminável de guerras e uma destruição permanente de vidas humanas inocentes.
Os falsos profetas e os falsos mestres tem logrado o maior êxito possível".
Hoje dia, milhões de bebês ainda no ventre de suas mães são mortos cada ano ao redor do mundo, em procedimentos que em alguns paises não são apenas legais, mas sim também apoiados e financiados por seus governantes.
Em muitos casos os procedimentos seguem a mesma seqüência que os sacrifícios ao deus Moloch: o assassinato e logo a cremação dos pequenos meninos.
Só nos Estados Unidos de América, pais que mantém estatísticas dos abortos, mais de um milhão de meninos são mortos cada ano.
Trinta e dois milhões de abortos foram realizados nesse país somente durante os primeiros 20 anos logo que os procedimentos foram legalizados pela Suprema Corte em 1973.
Estas matanças de hoje, que fazem parecer quase insignificantes o número de sacrifícios dos astecas.
Há hoje que se diga favorável ou mesmo defensores do aborto, "em certos casos", ou "a mulher tem o direito de decidir", mas que vem em defesa deste pequenos que são mutilados vivos, ou queimados com soluções salinas ou tem seus cérebros sugados e que se importará ou dirá que não sentem dor.
Saibam que a estes pequenos tem um anjo da guarda que está de frente a Deus, e somente Ele sabe com que crueldade são tratados estes pequenos durante estes "procedimentos".

Roguemos que a Mulher vestida com o sol, na imagem de nossa Senhora de Guadalupe, Protetora dos ainda não nascidos,que nos defenda com sua profunda mensagem de Amor e Compaixão.


História da Aparição

Relato das Aparições de Nossa Senhora de Guadalupe ao Beato João Diego,

indígena asteca, ocorridas do 9 ao 12 de dezembro de 1531.

Primeira Aparição:
Era sábado muito de madrugada quando João Diego vinha depois da missa cumprir seus deveres em Tlatilolco.
Ao chegar junto ao monte chamado Tepeyacac, amanhecia; e ouviu cantar acima do cerro; assemelhava o canto de vários pássaros.
Seu canto, muito suave e deleitoso, sobrepassava ao do coyoltoutotl e do tzinizcam e de outros pássaros lindos que cantam.
Parou João Diego para ver e disse para si: " Por ventura sou digno do que ouço?, talvez sonho?, Me levanto de dormir?, Onde estou?, Acaso no paraíso terreno, que deixaram os antepassados?, Acaso já no céu?"
Estava vendo até o oriente, acima do monte, de onde procedia ao precioso canto celestial.
E assim que cessou repentinamente e se fez o silêncio, ouviu que lhe chamavam de acima do monte e lhe diziam: "Juanito, João Dieguito."
Logo se atreveu a ir aonde lhe chamavam. Não se assustou, ao contrário, muito contente, foi subindo o monte, para ver de onde lhe chamavam.
Quando chegou ao cume viu a uma Senhora, que estava ali de pé e que lhe disse que se aproximasse.
Chegado a sua presença, se maravilho muito de sua sobre-humana grandeza: sua veste era radiante como o sol. As plantas e diferentes ervas pareciam de esmeralda, espinhos brilhavam como o ouro.
Se inclinou diante dEla e ouviu sua palavra, muito suave e delicada, de quem ama e estima muito.
Ela lhe disse: " Juanito, o menor de meus filhos, onde vens?"
Ele respondeu: Senhora e Rainha minha, acabo de chegar da casa divina, de seguir as coisas divinas, que nos dão e ensinam nossos sacerdotes, delegados de nosso Senhor".
Ela logo lhe falou e lhe mostrou sua santa vontade.
Lhe disse: "Sabe e tem entendido, tu o menor de meus filhos, que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus por quem se vive: Ao criador tudo pertence: Senhor do céu e da terra.
Desejo vivamente que se construa aqui um templo, para nele mostrar e dar todo meu amor, compaixão, auxílio e defesa, pois eu sou vossa piedosa Mãe, a ti, a todos vocês juntos os moradores desta terra e aos demais amados meus que me invoquem e em mim confiem;
Ouvirei ali seus lamentos e remediar todas as suas misérias, penas e dores. E para realizar o que minha clemência pretende, vai ao palácio do Bispo do México e lhe dirás como eu te envio a manifesta-lhe o que desejo, que aqui me edifique um templo: lhe contarás pontualmente tudo quanto tens visto e admirado, e o que tens ouvido.
