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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO

INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO

[ Sumário ]

PROÉMIO

Testemunho de fé inalterável

Uma tradição ininterrupta

Adaptação às novas circunstâncias

CAPÍTULO I

IMPORTÂNCIA E DIGNIDADE DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

CAPITULO II

ESTRUTURA DA MISSA, SEUS ELEMENTOS E SUAS PARTES

I. Estrutura geral da Missa

II. Os diversos elementos da Missa

Leitura da palavra de Deus e sua explanação

Orações e outros elementos que pertencem à função do

sacerdote

Outras fórmulas utilizadas na celebração

Modos de proferir os vários textos

Importância do canto

Os gestos e atitudes corporais

O silêncio

III. As várias partes da Missa

A) Ritos iniciais

Entrada

Saudação do altar e da assembléia

Ato penitencial

Kýrie, eleison

Glória in excelsis

Oração colecta

B) Liturgia da palavra

Salmo responsorial

Aclamação antes da leitura do Evangelho

Homilia

Profissão de fé

Oração universal

C) Liturgia eucarística

Preparação dos dons

Oração sobre as oblatas

Oração Eucarística

Rito da Comunhão

Oração dominical

Rito da paz

Comunhão

D) Rito de conclusão

CAPÍTULO III

OFÍCIOS E MINISTÉRIOS NA MISSA

I. Ofícios da Ordem sacra

II. Funções do povo de Deus

III. Ministérios especiais

Ministérios instituídos do acólito e do leitor

As outras funções

IV. A distribuição das funções e a preparação da celebração

CAPÍTULO IV

AS DIVERSAS FORMAS DE CELEBRAÇÃO DA MISSA

I. Missa com o povo

Coisas a preparar

A) A Missa sem diácono

Ritos iniciais

Liturgia da palavra

Liturgia eucarística

Ritos de conclusão

B) A Missa com Diácono

Ritos iniciais

Liturgia da palavra

Liturgia eucarística

Ritos de conclusão

C) Funções do Acólito

Liturgia eucarística

D) Funções do Leitor

Ritos iniciais

Liturgia da palavra

II. Missa concelebrada

Ritos iniciais

Liturgia eucarística

Modo de proferir a Oração eucarística

A) Oração eucarística I, ou Cânone Romano

B) Oração eucarística II

C) Oração eucarística III

D) Oração eucarística IV

Ritos da Comunhão

III. Missa com a assistência de um só ministro

Ritos iniciais

Liturgia da palavra

Liturgia Eucarística

Ritos de conclusão

IV. Algumas normas gerais para todas as formas de celebração da

Missa

Veneração do altar e do Evangeliário

Incensação

Comunhão sob as duas espécies

CAPÍTULO V

DISPOSIÇÃO E ADORNO DAS IGREJAS PARA A CELEBRAÇÃO DA

EUCARISTIA

I. Princípios gerais

II. Disposição do presbitério para a celebração litúrgica

A cadeira para o sacerdote celebrante e outros assentos

III. A disposição da igreja

O lugar dos fiéis

O lugar da schola cantorum e dos instrumentos musicais

As imagens sagradas

CAPÍTULO VI

AS COISAS NECESSÁRIAS PARA A CELEBRAÇÃO DA MISSA

I. O pão e o vinho para celebrar a Eucaristia

II. Alfaias sagradas em geral

III. Os vasos sagrados

IV. As vestes sagradas

V. Outras alfaias destinadas ao uso da Igreja

CAPÍTULO VII

A ESCOLHA DA MISSA E DAS SUAS PARTES

I. A escolha da Missa

II. A escolha das partes da Missa

CAPÍTULO VIII

MISSAS E ORAÇÕES PARA DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS

E MISSAS DE DEFUNTOS

I. Missas e orações para diversas circunstâncias

II. Missas de defuntos

CAPÍTULO IX

ADAPTAÇÕES QUE COMPETEM AOS BISPOS E ÀS SUAS

CONFERÊNCIAS

INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO

PROÉMIO

1. Quando Cristo Senhor estava para celebrar com os discípulos a ceia

pascal, na qual instituiu o sacrifício do seu Corpo e Sangue, mandou

preparar uma grande sala mobiliada (Lc 22, 12). A Igreja sempre entendeu

que esta ordem lhe dizia respeito e, por isso, foi estabelecendo normas

para a celebração da santíssima Eucaristia, no que se refere às

disposições da alma, aos lugares, aos ritos, aos textos. As presentes

normas, promulgadas por vontade expressa do II Concílio do Vaticano, e o

novo Missal que, de futuro, vai ser usado no rito romano para a celebração

da Missa, constituem mais uma prova desta solicitude da Igreja, da sua fé

e do seu amor inalterado para com o sublime mistério eucarístico, e da sua

tradição contínua e coerente, não obstante a introdução de algumas

inovações.

Testemunho de fé inalterável

2. A natureza sacrificial da Missa, solenemente afirmada pelo Concílio

de Trento[1], de acordo com toda a tradição da Igreja, foi mais uma vez

formulada pelo II Concílio do Vaticano, quando, a respeito da Missa,

proferiu estas significativas palavras: “O nosso Salvador, na última Ceia,

instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e Sangue, com o fim de

perpetuar através dos séculos, até à sua vinda, o sacrifício da cruz e, deste

modo, confiar à Igreja, sua amada Esposa, o memorial da sua Morte e

Ressurreição” [2].

Esta doutrina do Concílio, encontramo-la expressamente

enunciada, de modo constante, nos próprios textos da Missa. Assim, o que

já no antigo Sacramentário, vulgarmente chamado Leoniano, se exprimia

de modo inequívoco nesta frase: “todas as vezes que celebramos o

memorial deste sacrifício, realiza-se a obra da nossa redenção”[3],

aparece-nos desenvolvido com toda a clareza e propriedade nas Orações

Eucarísticas. Com efeito, no momento em que o sacerdote faz a

anamnese, dirigindo-se a Deus, em nome de todo o povo, dá-Lhe graças e

oferece-Lhe o sacrifício vivo e santo, isto é, a oblação apresentada pela

Igreja e a Vítima, por cuja imolação quis o mesmo Deus ser aplacado[4]; e

pede que o Corpo e Sangue de Cristo sejam sacrifício agradável a Deus

Pai e salvação para todo o mundo[5].

Deste modo, no novo Missal, a norma da oração (lex orandi) da

Igreja está em consonância perfeita com a perene norma de fé (lex

credendi). Esta ensina-nos que, excepto o modo de oferecer, que é

diverso, existe perfeita identidade entre o sacrifício da cruz e a sua

renovação sacramental na Missa por Cristo Senhor instituída na última

Ceia, ao mandar aos Apóstolos que a celebrassem em memória d’Ele.

Consequentemente, a Missa é ao mesmo tempo sacrifício de louvor, de

acção de graças, de propiciação e de satisfação.

3. O mistério admirável da presença real do Senhor sob as espécies

eucarísticas, reafirmado pelo II Concílio do Vaticano[6] e outros

documentos do Magistério da Igreja[7], no mesmo sentido e com a mesma

doutrina com que o Concílio de Trento o tinha proposto à nossa fé[8], é

também claramente expresso na celebração da Missa, não só pelas

próprias palavras da consagração, em virtude das quais Cristo se torna

presente por transubstanciação, mas também pela forma como, ao longo

de toda a liturgia eucarística, se exprimem os sentimentos de suma

reverência e adoração. É este o motivo que leva o povo cristão a prestar

culto peculiar de adoração a tão admirável Sacramento, na Quinta-Feira da

Ceia do Senhor e na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

4. Quanto à natureza do sacerdócio ministerial próprio do

presbítero, que em nome de Cristo oferece o sacrifício e preside à

assembleia do povo santo, ela é posta claramente em relevo pela própria

estrutura dos ritos, lugar de preeminência e função mesma do sacerdote.

Os atributos desta função ministerial são enunciados explícita e

desenvolvidamente no prefácio da Missa crismal, em Quinta-Feira da

Semana Santa, precisamente no dia em que se comemora a instituição do

sacerdócio. Nesta acção de graças é claramente afirmada a transmissão

do poder sacerdotal mediante a imposição das mãos; e é descrito este

poder, enumerando as suas diversas funções, como continuação do poder

do próprio Cristo, Sumo Pontífice da Nova Aliança.

5. Mas esta natureza do sacerdócio ministerial vem também colocar

na sua verdadeira luz outra realidade de suma importância, que é o

sacerdócio real dos fiéis, cujo sacrifício espiritual é consumado pelo

ministério dos sacerdotes em união com o sacrifício de Cristo, único

Mediador[9]. Com efeito, a celebração da Eucaristia é acção de toda a

Igreja; nesta acção, cada um intervém fazendo só e tudo o que lhe

compete, conforme a sua posição dentro do povo de Deus. E foi

precisamente isto o que levou a prestar maior atenção a certos aspectos

da celebração litúrgica insuficientemente valorizados no decurso dos

séculos. Este povo é o povo de Deus, adquirido pelo Sangue de Cristo,

congregado pelo Senhor, alimentado com a sua palavra; povo chamado

para fazer subir até Deus as preces de toda a família humana; povo que

em Cristo dá graças pelo mistério da salvação, oferecendo o seu Sacrifício;

povo, finalmente, que, pela comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, se

consolida na unidade. E este povo, embora seja santo pela sua origem, vai

continuamente crescendo em santidade, através da participação

consciente, activa e frutuosa no mistério eucarístico[10].

Uma tradição ininterrupta

6. Ao enunciar os princípios que deveriam presidir à revisão do Ordo

Missae, o II Concílio do Vaticano, servindo-se dos mesmos termos usados

por S. Pio V na Bula Quo primum, que promulgava o Missal Tridentino de

1570, determina, entre outras coisas, que certos ritos sejam restaurados

“em conformidade com a antiga norma dos Santos Padres”[11]. Na própria

concordância de termos, pode já verificar-se como, não obstante o espaço

de quatro séculos que medeia entre eles, ambos os Missais Romanos

seguem a mesma tradição. E, se examinarmos atentamente os elementos

mais profundos desta tradição, veremos também como, de uma forma

muito feliz, o segundo Missal vem aperfeiçoar o primeiro.

7. Numa época particularmente difícil como aquela, em que estava

em perigo a fé católica sobre o carácter sacrificial da Missa, sobre o

sacerdócio ministerial, sobre a presença real e permanente de Cristo sob

as espécies eucarísticas, o que mais preocupava S. Pio V era salvaguardar

uma tradição, algo recente, é certo, mas injustamente atacada, e,

consequentemente, introduzir o mínimo de alterações nos ritos sagrados.

De facto, este Missal de 1570 pouco difere do primeiro impresso em 1474,

o qual, por sua vez, reproduz fielmente o Missal do tempo de Inocêncio III.

Além disso, se bem que os códices da Biblioteca Vaticana tenham ajudado

a corrigir algumas expressões, não permitiram, naquela diligente

investigação dos “antigos e mais fidedignos autores” ir além dos

comentários litúrgicos da Idade Média.

8. Pelo contrário, hoje em dia, aquela “norma dos Santos Padres”,

que os correctores do Missal de S. Pio V se propunham seguir, encontrase

enriquecida com numerosos estudos de eruditos. Com efeito, após a

primeira edição do chamado Sacramentário Gregoriano, publicado em

1571, os antigos Sacramentários Romanos e Ambrosianos, bem como os

antigos livros litúrgicos Hispânicos e Galicanos, têm sido objecto de várias

edições críticas, que deram a conhecer numerosíssimas orações de

grande valor espiritual, até então desconhecidas.

Além disso, após a descoberta de numerosos documentos

litúrgicos, também se conhecem melhor as tradições dos primeiros

séculos, anteriores à formação dos ritos do Oriente e do Ocidente.

Há ainda a acrescentar o progresso dos estudos patrísticos, que

veio projectar nova luz sobre a teologia do mistério eucarístico, ilustrando-a

com a doutrina dos mais eminentes Padres da antiguidade cristã, tais

como S. Ireneu, S. Ambrósio, S. Cirilo de Jerusalém, S. João Crisóstomo.

9. Por isso, a “norma dos Santos Padres” não reclama somente a

conservação daquelas tradições que nos legaram os nossos antepassados

imediatos; exige também que se abranja e examine mais profundamente

todo o passado da Igreja e todos esses diversos modos pelos quais se

exprimiu a única e mesma fé, através das mais variadas formas de cultura

e civilização, como as que correspondem às regiões semitas, gregas e

latinas. Esta mais ampla perspectiva permite-nos descobrir como o Espírito

Santo inspira ao povo de Deus uma admirável fidelidade na guarda

imutável do depósito da fé, por mais variadas que se apresentem as

formas da oração e dos ritos sagrados.

Adaptação às novas circunstâncias

10. O novo Missal, se por um lado testemunha a norma da oração

(lex orandi) da Igreja Romana e salvaguarda o depósito da fé tal como nos

foi transmitido pelos Concílios mais recentes, por outro lado significa

também um passo de grande importância na tradição litúrgica.

Embora os Padres do II Concílio do Vaticano tenham reiterado as

afirmações dogmáticas do Concílio de Trento, falavam contudo numa

época da vida do mundo muito distante daquela, o que os levou a

apresentar, no campo pastoral, resoluções e orientações impensáveis

quatro séculos atrás.

11. O Concílio de Trento já tinha reconhecido o grande valor

catequético que encerra a celebração da Missa; não estava, todavia, em

condições de poder extrair daí todas as consequências de ordem prática.

