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sábado, 13 de agosto de 2011

Santa Verônica

Enquanto viveu em casa Giuliani, com sua família, todos a chamaram com o nome de batismo, Orsola (ltalianização de Ursula),
Mais tarde, entra aos dezessete anos nas capuchinas de clausura, tomará o nome de Verônica.
Será uma das maiores santas no firmamento vivo da Igreja, resplandecendo em perfeição cristã, doutrina e carismas. Sua luz continua iluminando o mundo.
Nasceu a 27 de dezembro de 1660 em Mercatelo, um povo tranqüilo junto ao qual corre límpido o Metauro em terras de Pésaro.
Nos achamos nas Marcas, Mercatelo formava parte então de Estado Pontifício. A vida de Verônica seguirá no monastério das capuchinas de Citá di Castelo, na Úmbria, a nove de julho de 1727.

Pai e mãe uma encomenda


O pai, Francisco, é aferes da guarnição local. A mãe, Benedeta Mancini, é uma mulher de casa, de profundos sentimentos religiosos.
De sua união nascem sete meninas, das quais duas não sobrevivem. As cinco filhas ficam órfãs de mãe quando esta não conta mais de quarenta anos.
Antes de morrer, Benedeta as reúne em torno a sua cama e as encomendam as cinco chagas de Senhor.
A Orsola, pequena de sete anos, lhe tocou em sorte a chaga do coração. Será seu caminho, por toda a vida, até o ponto de unir-se com o coração de seu Esposo, Jesus.

Infância de predileção


A pequena Orsola, desde os primeiros meses de vida, se comporta de um modo singular. Os olhos vivazes da menina vão a busca das imagens sagradas, que adornam profusamente a casa Guilam.
Ela mesma explicará um dia em seu diário: "Todavia não andava, mas quando via as imagens donde estava pintada a Virgem Santíssima com o Menino em braços, Eu me agitava até que me acercava a elas para poder dar-lhes um beijo.
Isto o fez varias vezes. Uma vez me pareceu ver ao Menino como criatura vivente que me estendia a mão; e me recordo que me pareceu tão vivo este feito que, donde quer que me levavam, olhava para ver ser podia achar aquele menino".
Contava ainda poucos meses quando, a 12 de junho de 1661, dia em que caia a festa da Santíssima Trindade, de improviso a pequena Orsola se deslizou dos braços de sua mãe e se pus a caminhar dirigindo-se até um quadro que representava o Mistério da Trindade Divina. Ante uma imagem da Virgem com Jesus em seus braços, Jesus e Orsola tinham colóquios infantis:
Eu sou tua e tu és todo para mim..." E o divino infante responde:
- Eu sou para ti e tu és toda para mim!
"Me parecia a vezes que aquelas figuras não foram pintadas como eram, senão que, tanto a Mãe como o Filho, Eu os via presentes como criaturas viventes, tão lindas que me consumia de vontades de abraça-los e beija-los".
"Eu sou a verdadeira flor" Todavia uma experiência em seu maravilhoso mundo infantil, diz que:
"Parece me que, de três o quatro anos, estando uma manhã no horto entretida em colher flores, me pareceu ver visivelmente ao menino Jesus que colhia as flores comigo;
Fui até o divino Menino, e me pareceu que me dizia:
- Eu sou a verdadeira flor.
E desapareceu. Tudo isto me deixou certa luz para não buscar mais o gosto nas coisas momentâneas;
Deixou-me toda centrada no divino Menino.
Havia-me ficado tão fixo na mente, que andava como louca sem dar me conta do que fazia. Corria de um lado para outro para ver se conseguia encontra-lo.
E recordo que minha mãe e minhas irmãs tratavam de deter me para que estivesse quieta e me diziam:
- O que está acontecendo?, Estás louca?
Eu ria e não dizia nada; e sentia que não podia estar quieta. Parava-me e logo voltava ao jardim para ver se o Menino voltara.
Todo meu pensamento estava fixo no menino Jesus.


