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sábado, 13 de agosto de 2011

Santa Cecília - 22 de Novembro

Segundo Anna Catarina Emmerich
"A casa paterna de Cecília estava situada num lado de Roma.
Tinha o mesmo feito da casa de Santa Inês, com pátios, arcadas e um chafariz.
Os pais não os vi muitas vezes.
Vi Cecília, muito bonita, meiga e viva, de faces vermelhas e rosto delicado, quase como Maria. Vi-a brincar com outras crianças nos pátios.
Quase sempre estava com ela um Anjo, na figura de um menino gracioso; falava-lhe e o via, mas as outras crianças não o viam.
Proibira-lhe de falar dele. Muitas vezes eu via junto dela crianças, à cuja aproximação o Anjo se afastava. Tinha cerca de sete anos.
Vi-a também sozinha no quarto e o Anjo ao lado, ensinando-a a um instrumento de música, colocando-lhe os dedos nas cordas ou segurando uma folha de papel.
Ora tinha uma caixa encordoada sobre os joelhos e o Anjo pairava-lhe em frente, segurando um rolo de pergaminho, para o qual ela olhava; ora tinha um instrumento parecido com o violino, encostado ao ombro e ao pescoço; com a mão direita tangia as cordas e cantava para dentro do instrumento, que tinha uma abertura coberta como de uma pele.
Produzia um som suavíssimo. Vi também muitas vezes com ela um menino, de nome Valériano e o irmão mais velho, como também um homem vestido de um longo manto branco, morava perto e julgo ser aio do menino que brincava com Cecília e parecia ser educado com ela e destinado a ela.
Vi, porém, uma ama de Cecília, que era cristã e por intermédio da qual travou conhecimento com o Papa Urbano.
Vi Cecília e as companheiras encherem muitas vezes de víveres e frutas as dobras das vestes, que arregaçavam depois do lado e cobriam com os mantos.
Assim carregadas, saiam juntas furtivamente pela porta, para que ninguém notasse coisa alguma. Vi o Anjo de Cecília acompanhá-la sempre, o que era um quadro muito gracioso.
Vi as crianças irem a um edifício, cercado de grandes torres, muros e diques.
Dentro desses muros e em subterrâneos abobadados, viviam cristãos encarcerados. Não me lembro com certeza se estavam encarcerados ou apenas escondidos; parecia-me, porém, que os pobres que moravam nas estradas, eram guardas ou cuidavam do esconderijo.
Lá vi as crianças repartindo entre os pobres o que tinham trazido; faziam-no furtivamente. Vi que Cecília prendia as saias às pernas por meio de uma fita e assim deslizava pelo íngreme aterro abaixo.
Ali a deixavam entrar nos subterrâneos e uma vez a fizeram penetrar, por uma abertura redonda, num subterrâneo, onde um homem a levou a Santo Urbano.
Vi que este lhe ensinava, lendo rolos e que ela levava e também trazia tais rolos de escritura, sob o manto. Tenho também uma lembrança vaga de que foi batizada lá embaixo.
Vi uma vez Valériano, já moço, com o preceptor, entre as moças que brincavam; quis abraçar Cecília durante o brinquedo, mas esta o repeliu.
O jovem queixou-se ao preceptor, que o contou aos pais da donzela. Não sei o que disseram, mas castigaram Cecília, proibindo-lhe de sair do quarto.
Lá vi sempre o Anjo com ela, ensinando-a a tocar o instrumento e a cantar.
Finalmente tive também uma visão dos esponsais de Cecília.
Vi os pais de ambos e muitos outros homens, mulheres, meninos e meninas numa sala, onde se viam belas estátuas.
Cecília e Valériano estavam adornados de grinaldas e vestes festivas, de cor.
Havia também uma mesa baixa, carregada de iguarias. O Anjo ficava sempre entre Cecília e o noivo.
Depois os vi a sós num quarto. Cecília disse que era sempre acompanhada por um Anjo e como Valériano quisesse vê-lo, respondeu que não o podia sem ser batizado.
Quando o mandou procurar Santo Urbano, já seguira com o esposo para outra casa."
Em outra ocasião conta Catharina Emmerich: "Vi a Santa sentada num quarto muito simples, quadrangular.
Tinha sobre os joelhos uma caixa triangular, da altura de algumas polegadas, encordoada, na qual tocava com ambas as mãos; erguia os olhos e sobre ela se via um esplendor e pairavam entes luminosos, como Anjos ou crianças bem-aventuradas, cuja presença Cecília parecia sentir.
Vi-lhe também ao lado um Jovem sumamente puro e delicado; era mais alto do que ela, mas sujeitava-se-lhe humilde, obedecendo-lhe às ordens.
Creio que era Valériano, pois mais tarde o vi amarrado com outro (Tibúrcio) a um poste, flagelado com açoites e decapitado.
Não se realizou este martírio na praça grande do suplício, mas num lugar mais deserto.
Vi também o martírio de Santa Cecília, num pátio circular, diante da casa.
A casa era quadrangular, com terraço sobre o qual se podia passear; nos quatro cantos havia quatro esferas de alvenaria e no centro, creio que uma estátua.
No pátio tinham colocado uma caldeira grande, aquecida por uma forte fogueira e na qual vi sentada a virgem, com os braços estendidos, vestida de branco, resplandecente e alegre.
Um Anjo, irradiando uma luz vermelha, estendia-lhe a mão, outro segurava-lhe uma coroa de flores sobre a cabeça.
Tendo uma lembrança obscura de ter visto um animal cornudo, que parecia uma vaca brava, mas não como as vacas de nosso tempo; foi conduzido pela porta do pátio e através deste a um buraco escuro.
Cecília foi depois tirada da caldeira e três vezes golpeada no pescoço, com uma espada curta e larga.
Mas não vi senão a espada. Vi-a também viva ainda, apesar de ferida e falar com um sacerdote velho, que eu já tinha visto antes, em casa da mártir.
Mais tarde vi a casa transformada em Igreja; vi lá conservadas muitas relíquias, inclusive o corpo da Santa, do qual, porém, de um lado, tinham sido tiradas muitas partes.
Havia Missa nessa Igreja."
Santa Cecília apareceu na sua festa de 1819 à piedosa serva de Deus, para a consolar na perseguição que contra ela se levantara.
"Pedi a Santa Cecília que me consolasse e no mesmo momento tive a aparição.
Era comovente. A cabeça, separada por uma larga ferida do pescoço, estava inclinada sobre o ombro esquerdo.
Não era alta, tinha cabelos e olhos pretos, cútis branca, era bela e delicada. Vestia uma veste branca, mas não branqueada, com grandes e grossos florões dourados, com a qual provavelmente foi martirizada.
Disse-me mais ou menos o seguinte: "Tem paciência. As tuas faltas Deus as perdoará, se te arrependeres.
Não fiques tão abatida por ter dito a verdade aos teus perseguidores. Quem é inocente, pode falar com toda a franqueza os inimigos.
Também falei com severidade aos meus inimigos e quando me falaram da flor da mocidade e das flores de ouro do meu vestido.
Respondi-lhes que as estimava tão pouco como o pó de que eram feitos os seus ídolos e que queria ouro em troca desse lodo.
Vê, com esta ferida vivi três dias e gozei do consolo do servo de Jesus Cristo. Trouxe-te a paciência, a menina de verde roupagem; ama-a, que ela te auxiliará"

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