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domingo, 14 de agosto de 2011

A Santa Unção

INTRODUÇÃO

Um dos aspectos que tem grande importância na vida de cada homem é o momento em que se aproxima a morte. Ainda que seja uma experiência profunda de dor para todos os lhe estão mais próximos, ela é também um momento em que os cristãos se preparam para a vida eterna, para o encontro definitivo com Deus.

É a partir desta perspectiva que eu me proponho abordar o sacramento da Unção dos Doentes.

Assim, vou começar por falar na perspectiva do homem face à doença e do modo como é por ele encarada. Falarei então mais propriamente do sacramento da Unção dos Doentes, terminando com os efeitos deste sacramento.


1 - O HOMEM DIANTE DA DOENÇA NA CULTURA OCIDENTAL

Para podermos captar toda a profundidade do problema constituído pelo homem doente no mundo contemporâneo (a análise, embora considerando a cultura ocidental em geral, leva em conta particularmente a situação dos países latinos), é necessário fazermos uma consideração, ainda que rápida, da evolução ocorrida especialmente nos últimos trinta anos, de modo que consigamos compreender os componentes da sensibilidade mudada do mundo em que a igreja vive e age.

Análise da situação socio-cultural

Desde fins do séc. XVIII ou começo do séc. XVHI a doença é definida unicamente do ponto de vista subjectivo, isto é, partindo do mal-estar experimentado e avaliando-se a sua gravidade com base no estado a que ela reduz o doente, frequentemente jovem. Devido à duração geralmente breve da doença e à ausência de tratamentos especializados, o doente é tostado em casa (não conhece, por isso, a experiência do desapego, da solidão, do isolamento [o trabalho não leva em conta a espantosa multiplicação dos sero-positivos bem mais recente]). A doença que tem certa gravidade facilmente termina com a morte. A relação médico-paciente é marcada por senso de humanidade, de amizade; vem acompanhada de conselho e de encorajamento (lembremo-nos de que o objectivo das curas muitas vezes se limita ao simples alívio do sofrimento).

Mudança decisiva aconteceu no nosso século e particularmente nos últimos trinta anos, que têm tido a oportunidade de assistir ao grande progresso da medicina, da cirurgia, das especializações e dos centros de tratamento intensivo. Com muita frequência, hoje em dia, o doente é idoso, atingido por doença crónica e de lenta evolução (que se tomou tal sobretudo por causa da intervenção médica); os notáveis progressos em nível de diagnóstico mesmo preventivo e de terapia, se de um lado têm trazido ao conhecimento novas doenças, do outro têm favorecido o crescimento numérico do mundo dos doentes, em muitos casos criando até a psicose da doença nas pessoas sadias, que por isso vivem com medo de descobrir que estão doentes. As consequências de tudo isso no plano social e cultural são enormes: a doença se tomou uma das preocupações mais constantes e angustiantes da vida do homem contemporâneo. Às vezes se torna estado de vida prolongado ou até permanente (por isso, a doença hoje perdeu a estreita conexão que antes tinha com a morte; estar doente não mais significa correr necessariamente risco de vida, ou seja, estar exposto ao perigo da morte). Além disso, a necessidade de tratamentos especializados e, portanto, da respectiva internarão hospitalar expõe o doente a experiências psicológicas dolorosas, como a fragmentação da sua identidade, o peso da marginalizarão social, o isolamento e a solidão existenciais, a sensação de se achar em estado de inferioridade, quase como se fosse uma terceira pessoa, cuja sorte é decidida por meio de diálogos furtivos, breves e dissimulados, entre os familiares e o médico. Por conseguinte, a relação do médico com o doente tem sofrido enormes transformações: o paciente encontra-se diante de pessoas desconhecidas - que lhe pedem uma série de exames, cuja razão de ser e cujos resultados lhe escapam - e às quais se vê totalmente submetido. Foi assim que nasceu o “mundo dos doentes”, separado do mundo dos sadios também em nível cultural: a doença, na verdade, é hoje encarada, por grande parte da opinião pública, como uma questão sem sentido, mero fato objectivo, sem a mínima importância o horizonte dos problemas humanos.

Reflexos intra-eclesiais do novo contexto socio-cultural

A mudança radical de perspectivas, de atitude e de pensamento, a que já aludimos, tem tido o sabor de provocação nos contactos com a igreja, que se tem visto profundamente questionada pela nova sensibilidade antropológica. Com isso, ela tem novamente percorrido as fontes bíblico-litúrgicas, relendo-as sob essa luz e chegando desse modo à superação da atitude ascética em face da doença, a qual tomava o nome de piedosa resignação e aceitação, bem como assumindo, ao mesmo tempo, o dever da luta contra a doença, sem contudo incorrer em uma visão radicalmente secularizada, que poderia levar a um modo arreligioso de viver a situação de doença que, entre outras coisas, até mesmo simplesmente do ponto de vista antropológico, constitui uma forte experiência susceptível de abertura ao mistério do sobrenatural. Também já se superou o perigo de isolamento do doente dentro da própria igreja; a doença não é mais vista como estado de vida e de santificarão, regido por uma espiritualidade peculiar e própria, porque a igreja inteira foi chamada a viver a lógica da cruz e se acha submetida à cruz.