Orsola possuía um caráter vivaz e ardoroso.
A mãe lhe dizia: "Tu és aquele fogo que eu sentia em minhas entranhas quando ainda estavas em meu ventre". E Verônica recorda: "Em casa todos me chamavam "Fogo", e precisa:
"De todos os danos que ocorriam em casa era eu a causa". mas reconhece com sinceridade: "Todos me queriam muito ".
Cheia de vida e de criatividade, expressa a riqueza de seus sentimentos religiosos em gestos concretos, quase práticos, dos que transpiram fortes emoções. Assim será também quando adulta.

Adolescência - Juventude em Cristo


O encontro com Jesus Eucarístico: a primeira Comunhão Quando o pai de Orsola se trasladou a Piacenza, em terras do duque de Parma, foram viver com ele também suas filhas e, de 1669 a 1672, permaneceram por três anos naquela cidade.
Orsola tinha então apenas nove anos. Seu maior desejo era receber a Jesus na Santa Comunhão.
O Senhor a atraia com graças especiais. E a de pequena, quando por primeira vez, fazia dois anos, sua mãe a levou a Igreja para tomar parte na Missa, a menina havia tido uma extraordinária manifestação, que recorda nestes termos:
"Eu vi o Menino Jesus e tratei de correr até o sacerdote, mas minha mãe me deteve". Cada vez que sua mãe e suas irmãs comungavam, ela gostava de por-se junto a elas, e diz que lhe "pareciam então mais belas de rosto".
Finalmente a 2 de fevereiro de 1670 se acercou pela vez primeira ao banquete eucarístico. "Recordo que a noite antes não pude dormir nem um momento.
A cada instante pensava que o Senhor ia a vir a mim. E pensava no que lhe ia pedir quando viesse, no que lhe ia oferecer.
Fez o propósito de fazer a oferta de mim mesma; de pedir-lhe seu santo amor, para amar-lhe e para fazer sua vontade divina. quando fui comungar pela primeira vez, pareceu-me que naquele momento estive fora de mim. Parece-me recordar que, ao tomar a Sagrada Hóstia, senti um calor tão grande que me acendeu toda.
Especialmente no coração sentia como queimar e não voltava a mim mesma ."

Um desejo


Desde a idade de nove anos Orsola nutria um vivo desejo de consagrar-se ao Senhor. "A medida que crescia em idade, maiores ânsias me vinham de ser religiosa. o dizia, mas não havia ninguém que acreditasse; todos me levavam a contraria.
Sobre tudo meu pai, o qual até chorava e me dizia absolutamente que não queria; e, para tirar-me da cabeça semelhante pensamento, com muita freqüência levava a outras casas de outras pessoas e logo me chamava na presença delas; me prometia toda classe de "entretenimentos".
O conflito espiritual e psicológico entre a jovem atraída pelo amor de Jesus e a resistência provocada pela ternura de pai , que não queria separar-se da filha , durou largo tempo . Orsola não consegui a permissão paterna para entrar no monastério até os dezessete anos .

Destinada a Outro


Mas o coração estava a entregado ao Esposo divino. Ela mesma refere a aquela idade juvenil:
"Em a casa havia um jovem parente nosso que me fazia muito incomodo, se bem creio que provinha de minha pouca virtude e pouca mortificação . a verdade é que não me deixava viver em paz.
Me levava ao jardim a passear com ele enquanto me falava de mil coisas do mundo; me traia recados ora de um ora de outro, e me ia dizendo que estes tais queriam casar comigo. Eu a vezes lhe dizia muito enfadada:
Se não te calas vou embora! Deixa de trazer-me tais recados, porque eu não conheço a nenhum e não quero a nenhum. Meu esposo é Jesus : a Ele apenas quero , Ele é meu .
Algumas vezes me trazia um ramo de flores: Eu não queria nem sequer toca-lo e o fazia atirar pela janela".