Tem por seguro que te agradecerei bem e o pagarei, porque te farei feliz e merecerás muito que eu recompense o trabalho e fatiga com que vais procurar o que te encomendo.
Olha que já tens ouvido minha ordem filho meu, o menor, anda e põe todo teu esforço."
João Diego respondeu: Senhora minha, já vou a cumprir tua ordem; por agora me despeço de ti, eu teu humilde servo." Segunda Aparição:
Havendo entrado na cidade, João Diego se foi ao palácio do Bispo que se chamava Frei João de Zumárraga, religioso de São Francisco.
Quando chegou rogou ao criados que fossem o anunciar. E passado um bom tempo, vieram a chamá-lo, pois havia mandado o senhor Bispo que entrasse.
Logo que entrou, lhe deu o recado da Senhora do Céu; e também lhe disse quanto admirou, viu e ouviu.
Depois de ouvir toda sua narração e seu recado, pareceu não lhe dar crédito.
O Bispo lhe respondeu; "Outra vez virás, Filho meu, e te ouvirei mais tempo; o vi desde o princípio e pensarei na vontade e desejo com que ten vindo."
João Diego saiu e sentiu muito triste, porque de nenhuma maneira se realizou sua mensagem.
No mesmo dia voltou e contou com a Senhora do Céu, que lhe estava aguardando, ali mesmo onde lhe viu a primeira vez:
"Senhora, Rainha minha, fui aonde me enviaste a cumprir teu mandato, o vi e contei tua mensagem, assim como me ordenaste; Me recebeu benignamente e me ouviu com atenção; mas por quanto não me respondeu, pareceu que não teve certeza.
Me disse: outra vez virás, te ouvirei com mais tempo, vi desde o princípio o desejo e vontade com que tens vindo.
Compreendi perfeitamente na maneira que me respondeu que pensa que é talvez invenção minha que tua queiras que aqui te façam um templo e que acaso não é da ordem tua;
Pelo que te rogo encarecidamente, Senhora e Rainha minha, que a alguns dos importantes, ou conhecidos e respeitados e estimados, lhe encarregues que leve tua mensagem, para que lhe creiam; porque eu sou sou um homenzinho, sou um cordel, sou uma escada de tabuas, sou pó, sou folha, sou gente miúda, e teu, Rainha minha, o menor de teus filhos, Senhora, me envias a um lugar por onde não ando e onde não paro.
Perdoa-me que te cause tristeza e caia em teu desprezo, Senhora e Dona minha." lhe respondeu a Santíssima Virgem: "Ouve, Filho meu, mais pequeno, tem entendido que são muitos meus servidores e mensageiros a quem posso encarregar que levem minha mensagem e façam minha vontade;
Mas é preciso que tu mesmo solicites e ajudes e que com tua mediação se cumpra minha vontade.
Muito te rogo, filho meu, o mais pequeno, e com rigor te mando, que outra vez irás ver ao Bispo.
Dai-lhe meu nome e faça-o saber por inteiro minha vontade: que tem que por por obra o templo que lhe tenho pedido. E outra vez diga que eu em pessoa, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envia."
Respondeu João Diego: "Senhora e Rainha minha, não te cause eu aflição; de muito boa vontade irei cumprir teu mandato; de nenhuma maneira deixarei de fazê-lo nem tenho por penoso o caminho.
Irei a fazer tua vontade, mas acaso não serei ouvido com agrado; ou se fosse ouvido, talvez não me crerá.
Amanha a tarde quando se ponha o sol virei a dar resposta a tua mensagem, com o que me responda o prelado.
Já me despeço, minha Rainha e Senhora. Descansa entretanto". Logo foi ele a descansar em sua casa. Terceira Aparição:
Ao dia seguinte, domingo muito de madrugada, saiu de sua casa e foi instruir-se das coisas divinas e estar presente na missa para ver em seguida ao prelado.