2 - A UNÇÃO

O mistério da morte deve ser entendido para os cristãos não como o terminar de tudo, mas antes como o nascer de novo e para uma nova vida. Ou melhor, para a verdadeira vida, junto de Deus. Daí que se torna absolutamente necessário prepararmo-nos para essa nova vida desde já.

Para que tal se torne possível, temos os sacramentos, que nos são oferecidos pelo próprio Jesus Cristo na pessoa dos seus ministros.

Um desses sacramentos é a Unção dos Doentes, que em tempos não muito longínquos era chamada de “extrema-unção”, um termo que vinha já desde o século XII e que significava a unção que era dada em último lugar, depois de todas as outras.

Tal como nos diz REY-MERMET, “o Catecismo do Concílio de Trento fornece uma explicação que nada tem de enlouquecedora: «esta unção é chamada de ‘extrema’ por ser administrada em último lugar», após as (…) do baptismo, da confirmação, e eventualmente, da ordenação. Nesse termo, nada de realmente trágico: extrema unção = última da lista”[1]. E claro que, assim entendida, esta expressão não apresenta qualquer tipo de dificuldade grave na sua compreensão.

Contudo, e por influência da idade média, a ideia que ficou instalada nos cristãos não foi a de ‘última da lista’, mas antes pelo contrário, como algo que significava o próprio fim, o fim da vida, o fim de tudo. Este sacramento perdia, com esta concepção a sua própria característica de ‘consolo’ para aqueles que se encontravam em agonia.

Mas vamos começar por abordar aquilo que intitulei como ‘pré-história’ da unção dos doentes.

2.1 – A ‘pré-história’

A prática da unção com o azeite era algo que acontecia frequentemente no Antigo Oriente. O azeite, que era um alimente básico e abundante no mundo mediterrâneo e no Oriente, encontrava-se já mencionado entre as oferendas que eram feitas aos deuses na Mesopotâmia. E, sobretudo o azeite perfumado, era também indicado como cosmético para proteger a pele contra o sol e para que as pessoas se apresentassem cortezmente perante a sociedade.

Num ritual de penitência, o rei assírio, que tinha feito uma súplica ao deus, prosta-se; e o sacerdote, depois de ter ungido os olhos do penitente com azeite diz: “Olha, ó Samas, este pecado”.

A ideia de protecção mediante a unção do azeite não é alheia aos diferentes ritos, ainda que se trate de ungir animais mortos. Ungiam-se os reis da Mesopotâmia e usava-se também a unção para o rito do casamento.

No Egipto, o azeite era utilizado para a consagração das estátuas dos deuses, dos faraós e dos seus funcionários. Os Hititas empregavam-no para diferentes acções de culto e para a consagração do rei. Na Síria e na Palestina, era utilizado para o culto e para a unção do rei. Entre os Árabes, o azeite era tido como fortalecedor do organismo e dos músculos.

Mas também entre o povo de Israel o azeite assumia um papel importante, sendo utilizado para diferentes usos. O azeite, conjuntamente com o vinho e o trigo, é um dos elementos característicos do clima e terreno mediterrânico (Dt.32, 13 ss; Os. 2, 10)[2]. Em Israel, era utilizado como elemento básico de nutrição (Ecli.39, 26); era um condimento essencial na combinação com outras substâncias, como por exemplo, podemos observar no caso da viúva de Sarepta (1Re.17, 8-16); e era também tido como cosmético (Est.2, 12). Nos Salmos é mencionada a alegria da unção corporal. Deus unge o rei com o azeite da alegria (Sl.45, 8); A cabeça do hóspede unge-se abundantemente com azeite e prepara-se a mesa (Sl.23, 5); O rosto alegra-se com o azeite, enquanto que o vinho alegra o coração (Sl.104, 15).

O fariseu Simão não derramou azeite na cabeça de Jesus (Lc.7, 46), ao passo que a mulher pecadora o fez nos Seus pés (Lc.7, 38); o mesmo aconteceu com Maria, irmã de Lázaro, com o azeite perfumado antes da Paixão (Mt.26, 7 e ss; Jo.11, 2).

No uso doméstico, o azeite servia para iluminar e atiçar as lâmpadas como acontece na parábola das virgens prudentes (Mt.25, 3-9).

