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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Irmão Vito Curzio (Breve resumo de sua vida, por Sto. Afonso )

Irmão Vito Curzio

Breve resumo de sua vida, por Sto. Afonso

Tradução de Fl.Castro

Edição Pdf de Fl. Castro

Aparecida, 2004 2

Vito Curzio abriu os olhos para a luz em Acqua-viva, terra situada na diocese de Bari, tendo nascido de pais piedosos e de posses. Durante todo o tempo de sua juventude mostrou sua iracúndia presunçosa, de modo que várias vezes esteve em perigo de per-der a vida.

Com efeito, uma vez, ressentido com uma ofen-sa, que acreditava lhe tinha sido feita por um doutor, encontrando-o deu-lhe um tiro de pistola; permitiu, porém, o Senhor que errasse o tiro não só nessa oportunidade mas também em outra; pois que, dis-cutindo com um militar e de cabeça quente, teve a ousadia de lhe dar um tiro de arcabuz, sem lhe cau-sar nenhum ferimento.

Mas, enquanto Curzio levava uma vida tão per-versa, Deus já trabalhava com sua graça em seu coração, destinando-o a coisas sublimes; e usando de misericórdia com ele, Afastou-o completamente das vaidades do século e das glórias mundanas; assim que, ao voltar ele de Prócida para Nápoles, onde estava como tesoureiro do marquez de Vasto, estabeleceu contato com o procurador do mesmo marquez, o D. César Sportelli, com o qual travou amizade, e com isso percebeu que o pensamento de Sportelli estava voltado para as coisas celestes, e que estava decidido a abandonar o mundo; tanto que mais que Curzio, falando uma vez com D. César sobre a nova Congregação do Ss. Redentor, que se estava instalando na cidade de Scala, começou a amá-la tanto que, ajudado pela graça, de repente se viu transformado; e tendo-se enamorado da santida-de das regras que o fundador lhe tinha prescrito, fez 3

vivas e fortes solicitações para ser numerado entre dos congregados como irmão leigo.

E, verdade seja dita, deu provas acima de qual-quer dúvida para o discernimento de sua vocação; e o Senhor Deus, que move os corações dos homens permitiu que em uma visão Vito Curzio pudesse re-conhecer o acerto da sua escolha. Com efeito, uma noite enquanto dormia, pareceu-lhe estar aos pés de um monte desmesurado e difícil de subir; apesar disso, muitos padres subiam até seu cume com bas-tante facilidade e rapidez, de modo que ele tentou imitá-los, mas em vão; pois, logo que avançava um pé, retrocedia de onde estava, e repetindo a tentati-va, resultava sempre inútil, até que, movido de com-paixão, um daqueles Padres fez o gesto de esten-der-lhe a mão, e com sua ajude pôde chegar feliz-mente ao alto do monte. Foi nessa ocasião que re-conheceu a mão de Deus que se mostrava benévola para com ele.

Aconteceu que um dia, fazendo um passeio na companhia do Pe. Sportelli, encontrou um padre da Congregação do Ss. Redentor e, embora nunca o tivesse visto, reconheceu-o como sendo o padre que lhe havia dado a mão para ajudá-lo a chegar ao alto do monte. Muito contente disse ao Pe. Sportelli: “É esse o padre que me deu a mão para eu subir a montanha”. Nesse fato compreendeu como Deus cuida daquelas almas que quer atrair a si. Naquele mesmo momento sentiu em si um tão grande entusi-asmo pelo serviço de Deus no estado religioso, que decidiu abraçá-lo de todo o coração, e por isso im-plorou insistentemente ao superior da Congregação 4

do Ss. Redentor que o admitisse o mais depressa possível.

No entanto, estes seus tão santos desejos não foram atendidos durante muito tempo, até que enfim Deus resolveu contentá-lo. Mas o superior, depois de examinar seu pedido, não quis que entrasse logo na Congregação, mas aguardasse até que lhe desse a ordem de dirigir-se a Scala. Essa demora deixou-o muito angustiado; ansiando pela chamada a qual-quer momento, desabafava toda a sua dor junto de Jesus Crucificado, e suplicava que o consolasse o mais depressa possível. Assim Deus quis prová-lo neste ponto; e quando um dia se debatia em meio a grandes dores por causa dessa questão, uma voz interior disse-lhe: “Ânimo, prepara-te, pois em breve terás de partir”. A tais palavras encheu-se de grande alegria.

