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sábado, 13 de agosto de 2011

Santa Catarina de Alexandria - 25 de Novembro

Segundo Anna Catarina Emmerich
"O pai de Santa Catarina chamava-se Costa. Era descendente de estirpe real; pois um dos seus antepassados era Hazael, que fora ungido rei da Síria por Elias, por ordem de Deus.
Do lado materno descendia Catarina da família de Mercúria, sacerdotisa pagã, convertida por Jesus na ilha de Salamina.
Catarina era filha única de Costa. Tinha, como a mãe, cabelo loiro-claro, era muito viva e corajosa, tendo sempre alguma coisa que sofrer ou disputar.
Tinha uma ama e desde muito cedo recebeu mestres masculinos.
Via-a fazer brinquedos de cortiça para crianças pobres. Já mais crescida, escrevia muito sobre lousas e rolos, dando-os depois a outras meninas, para as copiar.
Vi também que se dava muito com a ama de Santa Bárbara, que era cristã ocultamente.
Catarina possuía em alto grau o dom de profecia dos antepassados de sua mãe e aquela profecia a respeito do grande profeta foi-lhe mostrada também numa visão, quando tinha apenas seis anos.
Contou-a durante o jantar aos pais, que não ignoravam a história de Mercúria.
O pai, homem muito severo e reservado, encerrou-a por castigo num subterrâneo.
Vi que ali os ratinhos e outros animais se lhe mostravam muito familiares, brincando diante dela.
Havia uma luz em redor de Catarina. Desejava de toda a sua alma o Salvador dos homens, pedindo que a tocasse também e tinha muitas visões e iluminações.
Desde aquele tempo nutria um ódio invencível contra todos os ídolos; escondia, enterrava ou quebrava todas pequenas estátuas de falsos deuses, que podia apanhar e por isso e por motivo dos discursos estranhos e profundos que proferia contra a idolatria, era muitas vezes encerrada no cárcere do pai.
Contudo era também instruída em todas as ciências; vi que andando, escrevia na areia e nas paredes do palácio e que as companheiras a imitavam.
Quando tinha cerca de oito anos, partiu com o pai para Alexandria, onde o futuro noivo a conheceu.
O pai voltou com ela a Chipre. Ali não havia mais judeus, mas de vez em quando se encontravam um escravo judeu e poucos cristãos ocultos.
Catarina foi instruída interiormente por Deus e rezava com ardente desejo do Batismo, que recebeu aos dez anos.
Foi quando o bispo de Dióspoli mandou, às ocultas, três sacerdotes a Chipre, para consolar os cristãos.
Recebeu uma ordem interna de mandar batizar também Catarina, que estava então novamente no cárcere, onde tinha por guarda um cristão disfarçado.
Este a levou de noite à reunião secreta dos cristãos, num subterrâneo fora da cidade, onde ela foi repetida vezes e lá, junto com outros, foi instruída na fé e batizada pelos sacerdotes.
Vi que o batizante lhe derramou sobre a cabeça água de uma taça.
Catarina recebeu, com o batismo, uma inefável sabedoria.
Falava de coisas maravilhosas, mas ainda ocultava a fé cristã, como todos os cristãos faziam.
Como, porém, o pai não lhe suportasse mais aversão pela idolatria, as palavras e profecias, levou-a a Pafos, mandando encerrá-la num cárcere, julgando que ali não poderia travar relações com pessoas da mesma convicção religiosa.
Contudo Catarina era tão bela e inteligente que o pai a amava ternamente.
As criadas e guardas eram mudadas freqüentemente, porque havia entre elas muitas vezes ocultas cristãs.
Já dantes gozara da aparição de Jesus, o Esposo celeste, no qual sempre pensava e de outro esposo não queria saber.
De Pafos voltou novamente para casa e o pai quis dá-Ia em matrimônio a um jovem de nome Maximiliano, descendente de uma antiga família real e sobrinho do governador de Alexandria, que não tinha filhos e o fizera seu herdeiro.
Mas Catarina não o queria absolutamente. Antes deste noivado, quando tinha doze anos, lhe morrera a mãe nos braços.
Catarina confessou a mãe que era cristã e instruiu-a, induzindo-a a receber o batismo.
Vi que Catarina derramou água de uma taça de ouro, com um ramo, sobre a cabeça, testa, boca e peito da mãe.
Havia sempre muito tráfego entre Alexandria e Chipre e o pai mandou Catarina à casa de parentes, esperando que afinal se afeiçoasse ao noivo.
Tinha naquele tempo treze anos. Em Alexandria morava com o pai do noivo, numa vasta casa, com várias salas.
O noivo morava também lá, mas separado dela; estava como desvairado de amor e mágoa.
Ela, porém, falava sempre do outro noivo, a quem amava; por isso pensaram em mudar-lhe os sentimentos pela sedução.
Mandavam também homens sábios e doutos, para a desviar da fé cristã, mas Catarina confundia a todos.