No uso ritual sagrado, o azeite servia para consagrar os altares (Gen.28, 18), as pessoas e os objectos de culto, misturado com perfumes (Ex.30, 23-33). Servia também para preparar os dons da farinha e do pão (Ex.29, 2), para a iluminação do candelabro dos sete braços (Ex.27, 20; Lv.24, 2) e para o uso dos sacerdotes (Num.18, 12). O azeite era proveniente dos dízimos ou das contribuições do povo (Num.7, 13.19.25.31.37.43).

Na verdade, é bem conhecido que a unção com o azeite era um dos ritos mais destacados do Antigo Testamento. O próprio termo Messias significava o Ungido e aplicou-se Áquele que vinha reunir em Si a tríplice unção: rei profeta e sacerdote. Por isso se chamava o Ungido, o futuro Salvador de Israel (1Sam.2, 10; Sl.2,2; Dan.9, 25). Nos livros do Antigo Testamento é-nos dito que os reis eram ungidos (1Sam.9,16; 10,1). O rei era o ungido de Yahweh (2Sam.1, 14.22). Os profetas eram também ungidos: Elias ungiu Eliseu como profeta (1Re.19, 15-16). Os sacerdotes também eram ungidos: Moisés derramou azeite sobre a cabeça de Aarão e este foi consagrado com este rito (Ex.29,7). O óleo da Santa Unção estava sobre ele e sobre os seus filhos (Lv.21, 10).

A unção com o azeite era também utilizada a enfermidade. O facto de não se ungir com azeite era sinal de dor e de tristeza (2Sam.14, 2; Mt.6, 17); o facto de uma pessoa ser ungida era um sinal de penitência (2Sam.12, 20) O azeite era empregue como medicina, além de ter em si a ideia de força e de adorno eufórico. Por exemplo, a imagem do castigado por Yahweh é-nos presentada como alguém cheio de feridas que não tinha sido curado nem aliviado com azeite (Is1,6).

O Bom Samaritano aplica azeite nas feridas daquele que tinha caído nas mãos dos salteadores (Lc.10, 34). A unção podia ser efectuada mesmo em dia de Sábado. Ungia-se todo o corpo, depois do banho, ou partes dele como a cabeça (Mt.6, 17; 26, 7), as mãos e os pés. Aos hóspedes eram ungidos os pés. Israel tinha várais receitas de aplicar o azeite para curar as enfermidades da pele, da cabeça, as ferida, etc.

Além disso, o azeiteera utilizado nos exorcismos contra os demónios. A crença afirmava que a enfermidade estava relacionada com o pecado.

Convém salientar ainda um aspecto importante que se relaciona, ainda que de forma indirecta, com o uso da unção. Todo o Antigo Testamento apela à visita aos enfermos. O Salmo 41, 1-4 diz: “…É feliz aquele que socorre o necessitado e o pobre, que o Senhor não o esquecerá …”. Os três amigos de Job vão visitá-lo e consolá-lo na sua desgraça (Job.2, 11). No deserto de Nínive, Tobias visita e consola os seus e os da sua pátria (Tob.1, 19 ss). O Eclesiástico exorta para estar com os que choram e gemem (Ecl.7, 32 ss). Jesus premiará todos aqueles que O visitam nos enfermos (Mt.25, 35.39 ss).

À enfermidade deve junta-se a oração, tal como nos é recomendado em Ecl.38, 9. O próprio Jesus praticou a imposição das mãos para curar (Mt.8, 3).

2.2 – A sua instituição e evolução

Jesus dava uma grande importância ao encontro com os doentes. Nesses encontros, Jesus curava-os. Estas curas realizadas por Jesus não são mais do que uma prova apologética da Sua missão divina. Constituem um elemento essencial da Sua mensagem. A misericórdia de Jesus para com os enfermos revela como Deus se interessa pelo homem na sua indigência e na sua necessidade de Salvação. Para Jesus, o mal do homem consiste radicalmente no pecado, na perda de comunicação com Deus. A salvação do homem engloba corpo e alma. Na missão dos apóstolos, à cura dos enfermos, Jesus une também a pregação do Evangelho.

Jesus, ao enumerar as obras de misericórdia, fala na visita aos enfermos. E Ele mesmo permite que os enfermos clamem pela cura, e escuta as suas súplicas.

Tal como acontecia já no Antigo Testamento, em que a imposição das mãos constituía um gesto simbólico, também Jesus impõe as mãos na cura dos enfermos (Mc.7, 32; 8, 23). E a Igreja primitiva continuou a utilizar também este mesmo gesto (Act.9, 12.17; 28,8), ainda que este gesto apareça com maior frequência como sinal simbólico da comunicação do Espírito Santo (Act8, 15.17; 9, 12.17; 19, 5 ss; Heb.6, 2). A imposição das mãos na Unção dos Doentes tem o seu fundamento na Sagrada Escritura e na Tradição Eclesial.