Chamado Especial: As Capuchinas


Volta a Mercatelo em 1672, Orsola tinha sido confiada por seu pai, que segue em Piacenza, ao tio Rasi. As ordens que este tinha recebido dele são bem precisas: conceder a entrada no convento das filhas maiores, mas fazer desistir a filha predileta de seu propósito de vida consagrada.
A jovem, contrariada em sua mais viva aspiração, sofre ainda fisicamente por esta causa e depois melhora. A noticia chega ao pai, o qual finalmente dá seu consentimento. Orsola salta de alegria e em breve tempo recobra o vigor.
Três monastérios da localidade podiam recebe-la. Os lugares eram: Mercatelo, Sant'Angelo em Vado e Citá di Castelo.
Este era de clarissas capuchinas. Delas se falava com veneração por sua grande austeridade. E por esta ordem se sentia fortemente atraída. Não era fácil para ela ter uma ocasião para ir a Citá di Castelo e, sobre tudo, para ser recebida entre as irmãs daquela comunidade.
Mas a providencia dispôs as coisas de modo que pudesse realizar aquela viajem e que a autoridade eclesiástica fosse benévola com ela. Em efeito, enquanto a jovem Orsola conversava no monastério das capuchinas, chegou Mon. Senhor Giuseppe Sebastiani, o santo Bispo da cidade, que quis examinar a candidata à vida religiosa.
Orsola superou a prova respondendo com fé viva a cada uma das perguntas e, com a ajuda do Senhor, conseguiu ler com facilidade - ante os olhos maravilhados do tio Ras - as páginas do breviário escrito em latim.
Ajoelhada ante o Bispo, Orsola Giulianen pediu então com fervor a graça de entrar nas capuchinas. Tão ardoroso foi seu pedido, que o Bispo se sentiu inspirado de conceder o documento com o qual ele mesmo pedia as monjas para acolher a candidata.
A jovem foi imediatamente dar graças a Jesus na igreja do monastério. Enquanto esperava ali que a superiora a chamasse, o Senhor a havia arrebatado em êxtase.
E tive que aguardar que "recobrasse os sentidos".

Lembranças de Verônica


Vestida com o pesado hábito de cor marrom das capuchinas se chamará com outro nome: e não Orsola, mas sim Verônica.
Um nome como o da mulher que, durante a paixão, conforta e enxuga o rosto de Jesus. A sua será uma vocação para a cruz, o caminho pelo qual havia sido chamada desde a mais terna idade.
Sor Verônica recorda que, desde menina, sonhava imitar os padecimentos dos santos cujas vidas ouvia ler em casa. Para imitar aos mártires, submetidos ao tormento de fogo, uma vez se lhe ocorreu tomar brasas em suas ternas mãos.
"Uma mão se abrasou toda e, se não chegam para apagar o fogo, ela se assava. Naquele momento nem sequer senti a dor da queimadura, porque estava fora de mim pela alegria. mas logo senti a dor; os dedos se haviam contraído. Meus olhos choravam, mas eu não me recordo haver derramado nem uma lágrima".
Em outra ocasião se colocou de modo que, no momento em que uma de suas irmãs fechasse a porta de um quarto, pudesse ter sua mãozinha esmagada: tal era seu desejo de sofrer, para imitar nisto Santa Rosa de Lima que, de menina, se havia submetido a um tormento semelhante.
Foi chamado o médico, com grande desgosto de Orsola, que tinha querido suportar tudo sem os gritos das irmãs espantadas e sim as curas necessárias. Na idade em que comumente se atribui aos meninos apenas o uso da razão, Jesus reserva para ela extraordinárias lições com visões particulares.
"Quando tinha uns sete anos - escreve Verônica - me parece que por duas vezes vi ao Senhor todo chagado; me disse que fosse devota de sua paixão e em seguida desapareceu.
Isto sucedeu pela Semana Santa. Me ficou tudo tão gravado que não me esqueci nunca.
" A segunda vez que me apareceu o Senhor chagado da mesma maneira me deixou tão impressas no coração suas penas, que não pensava eu em outra coisa".
A guerra, a guerra!"
Era, todavia uma menina e o Senhor a chamava a grandes empresas: a imitação de Jesus padecente. Um dia, enquanto estava rezando ante uma imagem sagrada, escutou estas palavras:
" a guerra, a guerra!" Parecida como foram às palavras dirigida a santa Joana, a jovem heroína de Mercatelo tomou a letra - como São Francisco ante o Crucifixo que lhe falava - as palavras escutadas.
O jovem cavaleiro de Assis se havia posto a restaurar a igrejinha de São Damião; Orsola, em vez disso, quis aprender de um primo seu a arte militar da esgrima.
Enquanto, entre a admiração treinava o manejo das armas, lhe pareceu ver ao mesmo Jesus que lhe dizia:
- Não é esta a guerra que Eu quero de ti. Caiu de improviso como desarmada e vencida, em tanto que Jesus lhe abria o coração ao significado, totalmente espiritual, da luta que lhe esperava.