Muitos solicitavam que fosse autorizado o uso da língua vernácula na

celebração do sacrifício eucarístico. Atentas, porém, as circunstâncias

particulares de então, face a um pedido desta natureza, o Concílio

entendeu que devia reafirmar a doutrina tradicional da Igreja, segundo a

qual o sacrifício eucarístico é, antes e acima de tudo, acção do próprio

Cristo e, portanto, a eficácia que lhe é própria não pode ser afectada pelo

modo como nele participam os fiéis. E assim, de modo firme e moderado,

exprimiu-se nestes termos: “Embora a Missa contenha uma grande riqueza

doutrinal para o povo fiel, todavia os Padres não julgaram oportuno que ela

fosse habitualmente celebrada em língua vulgar”.[12] E condenou quem

sustentasse “ser de rejeitar o uso da Igreja Romana, de recitar em voz

baixa o Cânone com as palavras da consagração; ou que se deve celebrar

a Missa somente em língua vulgar”[13]. No entanto, se por um lado o

Concílio proibia o uso da língua vernácula na Missa, por outro impunha aos

pastores de almas a obrigação de suprir esta deficiência com uma

catequese adequada: “Para que as ovelhas de Cristo não passem fome...,

ordena o sagrado Sínodo aos pastores e a todos os que têm cura de almas

que, no decurso da celebração da Missa, façam com frequência, por si ou

por outrem, uma explicação dos textos lidos na Missa e, entre outras

coisas, exponham algum mistério deste santíssimo sacrifício,

especialmente aos domingos e dias festivos”[14].

12. Reunido o II Concílio do Vaticano, precisamente com a finalidade

de adaptar a Igreja às exigências do seu múnus apostólico em nossos

dias, prestou fundamental atenção, como já o fizera o de Trento, à índole

didáctica e pastoral da sagrada Liturgia[15]. E porque ninguém, entre os

católicos, negava a legitimidade e eficácia do rito sagrado celebrado em

latim, o Concílio não teve dificuldade em admitir que “não raro pode ser de

grande utilidade para o povo o uso da língua vernácula na Liturgia” e

autorizou o seu uso[16]. O entusiasmo com que por toda a parte foi

recebida esta decisão conciliar teve como resultado que, sob a égide dos

Bispos e da própria Sé Apostólica, se passou a autorizar a língua vulgar

em todas as celebrações litúrgicas com participação do povo, a fim de

permitir uma compreensão mais plena do mistério celebrado.

13. Dado que o uso da língua vernácula na Liturgia é um instrumento

de grande importância para exprimir mais claramente a catequese do

mistério contida na celebração, o II Concílio do Vaticano entendeu dever

relembrar a necessidade de pôr em prática algumas prescrições do

Concílio de Trento que não tinham sido respeitadas em toda a parte, como

a obrigação da homilia aos domingos e dias festivos[17] e a possibilidade

de inserir admonições dentro dos próprios ritos sagrados[18].

Mas, sobretudo, ao aconselhar “a participação mais perfeita na

Missa, pela qual os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, recebem do

mesmo sacrifício o Corpo do Senhor”[19], o II Concílio do Vaticano exorta a

pôr em prática outra recomendação dos Padres Tridentinos: que, para

participarem mais plenamente na sagrada Eucaristia, “os fiéis presentes

comunguem em cada Missa, não apenas pelo desejo espiritual, mas

também pela recepção sacramental da Eucaristia”[20].

14. Este mesmo espírito e zelo pastoral levou o II Concílio do

Vaticano a reexaminar as decisões do Concílio de Trento referentes à

comunhão sob as duas espécies. Uma vez que, hoje em dia, ninguém põe

em dúvida os princípios doutrinais relativos ao pleno valor da comunhão

eucarística recebida apenas sob a espécie do pão, o Concílio autorizou

para certos casos a comunhão sob as duas espécies, com a qual, graças a

uma apresentação mais clara do sinal sacramental, se dá aos fiéis ocasião

oportuna para compreender mais profundamente o mistério em que

participam[21].

15. Assim a Igreja, mantendo-se fiel à sua missão de mestra da

verdade, conservando o que é “antigo”, isto é, o depósito da tradição,

cumpre também o dever de considerar e adoptar o que é “novo” (cf. Mt 13,

52).

Por isso, uma parte do novo Missal apresenta orações da Igreja

mais directamente orientadas para as necessidades dos nossos tempos.

Isto aplica-se de modo particular às Missas rituais e “para várias

circunstâncias”, nas quais se encontram oportunamente combinadas a

tradição e a inovação. Assim, enquanto se mantêm intactas inúmeras

expressões herdadas da mais antiga tradição da Igreja, transmitidas pelo

próprio Missal nas suas múltiplas edições, muitas outras foram adaptadas

às necessidades e circunstâncias actuais; outras ainda – como as orações

pela Igreja, pelos leigos, pela santificação do trabalho humano, pela

comunidade das nações, por algumas necessidades peculiares do nosso

tempo – tiveram de ser compostas integralmente, utilizando as ideias,

muitas vezes até as expressões, dos recentes documentos conciliares.

Ao utilizar os textos da mais antiga tradição, tendo em conta a

situação do mundo contemporâneo, entendeu-se que se podiam modificar

certas frases ou expressões sem atentar em nada contra tão venerável

tesouro, com o fim de adaptar melhor o seu estilo à linguagem teológica

hodierna e reflectir mais perfeitamente a presente disciplina da Igreja; por

exemplo: algumas expressões relativas ao apreço e uso dos bens terrenos

e outras que se referem a formas de penitência exterior próprias de outros

tempos.

Deste modo, as normas litúrgicas do Concílio de Trento foram em

grande parte completadas e aperfeiçoadas pelas do II Concílio do

Vaticano, que pôde levar a termo os esforços no sentido de aproximar mais

os fiéis da sagrada Liturgia, esforços estes desenvolvidos ao longo dos

últimos quatro séculos, sobretudo nos tempos mais recentes, graças

especialmente ao zelo litúrgico de S. Pio X e seus Sucessores.

CAPÍTULO I

IMPORTÂNCIA E DIGNIDADE

DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

16. A celebração da Missa, como acção de Cristo e do povo de Deus

hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã, tanto para a

Igreja, quer universal quer local, como para cada um dos fiéis[22]. Nela

culmina toda a acção pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, bem

como todo o culto pelo qual os homens, por meio de Cristo, Filho de Deus,

no Espírito Santo, prestam adoração ao Pai[23]. Nela se comemoram

também, ao longo do ano, os mistérios da Redenção, de tal forma que eles

se tornam, de algum modo, presentes[24]. Todas as outras acções

sagradas e todas as obras da vida cristã com ela estão relacionadas, dela

derivam e a ela se ordenam[25].

17. Por isso, é da máxima importância que a celebração da Missa ou

Ceia do Senhor de tal modo se ordene que ministros sagrados e fiéis,

participando nela cada qual segundo a sua condição, dela colham os mais

abundantes frutos[26]. Foi para isso que Cristo instituiu o sacrifício

eucarístico do seu Corpo e Sangue e o confiou à Igreja, sua amada

esposa, como memorial da sua paixão e ressurreição[27].

18. Tal finalidade só pode ser atingida se, atentas a natureza e as

circunstâncias peculiares de cada assembleia litúrgica, se ordenar toda a

celebração de forma a conduzir os fiéis àquela participação consciente,

activa e plena, de corpo e espírito, ardente de fé, esperança e caridade,

que a Igreja deseja e a própria natureza da celebração reclama, e que, por

força do Baptismo, constitui direito e dever do povo cristão[28].

19. Embora nem sempre se consiga uma presença e uma participação

activa dos fiéis que manifestem com toda a clareza a natureza eclesial da

celebração[29], a celebração eucarística tem sempre assegurada a sua

eficácia e dignidade, por ser acção de Cristo e da Igreja, em que o

sacerdote realiza a sua principal função e actua sempre para a salvação do

povo.

Recomenda-se aos sacerdotes que, sempre que possível, celebrem

o sacrifício eucarístico diariamente[30].

20. A celebração eucarística, como toda a Liturgia, realiza-se por meio

de sinais sensíveis, pelos quais se alimenta, fortalece e exprime a fé[31].

Para isso, deve haver o máximo cuidado em escolher e ordenar as formas

e os elementos propostos pela Igreja que, atendendo às circunstâncias de

pessoas e lugares, mais intensamente favoreçam a participação activa e

plena e mais eficazmente contribuam para o bem espiritual dos fiéis.

21. O objectivo desta Instrução é traçar as linhas gerais por que se háde

regular toda a celebração eucarística e expor as normas a que deverá

obedecer cada uma das formas de celebração[32].

22. A celebração da Eucaristia é da maior importância para a Igreja

particular.

O bispo diocesano, como primeiro dispensador dos mistérios de

Deus na Igreja particular que lhe está confiada, é o moderador, o promotor

e o guardião de toda a vida litúrgica[33]. Nas celebrações por ele

presididas, principalmente na celebração eucarística com a participação do

presbitério, dos diáconos e do povo, manifesta-se o mistério da Igreja. Esta

celebração da missa deve, pois, ser exemplar para toda a diocese.

Por isso, ele deve procurar que os presbíteros, diáconos e fiéis

leigos compreendam sempre profundamente o genuíno sentido dos ritos e

textos litúrgicos, e desse modo sejam levados à celebração activa e

frutuosa da Eucaristia. Neste mesmo sentido deve procurar que cresça a

dignidade das mesmas celebrações, para a promoção da qual muito

contribui a beleza dos lugares sagrados, da música e da arte.

23. Para que a celebração esteja mais plenamente de acordo com a

letra e o espírito da sagrada Liturgia, e para que possa aumentar a sua

eficácia pastoral, expõem-se, nesta Instrução geral e no Ordinário da Missa

alguns ajustamentos e adaptações.

24. Tais adaptações consistem, muitas vezes, na escolha de certos

ritos e textos, como são os cantos, as leituras, as orações, as admonições

e os gestos, de forma a corresponderem melhor às necessidades, à

preparação e à capacidade dos participantes; elas são da responsabilidade

do sacerdote celebrante. Lembre-se contudo o sacerdote que ele próprio é

servidor da sagrada Liturgia, e que não lhe é permitido, por sua livre

iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for na celebração da

Missa[34].

25. Além disso, no lugar respectivo do Missal vão indicadas algumas

adaptações que, segundo a Constituição da sagrada Liturgia, competem

respectivamente ao Bispo diocesano ou à Conferência Episcopal[35] (cf.

adiante, nn. 387, 391-395).

26. No que se refere a variações e adaptações mais profundas,

relativas às tradições e à índole dos povos e das regiões, quando for

necessário introduzi-las, de acordo com o art. 40 da Constituição sobre a

sagrada Liturgia, observe-se o que se expõe na Instrução «A liturgia

romana e a inculturação»[36], e mais adiante (nn. 395-399).

CAPITULO II

ESTRUTURA DA MISSA,

SEUS ELEMENTOS E SUAS PARTES

I. Estrutura geral da Missa

27. Na Missa ou Ceia do Senhor, o povo de Deus é convocado e

reunido, sob a presidência do sacerdote que faz as vezes de Cristo, para

celebrar o memorial do Senhor ou sacrifício eucarístico[37]. A esta

assembleia local da santa Igreja se aplica eminentemente a promessa de

Cristo: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu

no meio deles” (Mt 18, 20). Com efeito, na celebração da Missa, em que se

perpetua o sacrifício da cruz[38], Cristo está realmente presente: na própria

assembleia congregada em seu nome, na pessoa do ministro, na sua

palavra e, ainda, de uma forma substancial e permanente, sob as espécies

eucarísticas[39].

28. A Missa consta, por assim dizer, de duas partes: a liturgia da

palavra e a liturgia eucarística. Estas duas partes, porém, estão entre si tão

estreitamente ligadas que constituem um único acto de culto[40]. De facto,

na Missa é posta a mesa, tanto da palavra de Deus como do Corpo de

Cristo, mesa em que os fiéis recebem instrução e alimento[41]. Há ainda

determinados ritos, a abrir e a concluir a celebração.

II. Os diversos elementos da Missa

Leitura da palavra de Deus e sua explanação

29. Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem

fala ao seu povo, é Cristo, presente na sua palavra, quem anuncia o

Evangelho.

Por isso as leituras da palavra de Deus, que oferecem à Liturgia um

elemento da maior importância, devem ser escutadas por todos com

veneração. E embora a palavra divina, contida nas leituras da Sagrada

Escritura, seja dirigida a todos os homens de todos os tempos e seja para

eles inteligível, no entanto a sua mais plena compreensão e a sua eficácia

são favorecidas por um comentário vivo, isto é, a homilia, que faz parte da

ação litúrgica[42].

Orações e outros elementos que pertencem à função do sacerdote

30. Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em

primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a

celebração. Vêm a seguir as orações: a oração coleta, a oração sobre as

oferendas e a oração depois da comunhão. O sacerdote, que preside à

assembléia fazendo as vezes de Cristo, dirige estas orações a Deus em

nome de todo o povo santo e de todos os presentes[43]. Por isso se

chamam “orações presidenciais”.

31. Compete igualmente ao sacerdote, enquanto presidente da

assembléia reunida, fazer certas admoestações previstas no próprio rito.

Onde as rubricas o prevejam, o celebrante pode adaptá-las de modo a

corresponderem melhor à capacidade dos participantes; no entanto, o

sacerdote deve procurar que o sentido da admoestação proposta no livro

litúrgico seja sempre mantido e expresso em poucas palavras. Pertence

ainda ao sacerdote presidente anunciar a palavra de Deus e dar a bênção

final. Pode ainda introduzir os fiéis, com brevíssimas palavras: na Missa do

dia, após a saudação inicial e antes do rito penitencial; na liturgia da

palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, mas

nunca dentro da própria Oração; finalmente, antes da despedida, ao

terminar toda a ação sagrada.