Realmente não eram passados nem oito dias desde a fundação da Congregação, quando lhe foi dada a ordem, por parte do superior, de dirigir-se a Scala para receber o hábito religioso. Não hesitou nem um só momento e partiu a toda a apressa. Chegando a Scala, foi recebido pelo superior e este, para ter uma prova de sua obediência, deu-lhe a or-dem de servir à mesa durante a refeição.

Sendo que seu ponto fraco sempre tinha sido detestar os desprezos, por instigação do inimigo dos homens, que faz parecer difíceis e pesadas todas as boas ações, essa obediência pareceu-lhe tão extra-vagante e injuriosa que o Irmão Curzio se pôs a re-fletir sobre essas instigações do tentador inimigo. Dizia a si mesmo: “Como? Você tem de servir à me-5

sa? Será que se tornou um simples servo?” Com essas reflexões e imaginações diabólicas ficou tão emocionado e perturbado que até chegou a pensar em tirar vingança de quem lhe havia dado tal ordem. Mas, enquanto revolvia cheio de indignação tais pensamentos, percebeu que um distinto senhor, que também desejava entrar na Congregação, servia ele também à mesa. Com isso Curzio ficou tão admirado que foi tomado de grande arrependimento e come-çou a compreender que tudo não passava de uma terrível tentação, e, auxiliado pelas sugestões do Anjo da Guarda, passou a pensar de maneira muito diversa: “Como, esse senhor pode servir à mesa e tu não podes?” Então procurou vencer-se a si mesmo e, tendo recuperado a calma, começou a servir à mesa com muita resignação.

Essa obediência fez que Irmão Curzio começas-se a ser cumulado da graça divina, de santos dese-jos e de superabundantes consolações celestes. A partir de então, durante a oração e especialmente ao receber Jesus nas espécies eucarísticas – o que fazia quase todos os dias – foi tão grande a abun-dâncias de luzes e de lágrimas, que nada podia in-terromper seu pranto, tão abundante que lágrimas e soluços pareciam sufocá-lo. Muitas vezes o sacerdo-te celebrante, ao dar-lhe a comunhão, tinha de espe-rar muito até que pudesse dar-lhe a sagrada hóstia. Tendo recebido Jesus em seu coração, desafogava em mais lágrimas seu grande amor para com ele.

Para ver quanta ternura mostrasse na oração, quando meditava nas grandezas de seu Criador, bastava lembrar-lhe os mistérios da Redenção, o nascimento, a paixão e a morte de Jesus Cristo. Era 6

isso que lhe consolava o espírito. Nesses santos exercícios purificou-se a alma de Curzio, de modo que o Senhor permitiu que nele cessassem aqueles fervores sensíveis que, durante um ano mais ou me-nos, o tinham cumulado de tantas doçuras. Mas le-vou-o a um grau tão sublime de oração que, com freqüência, sem que sua alma nem se desse conta, penetrava na contemplação das coisas celestes. De tal modo que pensava que Deus lhe tivesse retirado o dom das graças, e o tivesse abandonado; mal saía de tão doce e tão sensível contemplação de Deus, começava a dizer: “Que vem a ser isso? De um mo-mento para o outro a oração chega ao fim; é verda-de, tenho a impressão de ter estado unido a Deus, mas se quero dizer em que andei pensando, não sei, nem sei dizer o que me fez”. Depois ficava iluminado de modo tão sublime por essa oração que, vendo a que se reduzem as vaidades e grandezas humanas, considerava loucos os homens que inteiramente se entregam à construção de palácios e à aquisição de riquezas, como se sua felicidade pudesse estar nes-ta terra.