Naquele tempo era Teonas Patriarca de Alexandria, o qual conseguiu com grande brandura, que os cristãos não fossem perseguidos pelos pagãos.
Mas eram sempre muito oprimidos e tinham de suportar tudo calados e de evitar qualquer campanha contra a idolatria.
Nessas circunstâncias se formou uma perniciosa convivência tolerante com os gentios, causando grande indiferença entre os cristãos e por isso dispôs Deus que Catarina despertasse muitos da frouxidão, pelas suas luzes e seu ardente zelo.
Vi Catarina em casa de Teonas. Este lhe deu o Santíssimo Sacramento, que ela levou para casa, transportando-o numa cápsula de ouro sobre o peito.
Não recebeu o Preciosíssimo Sangue. Vi naquele tempo em Alexandria muitos pobres homens presos com a aparência de eremitas, que eram horrivelmente torturados nos trabalhos pesados de construções, transportando ou carregando pedras.
Creio que eram judeus convertidos à fé cristã, que tinham formado uma colonia ao pé do monte Sinai, sendo depois presos e levados a Alexandria.
Vestiam vestes de cor parda, tecidas de cordas da grossura de um dedo e um pano pardo na cabeça, que pendia sobre os ombros.
Vi que também receberam o Santíssimo Sacramento às escondidas.
Catarina voltou também uma vez a Chipre, quando o noivo fez uma viagem de Alexandria à Pérsia e ela esperava ficar livre dele.
O pai estava muito enfadado de a ver ainda solteira.
Teve de voltar para Alexandria e lá insistiram ainda mais para que se casasse.
Mais tarde a levou o pai ainda uma vez à Salamina, onde foi solenemente recebida por moças pagãs e levada a muitos divertimentos e festas; mas não conseguiram mudar-lhe a decisão.
De volta a Alexandria, insistiam ainda mais em lhe tirar a fé.
Vi uma grande festa pagã. Catarina foi obrigada pelos parentes pagãos a ir ao templo pagão; mas não se deixou induzir a sacrificar aos ídolos.
Ao contrário, quando estavam os pagãos no meio das esplêndidas cerimônias do sacrifício, avançou Catarina, inspirada de zelo sobrenatural para os que sacrificavam e derrubando os altares de incenso e os vasos, começou a pregar em alta voz contra o pecado abominável da idolatria.
Levantou-se grande tumulto, apoderaram-se dela, declarando-a louca; repreenderam-na no átrio do templo, mas a jovem começou a falar ainda com mais veemência.
Então a prenderam, mas a caminho do cárcere chamou todos os cristãos para se reunirem a ela e darem o sangue Aquele que os salvara com seu Sangue divino.
Foi encarcerada, açoitada com escorpiões e lançada às feras. Eu pensava comigo que não era permitido procurar assim à força o martírio.
Mas há exceções desta regra e instrumentos da vocação de Deus. Catarina tinha sido sempre impelida à idolatria e ao odioso matrimônio; logo depois da morte da mãe, o pai a levara muitas vezes às indecentes festas de Vênus; lá, porém, nunca abrira os olhos.
Em Alexandria afrouxara o zelo dos cristãos.
Agradava muito aos gentios que o patriaca Teonas consolasse os maltratados escravos cristãos e os exortasse a servirem fielmente aos cruéis senhores; mostravam-se tão amigos de Teonas, que muitos cristãos fracos na fé pensavam que a idolatria não fosse condenável.
Por isso Deus mandou esta virgem de espírito forte, corajosa e inspirada, para converter pelas palavras, pelo exemplo e o martírio muitos que , sem isto, teriam perecido.
Cuidara sempre tão pouco de ocultar a fé, que visitava os escravos e operários cristãos, nas praças públicas, consolando-os e exortando-os à perseverança na fé; pois sabia quantos se tornavam indiferentes, pela tolerância e apostatava da fé.
Vira também tais apostatas no templo, tomando parte nos sacrifícios; por isso lhe era tão veemente a dor e indignação.
As feras, às quais foi lançada depois da flagelação, lambiam-lhe as feridas, que saravam de repente, por milagre quando foi novamente levada ao cárcere.
Chegou o pai de Salamina tirando-a do cárcere, levou-a de novo para a casa do noivo.
Ali empregaram todos os meios de tentação, para a induzir à apostasia.
Mas as moças pagãs, que a deviam persuadir à idolatria, eram convertidas por ela para Cristo e também os filósofos que vieram disputar com ela, aderiram-lhe.
O pai ficou furioso, atribuiu tudo à feitiçaria e mandou açoitar Catarina de novo e lançá-la no cárcere.
A mulher do tirano (Maximino) visitou-a no cárcere e converteu-se, junto com um oficial (Porfírio).
Quando entraram no cárcere, um Anjo pôs-lhe uma coroa sobre a cabeça e outro lhe ofereceu uma palma.