Monja - Capuchina


Aos dezessete anos em um convento! Monja de clausura em Citá di Castelo.
Não é possível descrever a felicidade espiritual que experimenta uma jovem nessa idade em que o coração vive a emoção de amor -, quando tinha elegido somente a Jesus. Por que monja e por que entre as capuchinas?
O que é o que queria dela o Senhor? A vida de cada um de nós oculta um projeto de Deus Pai, o melhor, de toda a Santíssima Trindade. O encontro com Deus está cercado de etapas importantes.
Para Orsola Giuliani, 28 de outubro de 1677, toma o hábito religioso.
Desde agora se chamará Verônica. Nesse dia lhe deu o Senhor uma manifestação mais clara de seu amor.
Ouçamos dela mesma como viveu aquela jornada e o que lhe comunicou o Senhor: "A primeira vez que fui vestida deste santo hábito eu me achava um pouco desassossegada pela novidade.
quando me vi entre estas paredes, minha humanidade não acertava a apaziguar-se; mas por outra parte o espírito estava todo contente.
Todo me parecia pouco por amor a Deus. Ao fim de uma larga batalha entre a humanidade e o espírito me pareceu de pronto experimentar uma perda de meus sentidos. mas eu não poderia dizer o que foi. Naquele mesmo momento me parece que me veio a visão do Senhor, o qual me levava com Ele; e me parece que me tomou a mão.
Ouvia uma harmonia de sons e cantos angélicos. De feito me parecia achar-me no paraíso.
Me recordo que via tanta variedade de coisas; mas todas pareciam delicias de paraíso. Via uma multidão de santos e santas. Me parece haver visto também a Santíssima Virgem. Recordo que o Senhor me fazia grande festa.
Dizia a todos: "Esta é a Nossa ". E logo, Dirigindo-se a mi, me dizia:
"Diga-me, o que é que queres?". ". Eu lhe pedia como graça amar-lhe; e o no mesmo momento me parecia que me comunicava seu amor. · Varias vezes me perguntou o que é o que mais desejava. ··".
Agora recordo que lhe pedi três graças.
Uma foi que me desse à graça de viver como requeria o estado que eu havia abraçado, a segunda, que eu não me separasse jamais de seu santo querer; a terceira, que me tivesse sempre crucificada com Ele.
Prometeu-me conceder-me tudo e me disse:
"Eu te escolho para grandes coisas; mas te esperam grandes padecimentos por meu amor".

Programa de Vida


O começo da vida religiosa estava, pois, traçado o programa para Verônica:padecer por amor. O sofrimento marcará com sinais profundos a vida de Verônica, em todo tempo.
O Senhor a chama a "completar em sua carne o que falta a paixão de Cristo" em favor de toda a Igreja. O Senhor a purifica com o sofrimento, como o ouro que se prova com o fogo. Por esse caminho Jesus a assemelha a si até conceder-lhe a união no casamento místico.