32. O carácter «presidencial» destas intervenções exige que elas

sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com

atenção[44]. Por isso, enquanto o sacerdote as profere, não se hão-de

ouvir nenhumas outras orações ou cânticos, nem o toque do órgão ou de

outros instrumentos musicais.

33. Como presidente, o sacerdote pronuncia as orações em nome da

Igreja e da comunidade reunida, mas, por vezes, também o faz em nome

pessoal, para despertar maior atenção e piedade no exercício do seu

ministério. Estas orações, propostas para antes da leitura do Evangelho,

na preparação dos dons, e antes e depois da comunhão do sacerdote, são

ditas em silêncio (“secreto”).

Outras fórmulas utilizadas na celebração

34. A celebração da Missa é, por sua natureza, “comunitária”[45]. Por

isso têm grande importância os diálogos entre o celebrante e os fiéis

reunidos, bem como as aclamações[46]. Tais elementos não são apenas

sinais externos de celebração colectiva, mas favorecem e realizam a

estreita comunhão entre o sacerdote e o povo.

35. As aclamações e as respostas dos fiéis às saudações do

sacerdote e às orações constituem aquele grau de participação activa por

parte da assembleia dos fiéis, que se exige em todas as formas de

celebração da Missa, para que se exprima claramente e se estimule a

acção de toda a comunidade[47].

36. Há ainda outras partes da celebração, que pertencem igualmente

a toda a assembleia convocada e muito contribuem para manifestar e

favorecer a participação activa dos fiéis: são principalmente o acto

penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração dominical.

37. Finalmente, entre as restantes fórmulas:

a) umas constituem um rito ou acto por si mesmas, como o hino

Glória, o salmo responsorial, o Aleluia e o versículo antes do Evangelho, o

Santo, a aclamação da anamnese e o cântico depois da Comunhão;

b) outras destinam-se a acompanhar um rito, como o cântico de

entrada, do ofertório, da fracção (Cordeiro de Deus) e da Comunhão.

Modos de proferir os vários textos

38. Nos textos que devem ser proferidos claramente e em voz alta,

quer pelo sacerdote ou pelo diácono, quer pelo leitor ou por todos, a voz

deve corresponder ao género do próprio texto, conforme se trata de leitura,

oração, admonição, aclamação ou cântico. Igualmente se há-de acomodar

à forma de celebração e à solenidade da assembleia. Tenha-se em conta,

além disso, a índole peculiar de cada língua e a mentalidade dos povos.

Nas rubricas e normas que se seguem, as palavras “dizer” ou

“proferir” devem ser entendidas como referentes quer ao canto quer à

simples recitação, segundo os princípios atrás enunciados.

Importância do canto

39. O Apóstolo exorta os fiéis, que se reúnem à espera da vinda do

Senhor, a que unam as suas vozes para cantar salmos, hinos e cânticos

espirituais (cf. Col 3, 16). O canto é sinal de alegria do coração (cf. Actos 2,

46). Bem dizia Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”[48]. E

vem já de tempos antigos o provérbio: “Quem bem canta, duas vezes

reza”.

40. Deve ter-se, pois, em grande apreço o canto na celebração da

Missa, de acordo com a índole dos povos e as possibilidades de cada

assembleia litúrgica. Embora não seja necessário cantar sempre, por

exemplo nas Missas feriais, todos os textos que, por si mesmos, se

destinam a ser cantados, deve no entanto procurar-se com todo o cuidado

que não falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações que se

realizam nos domingos e festas de preceito.

Na escolha das partes que efectivamente se cantam, dê-se preferência às

mais importantes, sobretudo às que devem ser cantadas pelo sacerdote ou

pelo diácono ou pelo leitor, com resposta do povo, bem como às que

pertence ao sacerdote e ao povo proferir conjuntamente[49].

41. Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto

gregoriano, como canto próprio da Liturgia romana. De modo nenhum se

devem excluir outros géneros de música sacra, principalmente a polifonia,

desde correspondam ao espírito da acção litúrgica e favoreçam a

participação de todos os fiéis[50].

Dado que hoje é cada vez mais frequente o encontro de fiéis de

diferentes nacionalidades, convém que eles saibam cantar em latim pelo

menos algumas partes do Ordinário da Missa, sobretudo o símbolo da fé e

a oração dominical, nas suas melodias mais fáceis [51].

Os gestos e atitudes corporais

42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e

dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe

pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação

verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação

de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que está definido pelas leis

litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem

comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de

cada um.

A atitude comum do corpo, que todos os participantes na

celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da

comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os

sentimentos e a atitude interior dos presentes[53].

43. Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou

enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração colecta,

inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a

proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal;

e desde o invitatório “Orai, irmãos”, antes da oração sobre as oblatas, até

ao fim da Missa, excepto nos momentos adiante indicados.

Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e

durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação

dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois

da Comunhão.

Estão de joelhos durante a consagração, excepto se razões de

saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros

motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de

joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o

sacerdote genuflecte após a consagração.

Compete, todavia, às Conferências Episcopais, segundo as normas

do direito, adaptar à mentalidade e tradições razoáveis dos povos os

gestos e atitudes indicados no Ordinário da Missa[54]. Atenda-se, porém, a

que estejam de acordo com o sentido e o carácter de cada uma das partes

da celebração. Onde for costume que o povo permaneça de joelhos desde

o fim da aclamação do Sanctus até ao fim da Oração eucarística, é bom

que este se mantenha.

Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes do corpo na

celebração, os fiéis devem obedecer às indicações que, no decurso da

mesma, lhes forem dadas pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo

sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.

44. Entre os gestos contam-se também: as acções e as procissões

do sacerdote ao dirigir-se para o altar com o diácono e os ministros; do

diácono, antes da proclamação do Evangelho, ao levar o Evangeliário ou

Livro dos evangelhos para o ambão; dos fiéis ao levarem os dons e ao

aproximarem-se para a Comunhão. Convém que estas acções e

procissões se realizem com decoro, enquanto se executam os cânticos

respectivos, segundo as normas estabelecidas para cada caso.

O silêncio

45. Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio

sagrado, como parte da celebração [55]. A natureza deste silêncio

depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração.

Assim, no acto penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio

destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para

uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão,

favorece a oração interior de louvor e acção de graças.

Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na

igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que

todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados.

III. As várias partes da Missa

A) Ritos iniciais

46. Os ritos que precedem a liturgia da palavra – entrada, saudação,

acto penitencial, Kýrie (Senhor, tende piedade de nós), Glória e oração

colecta – têm o carácter de exórdio, introdução e preparação.

É sua finalidade estabelecer a comunhão entre os fiéis reunidos e

dispô-los para ouvirem devidamente a palavra de Deus e celebrarem

dignamente a Eucaristia.

Em algumas celebrações que, segundo as normas dos livros

litúrgicos, se ligam à Missa, os ritos iniciais omitem -se ou realizam-se de

modo específico.

Entrada

47. Reunido o povo, enquanto entra o sacerdote com o diácono e os

ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar

início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no

mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a

procissão de entrada do sacerdote e dos ministros.

48. O cântico de entrada é executado alternadamente pela schola e

pelo povo, ou por um cantor alternando com o povo, ou por toda a

assembleia em conjunto, ou somente pela schola. Pode utilizar-se ou a

antífona com o respectivo salmo que vem no Gradual Romano ou no

Gradual simples, ou outro cântico apropriado à acção sagrada ou ao

carácter do dia ou do tempo, cujo texto tenha a aprovação da Conferência

Episcopal[56].

Se não há cântico de entrada, recita-se a antífona que vem no

Missal, ou por todos os fiéis, ou por alguns deles, ou por um leitor; ou

então pelo próprio sacerdote, que também pode adaptá-la à maneira de

admonição inicial (cf. n. 31).

Saudação do altar e da assembleia

49. Chegados ao presbitério, o sacerdote, o diácono e os ministros

saúdam o altar com inclinação profunda.

Em sinal de veneração, o sacerdote e o diácono beijam então o

altar; e, se for oportuno, o sacerdote incensa a cruz e o altar.

50. Terminado o cântico de entrada, o sacerdote, de pé junto da

cadeira, e toda a assembleia fazem sobre si próprios o sinal da cruz; em

seguida, pela saudação, faz sentir à comunidade reunida a presença do

Senhor. Com esta saudação e a resposta do povo manifesta-se o mistério

da Igreja reunida.

Depois da saudação do povo, o sacerdote, ou o diácono, ou outro

ministro, pode, com palavras muito breves, introduzir os fiéis na Missa do

dia.

Acto penitencial

51. Em seguida, o sacerdote convida ao acto penitencial, o qual,

após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma

fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do sacerdote; esta

absolvição, porém, carece da eficácia do sacramento da penitência.

Ao domingo, principalmente no tempo pascal, em vez do

costumado acto penitencial pode fazer-se, por vezes, a bênção e a

aspersão da água em memória do baptismo[57].

Kýrie, eleison

52. Depois do acto penitencial, diz-se sempre o Senhor, tende

piedade de nós (Kýrie, eléison), a não ser que já tenha sido incluído no

acto penitencial. Dado tratar-se de um canto em que os fiéis aclamam o

Senhor e imploram a sua misericórdia, é normalmente executado por

todos, em forma alternada entre o povo e a schola ou um cantor.

Cada uma das aclamações diz-se normalmente duas vezes, o que

não exclui, porém, um maior número, de acordo com a índole de cada

língua, da arte musical ou das circunstâncias. Quando o Kýrie é cantado

como parte do acto penitencial, cada aclamação é precedida de um

«tropo».

Glória in excelsis

53. O Glória é um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja,

congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro.

Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. É começado pelo

sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor, ou pela schola, e é cantado

ou por todos em conjunto, ou pelo povo alternando com a schola, ou só

pela schola. Se não é cantado, é recitado ou por todos em conjunto ou por

dois coros alternadamente.

Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da

Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares

celebrações mais solenes.

Oração colecta

54. Em seguida, o sacerdote convida o povo à oração; e todos,

juntamente com ele, se recolhem uns momentos em silêncio, a fim de

tomarem consciência de que se encontram na presença de Deus e

poderem formular interiormente as suas intenções. Então o sacerdote diz a

oração que se chama «colecta», pela qual se exprime o carácter da

celebração. Segundo a tradição antiga da Igreja, a oração dirige-se

habitualmente a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo[58], e termina com

a conclusão trinitária, isto é, a mais longa, deste modo:

– se é dirigida ao Pai: Per Dóminum nostrum Iesum Christum Fílium

tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia

sáecula saeculórum;

– se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Qui tecum

vivit et regnat in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula

saeculórum;

– se é dirigido ao Filho: Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate

Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum.

O povo associa-se a esta súplica e faz sua a oração pela

aclamação Amen.

Na Missa diz-se sempre uma só oração colecta.

* Com a aprovação da Sé Apostólica, nos países de língua portuguesa as

orações concluem todas do mesmo modo:

– se é dirigida ao Pai: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo;

– se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Ele que é

Deus convosco na unidade do Espírito Santo;

– se é dirigido ao Filho: Vós que sois Deus com o Pai na unidade do

Espírito Santo.

B) Liturgia da palavra

55. A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras

da Sagrada Escritura com os cânticos intercalares. São seu

desenvolvimento e conclusão a homilia, a profissão de fé e a oração

universal ou oração dos fiéis. Nas leituras, comentadas pela homilia, Deus

fala ao seu povo[59], revela-lhe o mistério da redenção e salvação e

oferece-lhe o alimento espiritual. Pela sua palavra, o próprio Cristo está

presente no meio dos fiéis[60]. O povo faz sua esta palavra divina com o

silêncio e com os cânticos e a ela adere com a profissão de fé. Assim

alimentado, eleva a Deus as suas preces na oração universal pelas

necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro.

Silêncio

56. A liturgia da palavra deve ser celebrada de modo a favorecer a

meditação. Deve, por isso, evitar-se completamente qualquer forma de

pressa que impeça o recolhimento. Haja nela também breves momentos

de silêncio, adaptados à assembleia reunida, nos quais, com a ajuda do

Espírito Santo, a Palavra de Deus possa ser interiorizada e se prepare a

resposta pela oração. Pode ser oportuno observar estes momentos de

silêncio depois da primeira e da segunda leitura e, por fim, após a homilia.

Leituras bíblicas

57. Nas leituras põe-se aos fiéis a mesa da palavra de Deus e abremse-

lhes os tesouros da Bíblia[61]. Convém, por isso, observar uma

disposição das leituras bíblicas que ilustre a unidade de ambos os

Testamentos e da história da salvação; não é lícito substituir as leituras e o

salmo responsorial, que contêm a palavra de Deus, por outros textos não

bíblicos[62].

58. Na celebração da Missa com o povo, as leituras proclamam-se

sempre do ambão.

59. Segundo a tradição, a função de proferir as leituras não é

presidencial, mas sim ministerial. Por isso as leituras são proclamadas por

um leitor, mas o Evangelho é anunciado pelo diácono ou por outro

sacerdote. Se, porém, não estiver presente o diácono nem outro sacerdote,

leia o Evangelho o próprio sacerdote celebrante; e se também faltar outro

leitor idóneo o sacerdote celebrante proclame igualmente as outras

leituras.