Por isso, renunciando aos prazeres que lhe ofe-recia a pátria, bem como ao amor que lhe desperta-vam os parentes, sempre voltava sua mente para Deus, e em nada pensava senão em chegar ao mais alto grau de perfeição. Por isso jamais viam seu ros-to perturbado pelas paixões tumultuosas, mas sem-pre sereno, sinal da paz que lhe ia no coração; tendo os olhos sempre fixos na terra, não os erguia para observar curiosidades que se lhe apresentavam e que são incentivos ao pecado. 7

A exemplariedade do Irmão Curzio na humilha-ção e na mortificação despertou a atenção e a imita-ção de seus contemporâneos. Ele que era tão sen-sível em questão de honra, e que tanto odiava os trabalhos humildes, daquele momento em diante não se recusou a abraçar qualquer coisa que lhe possibi-litasse mortificações ao corpo e humilhações para a sua vaidade pessoal.

Por isso, aproveitarei disso para honrar sua memória, referindo alguns fatos que exaltam muito sua humildade e mortificação.

Em primeiro lugar, antes que se abater, alegra-va-se quando devia carregar aos ombros, para levá-lo ao quintal, o esterco da latrina da comunidade. Mais ainda era notável nele essa virtude quando ia buscar água para a comunidade porque, estando a fonte bastante longe do convento, Irmão Curzio, sem nem pensar na dureza do trabalho, punha às costas a grande vasilha, ia até lá. E, depois de a ter enchi-do, voltava para o convento com aquele imenso pe-so, que se fazia ainda maior devido à ladeira áspera e empinada que devia vencer. Chegando afinal ao convento, sem se importar com a canseira, ainda com a vasilha sobre os ombros, parava diante de Jesus Crucificado e oferecia-lhe a grande fadiga que suportava por seu amor.

Para honrar com maior respeito a presença divi-na, além de outros meios pessoais e ocultos que usava, não levava em conta o peso das estações que, ora com a rigidez do frio, ora com os ardores do calor, obrigam os homens a se proteger, adaptando as roupas às variações do tempo. Curzio desprezava 8

todos esses cuidados; jamais, nem no verão nem no inverno, cobria a cabeça ao girar pelos caminhos. Uma vez, por descuido não lhe tendo sido fornecida roupa de inverno, sem se lamentar ficou apenas com a camisa e a sotaina; isso em Ciorani, onde o vento norte sopra mais forte.

Assim descobria jeitos para maltratar seu corpo com as mortificações mais extraordinárias e esquisi-tas: estando encarregado de cuidar do quintal, tirava os sapatos e trabalhava com os pés mergulhados na lama; e ficou muito triste quando isso lhe foi expres-samente proibido pelo superior. Igualmente foi-lhe proibido sugar a matéria que manava da chaga de um velho enfermo. Isso, porém, não basta; mais ad-mirável foi o modo cruel como tratou seu próprio corpo. Tendo feito um cinto com pontas de ferro, com o comprimento de mais ou menos dois palmos, prendia-o na cintura e por muito tempo mantinha sobre sua pessoa instrumento tão incômodo. De modo mais bárbaro ainda, impunha-se ásperas e contínuas disciplinas até o sangue. A tal ponto que, com esse contínuo flagelar-se, acabou ferindo um nervo da perna, que assim ficou até os últimos tem-pos de sua vida.

Quanto ao alimento, contentava-se com pão e caldo, se bem que pudesse facilmente servir-se mais que aos outros, uma vez que era o encarregado da distribuição dos alimentos; mesmo assim não reser-vava para si nem carne nem sopa. Com igual suces-so em nada esmoreceu na perfeita resignação devi-da à autoridade dos superiores em tudo aquilo que não é proibido pela lei de Deus. Enquanto delibera-damente se esforçava por atormentar os sentidos do 9

corpo, aprouve a Deus pô-lo numa provação mais dura e de vitória mais difícil.

Entre outras coisas quero mencionar a obediên-cia perfeita ao bispo de Scala, que lhe mandou tirar de uma cisterna uma grande quantidade de água. Curzio sem perder a coragem, ainda que o cansaço fosse enorme e provavelmente sua natureza refu-gasse e sofresse, mesmo assim, ao pôr em prática a ordem recebida, dizia para si mesmo, como o pude-ram ouvir os presentes: “Quer estoures, quer arre-bentes, é isso que tens de fazer!”

E uma outra vez, tendo-lhe sido mandado que ajudasse um carpinteiro a serrar algumas tábuas, depois de poucas horas estava prostrado pela fadi-ga. De tal modo que o carpinteiro, com dó, disse-lhe que descansasse um pouco antes de continuar o trabalho. Ele, porém, preocupado com o cumprimen-to da obrigação que lhe fora imposta, respondeu: “Não, vamos obedecer. Pode puxar!”