As provas


O sofrimento deságua, como um rio sempre em acréscimo, na vida de Sor Verônica. O ano de noviciado - o primeiro de vida religiosa - é uma verdadeira prova.
O Senhor permite que uma companheira noviça a atormente colocando contra ela a mestra, que é sua guia espiritual. Verônica sente com veemência a tentação de reagir contra a companheira e contra a mestra. Toda sua pessoa se rebela.
Afirma com força em uma página do diário: "Sentia que me estalava o estomago pela violência" e declarará, todavia:
"O meu interior como que se retorcia para vencer-me!

O Assalto do Inimigo


Outras provas vinham diretamente do espírito do mal, de Satanás. Havia experimentado já a reação do demônio quando, menina de apenas dez anos, decidiu imitar a vida dos santos praticando algumas penitências.
" fazendo estas penitências me parece que tive vários combates.
Donde quer que eu fosse, de dia e de noite, o tentador fazia grande barulho, como se quisesse tirar tudo abaixo". A luta com o inimigo se prolongou nos anos da vida religiosa, até tomar às vezes aspetos dramáticos e violentos.
O inimigo tomou a figura de monjas para acusa-la, lhe produzi feridas, se lhe apareceu em formas obscenas e tentadoras, tomando o aspeto de monstros horríveis. A santa, forte com a graça de Deus segura da vitória, afirma:
"Estava sem temor; mais ainda, me faziam rir suas extravagâncias e sua estupidez".

Aridez e Abandono


O animo se testa na luta. Mas existem para os santos provas, todavia mais angustiosas:
se é duro o dever passar através da noite dos sentidos, é muito mais terrível a passagem pela noite de espírito . É a purificação mais íntima, que compreende o desprendimento e o desgosto, a aridez espiritual e o abandono, isto é, a impressão de estar separados de Deus.
Ouçamos - como de sua mesma voz - a experiência de Verônica:
"Às vezes, quando Me achava com alguma aridez e, desolação e, não podia achar ao Senhor, e me vinham as ânsias de Ele, saia fora de mim, corria a um lugar e a outro, o chamava bem forte, lhe dava toda classe de nomes magníficos, repetindo-os muitas vezes. Algumas vezes me parecia senti-lo, mas de um modo que não sei explicar.
Apenas sei que então enlouquecia mais que nunca, me sentia como abrasar, especialmente aqui, na parte do coração. Me colocava panos molhados em água fria, mas em seguida se secavam.
As múltiplas experiências místicas a aproximavam cada vez mais da intimidade do Senhor . Por outra parte, cada vez que lhe eram retiradas estas graças particulares caia em uma sede maior de voltar as delícias do Senhor .
Lhe parecia então que Deus a havia esquecido, incluindo que a repelia, experimentava um tormento tão grande que era em realidade uma purificação de amor. Assim se expressa em uma carta: "muitas vezes me acho com a mente tão ofuscada, que não sei e não posso fazer nada;
me acho toda revolta; não parece que há nem Deus nem santos; não se encontra apoio algum. Parece que a pobre alma está nas mãos do demônio, sem ter a onde se dirigir em meio de seus temores".