Quase as dez, se apresentou, depois de que ouviu Missa e se dispersaram as pessoas. Foi João Diego ao palácio do senhor Bispo.
Apenas chegou, fez todo empenho para vê-lo: outra vez com muita dificuldade o viu; se ajoelhou a seus pés; entristeceu-se e chorou ao contar o mandato da Senhora do Céu, que talvez não cresse em sua mensagem e a vontade da Imaculada de erigir seu templo onde manifestou que o queria.
O Senhor Bispo, para certificar-se lhe perguntou muitas coisas, onde a viu e como era; e ele contou tudo perfeitamente ao senhor Bispo.
Mais ainda que explicou com precisão a figura dela e quanto havia visto e admirado, que em todo se descobria ser ela a sempre Virgem Santíssima Mãe do Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo;
Sem dúvida, o Bispo não lhe deu crédito e disse que não somente por seu discurso e solicitude se havia de fazer o que pedia; que, além do que, era muito necessário algum sinal para que pudesse crer que lhe enviava a mesma Senhora do Céu.
Assim que o ouviu disse João Diego ao Bispo: "Senhor, olhai qual tem de ser a sinal que pedes; que logo irei a pedir a Ela, a Senhora do Céu que me enviou aqui."
Vendo o Bispo que aceitava a tudo sem duvidar nem retratar nada, o mandou embora. Mandou imediatamente umas pessoas de sua casa, em quem podia confiar, que lhe seguissem e descobrissem aonde ia e a quem via e falava.
Assim se fez. João Diego caminhava na estrada; os que vinham atrás dele, onde passa a barranca, perto do poente do Tepeyacac, lhe perderam; e ainda que mais buscassem por todas as partes, em nenhuma lhe viram.
Assim é que se regressaram, não somente porque se fatigaram, mas sim também porque lhes estorvou seu intento e lhes deu enjôo.
Entre tanto, João Diego estava com a Santíssima Virgem, contando-lhe a resposta que trazia do senhor Bispo; que foi ouvida pela Senhora e lhe disse:
"Bem está filhinho meu, voltarás aqui amanhã para que leves ao Bispo o sinal que te tem pedido; com isto te crerá e acerca de isto já não duvidará, nem de ti suspeitará; e sabe, filhinho meu, que eu te pagarei teu cuidado e o trabalho e cansaço que por mim tens empreendido; vai agora, que amanhã aqui te aguardo." Quarta Aparição:
"No dia seguinte, segunda-feira, quando tinha que levar João Diego algum sinal para ser acreditado, já não voltou.
Porque quando chegou a sua casa, um tio que tinha, chamado João Bernardino, havia tido uma enfermidade,e estava muito grave.
Primeiro foi a chamar a um médico e lhe auxiliou; mas já não dava tempo, já estava muito grave.
Pela noite, lhe rogou seu tio que de madrugada saísse e fosse a Tlatilolco a chamar a um sacerdote, que queria confessar-se, porque estava muito certo de que era tempo de morrer e que já não se levantaria nem ficaria curado.
Na terça, muito de madrugada, foi João Diego de sua casa a Tlatilolco a chamar ao sacerdote; e quando vinha chegando ao caminho que sai junto à ladeira do monte do Tepeyacac, até o poente por onde tinha costume de passar, disse: "Se me vou direto, não irei ver a Senhora, e em todo caso que me detenha, para que leve o sinal ao prelado, segundo me pediu; Que primeiro nossa aflição nos deixe e primeiro chame eu depressa ao sacerdote; o pobre de meu tio o está certamente aguardando." logo deu volta ao monte; subiu por entre ele e passou ao outro lado, até o oriente, para chegar logo ao México e não o deteve a Senhora do Céu. Pensou que por onde deu a volta não podia ver-lhe.
A viu descer do cume do monte e que esteve olhando até onde antes ele a via.
Saiu a seu encontro a um lado do monte e lhe disse: " Que fazes, Filho meu, o menor?, Aonde vais?". Ficou com pena dele um pouco, ele teve vergonha, ou se assustou.
Se inclinou diante dEla e a saudou, dizendo: "Rainha minha, Senhora, desejo que estejas contente.