A cura dos enfermos é um dos sinais da missão de Cristo. Em Mateus e em Marcos, as curas são sinal de Messianidade, tendo como pano de fundo a Morte s a Ressurreição de Cristo. Lucas apresenta-nos a missão de Cristo como uma libertação. Em João, os sinais (= milagres) são apresentados tendo em vista a ‘realidade’ Pascal. Palavra e sinal manifestam a verdadeira natureza de Cristo e da Sua obra. Contudo, existe uma exigência de dé para aqueles que pedem e também para o doente.

Mas, tal como já foi dito atrás, esta tarefa não terminou em Jesus. Antes foi por Ele deixada aos seus discípulos, para que estes a continuassem, não só enquanto Ele ainda estivesse com eles (Mc.3, 14; 6, 7), mas também nas comunidades a formar quando já não estivesse com eles (Mc.16, 17-20). Cristo concedeu aos discípulos o poder de socorrer e de realizar curas milagrosas, as quais seriam, tal como as de Jesus, sinais do reino de Deus que se torna presente com Jesus, o qual constitui objecto da pregação dos apóstolos e leva consigo a saúde de todo o homem (Act.3, 6; 5, 15; 8, 7; 9, 12.17; 14, 10; 19, 12; 28, 8). Porém, os apóstolos tinha consciência de que apenas podiam realizar estas curas em nome do Senhor Jesus (Act.3, 16; 4, 10.30) e que é o próprio Senhor Glorificado quem efectua essas curas por meio dos Seus discípulos e pela força do Espírito Santo (Mc.20, 17-20; Act.9, 34; 14, 3; Rom.15, 8). Fica, contudo, claro que não era imperioso que a cada caso de enfermidade fosse necessário realizar uma cura milagrosa. Estes milagres de curas são narrados como algo extraordinário.

Mas, podemos já encontrar o rito da unção no Evangelho de S. Marcos, no capítulo 6, versículo 13. Num contexto de missão e pregação em ordem à penitência e à expulsão dos demónios, é-nos dito que os apóstolos ungiam com azeite muitos enfermos.

A unção praticada pelos apóstolos situava-se num contexto religioso em que se apela à penitência, à conversão, à destruição do poder dos demónios. É um rito que se relaciona com o religioso e, mais em concreto, com a metanoia. Contudo, não podemos negar que, na Palestina, o azeite fosse utilizado como método curativo (Lc.10, 34). Apesar de tudo, temos que Ter em conta que os apóstolos não agiam como médicos.

A prática deste rito não poderia ser entendida deligada do ‘mandato’ de Jesus. O Concílio de Trento diz que “esta sagrada Unção dos Enfermos foi instituída por Jesus Cristo Nosso Senhor, como verdadeiro e próprio sacramento do Novo Testamento, insinuado certamente em Mc.6, 13 e por S. Tiago, apóstolo e ‘irmão’ do Senhor, recomendado aos fiéis e promulgado …”[3].

A passagem de S. Tiago a que acima nos referimos é no capítulo 5, versículos 13-15. Este é o principal documento bíblico sobre este sacramento.

Esta carta de S. Tiago é dirigida aos judeus cristãos da diáspora (1, 1) e deve ter sido escrita antes do ano 62, data do martírio deste primeiro Bispo de Jerusalém.

Lutero chega mesmo a duvidar que esta carta tenha sido escrita por S. Tiago. Contudo, ela é citada por muitos escritores eclesiásticos da antiguidade: S. Clemente de Roma, S. Policarpo, Hermas, S. Justino, Sto. Hipólito, Clemente de Alexandria, S. Cirilo de Jerusalém, Sto. Atanásio, Sto. Agostinho, etc. Além disso, foi citada no Concílio de Florença, no Concílio de Trento e no Concílio Vaticano I. Por todas estas referências podemos ver a indiscutível canonicidade desta carta.

Assim sendo, deveremos ter em conta a exegese do texto. Esta passagem de S. Tiago aqui referida encontra-se inserida num contexto espiritual, que o seu autor procura promover: “Está triste algum de vós? Que reze. Está alguém de vós contente, que cante salmos. Alguém de entre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, depois de ungi-lo com óleo em nome do Senhor. A oração de fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e se tiver cometido pecados, estes serão perdoados. Confessai, pois, uns aos outros, os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervorosa do justo tem grande poder …”[4]. Este facto de cantar hinos espirituais era frequente entre os primeiros cristãos[5].