Refrigério: a Guia espiritual e a Confissão


Os santos são os que mais se engolfam no mar da redenção. São purificados continuamente no Sangue de Cristo e desfrutam da abundância de suas graças.
Verônica, ferida do raio luminosíssimo da luz de Deus, sente continuamente a necessidade de renovar-se. Humilha-se e recorre a confissão com freqüência, até quatro ou cinco vezes ao dia, sonhando ser "A lavada com o Sangue de Cristo".
Eis a via ascética e sacramental para chegar a união perfeita com Deus.
O mesmo Jesus, depois de a ter conduzido a altíssimas metas e antes de imprimir-lhe as chagas, quer que Verônica realize ante toda a corte do céu sua confissão geral.
Escreve a Santa sobre a Sexta-Feira Santa de 1697: Tive um reconhecimento com a visão de Jesus ressuscitado com a Santíssima Virgem e com todos os santos, como as outras vezes.
O Senhor me disse que começasse a confissão. Assim o fiz e quando disse:
"Vos tenho ofendido a Vós e me confesso a Vós, meu Deus, não podia falar pela dor que me vinha das ofensas feitas a Deus.
o Senhor disse a meu anjo da guarda que falasse a Ele por mim.
Assim, em minha pessoa dizia... A Virgem se pôs a diante, aos pés de seu Filho, o fez tudo em um instante.
enquanto ela rogava por mim, me veio uma luz e um conhecimento sobre meu nada;
esta luz me fazia conhecer que tudo aquilo era obra de Deus. Aqui me fazia ver com que amor ama ele as almas e, em particular, as ingratas como a minha...
Nesse ato me veio uma grande contrição de todas as ofensas feitas a Deus e pedia de coração perdão por elas.
Oferecia meu sangue, minhas penas e dores, em especial suas Santíssimas Chagas; e, sentia uma dor íntima de quanto havia cometido em todo o tempo de minha vida. o Senhor me disse: Eu te perdôo, mas quero fidelidade daqui a diante".
Verônica caminha com segurança pelo caminho de Deus, principalmente pelo que passa pelo dom dos sacramentos, oferecido a todos pela Igreja e dados a ela pelos ministros do Senhor. Assim é como se sente segura e constantemente renovada no espírito .
Impulsionada por seus diretores espirituais a escrever seu diário, afirma:
Experimento um sentimento intimo e quisera que o mesmo confessor penetrasse no mínimo pensamento meu, não apenas como está em mim, senão como está diante de Deus. É tal o dor que sinto, que não sei como consigo proferir uma só palavra.
Se me representa esse vice Deus na terra com tal sentimento, que não posso expressar com palavras.
Na confissão tinha paz e satisfação, renascimento e aumento de amor divino: "No ato de dar me a absolvição o confessor, me pareceu sentir me toda renovada e, com tanta ligeireza, que não parecia senão que me tivesse tirado de encima uma montanha de chumbo.
Experimentei também na alma, que Deus lhe deu um terno abraço e começou, ao mesmo tempo, a destilar nela seu amor divino".

Verônica e os Pecadores


Dor e expiação
É difícil falar, sobre todo hoje, das penitências e da dor na vida de Santa Verônica. O tema de sofrimento nos soa duro, porque supõe, demais da experiência de amor em quem o vive, uma experiência de fé não menor em quem recebe sua mensagem.
E o hedonismo, em que se tacha submergido o homem de hoje, impede perceber a forte linguagem da teologia da cruz.
Verônica tem uma vocação peculiar na Igreja.
O Senhor a escolhe como vitima pelos pecadores. E ela aceita colocar-se como medianeira entre Deus e, seus irmãos que vivem no pecado.
Depois de haver compreendido o amor de Deus pelas almas e depois de haver contemplado a Jesus chagado e crucificado, Verônica fica enriquecida com uma sensibilidade excepcional para inserir-se na obra da salvação em favor de todos seus irmãos.
Quer salva-los e compreende que o meio é a expiação medianeira.