Como tens amanhecido?, Estás bem de saúde, Senhora e Rainha minha?
Vou causar te aflição: sabe, Rainha minha, que está muito mau um pobre servo teu, meu tio: lhe tem dado a peste, e está para morrer.
Agora vou rápido a tua casa do México a chamar a um dos sacerdotes amados de nosso Senhor, que o vai confessar; porque desde que nascemos estamos a aguardar o trabalho de nossa morte.
Mas vou a fazê-lo, voltarei logo outra vez aqui, para ir levar tua mensagem. Senhora e Rainha minha, perdoa-me, tem por agora paciência; não te engano.
Filha minha, a mais pequena, amanhã virei a toda pressa." ( A Virgem Santíssima chamava a João de: Filhinho meu, o mais pequeno, em alusão a sua simplicidade, e ele pensando tratar-se de uma saudação disse a Virgem : Filhinha minha, a mais pequena)
Depois de ouvir a João Diego, respondeu a piedosíssima Virgem: "Ouve e tem entendido Filho meu, o mais pequeno, que é nada o que te assusta e aflige; não se turbe teu coração; não temas essa enfermidade, nem outra algum enfermidade e angustia.
Não estou eu aqui?, Não sou tua Mãe?, Não estás sob minha sombra?, Não sou eu tua saúde?, Não estás por ventura em meu manto?, que mais tem precisarias?.
Não te apene nem te inquiete outra coisa; não te aflija a enfermidade de teu tio, que não morrerá agora; está seguro de que sarou."
(E então sarou seu tio, segundo depois se soube).
Quando João Diego ouviu estas palavras da Senhora do Céu consolou muito; ficou contente.
Rogou-lhe que quanto antes o mandasse a ver ao senhor Bispo, a levar algum sinal e prova, a fim de que cresse.
A Senhora do Céu lhe ordenou logo que subisse a cume do monte, onde antes a via.
Disse-lhe: "Sobe, Filho meu, o mais pequeno, ao cume do monte; ali onde me viste e te dei ordens, acharás que há diferentes flores; corte-as, junte-as, recolha-as; em seguida desce e trazei a minha presença."
Rápido subiu João Diego ao monte. E quando chegou a cume, se assombro muito de que houvessem brotado várias e maravilhosas rosas de Castila, antes do tempo em que se dão, porque o gelo da estação endurecia o solo.
Estavam muito fragrantes e cheias do orvalho da noite, que se pareciam pedras preciosas.
Logo começo a cortá-las; as juntou todas e as colocou em seu peito. O cume do monte não era lugar em que se dessem nenhuma flor, porque tinha muitos pedras, abrolhos, espinhos; só nasciam ervas ralas, então era o mês de dezembro, em que todo o cume começa a perder o gelo.
Desceu imediatamente e trouxe a Senhora do Céu as diferentes flores que foi cortar; Assim a Virgem as colheu com sua mão e as colocou no peito, dizendo-lhe: "Filho meu, o mais pequeno, esta diversidade de flores são a prova e sinal que levarás ao Bispo.
Lhe dirás em meu nome que veja nelas minha vontade e que ele tem que cumprir.
Tu és meu embaixador, muito digno de confiança.
Rigorosamente te ordeno que apenas diante do Bispo despregues tua manta e descubras o que levas.
Contarás bem tudo; dirás que te mandei subir ao cume do monte, que fosse cortar flores, e tudo o que viste e admiraste, para que possas induzir ao prelado que dê sua ajuda, com objetivo de que se faça e erija o templo que tenho pedido."
Depois que a Senhora do Céu lhe deu seu conselho, se pôs a caminho pela estrada que vai direto ao México;
Já contente e seguro de sair bem, trazendo com muito cuidado o que portava em sua manta, alegrava-se na fragrância das variadas e lindas flores.

O milagre da Imagem
Ao chegar João Diego ao palácio do Bispo saíram a seu encontro o mordomo e outros criados do prelado.
Rogou-lhes que lhe dissessem que desejava vê-lo; mas nenhum deles quis, fingindo como que não lhe ouviam, seja porque era muito cedo, seja porque já lhe conheciam, que os molestava, porque lhes era inoportuno; além do que já lhes haviam informado seus companheiros que lhe perderam de vista, quando haviam ido em sua perseguição.