Não terminam aqui as santas e virtuosas ações de Curzio. Como tinha resolvido agradar a Deus em tudo e por tudo, jamais reclamava de certas coisas que indevidamente se exigiam dele. Pelo contrário, fiel ao procedimento que tinha assumido, muitas ve-zes voluntariamente criava para si algumas mortifi-cações, que sempre mais o elevavam no conheci-mento de Deus. Por isso procurou nunca se descul-par de modo nenhum, ainda que fosse inocente, o-cultando com o silêncio as culpas alheias.

Sirva como exemplo o que aconteceu quando o padre ministro da casa proibiu colocar na mesa uma quantidade muito grande de frutas, como ele costu-10

mava fazer por ordem do padre reitor. Sem se per-turbar, irmão Vito continuou com o mesmo sistema, apesar da proibição feita, e com isso recebeu uma sonora repreensão, sem porém apresentar suas ra-zões, até que outros as apresentassem ao padre ministro.

Outra vez o superior queria um escrito de muita importância e que, por acaso, tinha sido queimado por um padre. Ao Irmão Curzio foi perguntado se sabia onde estava aquele documento. Ainda que soubesse de quem era a culpa, mesmo assim res-pondeu em termos gerais: "Foi queimado", o que dava a impressão que ele mesmo o tivesse queima-do. Por isso recebeu uma grave repreensão, que aceitou pacientemente sem se perturbar nem escu-sar, para que não fosse descoberto o padre que ti-nha jogado o documento no fogo.

Por fim não me resta dizer outras coisas sobre o irmão Vito Curzio, mas apenas mencionar uns pou-cos fatos que marcaram sua caridade com o próxi-mo.

Voltando, pois, aos tempos de sua entrada na congregação, quero brevemente contar que, por amor do próximo, despojou-se de tudo que possuía no mundo, e deu tudo aos pobres. A partir dessa abnegação de si mesmo e das riquezas, o Irmão Curzio encheu-se de fervor na ajuda ao próximo. Como pelas suas ocupações não podia facilmente atender a tão santo desejo, resolveu pô-lo em práti-ca não só na pessoa dos confrades enfermos, mas também dos de fora que por acaso se encontrassem no convento. 11

Aconteceu uma vez que um sacerdote ficou por pouco tempo com os religiosos da Congregação em Ciorani; caiu doente com fortes dores abdominais e diarréia, que tal modo que aquele infeliz por vinte dias foi obrigado a ficar de cama. Sozinho não podia fazer nada, e por isso o irmão Curzio foi escalado para aliviá-lo em suas angústias. E de fato, com uma paciência infinita, acudia às suas mínimas necessi-dades. Mesmo de noite nem para repousar queria afastar se do quarto do padre. Estava chegando a Semana Santa, dias para ele de exercícios contí-nuos no serviço do Senhor; mesmo assim achou que agradava mais a Deus com aquele ato de caridade do que com as obras devotas que se costumam fa-zer nesses dias sublimes.

Durante o tempo que residiu em Scala, teve mui-tas vezes de descer até Amalfi para buscar a merca-doria que ali chegava e levá-la para o convento. Porque a estrada era muito difícil, os carregadores sucumbiam debaixo do peso enorme; ele, levando em conta a fragilidade humana, e inflamado sempre do amor divino que leva a amar o próximo, para dar vazão à sua caridade, pedia aos carregadores que lhe permitissem ajudá-los: "Vamos, descansai pou-co, pois eu quero ajudarvos". Quando os carregado-res cediam a insistência tão doce e a pressões tão bondosas, era maravilha vê-lo, com pesos de cin-qüenta a sessenta quilos sobre os ombros, a cami-nhar por montanhas tão íngremes.

Por isso mesmo, tão logo correu a notícia de sua morte, esses carregadores, que recebiam de-monstrações tão particulares do irmão Curzio, diziam ao se encontrar com algum padre da Congregação: 12

"O irmão Vito era santo! Quando nos chamava para viajar, pagava-nos, e depois ele mesmo carregava o peso em nosso lugar".