Depois de cada leitura, aquele que a lê profere a aclamação; ao

responder-lhe, o povo reunido presta homenagem à palavra de Deus,

recebida com fé e espírito agradecido.

60. A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante da liturgia da

palavra. Deve ser-lhe atribuída a maior veneração. Assim o mostra a

própria Liturgia, distinguindo esta leitura das outras com honras especiais,

quer por parte do ministro encarregado de a anunciar e pela bênção e

oração com que se prepara para o fazer, quer por parte dos fiéis que, com

as suas aclamações, reconhecem e confessam que é Cristo presente no

meio deles quem lhes fala, e, por isso, escutam a leitura de pé; quer ainda

pelos sinais de veneração ao próprio Evangeliário.

Salmo responsorial

61. A primeira leitura é seguida do salmo responsorial, que é parte

integrante da liturgia da palavra e tem, por si mesmo, grande importância

litúrgica e pastoral, pois favorece a meditação da Palavra de Deus.

O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente

toma-se do Leccionário.

Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que

se refere à resposta do povo. O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou

de outro sítio conveniente, recita os versículos do salmo; toda a

assembleia escuta sentada, ou, de preferência, nele participa do modo

costumado com o refrão, a não ser que o salmo seja recitado todo seguido,

sem refrão. Todavia, para facilitar ao povo a resposta salmódica (refrão),

fez-se, para os diferentes tempos e as várias categorias de Santos, uma

selecção de responsórios e salmos, que podem ser utilizados, em vez do

texto correspondente à leitura, quando o salmo é cantado. Se o salmo não

puder ser cantado, recita-se do modo mais indicado para favorecer a

meditação da palavra de Deus.

Em vez do salmo que vem indicado no Leccionário, também se

pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual Romano ou um

salmo responsorial ou aleluiático do Gradual simples, na forma indicada

nestes livros.

Aclamação antes da leitura do Evangelho

62. Depois da leitura, que precede imediatamente o Evangelho,

canta-se o Aleluia ou outro cântico, indicado pelas rubricas, conforme o

tempo litúrgico. Deste modo a aclamação constitui um rito ou um acto com

valor por si próprio, pelo qual a assembleia dos fiéis acolhe e saúda o

Senhor, que lhe vai falar no Evangelho, e professa a sua fé por meio do

canto. É cantada por todos de pé, iniciada pela schola ou por um cantor, e

pode-se repetir, se for conveniente; mas o versíc ulo é cantado pela schola

ou pelo cantor.

a) O Aleluia canta-se em todos os tempos fora da Quaresma. Os

versículos tomam-se do Leccionário ou do Gradual;

b) Na Quaresma, em vez do Aleluia canta-se o versículo antes do

Evangelho que vem no Leccionário. Também se pode cantar outro salmo

ou tracto, como se indica no Gradual.

63. No caso de haver uma só leitura antes do Evangelho:

a) nos tempos em que se diz Aleluia, pode escolher-se ou o salmo

aleluiático, ou o salmo e o Aleluia com o seu versículo;

b) no tempo em que não se diz Aleluia, pode escolher-se ou o

salmo e o versículo antes do Evangelho ou apenas o salmo.

c) O Aleluia ou o versículo antes do Evangelho, se não são

cantados, podem omitir-se.

64. A sequência, que excepto nos dias da Páscoa e do Pentecostes é

facultativa, canta-se depois do Aleluia.

Homilia

65. A homilia é parte da liturgia e muito recomendada[63]: é um

elemento necessário para alimentar a vida cristã. Deve ser a explanação

de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de algum texto do

Ordinário ou do Próprio da Missa do dia, tendo sempre em conta o mistério

que se celebra, bem como as necessidades peculiares dos ouvintes[64].

66. Habitualmente a homilia deve ser feita pelo sacerdote celebrante

ou por um sacerdote concelebrante, por ele encarregado, ou algumas

vezes, se for oportuno, também por um diácono, mas nunca por um

leigo[65]. Em casos especiais e por justa causa, a homilia também pode

ser feita, por um Bispo ou presbítero que se encontra na celebração mas

sem poder concelebrar.

Nos domingos e festas de preceito, deve haver homilia em todas as

Missas celebradas com participação do povo, e não pode omitir-se senão

por causa grave. Além disso, é recomendada, particularmente nos dias

feriais do Advento, Quaresma e Tempo Pascal, e também noutras festas e

ocasiões em que é maior a afluência do povo à Igreja[66].

Depois da homilia, observe-se oportunamente um breve espaço de

silêncio.

Profissão de fé

67. O símbolo, ou profissão de fé, tem como finalidade permitir que

todo o povo reunido, responda à palavra de Deus anunciada nas leituras

da sagrada Escritura e exposta na homilia, e que, proclamando a regra da

fé, segundo a fórmula aprovada para o uso litúrgico, recorde e professe os

grandes mistérios da fé, antes de começarem a ser celebrados na

Eucaristia.

68. O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote

juntamente com o povo, nos domingos e nas solenidades. Pode também

dizer-se em celebrações especiais mais solenes.

Se é cantado, é começado pelo sacerdote ou, se for o caso, por um

cantor, ou pela schola; cantam-no todos em conjunto ou o povo alternando

com a schola.

Se não é cantado, deve ser recitado conjuntamente por todos ou

por dois coros alternadamente.

Oração universal

69. Na oração universal ou oração dos fiéis, o povo responde, de

algum modo à palavra de Deus recebida na fé e, exercendo a função do

seu sacerdócio baptismal, apresenta preces a Deus pela salvação de

todos. Convém que em todas as Missas com participação do povo se faça

esta oração, na qual se pede pela santa Igreja, pelos governantes, pelos

que se encontram em necessidade, por todos os homens em geral e pela

salvação do mundo inteiro[67].

70. Normalmente a ordem das intenções é a seguinte:

a) pelas necessidades da Igreja;

b) pelas autoridades civis e pela salvação do mundo;

c) por aqueles que sofrem dificuldades;

d) pela comunidade local.

Em celebrações especiais – por exemplo, Confirmação, Matrimónio,

Exéquias – a ordem das intenções pode acomodar-se às circunstâncias.

71. Compete ao sacerdote celebrante dirigir da sede esta prece. Ele

próprio a introduz com uma breve admonição, na qual convida os fiéis a

orar, e a conclui com uma oração. As intenções que se propõem,

formuladas de forma sóbria, com sábia liberdade e em poucas palavras,

devem exprimir a súplica de toda a comunidade.

Habitualmente são enunciadas do ambão ou de outro lugar

conveniente, por um diácono, por um cantor, por um leitor, ou por um fiel

leigo[68].

O povo, de pé, faz suas estas súplicas, ou com uma invocação

comum proferida depois de cada intenção, ou orando em silêncio.

C) Liturgia eucarística

72. Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e banquete pascal, por

meio do qual, todas as vezes que o sacerdote, representando a Cristo

Senhor, faz o mesmo que o Senhor fez e mandou aos discípulos que

fizessem em sua memória, se torna continuamente presente o sacrifício da

cruz[69].

Cristo tomou o pão e o cálice, pronunciou a acção de graças, partiu

o pão e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei, bebei: isto é o

meu Corpo; este é o cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de

Mim». Foi a partir destas palavras e gestos de Cristo que a Igreja ordenou

toda a celebração da liturgia eucarística. Efectivamente:

1) Na preparação dos dons, levam-se ao altar o pão e o vinho com

água, isto é, os mesmos elementos que Cristo tomou em suas mãos.

2) Na Oração eucarística, dão-se graças a Deus por toda a obra da

salvação, e as oblatas convertem-se no Corpo e Sangue de Cristo.

3) Pela fracção do pão e pela Comunhão, os fiéis, embora muitos,

recebem, de um só pão, o Corpo e Sangue do Senhor, do mesmo modo

que os Apóstolos o receberam das mãos do próprio Cristo.

Preparação dos dons

73. A iniciar a liturgia eucarística, levam-se para o altar os dons, que se

vão converter no Corpo e Sangue de Cristo.

Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o

centro de toda a liturgia eucarística[70]; nele se dispõem o corporal, o

purificador (ou sanguinho), o Missal e o cálice, salvo se este for preparado

na credência.

Em seguida são trazidas as oferendas. É de louvar que o pão e o

vinho sejam apresentados pelos fiéis. Recebidos pelo sacerdote ou pelo

diácono em lugar conveniente, são depois levados para o altar. Embora,

hoje em dia, os fiéis já não tragam do seu próprio pão e vinho, como se

fazia noutros tempos, no entanto o rito desta apresentação conserva ainda

valor e significado espiritual.

Além do pão e do vinho, são permitidas ofertas em dinheiro e outros dons,

destinados aos pobres ou à Igreja, e tanto podem ser trazidos pelos fiéis

como recolhidos dentro da Igreja. Estes dons serão dispostos em lugar

conveniente, fora da mesa eucarística.

74. A procissão em que se levam os dons é acompanhada do cântico

do ofertório (cf. n. 37, b), que se prolonga pelo menos até que os dons

tenham sido depostos sobre o altar. As normas para a execução deste

cântico são idênticas às que foram dadas para o cântico de entrada (cf. n.

48). O rito do ofertório pode ser sempre acompanhado de canto.

75. O pão e o vinho são depostos sobre o altar pelo sacerdote,

acompanhados das fórmulas prescritas. O sacerdote pode incensar os

dons colocados sobre o altar, depois a cruz e o próprio altar. Deste modo

se pretende significar que a oblação e oração da Igreja se elevam, como

fumo de incenso, à presença de Deus. Depois o sacerdote, por causa do

sagrado ministério, e o povo, em razão da dignidade baptismal, podem ser

incensados pelo diácono ou por outro ministro.

76. A seguir, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar: com este rito

se exprime o desejo de uma purificação interior.

Oração sobre as oblatas

77. Depostas as oblatas sobre o altar e realizados os ritos

concomitantes, o sacerdote convida os fiéis a orar juntamente consigo e

recita a oração sobre as oblatas. Assim termina a preparação dos dons e

tudo está preparado para a Oração eucarística.

Na Missa diz-se uma só oração sobre as oblatas, que termina com

a conclusão breve, isto é: Per Christum Dóminum nostrum; se no fim da

oração se menciona o Filho, diz-se: Qui vivit et regnat in sáecula

saeculórum. (V. nota no final do n. 54).

Oração eucarística

78. Inicia-se então o momento central e culminante de toda a

celebração, a Oração eucarística, que é uma oração de acção de graças e

de consagração. O sacerdote convida o povo a elevar os corações para o

Senhor, na oração e na acção de graças, e associa-o a si na oração que

ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo no

Espírito Santo. O sentido desta oração é que toda a assembleia dos fiéis

se una a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do

sacrifício.

79. Como elementos principais da Oração eucarística podem

enumerar-se os seguintes:

a) Acção de graças (expressa de modo particular no Prefácio): em

nome de todo o povo santo, o sacerdote glorifica a Deus Pai e dá-Lhe

graças por toda a obra da salvação ou por algum dos seus aspectos

particulares, conforme o dia, a festa ou o tempo litúrgico.

b) Aclamação: toda a assembleia, em união com os coros celestes,

canta o Sanctus (Santo). Esta aclamação, que faz parte da Oração

eucarística, é proferida por todo o povo juntamente com o sacerdote.

c) Epiclese: consta de invocações especiais, pelas quais a Igreja

implora o poder do Espírito Santo, para que os dons oferecidos pelos

homens sejam consagrados, isto é, se convertam no Corpo e Sangue de

Cristo; e para que a hóstia imaculada, que vai ser recebida na Comunhão,

opere a salvação daqueles que dela vão participar.

d) Narração da instituição e consagração: mediante as palavras e

gestos de Cristo, realiza-se o sacrifício que o próprio Cristo instituiu na

última Ceia, quando ofereceu o seu Corpo e Sangue sob as espécies do

pão e do vinho e os deu a comer e a beber aos Apóstolos, ao mesmo

tempo que lhes confiou o mandato de perpetuar este mistério.

e) Anamnese: em obediência a este mandato, recebido de Cristo

Senhor através dos Apóstolos, a Igreja celebra a memória do mesmo

Cristo, recordando de modo particular a sua bem-aventurada paixão,

gloriosa ressurreição e ascensão aos Céus.

f) Oblação: neste memorial, a Igreja, de modo especial aquela que

nesse momento e nesse lugar está reunida, oferece a Deus Pai, no

Espírito Santo, a hóstia imaculada. A Igreja deseja que os fiéis não

somente ofereçam a hóstia imaculada, mas aprendam a oferecer-se

também a si mesmos[71] e, por Cristo mediador, se esforcem por realizar

de dia para dia a unidade perfeita com Deus e entre si, até que finalmente

Deus seja tudo em todos[72].

g) Intercessões: por elas se exprime que a Eucaristia é celebrada

em comunhão com toda a Igreja, tanto do Céu como da terra, e que a

oblação é feita em proveito dela e de todos os seus membros, vivos e

defuntos, chamados todos a tomar parte na redenção e salvação adquirida

pelo Corpo e Sangue de Cristo.

h) Doxologia final: exprime a glorificação de Deus e é ratificada e

concluída pela aclamação Amen do povo.

Rito da Comunhão

80. A celebração eucarística é um banquete pascal. Convém, por

isso, que os fiéis, devidamente preparados, nela recebam, segundo o

mandato do Senhor, o seu Corpo e Sangue como alimento espiritual. É

esta a finalidade da fracção e dos outros ritos preparatórios, que dispõem

os fiéis, de forma mais imediata, para a Comunhão.