Longo tempo esteve esperando João Diego. Como viram que a muito estava ali, de pé, com a cabeça baixa, sem fazer nada, decidiram chamá-lo em todo acaso; além do que, ao parecer trazia algo que portava em seu manto, por isso se acercaram a ele, para ver o que trazia e satisfazer a curiosidade.
Vendo João Diego que não lhes podia ocultar o que trazia, e que por isso lhe haviam de molestar, empurrar e bater, descobriu um pouco que eram flores; e ao ver que todas eram diferentes, e que não era então o tempo em que se davam, se assombraram muitíssimo disto, e mesmo porque estavam muito frescas, e tão abertas, tão fragrantes e tão preciosas.
Quiseram colher e tirar algumas; mas não tiveram sorte as três vezes que se atreveram a tomá-las; porque quando iam colhê-las já não se viam verdadeiras flores, mas sim que lhes pareciam pintadas ou lavradas ou bordadas na manta.
Foram logo dizer ao senhor Bispo o que haviam visto e que pretendia vê-lo o índio que tantas vezes havia vindo; o qual até muito tempo aguardava, querendo vê-lo.
Caiu, ao ouvir isto, o senhor Bispo na conta de que aquilo era a prova, para que se certificasse e cumprisse o que solicitava o índio.
Em seguida mandou que entrasse. Logo que entrou, se humilhou diante dele, assim como antes o fizera, e contou de novo tudo o que havia visto e admirado, e também sua mensagem.
João Diego lhe disse: "Senhor, fiz o que me ordenaste, que fosse a dizer a minha Ama, a Senhora do Céu, Santa Maria preciosa Mãe de Deus, que pedias um sinal para poder crer-me que tens de fazer o templo onde ela te pede que o erijas; e além do que lhe disse que eu te havia dado minha palavra de trazer-te algum sinal e prova, que era de sua vontade.
Acolheu a teu recado e fez benignamente o que pedes, algum sinal e prova para que se cumpra sua vontade.
Hoje muito cedo me mandou que outra vez viesse a vê-te; lhe pedi o sinal para que me creias, segundo me havia dito que me daria; e de certo o cumpriu; me despachou ao cume do monte, aonde antes já a via, e que fosse a cortar varias flores.
Depois que fui a cortá-las as trouxe abaixo; Ela as colheu com sua mão e de novo as entregou em meu colo, para que te as trouxesse e a ti em pessoa as desse.
Ainda que eu sabia bem que no cume do monte não é lugar para que se dêem flores, porque sou há muitos riscos, abrolhos, espinhos, pedra, nem por isso duvidei.
Quando fui chegando a topo do monte vi que estava no paraíso, onde havia juntas todas as várias e maravilhosas rosas de castila, brilhantes de orvalho, que logo fui a cortar.
Ela me disse por que te as havia de entregar; e assim o faço, para que nelas vejas o sinal que me pedes e cumpras sua vontade;
E também para que apareça de verdade de minha palavra e de minha mensagem.
Ei-las aqui: recebei-las." Tirou logo sua manta, pois tinha em seu peito as flores; e assim que se espalharam pelo solo todas as diferentes flores, se desenharam de repente na preciosa imagem da sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, da maneira que está e se guarda hoje em seu templo do Tepeyacac, que se chama Guadalupe.
Logo que a viu o senhor Bispo, ele e todos os que ali estavam, se ajoelharam e muito a admiraram; se levantaram para vê-la, se entristeceram, mostrando que não a contemplaram com o coração e o pensamento.
O senhor Bispo com lágrimas de tristeza orou e lhe pediu perdão de não ter posto em obra sua vontade e seu mandato.
Quando se pos de pé desatou do pescoço de João Diego, do qual estava atada, a manta em que se desenhou e apareceu a Senhora do Céu.
Logo a levou e foi colocá-la em seu oratório. Um dia mais permaneceu João Diego na casa do Bispo, que ainda lhe deteve.
No dia seguinte lhe disse: "Vai, mostrar-me onde é vontade da Senhora do Céu que lhe erijam seu templo."
Imediatamente convidou a todos para fazê-lo.

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