Finalmente, para encerrar as virtudes de nosso elogiado, estando a falar da sua caridade com o pró-ximo, quero concluir com aquele ato que o marcou quando cuidava do padre Sarnelli. Para oferecer um leito mais cômodo ao padre em sua última enfermi-dade, Irmão Curzio abriu mão de seu mísero colchão de palha, e durante muito tempo contentou-se com dormir sobre gravetos.

Já vimos quanto a vontade do Irmão Vito estava submissa a de seus superiores, mesmo daqueles que lhe eram socialmente inferiores. Não será de-mais examinar agora, entre todas, essa virtude que nele foi singular e o elevou à perfeição. Dizia ele que um irmão da Congregação deve ser como a sineta dependurada no pescoço da vaca; tilinta somente quando o animal se move. Assim o irmão não deve fazer nada a não ser movido pela obediência. Po-demos afirmar sem dúvida que essa obediência foi que o levou a gozar mais rapidamente da paz de Deus no céu. E isso porque, estando na casa de Santa Maria da Consolação, em Illiceto, mandou-lhe o superior que fosse a um povoado afastado, onde teve de passar a noite. Como não tinha conseguido pouso em certo convento, foi obrigado a dormir num lugar insalubre. Por causa do mau tempo foi acome-tido de doença tão grave que não lhe permitia voltar para o convento, de onde tinha saído por obediên-cia. A custo pôde chegar até as terras de Illicetto, onde a doença se agravou de modo que ele em bre-ve estava próximo de receber o galardão prometido 13

por Deus àqueles que o servem fielmente, e que sa-bem vencer os contínuos desafios que o mundo está sempre pronto a lhes apresentar no campo amplo e tumultuoso das paixões.

O Irmão Curzio, com a placidez do justo e com a resignação perfeita diante da vontade divina, ansia-va pelo momento tão feliz de participar face a face da glória de seu Senhor, que durante toda a vida contemplara na oração. Mesmo nesses últimos mo-mentos quis dar uma derradeira demonstração de sua obediência, não rejeitando de modo algum os remédios prescritos pelo médico, por mais desagra-dáveis que fossem. Sua paciência chegou ao hero-ísmo, pois que as dores da doença o assaltaram de forma extraordinária; mas ele, sem se lamentar, vol-tava os olhos para o crucifixo e dizia que, em compa-ração com tudo que Jesus tinha sofrido na cruz por seu amor, era um nada o que estava sofrendo.

Finalmente a carreira do bom leigo estava che-gando ao fim. O confessor perguntou-lhe se deseja-va viver ou morrer. Ele, desejando no seu fervor unir-se quanto antes a Deus, respondeu: "Quero somen-te o que Deus quer; no que depende de mim, prefiro morrer, para livrar-me do perigo de ofendê-lo, e para ir vê-lo, se por sua graça chegar a salvação". O dire-tor espiritual avisou-lhe que estava chegando a hora em que Jesus o iria visitar e dar-lhe o viático. Por isso, se tinha alguma coisa a dizer para se reconcili-ar com Deus, certamente o podia fazer naquele mo-mento. Mas ele, com humildade e pura consciência, disse: "Pela graça de Deus não tenho nenhum es-crúpulo. Dai-me Jesus”. Tão logo recebeu em sua alma o santíssimo corpo de Jesus, munido dos últi-14

mos confortos de nossa santa religião, expirou sua alma bendita nos braços do Senhor com paz celesti-al.

Logo que se divulgou no povoado a notícia da morte do irmão Curzio, de todas as casas acorreu grande quantidade de pessoas, a disputar seus pau-pérrimos utensílios e suas vestes rotas para os transformar em relíquias. As exéquias foram acom-panhadas por imensa multidão de povo e por muita gente de posição social. Isso mostra como os servos do Senhor são por ele honrados, conforme as pala-vras do profeta rei!

Haveria muitíssimas outras coisas a se registrar no tocante às heróicas obras do irmão Vito Curzio. Mas, para não ir além do que nos propusemos, con-tentemo-nos com o pouco que foi exposto para inci-tar os fiéis à imitação de um homem tão bom, e en-sinar-lhes assim o caminho que leva ao céu.

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