Oração dominical

81. Na Oração dominical pede-se o pão de cada dia, que para os

cristãos evoca principalmente o pão eucarístico; igualmente se pede a

purificação dos pecados, de modo que efectivamente “as coisas santas

sejam dadas aos santos”. O sacerdote formula o convite à oração, que

todos os fiéis recitam juntamente com ele. Então o sacerdote diz sozinho o

embolismo, que o povo conclui com uma doxologia. O embolismo é o

desenvolvimento da última petição da oração dominical; nele se pede para

toda a comunidade dos fiéis a libertação do poder do mal.

O convite, a oração, o embolismo e a doxologia conclusiva dita pelo

povo, devem ser cantados ou recitados em voz alta.

Rito da paz

82. Segue-se o rito da paz, no qual a Igreja implora a paz e a unidade

para si própria e para toda a família humana, e os féis exprimem uns aos

outros a comunhão eclesial e a caridade mútua, antes de comungarem no

Sacramento.

Quanto ao próprio sinal com que se dá a paz, as Conferências

Episcopais determinarão como se há-de fazer, tendo em conta a

mentalidade e os costumes dos povos. Mas é conveniente que cada um dê

a paz com sobriedade apenas aos que estão mais perto de si.

Fracção do pão

83. O sacerdote parte o pão eucarístico. O gesto da fracção,

praticado por Cristo na última Ceia, e que serviu para designar, nos tempos

apostólicos, toda a acção eucarística, significa que os fiéis, apesar de

muitos, se tornam um só Corpo, pela Comunhão do mesmo pão da vida

que é Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo (1 Cor 10, 17).

A fracção começa depois de se dar a paz e realiza-se com a devida

reverência, mas não se deve prolongar desnecessariamente nem se lhe

deve atribuir uma importância excessiva. Este rito é reservado ao

sacerdote e ao diácono.

Enquanto o sacerdote parte o pão e deita uma parte da hóstia no

cálice, a schola ou um cantor canta ou pelo menos recita em voz alta a

invocação Cordeiro de Deus, a que todo o povo responde. A invocação

acompanha a fracção do pão, pelo que pode repetir-se o número de vezes

que for preciso, enquanto durar o rito. Na última vez conclui-se com as

palavras: Dai-nos a paz.

Comunhão

84. O sacerdote prepara-se para receber frutuosamente o Corpo e

Sangue de Cristo rezando uma oração em silêncio. Os fiéis fazem o

mesmo orando em silêncio.

Depois o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico sobre a

patena ou sobre o cálice e convida-os para o banquete de Cristo; e,

juntamente com os fiéis, faz um acto de humildade, utilizando as palavras

evangélicas prescritas.

85. É muito para desejar que os fiéis, tal como o sacerdote é obrigado

a fazer, recebam o Corpo do Senhor com hóstias consagradas na própria

Missa e, nos casos previstos, participem do cálice (cf. n. 283), para que a

Comunhão se manifeste, de forma mais clara, nos próprios sinais, como

participação no sacrifício que está a ser celebrado[73].

86. Enquanto o sacerdote toma o Sacramento, dá-se início ao cântico

da Comunhão, que deve exprimir, com a unidade das vozes, a união

espiritual dos comungantes, manifestar a alegria do coração e realçar

melhor o carácter «comunitário» da procissão daqueles que vão receber a

Eucaristia. O cântico prolonga-se enquanto se ministra aos fiéis o

Sacramento[74]. Se se canta um hino depois da Comunhão, o cântico da

Comunhão deve terminar a tempo.

Procure-se que também os cantores possam comungar

comodamente.

87. Como cântico da Comunhão pode utilizar-se ou a antífona indicada

no Gradual Romano, com ou sem o salmo correspondente, ou a antífona

do Gradual simples com o respectivo salmo, ou outro cântico apropriado

aprovado pela Conferência Episcopal. Pode ser cantado ou só pela schola,

ou pela schola ou por um cantor juntamente com o povo.

Se, porém, não se canta, a antífona que vem no Missal pode ser

recitada ou pelos fiéis, ou por alguns deles, ou por um leitor, ou então pelo

próprio sacerdote depois de ter comungado e antes de dar a Comunhão

aos fiéis.

88. Terminada a distribuição da Comunhão, o sacerdote e os fiéis,

conforme a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio. Se se

quiser, também pode ser cantado por toda a assembleia um salmo ou

outro cântico de louvor ou um hino.

89. Para completar a oração do povo de Deus e concluir todo o rito

da Comunhão, o sacerdote diz a oração depois da Comunhão, na qual

implora os frutos do mistério celebrado.

Na Missa diz-se uma só oração depois da Comunhão, que

termina com a conclusão breve, isto é:

– se a oração se dirige ao Pai: Per Christum Dóminum nostrum;

– se se dirige ao Pai mas no fim da oração se menciona o Filho: Qui

vivit et regnat in sáecula saeculórum;

– se se dirige ao Filho: Qui vivis et regnas in saecula saeculórum .

O povo faz sua esta oração por meio da aclamação: Amen.

(V. nota no final do n. 54).

D) Rito de conclusão

90. O rito de conclusão consta de:

a) Notícias breves, se forem necessárias;

a) Saudação e bênção do sacerdote, a qual, em certos dias e em

ocasiões especiais, é enriquecida e amplificada com uma oração sobre o

povo ou com outra fórmula mais solene de bênção.

b) Despedida da assembleia, feita pelo diácono ou sacerdote;

c) Beijo no altar por parte do sacerdote e do diácono e depois

inclinação profunda ao altar por parte do sacerdote, do diácono, e dos

outros ministros.

CAPÍTULO III

OFÍCIOS E MINISTÉRIOS NA MISSA

91. A celebração eucarística é acção de Cristo e da Igreja, que é

«sacramento de unidade», ou seja povo santo reunido e ordenado sob a

orientação do bispo. Por isso pertence a todo o Corpo da Igreja, manifestao

e afecta-o; no entanto, envolve cada membro de modo diverso, segundo

a diversidade das ordens, das funções e da efectiva participação[75].

Deste modo, o povo cristão, «geração eleita, sacerdócio real, nação santa,

povo resgatado» manifesta o seu ordenamento coerente e hierárquico[76].

Por conseguinte, todos, ministros ordenados ou fiéis cristãos leigos, ao

desempenharem a sua função ou ofício, façam tudo e só o que lhes

compete[77].

I. Ofícios da Ordem sacra

92. Toda a legítima celebração da Eucaristia é dirigida pelo Bispo, quer

pessoalmente, quer pelos presbíteros, seus colaboradores[78].

Sempre que o Bispo está presente na Missa com o povo reunido,

convém sumamente que seja ele próprio a celebrar a Eucaristia,

associando a si os presbíteros, como concelebrantes, na acção sagrada.

Isto faz-se, não para aumentar a solenidade externa, mas para significar de

forma mais clara o mistério da Igreja, que é sacramento de unidade[79].

Se, porém, o Bispo não celebrar a Eucaristia, mas confiar a outrem

a celebração, convém que seja ele, revestido de cruz peitoral, estola e

pluvial sobre a alva, a presidir à liturgia da palavra e a dar a bênção no fim

da Missa[80].

93. O presbítero, que na Igreja, em virtude do poder sagrado da Ordem,

está em condições de oferecer o sacrifício na pessoa de Cristo[81], preside

também ele ao povo fiel reunido, dirige a sua oração, anuncia-lhe a boa

nova da salvação, associa a si o povo na oblação do sacrifício a Deus Pai,

por Cristo, no Espírito Santo, distribui aos irmãos o pão da vida eterna e

com eles participa do mesmo pão. Por isso, ao celebrar a Eucaristia, deve

servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade e, tanto no modo de

se comportar como no de proferir as palavras divinas, procurará sugerir

aos fiéis a presença viva de Cristo.

94. Depois do presbítero, por força da ordenação recebida, o diácono

ocupa o primeiro lugar entre aqueles que servem na celebração

eucarística. Com efeito, a sagrada Ordem do diaconado foi tida sempre em

especial consideração na Igreja desde os primeiros tempos dos Apóstolos

[82]. São funções próprias do diácono, na Missa: proclamar o Evangelho e,

eventualmente, pregar a palavra de Deus, enunciar as intenções na oração

universal, assistir ao sacerdote, preparar o altar e servir na celebração do

sacrifício, distribuir a Eucaristia aos fiéis, particularmente sob a espécie do

vinho e eventualmente indicar ao povo os gestos e atitudes corporais.

II. Funções do povo de Deus

95. Na celebração da Missa, os fiéis constituem a nação santa, o povo

resgatado, o sacerdócio real, para dar graças a Deus e oferecer a hóstia

imaculada, não só pelas mãos do sacerdote, mas também juntamente com

ele, e para aprenderem a oferecer-se a si mesmos[83]. Procurem

manifestar tudo isso com um profundo sentido religioso e com a caridade

para com os irmãos que participam na mesma celebração.

Evitem, portanto, tudo quanto signifique singularidade ou divisão,

tendo presente que são todos filhos do mesmo Pai que está nos Céus e,

consequentemente, irmãos todos uns dos outros.

96. Portanto, formem todos um só corpo, quer ouvindo a palavra de

Deus, quer participando nas orações e no canto, quer sobretudo na comum

oblação do sacrifício e na comum participação da mesa do Senhor. Esta

unidade manifesta-se em beleza nos gestos e atitudes corporais que os

fiéis observam todos juntamente.

97. Os fiéis não recusem servir com alegria o povo de Deus, sempre

que forem solicitados para desempenhar qualquer especial ministério ou

função na celebração.

III. Ministérios especiais

Ministério instituídos do acólito e do leitor

98. O acólito é instituído para o serviço do altar e para ajudar o

sacerdote e o diácono. Compete-lhe, como função principal, preparar o

altar e os vasos sagrados e, se for necessário, distribuir aos fiéis a

Eucaristia, de que é ministro extraordinário[84].

No ministério do altar, o acólito tem funções próprias (cf. nn. 187-

193), que ele mesmo deve exercer.

99. O leitor é instituído para fazer as leituras da Sagrada Escritura, com

excepção do Evangelho. Pode também propor as intenções da oração

universal e ainda, na falta de salmista, recitar o salmo entre as leituras.

Na celebração eucarística o leitor tem uma função que lhe é própria

(cf. nn. 194-198) e que ele deve exercer por si mesmo, ainda que estejam

presentes ministros ordenados.

As outras funções

100. Na falta de acólito instituído, podem ser destinados para o serviço

do altar e para ajudar o sacerdote e o diácono ministros leigos que levam a

cruz, os círios, o turíbulo, o pão, o vinho e a água; também podem ser

designados ministros leigos para distribuir a sagrada Comunhão como

ministros extraordinários[85].

101. Na falta de leitor instituído, podem ser designados outros leigos

para proclamar as leituras da sagrada Escritura, desde que sejam

realmente aptos para o desempenho desta função e se tenham

cuidadosamente preparado, de tal modo que, pela escuta das leituras

divinas, os fiéis desenvolvam no seu coração um afecto vivo e suave pela

sagrada Escritura[86].

102. Compete ao salmista proferir o salmo ou o cântico bíblico que vem

entre as leituras. Para desempenhar bem a sua função, é necessário que o

salmista seja competente na arte de salmodiar e dotado de pronúncia

correcta e dicção perfeita.

103. Entre os fiéis exerce um próprio ofício litúrgico a schola cantorum

ou grupo coral, a quem compete executar devidamente, segundo os

diversos géneros de cânticos, as partes musicais que lhe estão reservadas

e animar a participação activa dos fiéis no canto[87]. O que se diz da

schola cantorum aplica-se também, nas devidas proporções, aos restantes

músicos e de modo particular ao organista.

104. É conveniente que haja um cantor ou mestre de coro

encarregado de dirigir e sustentar o canto do povo. Na falta da schola,

compete-lhe dirigir os diversos cânticos, fazendo o povo participar na parte

que lhe corresponde[88].

105. Também exercem uma função litúrgica:

a) O sacristão, que prepara com diligência os livros litúrgicos, os

paramentos e tudo o que é preciso para a celebração da Missa.

b) O comentador, incumbido de fazer aos fiéis, se for oportuno,

breves explicações e admonições, a fim de os introduzir na celebração e

os dispor a compreendê-la melhor. As admonições do comentador devem

ser cuidadosamente preparadas e muito sóbrias. No desempenho da sua

função, o comentador deve colocar-se em lugar adequado, à frente dos

fiéis, mas não no ambão.

c) Os encarregados de fazer na igreja a recolha das ofertas.

d) Aqueles que, em certas regiões, são encarregados de receber os

fiéis à porta da igreja, de os conduzir aos seus lugares e de ordenar as

suas procissões.

106. É conveniente, pelo menos nas igrejas catedrais e nas de maior

importância, que haja um ministro competente ou mestre de cerimónias,

responsável pelo bom ordenamento das acções sagradas, ao qual

pertence velar para que as mesmas sejam executadas pelos ministros

sagrados e fiéis leigos com dignidade, ordem e piedade.

107. As funções litúrgicas, que não são próprias do sacerdote ou do

diácono, e das quais se tratou acima (nn. 100-106), também podem ser

confiadas a leigos idóneos, escolhidos pelo pároco ou reitor da igreja,

mediante uma bênção litúrgica ou por nomeação temporária. Quanto à

função de servir o sacerdote ao altar, observem-se as determinações

dadas pelo Bispo para a sua diocese.