O texto mostra-nos que este rito não se aplica a qualquer pagão. A expressão ‘entre vós’ refere-se a alguém que pertence à comunidade cristã. ‘Está alguém doente?’, refere-se a alguém que não padece somente de uma mera debilidade. O termo asJenei significa debilidade da carne, em contraposição à força do Espírito; pode ter um sentido de enfermidade, como também de falta de força, pobreza, incapacidade. Este termo é distinto do termo kakopaJein, que significa má situação, enfermidade que não pode ser desprezada, … .

Mande chamar os presbíteros da Igreja?. Neste caso, não se entende a palavra presbuteroi como sendo os ‘mais velhos’ da comunidade, já que este termo tinha já um sentido técnico e determinava uma certa categoria de pessoas. Contudo, não os podemos identificar também com os actuais sacerdotes. Antes são vistos como os chefes, os responsáveis das novas comunidades que sucederam aos ‘anciãos de Israel’. Eles são, portanto, os representantes do Kurios, que lhes proporciona um papel e uma função própria na Igreja. Estes presbíteros da Igreja possuem um grau hierárquico próprio dos colaboradores dos apóstolos. Em muitos livros do Novo Testamento se faz referência a eles (Act.8, 1; 11, 29; Tit.1, 5; 1Tim.5, 17-19; 1Pe.5, 1 ss; 2Jo.1, 1; 3Jo.1). Eles não são indivíduos carismáticos que têm o dom das curas, mas são aqueles que têm a seu cargo a missão oficial da Igreja.

‘Orem sobre eles’; uma oração que é feita sobre o doente. A preposição pode levar a pensar na imposição das mãos. O doente está deitado, enquanto que os presbíteros estão de pé. A preposição epauton, aplicada em acusativo, indica a autoridade com que é feita esta oração, que pode ser espontânea: ‘em nome de Cristo’.

‘Depois de ungi-lo com óleo…’. A partir desta realidade podemos ver que a oração e a unção estão interligadas. O óleo e o azeite eram matérias óptimas para curar pois elas possuíam, entre muitos outros, fins medicinais e religiosos. Podemos aliás recordar que existem várias passagens, como já atrás foi referido, em que isto mesmo é referido. As unções são também conhecidas como meio de fortalecimento atlético e medicinal.

Dentro da cultura e da mentalidade cristãs,a unção teve, além do carácter medicinal, um carácter exorcístico. Contudo, alcançou também um carácter de sacramento: empregou-se como exorcismo antes do Baptismo e como parcial comunicação do Espírito Santo depois do Baptismo. Não se pretende com o azeite a cura das enfermidades. Trata-se de obter, por meio do rito e da oração, um efeito que é sobrenatural, mas sem que seja extrordinário ou milagroso.

A expressão ‘Em nome do Senhor’ pode referir-se à prece dos presbíteros[6] ou à unção com o óleo. Esta é uma expressão de ordem ou mandato.

A ‘oração de fé’ afasta todo e qualquer tipo de alusão mágica. A oração de fé deve ser feita tanto pelo presbítero como pelo doente. E será esta oração de fé que ‘salvará o doente’, ainda que não seja verdade que esta salvação coincida sempre com a cura corporal.

Afirma-se também neste texto que os pecados serão perdoados aos enfermos. Poder-se-á perguntar então se o pecado será a causa da enfermidade. Esta era concepção corrente entre os judeus, para quem a enfermidade era a consequência do pecado. Apesar de tudo, a mentalidade cristã já tinha ultrapassado esta concepção, acentuando sobretudo a enfermidade como assimilação a Cristo paciente. No texto não se diz que o doente confessa os seus pecados aos sacerdotes. A confissão mútua dos pecados referida no versículo 16 parece ser uma prática de acusação pública pessoal, como sinal de humildade entre os meios e com efeitos de reconciliação.

Finalmente, o rito descrito por S. Tiago na sua carta apresenta características de um verdadeiro sacramento. Trata-se de um rito sensível e simbólico, com significado de conforto e de cura espiritual. A unção com o óleo era feita pelos atletas para se prepararem para a luta e para a competição. O conforto espiritual tem uma analogia ou semelhança de proporção com o conforto material produzido pela unção.

A santificação interior, significada e produzida por este rito, vem indicada pela expressão ‘a oração de fé salvará o enfermo’, com um amplo sentido de saúde corporal e espiritual, e pela frase seguinte: ‘O Senhor o receberá’. O rito é eficaz de graça interna, pois é capaz de perdoar os epcados graves.

A sua origem, sendo rito que comunica ou infunde graça santificante, não pode ser senão do Senhor. Unge-se o enfermo em nome do Senhor, ou seja, segundo o mandato e na pessoa do Senhor.

Esquematizando o texto de S. Tiago, este resulta da seguinte forma:

1 – O fiel que se encontra seriamente enfermo deve chamar os responsáveis oficiais da comunidade.