Não sei se a mulher o viu.
Catarina foi então levada ao circo e colocada sobre um estrado, entre rodas largas, munidas de pontas de ferros cortantes, como relhas de arado.
Quando quiseram fazer girar as rodas, foram quebradas pelos raios lançados no meio dos pagãos, dos quais cerca de trinta ficaram feridos ou mortos.
Desencadeou-se uma violenta tempestade, com saraivada; ela, porém, ficou sentada tranqüilamente, com os braços estendidos, entre os destroços das rodas.
Conduziram-na novamente ao cárcere e por vários dias tentaram persuadí-la à idolatria.
Alguns homens quiseram violá-la, mas Catarina repeliu-os com a mão e eles ficaram rígidos como estátuas e sem força para se mover.
Outros se atiraram sobre ela, mas a donzela afastou-os, mostrando-lhes os que se tinham tomado como petrificados.
Tomavam tudo por feitiçaria e Catarina foi de novo conduzida ao lugar do suplício.
Ajoelhou-se diante de um cepo, volvendo a cabeça um pouco para o lado e assim foi degolada, com um ferro das rodas destruídas.
Correu tanta quantidade de sangue, que todos se admiraram; esguichava com força e tomou-se finalmente claro como água.
A cabeça caiu por terra. Atiraram o corpo sobre uma fogueira, mas as chamas arremessaram-se contra os carrascos; o corpo ficou envolto, numa nuvem de fumaça.
Tiraram-no então e lançaram-no a algumas feras esfomeadas, para que o despedaçassem. Mas estas não o tocaram e no dia seguinte os carrascos atiraram o corpo da santa virgem numa fossa cheia de excrementos, debaixo de sabugueiros.
Na noite seguinte vi nesse lugar dois Anjos, em vestes sacerdotais, que envolveram o corpo resplandecente numa coberta de entrecasca e o levaram, voando.
Os dois Anjos transportaram o corpo da virgem para o cume inacessível do monte Sinai.
Vi a superfície do cimo, era pouco extensa, tamanho de uma pequena casa; constava de uma rocha de diversas cores, na qual se achavam impressas formas de plantas.
Colocaram cabeça e corpo de bruços sobre a rocha, que parecia mole como cera, pois o corpo se lhe imprimiu inteiro, como numa forma.
Vi que os lados superiores das mãos estavam perfeitamente desenhados na pedra.
Os Anjos colocaram sobre a pedra, que se elevava um pouco acima do solo, coberta brilhante.
O santo corpo ficou nesse lugar, durante vários séculos, inteiramente oculto, até que foi mostrado por Deus, numa visão, a um eremita, perto do monte Horeb.
Ali viviam vários eremitas, sob a direção de um abade. O eremita revelou ao abade a visão, que várias vezes tivera e verificou-se que ainda outro dos confrades tinha tido a mesma visão.
O abade ordenou-lhes, sob obediência, que trouxessem o santo corpo, o que de modo natural era impossível; pois o cume era inteiramente inacessível, inclinado e fendido.
Vi-os abrirem numa noite caminho, para o qual precisa de vários dias; estavam num estado sobrenatural.
Era noite escura, em redor lhes brilhava uma luz. Vi que ambos foram levados por Anjos ao cume escarpado; vi os Anjos abrirem o sepulcro, entregando a um a cabeça, ao outro o corpo envolto, que já se tomara pequeno e leve e carregando as relíquias assim nos braços, foram levados novamente para baixo pelos Anjos, que os seguravam pelos braços.
Vi ao pé do Sinai a capela onde descansa o corpo sagrado: é construída sobre doze colunas. Os monges pareciam ser gregos. Vestiam hábito de uma fazenda grossa, que ali mesmo fabricavam.
Vi as relíquias de Santa Catarina num pequeno caixão. Mas restava apenas o alvíssimo crânio e um braço inteiro; mais não vi. Tudo está em ruína.
Vi também no monte, ao lado da sacristia, um pequeno subterrâneo cujas paredes contém, em cavidades, santas relíquias, que na maior parte estão envoltas em pano de lã ou seda e bem conservadas.
Há entre elas também restos de profetas, que antigamente viveram ao pé do monte e que já eram venerados nas grutas do monte pelos Essenos.
Vi ali também ossos de Jacó, de José e da família, que os israelitas trouxeram consigo quando saíram do Egito.
Essas santas relíquias pareciam ser desconhecidas; mas são às vezes veneradas por piedosos monges.
A Igreja encosta-se ao lado do monte que dá para Arábia. Mas de tal modo,que se lhe pode ainda passar por detrás.
Catarina tinha dezesseis anos, quando morreu mártir, no ano 299.
Das numerosas virgens que a acompanharam chorando, ao lugar do suplício, apostataram algumas mais tarde; a mulher do tirano, porém, e o oficial sofreram com firmeza a morte e o martírio".

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