IV. A distribuição das funções e a preparação da celebração

108. Um só e o mesmo sacerdote deve exercer a função presidencial

sempre e em todas as suas partes, com excepção das que são próprias do

Bispo na Missa em que este estiver presente (cf. acima n. 92).

109. Se estão presentes várias pessoas que podem exercer o mesmo

ministério, nada obsta a que distribuam e desempenhem entre si as

diversas partes desse ministério ou ofício. Por exemplo: pode um diácono

encarregar-se das partes cantadas e outro diácono servir ao altar; quando

há mais que uma leitura, é preferível confiá-las a diversos leitores; e assim

noutros casos. Mas não é conveniente que vários ministros dividam entre

si um único elemento da celebração: p. ex. a mesma leitura lida por dois,

um após o outro, a não ser que se trate da Paixão do Senhor.

110. Quando na Missa com o povo há um só ministro, este

desempenha as diversas funções.

111. Sob a orientação do reitor da igreja, deve fazer-se a preparação

prática de cada celebração litúrgica, segundo os livros litúrgicos[89], com a

diligente cooperação de todos os que nela são chamados a intervir, tanto

no que se refere aos ritos como no aspecto pastoral e musical; devem ser

ouvidos também os fiéis naquilo que lhes diz directamente respeito. Mas o

sacerdote que preside à celebração conserva sempre o direito de dispor de

tudo aquilo que for da sua competência.

CAPÍTULO IV

AS DIVERSAS FORMAS DE CELEBRAÇÃO DA MISSA

112. Na Igreja local dê-se o primeiro lugar, em razão do seu significado,

à Missa presidida pelo Bispo rodeado do seu presbitério, diáconos e

ministros leigos[90], com participação plena e activa de todo o povo santo

de Deus. É nesta Missa que se realiza a principal manifestação da Igreja.

Na Missa celebrada pelo Bispo, ou na qual ele está presente sem

celebrar a Eucaristia, observem-se as normas que se encontram no

Cerimonial dos Bispos[91].

113. Tenha-se igualmente em grande apreço a Missa celebrada com

uma comunidade, sobretudo com a comunidade paroquial; esta, com

efeito, principalmente na celebração comunitária do domingo, representa a

Igreja universal num determinado tempo e lugar[92].

114. Entre as Missas celebradas por certas comunidades, ocupa lugar

de relevo a Missa conventual que faz parte do Oficio quotidiano, a

chamada Missa “da Comunidade”. Ainda que tais Missas não tenham

forma especial de celebração, é todavia da máxima conveniência que se

celebrem com canto e, sobretudo, com a plena participação de todos os

membros da comunidade, seja de religiosos seja de cónegos. Cada um

deve exercer nestas Missas a função que lhe é própria, segundo a Ordem

ou ministério em que está investido. Convém, por isso, que, na medida do

possível, todos os presbíteros não obrigados a celebrar individualmente

para utilidade pastoral dos fiéis concelebrem nestas Missas. Mais ainda,

todos os sacerdotes pertencentes à comunidade que, por dever de ofício,

tenham de celebrar individualmente para utilidade pastoral dos fiéis, podem

concelebrar no mesmo dia na Missa conventual ou “da Comunidade”[93].

Convém, assim, que os presbíteros presentes na celebração eucarística, a

menos de justa causa, exerçam habitualmente a função própria da sua

ordem e, portanto, participem como concelebrantes, revestidos das vestes

sagradas.

I. Missa com o povo

115. Entende-se por Missa com o povo a que é celebrada com

participação dos fiéis. Na medida do possível, convém que esta Missa,

especialmente nos domingos e festas de preceito, seja celebrada com

canto e com número adequado de ministros[94]. Pode, todavia, celebrar-se

também sem canto e com um só ministro.

116. Em qualquer celebração da Missa, estando presente um diácono,

este deve nela desempenhar o seu ministério. Convém ainda que o

sacerdote celebrante seja assistido normalmente por um acólito, um leitor e

um cantor. O rito adiante descrito prevê, no entanto, a possibilidade de

maior número de ministros.

Coisas a preparar

117. O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor

branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração,

pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo

no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o

Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja

uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz

ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na

procissão de entrada. Também se pode colocar sobre o altar o

Evangeliário, distinto do livro das outras leituras, a não ser que ele seja

levado na procissão de entrada.

118. Preparam-se também:

a) Junto à cadeira do sacerdote: o Missal e, porventura, o livro de

canto;

b) No ambão: o leccionário;

c) Na credência: o cálice, o corporal, o sanguinho e, sendo preciso,

a pala; a patena e as píxides, se forem necessárias; o pão para a

Comunhão do sacerdote que preside, do diácono, dos ministros e do povo;

as galhetas com o vinho e a água, a não ser que todas estas coisas sejam

trazidas pelos fiéis na altura da apresentação dos dons; o vaso da água a

benzer, se se fizer a aspersão; a bandeja (ou patena) para a Comunhão

dos fiéis; e ainda o que for necessário para lavar as mãos.

É louvável cobrir o cálice com um véu, que pode ser ou da cor do

dia ou de cor branca.

119. Na sacristia preparam-se as vestes sagradas (cf. nn. 337-341) do

sacerdote, do diácono, e dos outros ministros, segundo as diferentes

formas de celebração:

a) para o sacerdote: alva, estola e casula ou planeta;

b) para o diácono: alva, estola e dalmática; esta, por necessidade

ou por motivo de menor solenidade, pode omitir-se;

c) para os outros ministros: alva ou outras vestes legitimamente

aprovadas[95].

Todos os que vão revestidos de alva usam também o cíngulo e o

amito, salvo se não forem exigidos em virtude da forma da própria alva.

Quando a entrada se faz com procissão, prepara-se também: o

Evangeliário; nos domingos e festas o turíbulo e a naveta com incenso, se

se usa o incenso; a cruz a levar na procissão e os candelabros com círios

acesos.

A) A Missa sem diácono

Ritos iniciais

120. Reunido o povo, o sacerdote e os ministros, revestidos com as

vestes sagradas, encaminham-se para o altar por esta ordem:

a) o turiferário com o turíbulo fumegante, se se usa o incenso;

b) os ceroferários com os círios acesos, e entre eles um acólito ou

outro ministro com a cruz;

c) os acólitos e outros ministros;

d) o leitor, que pode levar o Evangeliário um pouco elevado, não,

porém, o Leccionário;

e) o sacerdote que vai celebrar a Missa.

Se se usa o incenso, o sacerdote, antes de se iniciar a procissão de

entrada, impõe incenso no turíbulo e benze-o com o sinal da cruz, sem

dizer nada.

121. Enquanto a procissão se dirige para o altar, canta-se o

cântico de entrada (cf. nn. 47-48).

122. Ao chegarem ao altar, o sacerdote e os ministros fazem uma

inclinação profunda.

A cruz adornada com a imagem de Cristo crucificado e levada na

procissão pode colocar-se junto do altar, para se tornar a cruz do altar, que

deve ser apenas uma, ou então seja guardada; os candelabros, porém,

colocam-se sobre o altar ou junto dele; o Evangeliário depõe-se sobre o

altar.

123. O sacerdote aproxima-se do altar e venera-o com um beijo. Logo

a seguir, se parecer oportuno, incensa a cruz e o altar, andando em volta

dele.

124. Feito isto, o sacerdote vai para a cadeira. Terminado o cântico de

entrada, sacerdote e fiéis, todos de pé, benzem-se com o sinal da cruz. O

sacerdote diz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (In nomine

Patris et Filii et Spiritus Sancti). O povo responde: Amen.

Em seguida, o sacerdote, voltado para o povo e abrindo os braços,

saúda-o, utilizando uma das fórmulas propostas. Pode também o próprio

sacerdote ou outro ministro fazer aos fiéis uma introdução, com

brevíssimas palavras, na Missa desse dia.

125. Segue-se o acto penitencial. Depois canta-se ou diz-se o Senhor,

tende piedade de nós (Kýrie), segundo as rubricas (cf. n. 52).

126. Quando estiver prescrito, canta-se ou diz-se o Glória (cf. n. 53).

127. A seguir, o sacerdote convida o povo à oração, dizendo, de mãos

juntas: Oremos (Oremus). E todos, juntamente com o sacerdote, oram em

silêncio durante alguns momentos. Depois o sacerdote, de braços abertos,

diz a oração colecta; no fim, o povo aclama: Amen.

Liturgia da palavra

128. Terminada a oração colecta, todos se sentam. O sacerdote pode,

com brevíssimas palavras, introduzir os fiéis na liturgia da palavra.

Entretanto, o leitor vai ao ambão e, a partir do leccionário aí colocado antes

da Missa, proclama a primeira leitura, que todos escutam. No fim, o leitor

profere a aclamação: Palavra do Senhor (Verbum Domini); e todos

respondem: Graças a Deus (Deo Gratias).

Pode então observar-se, se for oportuno, um breve espaço de

silêncio, para que todos meditem brevemente no que ouviram.

129. Depois, o salmista ou o próprio leitor recita o versículo do salmo,

ao qual o povo responde habitualmente com o refrão.

130. Se há segunda leitura antes do Evangelho, o leitor proclama-a do

ambão. Todos escutam em silêncio e no fim respondem com a aclamação,

como acima se disse (n. 128). A seguir, se for oportuno, pode observar-se

um breve espaço de silêncio.

131. Depois todos se levantam e canta-se o Aleluia ou outro cântico,

conforme o tempo litúrgico (cf. nn. 62-64).

132. Enquanto se canta o Aleluia ou o outro cântico, o sacerdote

impõe e benze o incenso, quando se usa. De seguida, profundamente

inclinado diante do altar, de mãos juntas, diz em silêncio: Purificai o meu

coração (Munda cor meum).

133. Toma então o Evangeliário, se está sobre o altar, e dirige-se para

o ambão, levando o Evangeliário um pouco elevado, precedido pelos

ministros leigos, que podem levar o turíbulo e os círios. Os presentes

voltam-se para o ambão, manifestando uma especial reverência ao

Evangelho de Cristo.

134. Tendo chegado ao ambão, o sacerdote abre o livro e, de mão

juntas, diz: O Senhor esteja convosco (Dominus vobiscum); o povo

responde: Ele está no meio de nós (Et cum spiritu tuo), e a seguir

Evangelho de Nosso Senhor... (Lectio sancti Evangelii...), fazendo o sinal

da cruz sobre o livro e sobre si mesmo na fronte, na boca e no peito, e

todos fazem o mesmo. O povo aclama, dizendo: Glória a Vós, Senhor

(Gloria tibi, Domine). Depois, se se usa o incenso, o sacerdote incensa o

livro (cf. nn. 276-277). A seguir proclama o Evangelho, e no fim diz a

aclamação: Palavra da salvação (Verbum Domini). Todos respondem:

Glória a Vós, Senhor (Laus tibi, Christe). O sacerdote beija o livro, dizendo

em silêncio: Por este santo Evangelho (Per evangelica dicta...).

135. Se não há leitor, é o próprio sacerdote que de pé proclama, no

ambão, todas as leituras e o salmo. Ali também, se se usa o incenso,

impõe incenso e benze-o, e, profundamente inclinado, diz : Purificai o meu

coração (Munda cor meum).

136. O sacerdote, em pé, da cadeira ou do próprio ambão, ou, se for

oportuno, noutro lugar conveniente, faz a homilia. Terminada a homilia,

pode observar-se, se for oportuno, um espaço de silêncio.

137. O Símbolo é cantado ou recitado pelo sacerdote juntamente com

o povo (cf. n. 68), estando todos de pé. Às palavras E encarnou, etc. (Et

incarnatus est, etc.), todos se inclinam profundamente; porém, nas

solenidades da Anunciação e do Natal do Senhor, genuflectem.

138. Terminado o Símbolo, o sacerdote, de pé junto da cadeira,

de mãos juntas, convida os fiéis à oração universal com uma breve

admonição. Então um diácono ou um cantor, ou um leitor ou outro, no

ambão ou noutro lugar conveniente, voltado para o povo, propõe as

intenções, a que o povo responde suplicante com a sua parte. Por fim o

sacerdote, de braços abertos, conclui as preces com uma oração.

Liturgia eucarística

139. Terminada a oração universal, todos se sentam, e começa o

cântico do ofertório (cf. n. 74), se há procissão dos dons.

O acólito ou outro ministro leigo coloca sobre o altar o corporal, o

sanguinho, o cálice, a pala e o missal.

140. Convém que a participação dos fiéis se manifeste pela oferta quer

do pão e do vinho destinados à celebração da Eucaristia, quer de outros

dons destinados às necessidades da Igreja e dos pobres.

As ofertas dos fiéis são recebidas pelo sacerdote com a ajuda do

acólito ou de outro ministro. O pão e o vinho destinados à Eucaristia são

levados ao celebrante, que os depõe sobre o altar; os outros dons são

colocados noutro lugar conveniente (cf. n. 73).

141. O sacerdote, junto do altar, recebe a patena com o pão; e,

sustentando-a, com ambas as mãos, um pouco elevada sobre o altar, diz

em silêncio (secreto): Bendito sejais, Senhor. Em seguida, depõe a patena

com o pão sobre o corporal.

142. O sacerdote vai depois ao lado do altar, onde o ministro lhe

apresenta as galhetas, e deita no cálice o vinho e um pouco de água,

dizendo em silêncio: Pelo mistério desta água e deste vinho. Volta ao meio

do altar, toma o cálice com ambas as mãos e, sustentando-o um pouco

elevado sobre o altar, diz em voz baixa: Bendito sejais, Senhor. Depõe, em

seguida, o cálice sobre o corporal e, se parecer oportuno, cobre-o com a

pala.