2 – Os presbíteros rezam pelo enfermo e ungem-no com azeite.

3 – A oração dos presbíteros que acompanha a unção obtém para o enfermo o fortalecimento corpóreo-espiritual.

4 – Se o enfermo cometeu pecados e os confessa, a oração dos presbíteros alcança também o perdão das suas culpas.

5 – Este texto fala da oração e do rito para os doentes graves, e não para os moribundos.

6 – Este rito é institucionalizado, pois tem a presença dos presbíteros.

7 – Tem carácter eclesial e comunitário.

8 – Os efeitos desta unção são indicados nos verbos ‘salvar’ e ‘por de pé’.

“Com relação ao texto de S. Tiago encontrou-se nas escavações de Qumrã uma lâmina que contém o texto de Tiago sobre a unção. Nela, se diz que é uma oração feita por um sacerdote, na qual se fala de uma unção praticada por aspersão, e se enumeram os efeitos do sacramento: a Salvação, a remissão dos pecados e a cura. Parece que esta lâmina data dos anos 70 - 90 d. C.. Se estes dados são exactos, teremos uma confirmação do uso da unção pouco depois da carta de S. Tiago”[7].

1 Um breve resumo sobre a evolução deste sacramento ao longo dos tempos.

Durante séculos houve uma prática muito difusa e pouco precisa deste sacramento.

Um dos textos mais antigos que possuímos acerca deste sacramento é a Tradição Apostólica de Hipólito de Roma, que faz referência à benção do óleo para os enfermos, sendo o seu efeito o alívio e a saúde. Porém, ao longo dos primeiros sete séculos existe uma grande escassez de testemunhos, sendo os existentes referentes sobretudo a orações e bençãos. No que diz respeito aos efeitos, podemos ver que o principal é a cura da doença, pedindo a Deus esse mesmo Dom, nunca sendo a preparação para a morte. Os ministros desta unção são os presbíteros, apesar de alguns dizerem que os leigos poderiam também fazê-lo.

Assim, de um modo resumido, ao longo destes sete primeiros séculos temos o sacramento da Unção dos Doentes:

* vazia de testemunhos;

* possuímos alguns textos da oração para a benção do óleo;

* esta não é uma preparação para a morte;

* é realizada pelos presbíteros;

* é vista como o remédio da Igreja para um estado de donça;

* não encontramos nenhum ritual para a unção antes do século VII.

A partir do século VIII começa a notar-se uma certa vinculação da Unção dos Doentes com o Viático, começando também o sacramento a ser visto como uma preparação para a morte. Os efeitos curativos da Unção começam a ser espiritualizados. Nesta altura podemos encontrar três tipos de rituais[8].

Durante a Idade Média procurou-se estabelecer a estrutura da unção, qual a sua matéria e a sua forma. Nesta altura, este era considerado um sacramento para os moribundos, para curar as enfermidades da alma.

Pedro Lombardo já o chama Extrema-Unção, sacramento dos moribundos. O efeito do sacramento é a remissão dos pecados e o alívio da enfermidade corporal. Sto. Alberto Magno diz que os destinatários deste sacramento são os enfermos em perigo de morte. Duns Scoto diz que deve receber este sacramento o moribundo que está fora dos sentidos, de modo que não pode mais pecar. Também com S. Tomás, o motivo para receber este sacramento é o perigo de morte. E assim mesmo, este sacramento foi entendido como trânsito para a morte até aos anos do Vaticano II.

O Vaticano II veio trazer algumas alterações. O sacramento desligou-se do perigo de morte e diz-se que o sujeito do sacramento não são os que estão em grave perigo de vida, mas sim todos os doentes. O sacramento dos moribundos é o Viático. Deu-se também uma grande atenção à Pastoral dos doentes, não podendo o sacerdote aparecer como emissário da morte, mas como aquele que leva a fé e a consolação da Glória Divina. O momento oportuno para este sacramento começa com o anúncio do perigo de morte, de velhice, ou de uma enfermidade que transtorne o estado psíco-físico. Na perspectiva do Vaticano II, este sacramento robustece e exprime a fé.

A Sacrossanctum Concilium diz-nos que “este sacramento não é para aqueles que estão às portas da morte. (…) O tempo oportuno para receber este sacramento é aquele em que o fiel começa a correr perigo de morte, por motivos de doença ou idade …”[9].


3 – OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA SANTA UNÇÃO

O ritual, além do mais, apresenta uma visão renovada do problema dos efeitos do sacramento. De um lado, assistimos ainda ao diálogo e à aceitação e assimilação de valores positivos da cultura contemporânea em tomo da corporeidade (que, em última análise, mergulha as suas raízes na Bíblia), e, do outro, ao diálogo com todos os capítulos da tradição litúrgica para reexpressá-los no hoje da igreja. Eles são vistos como algo que envolve a totalidade da pessoa, na sua complexidade de alma e corpo: o homem é encarado como unidade vivente.