Quer obstruir o inferno


Verônica pede a Jesus os sofrimentos que E1e tem padecido, os deseja com uma sede de dor superior a quanto é possível. Jesus a associa aos vários momentos de sua paixão.
Um texto, de quem a observou nesses sofrimentos, declara: "A vi um dia cravado no ar derramava lágrimas de sangue que temia ver".
Soube depois dela que Deus era muito ofendido pelos pecadores e que ela, nesse arrebatamento, havia visto a fealdade de pecado e da ingratidão dos pecadores. A Santa quer impedir que tantas almas caiam no inferno:
"Naquele momento me foi mostrado de novo o inferno aberto e parecia que baixavam a ele muitas almas, as quais eram tão feias e negras que infundiam terror.
Todas se precipitavam uma atrás da outra; e, uma vez entradas naqueles abismos, não se via outra coisa senão fogo e chamas".
Então Verônica se oferece para conter a justiça divina: "Senhor meu, eu me ofereço a estar aqui na porta, para que ninguém entre aqui nem perca a Vós.
Oh! Almas voltem atrás! Deus meu, não Vos peço outra coisa que a salvação dos pecadores.
Enviai-me mais penas, mais tormentos, mais cruzes.
O Senhor, para saciar sua sede de padecimentos, lhe permitirá experimentar as penas do purgatório e ainda as do inferno.
A Virgem, que a instrui e a sustenta, lhe falava assim:
"Há muitos que não crêem que há o inferno, e Eu te digo que tu mesma, que esteve nele, não tem entendido nada do que é.

Verônica e a Paixão de Jesus


Quem não foi introduzido na compreensão dos valores cristãos, poderia cair desconcertado ao ler o Diário da Santa.
Sentiria tal vez a tentação de recorrer a explicações de natureza patológica e de ver formas de estranho masoquismo. Mas nos falamos em esferas muito mais elevadas, donde a natureza obedece a Deus. Apenas a fé, mas viva pode dar suas explicações.
Jesus a atrai e a quer de tudo semelhante a Ele. Verônica experimentará em sua carne a coroação de espinhos, a flagelação, a crucifixação e a morte de Jesus.
Lhe será atravessado o coração pela lança e lhe serão impressas as chagas como sinal definitivo de conformidade e de amor.

Recorda a impressão das chagas


Era cinco de abril de 1697: "Em um instante vi sair de suas chagas cinco raios resplandecentes e. vieram a mim.
Os via converter se em pequenas chamas.
Em quatro destas havia cravos e em outro uma lança, como de ouro, toda reluzente, e me atravessou o coração; e os cravos perfuraram as mãos e os pés ".
Verônica pode repetir como São Paulo:" Fui crucificada com Cristo ".

Penitências


Junto com estes dons místicos, mediante os quais é confirmada, na dor, esposa crucificada de Cristo, Verônica oferece seus sofrimentos espontâneos. Para ter uma idéia de empenho de penitencia que havia em seu coração tinha que visitar o monastério de Cita di Castelo no que ela viveu. Os instrumentos de penitencia falam ali toda sua vida, de seu amor a Jesus e de sua vontade de conduzir os pecadores.
Para seguir a Jesus pelo caminho de Calvário, Verônica se cumulava com uma pesada cruz e, pela noite, se movia sob seu peso extenuante pelas ruas do jardim e dentro de monastério. Freqüentemente realizava suas "procissões" coberta com uma "vestidura própria":
era na realidade uma túnica de penitencia que ela mesma tinha costurado por dentro com Inumeráveis espinhas duríssimas.
A colocava sobre a carne viva e com a cruz sobre os ombros.
Muitas vezes usava tesouras para selar com a dor suas carnes e gravar sobre seu próprio peito o nome de Jesus. Agradava-lhe, demais, escrever com seu sangue cartas de fidelidade e de amor a seu Esposo Divino. Jesus sabe que pode fiar se nela: sua vida lhe pertence.
Pedirá-lhe um rigoroso jejum por três anos e ela obtém força para alimentar se em todo esse tempo de apenas pão e água.
Estas são apenas algumas amostras de sua desmedida necessidade de padecer com Jesus.