Se não há cântico do ofertório ou não se toca o órgão, o sacerdote

pode, na apresentação do pão e do vinho, dizer em voz alta as fórmulas de

bênção, às quais o povo aclama: Bendito seja Deus para sempre.

143. Colocado o cálice no altar, o sacerdote inclina-se profundamente e

diz em silêncio: De coração humilhado e contrito (In spiritu humilitatis).

144. A seguir, se se usa o incenso, o sacerdote impõe-o no turíbulo e

incensa as oblatas, a cruz e o altar. Um ministro, de pé ao lado do altar,

incensa o sacerdote, e depois o povo.

145. Depois da oração: De coração humilhado e contrito (In spiritu

humilitatis) ou depois da incensação, o sacerdote vai ao lado do altar e

lava as mãos, dizendo em silêncio: Lavai-me, Senhor, enquanto o ministro

lhe serve a água.

146. O sacerdote vem ao meio do altar e, voltado para o povo, abrindo e

juntando as mãos, convida-o à oração, dizendo: Orai, irmãos, etc... (Orate,

fratres...– Em Portugal pode o sacerdote dizer apenas Oremos, sem

resposta do povo). O povo levanta-se e responde: Receba o Senhor.

Depois o sacerdote, recita, de braços abertos, a oração sobre as oblatas.

No fim o povo aclama: Amen.

147. Então o sacerdote começa a Oração eucarística. Segundo as

rubricas, escolhe uma das que se encontram no Missal Romano, ou que a

Santa Sé tenha aprovado. Por sua natureza, a Oração eucarística exige

que seja só o sacerdote, em virtude da ordenação, a dizê-la. O povo,

porém, associe-se ao sacerdote, na fé e em silêncio, e também com as

intervenções previstas na Oração eucarística, isto é: as respostas ao

diálogo do Prefácio, o Sanctus, a aclamação depois da consagração e a

aclamação Amen depois da doxologia final, e ainda com outras

aclamações aprovadas pela Conferência Episcopal e confirmadas pela

Santa Sé.

É muito conveniente que o sacerdote cante as partes musicadas da

Oração eucarística.

148. Ao começar a Oração eucarística, o sacerdote, abrindo os braços,

canta ou diz: O Senhor esteja convosco (Dominus vobiscum), e o povo

responde: Ele está no meio de nós (Et cum spiritu tuo). Em seguida

continua, elevando as mãos: Corações ao alto (Sursum corda). O povo

responde: O nosso coração está em Deus (Habemus ad Dominum). Então

o sacerdote, de braços abertos, acrescenta: Dêmos graças ao Senhor

nosso Deus (Gratias agamus Domino Deo nostro). E o povo responde: É

nosso dever, é nossa salvação (Dignum et iustum est). Depois o sacerdote,

de mãos estendidas, continua o Prefácio, no fim do qual junta as mãos e,

juntamente com todos os presentes, canta ou recita em voz alta: Santo...

(Sanctus) (cf. n. 79, b).

149. O sacerdote prossegue a Oração eucarística, segundo as rubricas

apresentadas em cada uma das Orações.

Se o sacerdote celebrante é um Bispo, nas Orações, a seguir às

palavras em comunhão com o vosso servo o Papa N. (Papa nostro N.),

acrescenta: e comigo, vosso indigno servo (et me indigno servo tuo). Se o

Bispo celebra fora da sua diocese, depois das palavras: com o Papa N.

(Papa nostro N.), acrescenta: e comigo, vosso indigno servo, e com o meu

irmão N, bispo desta Igreja de N. (et me indigno famulo tuo, et fratre meo

N., episcopo huius Ecclesiae N.), ou depois das palavras: o Papa N.

(Papae nostri N.) acrescenta: e de mim, vosso indigno servo, e do meu

irmão N., bispo desta Igreja de N. (mei indigni famuli Tui, et fratris mei N.,

episcopi huius Ecclesiae N.). [* Na versão portuguesa pode ignorar-se a

variante com genitivo que é exclusiva do original latino da Oração

eucarística IV]

O Bispo diocesano, ou aquele que pelo direito lhe é equiparado,

deve ser mencionado com esta fórmula: em comunhão com o vosso servo

o Papa N., o nosso Bispo N. (ou Vigário, Prelado, Prefeito, Abade N.) [una

cum famulo tuo N. et Episcopo (vel Vicario, Praelato, Praefecto, Abbate)

nostro N.].

Também se podem mencionar os Bispos Coadjutor e Auxiliares na

Oração eucarística, mas não outros bispos eventualmente presentes.

Quando se tiver que nomear vários, usa-se uma fórmula geral: o nosso

Bispo N. e seus Bispos Auxiliares (et Episcopo nostro N. eiusque Episcopis

adiutoribus).

Em cada uma das Orações eucarísticas estas fórmulas devem

adaptar-se às regras gramaticais.

150. Um pouco antes da consagração, se parecer oportuno, o ministro

pode chamar a atenção dos fiéis com um toque de campainha, que pode

tocar-se também a cada elevação, segundo os costumes locais.

Se se usa incenso, o ministro incensa a hóstia e o cálice, ao serem

mostrados ao povo depois da consagração.

151. A seguir à consagração, depois de o sacerdote dizer: Mistério da fé

(Mystérium fidei), o povo aclama, utilizando uma das fórmulas prescritas.

No fim da Oração eucarística, o sacerdote toma a patena com a

hóstia e o cálice e, elevando-os ambos, diz sozinho a doxologia: Por Cristo

(Per ipsum). No fim o povo aclama: Amen. A seguir o sacerdote depõe a

patena e o cálice sobre o corporal.

152. Terminada a Oração eucarística, o sacerdote, de mãos juntas, diz

a admonição que antecede a oração dominical; e a seguir recita, de braços

abertos, esta oração juntamente com o povo.

153. Terminada a oração dominical, o sacerdote, de braços abertos, diz

sozinho o embolismo Livrai-nos de todo o mal, Senhor (Libera nos...). No

fim o povo aclama: Vosso é o reino (Quia tuum est regnum).

154. Em seguida, o sacerdote, de braços abertos, diz em voz alta a

oração Senhor Jesus Cristo, que dissestes (Domine Iesu Christe, qui

dixisti); uma vez terminada, o sacerdote, abrindo e juntando as mãos,

anuncia a paz, voltado para o povo, dizendo: A paz do Senhor esteja

sempre convosco (Pax Domini sit semper vobiscum); e o povo responde: O

amor de Cristo nos uniu (Et cum spiritu tuo). Logo a seguir, se parecer

oportuno, acrescenta: Saudai-vos na paz de Cristo (Offerte vobis pacem).

O sacerdote pode dar a paz aos ministros, mas permanece sempre

dentro do presbitério, a fim de não perturbar a celebração. Procede do

mesmo modo se, por motivos razoáveis, quiser dar a paz a alguns poucos

fiéis. E todos, segundo as determinações da Conferência Episcopal, se

saúdam uns aos outros em sinal de mútua paz, comunhão e caridade.

Enquanto se dá a paz, pode dizer-se: A paz do Senhor esteja sempre

contigo (Pax Domini sit semper tecum), ao que se responde: Amen.

155. A seguir, o sacerdote toma a hóstia, parte-a sobre a patena e

deita um fragmento no cálice, dizendo em silêncio: Esta união (Haec

commixtio). Entretanto, o coro e o povo cantam ou recitam: Cordeiro de

Deus (Agnus Dei) (cf. n. 83).

156. Então o sacerdote, de mãos juntas, diz em silêncio a oração

antes da Comunhão: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo (Domine

Iesu Christe, Filii Dei vivi) ou A comunhão do vosso Corpo e Sangue

(Perceptio Corporis et Sanguinis).

157. Terminada esta oração, o sacerdote genuflecte, toma a hóstia,

levanta-a um pouco sobre a patena ou sobre o cálice e, voltado para o

povo, diz: Felizes os convidados (Ecce Agnus Dei); e, juntamente com o

povo, acrescenta uma só vez: Senhor, eu não sou digno (Domine, non sum

dignus).

158. Depois, voltado para o altar, o sacerdote diz em silêncio: O Corpo

de Cristo me guarde para a vida eterna (Corpus Christi custodiat me in

vitam aeternam); e comunga com reverência o Corpo de Cristo. A seguir,

toma o cálice, dizendo em silêncio: O Sangue de Cristo me guarde para a

vida eterna (Sanguis Christi custodiat me in vitam aeternam); e comunga

com reverência o Sangue de Cristo.

159. Enquanto o sacerdote recebe o Sacramento, começa-se o canto

da Comunhão (cf. n. 86).

160. O sacerdote pega depois na patena ou na píxide e aproxima-se

dos comungantes, que habitualmente se aproximam em procissão.

Não é permitido que os próprios fiéis tomem, por si mesmos, o pão

consagrado nem o cálice sagrado, e menos ainda que o passem entre si,

de mão em mão. Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, segundo a

determinação da Conferência Episcopal. Quando comungam de pé,

recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam a devida

reverência, estabelecida pelas mesmas normas.

161. Se a Comunhão for distribuída unicamente sob a espécie do pão,

o sacerdote levanta um pouco a hóstia e, mostrando-a a cada um dos

comungantes, diz: O Corpo de Cristo ou Corpus Christi. O comungante

responde: Amen, e recebe o Sacramento na boca, ou, onde for permitido,

na mão, conforme preferir. O comungante recebe a hóstia e comunga-a

imediatamente e na íntegra.

Quando a Comunhão se faz sob as duas espécies, segue-se o rito

descrito em seu lugar próprio (cf. nn. 284-287).

162. Na distribuição da Comunhão, o sacerdote pode ser ajudado por

outros presbíteros eventualmente presentes. Se estes não estiverem

disponíveis e o número dos comungantes for demasiado grande, o

sacerdote pode chamar em seu auxílio os ministros extraordinários, isto é,

o acólito devidamente instituído ou também outros fiéis, que tenham sido

devidamente nomeados para isso[96]. Em caso de necessidade, o

sacerdote pode designar, só para essa ocasião, alguns fiéis idóneos[97].

Estes ministros não devem aproximar-se do altar antes de o

sacerdote ter tomado a Comunhão; e recebem sempre da mão do

sacerdote celebrante o vaso com as espécies da Santíssima Eucaristia a

distribuir aos fiéis.

163. Terminada a distribuição da Comunhão, o sacerdote, no altar,

consome imediatamente todo o vinho consagrado que porventura tiver

sobrado; quanto às hóstias consagradas que sobrarem, ou as consome no

altar ou leva-as ao lugar destinado a guardar a Eucaristia.

O sacerdote, regressado ao altar, recolhe os fragmentos que

porventura houver. Depois vai ao lado do altar ou à credência e purifica a

patena ou a píxide sobre o cálice; a seguir, purifica o cálice, enquanto diz

em silêncio: O que em nossa boca recebemos (Quod ore sumpsimus); e

limpa o cálice com o sanguinho. Se os vasos são purificados no altar, o

ministro leva-os para a credência. Os vasos a purificar, sobretudo se forem

vários, também se podem deixar no altar ou na credência, sobre o

corporal, devidamente cobertos, sendo purificados imediatamente depois

da Missa, após a despedida do povo.

164. Depois o sacerdote pode voltar para a cadeira. Entretanto, podem

guardar-se uns momentos de silêncio sagrado, ou cantar ou recitar um

salmo ou outro cântico de louvor ou um hino (cf. n. 88).

165. Depois o sacerdote, de pé junto do altar ou da cadeira, diz de

mãos juntas, voltado para o povo: Oremos (Oremus); e, de braços abertos,

recita a oração depois da Comunhão, a qual pode ser precedida de um

breve momento de silêncio, a não ser que o tenha havido logo a seguir à

Comunhão. No fim da oração o povo aclama: Amen.

Ritos de conclusão

166. Terminada a oração depois da Comunhão, se houver avisos a

fazer, façam-se em forma breve.

167. A seguir, o sacerdote saúda o povo, abrindo os braços e dizendo:

O Senhor esteja convosco (Dominus vobiscum), a que o povo responde:

Ele está no meio de nós (Et cum spiritu tuo). O sacerdote, junta de novo as

mãos, e, logo a seguir, com a mão esquerda no peito e elevando a mão

direita, acrescenta: Abençoe-vos Deus todo-poderoso (Benedicat vos

omnipotens Deus) e, fazendo o sinal da cruz sobre o povo, continua: Pai e

Filho e Espírito Santo (Pater et Filius et Spiritus Sanctus); e todos

respondem: Amen.

Em certos dias e em ocasiões especiais, esta fórmula de bênção é

precedida, segundo as rubricas, de outra mais solene ou da oração sobre o

povo.

O Bispo abençoa o povo com a fórmula apropriada, fazendo por

três vezes o sinal da cruz sobre o povo.

168. Logo a seguir à bênção, o sacerdote, de mãos juntas, diz: Ide em

paz e o Senhor vos acompanhe (Ite, missa est); e todos respondem:

Graças a Deus (Deo gratias).

169. O sacerdote, habitualmente, beija então o altar em sinal de

veneração, faz-lhe, com os ministros leigos, uma inclinação profunda, e

retira-se com eles.

170. Se a Missa é seguida de outra acção litúrgica, omitem-se os ritos

de conclusão, quer dizer, a saudação, a bênção e a despedida.