O Ordo aí reage contra o espiritualismo exagerado, restabelecendo, à luz da encarnação, tudo o que a cultura moderna redescobriu em torno da corporeidade: o homem não é anterioridade fechada que, em segundo tempo, como que em segunda fase, se encarna no mundo através da corporeidade. O corpo humano, indivisivelmente, faz parte, como tal, da subjectividade do homem. E no corpo que o homem se manifesta, que se torna visível, perceptível, aberto a todos. A carne do homem, o seu ser-corpo, é o lugar em que o homem ama, sofre, trabalha, se relaciona com o outro. A luz dessa redescoberta e dessa reconstituição, o ritual declara que o homem todo, espírito encarnado, recebe ajuda Pa viver a sua vida, apesar das dificuldades particulares da doença (RUEAP, 6; 59; 77-bis; 79 80 ... ). A própria fórmula sacramental revela uma correcção de roteiro quanto à visão expressa pela invocação medieval, por meio da qual se pedia o perdão dos pecados cometidos com cada um dos sentidos. A libertação do pecado, implícita em todo evento de salvação, constitui, entretanto, efeito secundário e condicionado: "Por esta santa unção e pela sua piíssima misericórdia, / o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo (Amém) para que, liberto dos teus pecados, ele te salve e na sua bondade, alivie os teus sofrimentos. Amém". (RUEAP, 76). A fórmula coloca, portanto, o sacramento no plano do evento salvífico.

Cristo não se apresenta como concorrente dos que agem no campo da medicina: Cristo é o salvador. A unção, na verdade, é sacramento da fé, e, por conseguinte, encontro com Cristo no sinal sacramental e mediante o sinal sacramental, que é dom da graça para superar as dificuldades da situação de doença, sustento e apoio na provação, força para prosseguir o caminho de salvação no âmbito da missão da igreja. Assim sendo e como que por consequência, já que o doente é obrigado pelo seu próprio dever de homem a lutar contra a doença e a procurar a cura, o sacramento o estimula nesse sentido a desejar e até a pedir a Deus, a buscar e procurar com paciência e coragem a sua cura por meio de todos os remédios que a arte humana e a ciência põem à sua disposição. "Nesse sentido, a unção dos enfermos não tende a produzir melhora ou cura directamente e por si só, mas, sim, através da coragem renovada e do esforço do próprio doente, que se sente ajudado para fazer tudo o que se acha a seu alcance em benefício da sua cura, para colaborar portanto com os médicos no que é sector próprio da sua competência. E os próprios médicos ensinam como é importante para a cura do doente esta sua atitude de colaboração serena e confiante. Nesse sentido, a cura que pode seguir-se não é efeito mágico, nem milagroso. Entretanto, ao mesmo tempo podemos afirmar que o sacramento agiu positivamente para obtê-la, despertando todas as forças, inclusive as espirituais, do doente em questão. Isso não que, em alguns casos, como efeito e concomitante, possa verificar-se cura inesperada e não suficientemente cada pelos remédios que a medicina . Este não seria, porém, efeito próprio do sacramento como tal, mas antes um dom extraordinário de Deus por ocasião do sacramento".

Com isso queremos dizer que não é necessário procurar algo de milagroso. Considerando a unidade psicossomática do homem, é normal que tudo o que representa auxílio à reconstituição da unidade da pessoa contra as forças dissociativas da mesma também se traduza no plano físico. E mais: a salvação possui um nível de realidade mais profundo, que constitui o objecto da esperança escatológica: o sacramento dá ao doente a graça não só para saber viver a enfermidade como acontecimento de salvação, mas também para completar na própria carne o que falta à paixão de Cristo para a salvação do mundo, e ainda para saber encarar as provações e as dores como realidades de breve duração e de pouco peso, se comparadas com a glória eterna que alcançam para nós (RUEAP, 2). Abre, enfim, o homem para a esperança escatológica.


CONCLUSÃO

Ao chegar ao fim deste trabalho, e perante tudo aquilo que aqui fica dito, pode-se concluir que a Unção dos Doentes é um Sacramento de Conforto para aqueles que estão gravemente doentes ou que se encontram em perigo de vida. De certo modo, podemos até considerar este sacramento como uma preparação para a morte. Contudo, é errado denominar este sacramento de 'Extrema Unção'.

Estamos perante um sacramento que sempre foi tido em conta pela Igreja, e acerca do qual encontramos muitas referências Conciliares e dos Padres da Igreja.

