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sábado, 13 de agosto de 2011

Santa Apolônia - 9 de Fevereiro

Segundo Anna Catarina Emmerich
"A cidade em que Apolônia sofreu o martírio, estava situada sobre uma ponta de terra.
Os numerosos ramos pelos quais o Nilo se derrama no mar, não ficam mui
to longe dali.
É uma cidade vasta e bela (Alexandria), na qual se achava a casa paterna de Apolônia, cercada de pátios e jardins, num largo elevado.
Presenciou-lhe o martírio uma viúva idosa, de estatura alta.
Os pais eram pagãos; ela, porém, já fora instruída desde criança na doutrina cristã e batizada pela ama, que era uma cristã oculta.
Depois de crescida, foi casada pelos pais com um pagão, com quem vivia na casa paterna.
Tinha muito que sofrer e a vida matrimonial era-lhe uma penitência penosa.
Via-se prostrada por terra, banhada em lágrimas, rezando e cobrindo a cabeça de cinza.
O marido era um homem alto e magro e muito pálido; morreu muito antes dela.
Apolônia viveu ainda cerca de trinta anos após a morte do esposo, como viúva sem filhos.
Fazia muitas obras de misericórdia aos pobres cristãos e era a consolação e esperança de todos os necessitados.
A ama sofreu também o martírio, um pouco antes dela.
Foi por ocasião de um tumulto, em que foram saqueadas as casas dos cristãos e destruídas pelo fogo, sendo mortos também muitos cristãos.
Vi Apolônia mais tarde, presa em casa, por ordem do Juiz, conduzida ao tribunal e depois lançada no cárcere.
Vi que foi conduzida repetidas vezes para diante do juiz, sendo cruelmente maltratada, por causa das palavras severas e decididas com que confessava a fé cristã.
Era um espetáculo que feria o coração e eu não podia deixar de chorar amargamente, ao passo que podia ver outros martírios, muito maiores, com grande calma.
Talvez fosse a idade e o aspecto venerável da mártir o que me comovia.
Davam-lhe pancadas com maças, batiam-lhe no rosto e na cabeça com pedras.
Esmagaram-lhe o nariz, o sangue corria-lhe da cabeça, as faces e a boca estavam rasgadas, os dentes tinham-lhe saltado fora, com as pancadas.
Vestia a veste branca, com os lados abertos, com a qual tantas vezes tenho visto os mártires.
Por baixo tinha uma camisa de lã. Por isso foi também chamada "virgem", porque mais tarde esqueceram que fora casada.
Estava sentada num assento de pedra sem encosto, as mãos amarradas atrás na pedra e também os pés atados.
Tinham-lhe arrancado o véu, o longo cabelo pendia-lhe solto em redor da cabeça.
O rosto estava todo desfigurado e coberto de sangue.
Um dos carrascos segurava-a por detrás, puxando-lhe a cabeça, outro lhe abria a boca ferida, introduzindo-lhe à força na mesma um pedaço de chumbo.
Depois lhe arrancou o carrasco um dente após outro com um grosso tenaz, quebrando-lhe ainda pedaços da mandíbula.
Durante essa tortura, em que Apolônia sofreu até cair desmaiada, vi que Anjos, almas de santos mártires e também a aparição de Jesus a consolavam e confortavam e que implorou e recebeu a graça de tomar-se protetora contra dores de dentes, de cabeça e do rosto.
Como não deixava de louvar a Jesus e desprezar os sacrifícios dos ídolos, mandou o juiz que fosse conduzida à fogueira e se não mudasse de convicção, lançada ao fogo.
Vi que não podia mais andar sozinha; estava já semi-morta.
Dois carrascos levantaram-na pelos braços e arrastaram-na a um lugar elevado e plano, onde ardia uma fogueira numa fossa.
Diante da fogueira, parecia pedir uma coisa. Não podia mais levantar a cabeça.
Os pagãos julgaram que quisesse negar Jesus ou que vacilasse na fé e soltaram-na.
Ela, porém, caiu por terra moribunda. Rezou, mas de repente se levantou e deitou-se nas chamas.
Durante todas as torturas vi muita gente pobre, à qual Apolônia socorrera, durante tantos anos: torciam as mãos, choravam e lamentavam.
Por si mesma não teria podido lançar-se no fogo, recebeu a força e inspiração de Deus.
Vi que não foi consumida pelo fogo, mas assada. Depois que morreu, os pagãos abandonaram o lugar.
Os cristãos aproximaram-se ocultamente, tiraram o corpo sagrado e sepultaram-no num lugar abobadado.

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