O coração como um selo


Nesta fase de purificação e de oferenda viverá até o dia 25 de dezembro de 1698, quando a Santa entra em outro período de sua ascensão espiritual: a de puro padecer. Desde essa data o diário não contém a descrições de padecimentos externos assumidos por Verônica. Todo resultará como interiorizado: o padecer estará reservado as faculdades mais intimas da alma, como se fora uma purificação da mesma dor.
Mas seu coração registrará, todavia aventuras de sofrimento e de amor divino e cairá como selo da autenticidade de tanto padecer.
Tal como ela o havia descrito no diário, seu coração, no exame necroscópico levado a cabo após de sua morte, apresentou misteriosas figuras.
São as que reproduzem os instrumentos da Paixão de Jesus: A cruz, a lança, o martelo, os cravos, os açoites, a coluna da flagelação, as sete espadas da Virgem e algumas letras que significam as virtudes.
Sua vida resumida no coração.

Acontecimentos Exteriores


Ao mesmo tempo em que o Senhor a conduz pelo vale profundo da dor e de amor, se entrelaçam na vida religiosa de Verônica vária sucessos, que sem dúvida vem em um segundo plano frente a seu caminho interior, se bem muitas vezes coincidem com as cruzes que o Senhor concede a sua esposa. Verônica será mestra de noviças várias vezes. Mas ela mesma deverá estar submetida a outros e será guiada com firmeza e austeridade por sacerdotes, confessores e bispos, que a colocavam a dura prova.
Sua própria superiora e o mesmo Santo ofício a farão passar por repetidas e prolongadas humilhações: segregação por muitos dias na enfermaria, proibição de ir ao locutório, exames e controles. Apenas o dia sete de março de 1716 o Santo ofício revoca para ela a proibição de ser eleita abadessa. Um mês depois é eleita superiora por toda a comunidade. Sob seu governo o Senhor bendiz a casa e a enche de vocações.
Se preocupará então de fazer construir uma nova ala do monastério e de aliviar a fatiga cotidiana das monjas realizando uma condução de tubos de chumbo para fazer chegar à água ao interior da casa.
Mas estes feitos se perdem ante a admirável aventura de espírito. Sua vocação é outra: o amor a Deus para expiar o desamor dos homens.
Ao término de sua aventura espiritual chegará a pedir ao Senhor "não morrer, senão padecer", repetindo, o que trás ao sofrimento um novo refrão: "mais, mais e mais", segura deste caminho: o de Amor Redentor.

O caminho espiritual de Verônica


O Diário, que Verônica nos tinha deixado e não que, por vontade de seus confessores e superiores, nos tinha descrito suas variadas experiências místicas, está composto por vinte duas mil páginas manuscritas.
É uma riqueza espiritual inesgotável para as almas que querem conhecer o caminho de Deus. Os santos são como faróis luminosos no firmamento da Igreja; através deles, Deus nos indica como temos de subir até Ele.
Acompanhada no caminho da perfeição pela presença continua da Virgem, que a chama "coração de meu coração" e "alma de minha alma", Verônica transcorre os últimos anos de sua vida em união constante com Deus. Verônica recebe o dom de ser confirmada na graça santificante, pelo que repetia cheia de alegria:
"Eternamente! Eternamente!". Pode afirmar:
"O amor tinha vencido e o mesmo amor tinha sido vencido". Esse é o paraíso. Mas é preciso desejar esta vida, é preciso por ponto final.
A Virgem, que nos últimos anos lhe tinha ditado o Diário, lhe sugere estas simpáticas palavras que ela transcreve fielmente; "Por ponto". É o 25 de março de 1727, festa da Anunciação do Senhor.
No dia seis de junho, no momento da santa Comunhão, Verônica sofre um ataque.
Desde então transcorrem trinta e três dias de um triplo purgatório:
Dores físicas, sofrimentos morais e tentações diabólicas, como o havia predito.
No dia nove de julho, recebida a obediência de seu confessor para poder desejar este mundo, vai ao encontro com Deus. " O Amor se tinha deixado achar! " São suas últimas palavras ditas as suas irmãs.
Assim terminou seu padecer por amor e começou seu paraíso.
A Igreja a declarou Beata em 1804 e Santa em 1839. Verônica figura entre os grandes Mestres da perfeição que iluminam e guiam ao povo cristão.

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