Hoje, numa época em que o homem é o centro das atenções, podemos ver que ele sofre, que padece de alguma enfermidade. A doença, nos nossos dias implica necessária e juntamente consigo pontos de vista sociológicos, religiosos e antropológicos:

A) Sob o ponto de vista sociológico vemos que a evolução da técnica e da ciência são marcos decisivos.

B) Sob o ponto de vista antropológico a doença aparece-nos como uma situação humana (relação entre o corpo e o espírito), sendo, por isso, necessária a existência do relacionamento humano.

C) Sob o ponto de vista religioso, podemos ver que antigamente se procurava ver na doença uma relação mais directa do paciente e do familiar com Deus (a doença era encarada como sendo um castigo de Deus). Hoje, tenta-se lutar contra a doença na tentativa de a conseguir vencer. Contudo, a pergunta acerca do sofrimento e do sentido da morte continua eminente.

Apesar de tudo isto,, temos que colocar em acção os aspectos doutrinais deste sacramento, procurando fazer uma catequese própria para a compreensão deste sacramento, tendo como modelo a Cristo sofredor e a Sua Cruz.

Toma-se fundamental que encaremos este sacramento numa linha de preparação para a morte (ou melhor, para a vida junto de Deus), e levar a que as pessoas se desliguem totalmente de um significado que, ainda que já não tão frequentemente, se encontra enraizado no pensamento de muitas pessoas: este não é um sacramento para os moribundos. Para estes, o sacramento próprio é o Viático. O sacramento da Unção destina-se àqueles que, estando ainda em vida, se encontrem em situação grave de doença e que possa vir a culminar na morte.


BIBLIOGRAFIA

& A Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulinas, S. Paulo 1987.

& BOROBIO, D., La celebracion en la Iglesia – Sacramentos, Vol. II, Ed. Sigueme, Salamanca 1990.

& CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Ed. Apostolado da Oração, Braga 1983.

& MARTIMORT, A. G., La Iglesia en Oración, Ed. Herder, Barcelona 1987.

& A.a.V.v., Anámnesis 4 – Os Sacramentos Teologia e História da Celebração, Ed. Paulinas, S. Paulo 1989.

& A.a.V.v., Nuevo Diccionario de Liturgia, Ed. Paulinas, Madrid 1987.

& BORTOLINI, Pe. José, Os Sacramentos na tua vida, Ed. Paulistas, Lisboa 1986.

& MIGUEL NICOLAU, La Uncion de los Enfermos, B.A.C., Madrid 1975.

& CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes, Gráfica de Coimbra, 1994.

& GONZALÉZ FLOREZ, Penitencia y Uncion de Enfermos, B.A.C., Madrid, 1993.

& GELINEAU, J., Dans vos assemblées, Tome II, Ed. Desclée, Paris 1970.

& MONROY, A., Curso de Teologia dos Sacramentos, Ed. Rei dos Livros, Lisboa 1991.

& REY-MERMET, A fé explicada aos jovens e adultos, Vol. II, Ed. Paulinas, S. Paulo 1982.


ÍNDICE

INTRODUÇÃO.................................................................................. 2

1 - O HOMEM DIANTE DA DOENÇA

NA CULTURA OCIDENTAL...................................... 3

1.1. Análise da situação socio-cultural............................................... 4

1.2. Reflexos intra-eclesiais do novo contexto socio-cultural.............. 5

2 - A UNÇÃO..................................................................................... 7

2.1 – A ‘pré-história’....................................................................... 8

2.2 – A sua instituição e evolução................................................... 11

1 Um breve resumo sobre a evolução deste sacramento

ao longo dos tempos............................................. 18

3 – OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA SANTA UNÇÃO........... 21

CONCLUSÃO.................................................................................. 24

BIBLIOGRAFIA............................................................................... 26

ÍNDICE............................................................................................ 28



[1] Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos, Vol. II, p.239.

[2] A este propósito conferir também Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos, Vol. II, p.239.

[3] Cfr. Doutrina de Sacramento Extremae Unctionis c.1:Dz-Sch 1965.

[4] S. Tiago 5,13-16.

[5] Ef.5, 19; Col.3, 16; Rom.15, 9.

[6] Cfr. “Pedir em Meu nome” (Jo.16, 23-24).

[7] MIGUEL NICOLAU, La Uncion de los Enfermos, B.A.C., Madrid 1975.

[8] Séc. VIII-IX, o chamado ritual de 1º tipo, com algumas fórmulas em comum, mas uma só para todas as unções, sobretudo onde a dor for mais forte; Séc. IX-XII, o ritual de 2º tipo, possuindo já uma oração para cada unção: olhos, narinas, pés, ouvidos, mãos, peito, lábios); Séc. X, em que as unções se restringem aos cinco sentidos e a fórmula utilizada é depreciativa, utilizando-se os verbos no conjuntivo.

[9] Cfr. Sacrossanctum Concilium 73-75.

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