B) A Missa com Diácono

171. Quando está presente na celebração eucarística, o diácono

exerce o seu ministério revestido com as vestes sagradas. Com efeito, ele

próprio:

a) assiste ao sacerdote e está sempre a seu lado;

b) ao altar, ministra ao cálice e ao livro;

c) proclama o Evangelho e pode, por mandato do sacerdote

celebrante, fazer a homilia (cf. n. 66);

d) orienta o povo fiel com oportunas admonições e enuncia as intenções da

oração universal;

e) ajuda o sacerdote celebrante a distribuir a Comunhão, e purifica e

arruma os vasos sagrados;

f) ele próprio, segundo as necessidades, realiza os ofícios dos outros

ministros, se nenhum deles estiver presente.

Ritos iniciais

172. O diácono, levando o Evangeliário um pouco elevado, vai à frente

do sacerdote a caminho do altar; caso contrário, vai ao lado dele.

173. Ao chegar ao altar, se levar o Evangeliário, omitida a reverência,

aproxima-se do altar. A seguir, depõe o Evangeliário sobre o altar, e

juntamente com o sacerdote, venera o altar com um beijo.

Se não levar o Evangeliário, faz uma inclinação profunda ao altar

juntamente com o sacerdote, do modo habitual, e venera o altar com um

beijo juntamente com ele.

Por fim, se se usa o incenso, assiste o sacerdote na imposição do

incenso e na incensação da cruz e do altar.

174. Incensado o altar, vai para a cadeira juntamente com o sacerdote,

ficando aí de pé ao lado dele, servindo-o no que for preciso.

Liturgia da palavra

175. Enquanto se canta o Aleluia ou o outro cântico, assiste ao

sacerdote na preparação do turíbulo, se se usar incenso; em seguida,

inclinando-se profundamente diante do sacerdote, pede-lhe a bênção,

dizendo em voz baixa: A vossa bênção (Iube, domne, benedicere). O

sacerdote abençoa-o, dizendo: O Senhor esteja no teu coração. (Dominus

sit in corde tuo). O diácono benze-se com o sinal da cruz e responde:

Amen. Em seguida, depois de fazer a inclinação ao altar, toma o

Evangeliário, que louvavelmente está sobre ele, levando-o um pouco

elevado, dirige-se para o ambão, precedido do turiferário com o turíbulo

fumegante e dos ministros com círios acesos. No ambão saúda o povo,

dizendo, de mão juntas: O Senhor esteja convosco (Dominus vobiscum);

depois, às palavras Leitura do santo Evangelho (Lectio sancti Evangelii),

faz com o polegar o sinal da cruz no livro e depois persigna-se a si próprio

na fronte, na boca e no peito, incensa o livro e proclama o Evangelho. No

fim aclama: Palavra da salvação (Verbum Domini), e todos respondem:

Glória a Vós, Senhor (Laus tibi, Christe). Depois beija o livro em sinal de

veneração, dizendo em silêncio: Por este santo Evangelho (Per evangélica

dicta); e volta para junto do sacerdote.

Quando o diácono ministra ao Bispo, leva-lhe o livro para que ele o

beije ou beija-o ele próprio, dizendo em silêncio: Por este santo Evangelho

(Per evangélica dicta). Nas celebrações mais solenes o Bispo, se for

oportuno, dá a bênção ao povo com o Evangeliário.

Por fim, o Evangeliário pode ser levado para a credência ou para

outro lugar adequado e digno.

176. Se não estiver presente outro leitor idóneo, o diácono profere as

outras leituras.

177. As intenções da oração dos fiéis, após a introdução do sacerdote,

é o diácono quem as profere, habitualmente do ambão.

Liturgia eucarística

178. Terminada a oração universal, enquanto o sacerdote permanece

sentado na cadeira, o diácono prepara o altar, auxiliado pelo acólito. A ele

compete cuidar dos vasos sagrados. Assiste também o sacerdote na

recepção dos dons do povo. Entrega depois ao sacerdote a patena com o

pão que vai ser consagrado; deita no cálice o vinho e um pouco de água,

dizendo em silêncio: Pelo mistério desta água e deste vinho (Per huius

aquae) e entrega o cálice ao sacerdote. Esta preparação do cálice, pode

ser feita na credência. Se se usa incenso, ministra ao sacerdote na

incensação das oblatas, da cruz e do altar e, em seguida, ele próprio ou o

acólito incensa o sacerdote e o povo.

179. Durante a Oração eucarística, o diácono permanece ao lado do

sacerdote, um pouco atrás, servindo-o, quando for preciso, ao cálice e ao

Missal.

Desde a epiclese até à ostensão do cálice, o diácono permanece

habitualmente de joelhos. Se estiverem presentes vários diáconos, um

deles pode impor incenso no turíbulo para a consagração e incensar a

hóstia e o cálice durante a ostensão.

180. Durante a doxologia final da Oração eucarística, o diác ono, ao

lado do sacerdote, eleva o cálice, enquanto o sacerdote eleva a patena

com a hóstia, até que o povo tenha respondido com a aclamação: Amen.

181. Quando o sacerdote tiver concluído a oração da paz e dito A paz

do Senhor esteja sempre convosco (Pax Domini sit semper vobiscum),

com a resposta do povo O amor de Cristo nos uniu (Et cum spiritu tuo), o

diácono, se for oportuno, de mãos juntas e voltado para o povo, faz o

convite para a paz, dizendo: Saudai-vos na paz de Cristo (Offerte vobis

pacem). Ele próprio recebe do sacerdote a paz e pode dá-la aos ministros

que estiverem mais perto de si.

182. Depois da Comunhão do sacerdote, o diácono recebe do próprio

sacerdote a Comunhão sob as duas espécies e ajuda em seguida o

sacerdote na distribuição da Comunhão ao povo. No caso de a Comunhão

se fazer sob as duas espécies, ele próprio ministra o cálice aos

comungantes e, acabada a distribuição, consome imediatamente e com

reverência, no altar, todo o Sangue de Cristo que sobrou, ajudado, se

necessário, por outros diáconos e presbíteros.

183. Terminada a Comunhão, o diácono regressa com o sacerdote ao

altar, recolhe os fragmentos que porventura houver, leva o cálice e os

outros vasos sagrados para a credência, onde os purifica e arranja na

forma habitual, enquanto o sacerdote regressa à cadeira. Os vasos a

purificar podem também deixar-se na credência, sobre o corporal,

devidamente cobertos, sendo purificados imediatamente depois da Missa,

após a despedida do povo.

Ritos de conclusão

184. Terminada a oração depois da Comunhão, o diácono faz ao povo

eventuais breves avisos, a não ser que o sacerdote prefira fazê-los por si

próprio.

185. Se se usa a fórmula de bênção solene ou a oração sobre o povo,

o diácono diz: Inclinai-vos para receber a bênção (Inclinate vos ad

benedictionem). Depois da bênção dada pelo sacerdote, o diácono

despede o povo, dizendo, de mãos juntas, voltado para o povo: Ide em paz

e o Senhor vos acompanhe (Ite, missa est).

186. Então, juntamente com o sacerdote, beija o altar em sinal de

veneração e, feita a inclinação profunda, retira-se pela mesma ordem da

entrada.

C) Funções do Acólito

187. São de vários géneros as funções que o acólito pode exercer,

podendo algumas delas ocorrer simultaneamente. Convém, por isso, que

sejam oportunamente distribuídas por vários. Se, contudo, só estiver

presente um acólito, este desempenhará a função mais importante, e as

outras distribuam-se por vários ministros.

Ritos iniciais

188. Na procissão de entrada, o acólito pode levar a cruz, ladeado por

outros dois ministros com os círios acesos. Chegando ao altar, depõe a

cruz junto dele, para se tornar a cruz do altar, ou então coloca-a num lugar

digno. Em seguida, ocupa o seu lugar no presbitério.

189. Durante toda a celebração, sempre que seja necessário, o acólito

aproxima-se do sacerdote ou do diácono, para lhes apresentar o livro e

ajudá-los no que for preciso. Convém, portanto, que, na medida do

possível, ocupe um lugar donde lhe seja fácil desempenhar o seu

ministério, quer junto da cadeira presidencial quer junto do altar.

Liturgia eucarística

190. Na ausência do diácono, o acólito, depois da oração universal e

enquanto o sacerdote permanece na sua cadeira, coloca sobre o altar o

corporal, o sanguinho, o cálice e o Missal. Seguidamente, se for preciso,

ajuda o sacerdote a receber os dons do povo e, conforme as

circunstâncias, leva para o altar o pão e o vinho e entrega-os ao sacerdote.

Se se usa incenso, apresenta ao sacerdote o turíbulo e acompanha-o na

incensação das oblatas, da cruz e do altar. Depois incensa o sacerdote e o

povo.

191. O acólito devidamente instituído, se for preciso, pode ajudar o

sacerdote a distribuir a Comunhão ao povo, como ministro

extraordinário[98]. Se, na ausência do diácono, se dá a Comunhão sob as

duas espécies, ele próprio ministra o cálice aos comungantes ou sustenta

o cálice quando a Comunhão é feita por intinção.

192. Do mesmo modo o acólito devidamente instituído, terminada a

distribuição da Comunhão, ajuda o sacerdote ou o diácono na purificação e

arranjo dos vasos sagrados. Na ausência do diácono, o acólito leva os

vasos sagrados para a credência e aí os purifica, limpa e arranja, do modo

habitual.

193. Terminada a celebração da Missa, o acólito e os outros ministros,

juntamente com o diácono e o sacerdote, voltam processionalmente à

sacristia, do mesmo modo e pela mesma ordem com que vieram.

D) Funções do Leitor

Ritos iniciais

194. Na procissão de entrada, na ausência do diácono, o leitor, vestido

com a veste aprovada, pode levar o Evangeliário um pouco elevado. Neste

caso, vai à frente do sacerdote; se não, vai junto com os outros ministros.

195. Chegando ao altar, faz com os outros uma inclinação profunda.

Se leva o Evangeliário, sobe ao altar e sobre ele depõe o Evangeliário.

Depois ocupa o seu lugar no presbitério, junto com os outros ministros.

Liturgia da palavra

196. Lê no ambão as leituras que precedem o Evangelho. Na ausência

do salmista, pode proferir o salmo responsorial, depois da primeira leitura.

197. Na ausência do diácono, o leitor pode proferir as intenções da

oração universal, no ambão, depois da introdução feita pelo sacerdote.

198. Se não houver cântico de entrada nem da Comunhão e os fiéis

não recitarem as antífonas que vêm no Missal, pode proferir, no momento

próprio, estas antífonas (cf. nn. 48, 87).

II. Missa concelebrada

199. A concelebração, pela qual se manifesta oportunamente a

unidade do sacerdócio e do sacrifício, bem como a de todo o povo de

Deus, está prescrita pelo próprio rito: na ordenação do Bispo e dos

presbíteros, na bênção do abade e na Missa crismal.

Recomenda-se, além disso, a não ser que a utilidade dos fiéis exija

ou aconselhe de outro modo:

a) na Missa vespertina, na Quinta-feira da Ceia do Senhor;

b) na Missa celebrada nos Concílios, nas reuniões dos Bispos e nos

Sínodos;

c) na Missa conventual e na Missa principal celebrada nas igrejas e

oratórios;

d) nas Missas celebradas por ocasião de reuniões de sacerdotes,

tanto seculares como religiosos[99].

No entanto, é lícito a cada sacerdote celebrar a Eucaristia de

modo individual, mas não ao mesmo tempo em que, na mesma igreja ou

oratório, se realiza uma concelebração. Contudo, na Quinta-feira da Ceia

do Senhor e na Missa da Vigília pascal, não é permitido celebrar os ritos

sagrados de modo individual.

200. Aceitem-se de bom grado a concelebrar a Eucaristia os

presbíteros que estiverem de passagem, desde que se conheça a sua

condição sacerdotal.

201. Nos casos em que o número de sacerdotes seja muito grande,

pode fazer-se mais que uma concelebração no mesmo dia, onde a

necessidade ou a utilidade pastoral o aconselhem; mas devem fazer-se a

horas diferentes ou em lugares sagrados diversos[100].

202. Segundo as normas do direito, compete ao Bispo regulamentar a

disciplina da concelebração na sua diocese.

203. Deve ter-se em consideração especial a concelebração dos

presbíteros da diocese com o seu Bispo, particularmente na Missa

estacional nas grandes solenidades do ano litúrgico, na Missa da

ordenação do novo Bispo da diocese ou do seu coadjutor ou auxiliar, na

Missa crismal, na Missa vespertina da Ceia do Senhor, nas celebrações do

Santo Fundador da Igreja local ou do Padroeiro da diocese, nos

aniversários do Bispo e finalmente por ocasião do Sínodo ou da visita

pastoral.

Pelo mesmo motivo, recomenda-se a concelebração todas as vezes

que os presbíteros se encontram reunidos com o seu Bispo, quer por

ocasião de exercícios espirituais quer de outras reuniões. É nestas

ocasiões que mais se evidencia aquele sinal da unidade do sacerdócio e

da Igreja, próprio de toda a concelebração[101].

204. Por motivos especiais, quer pelo significado do rito quer pela

festa, é permitido celebrar ou concelebrar mais que uma vez no mesmo

dia, nos casos seguintes:

a) quem tiver celebrado ou concelebrado a Missa crismal na Quintafeira

da Semana Santa, pode celebrar ou concelebrar também a Missa

vespertina da Ceia do Senhor;

b) quem tiver celebrado ou concelebrado a Missa da Vigília Pascal

pode celebrar ou concelebrar a Missa do dia de Páscoa;

c) no Natal do Senhor, todos os sacerdotes podem celebrar ou

concelebrar três Missas, contanto que sejam nas horas correspondentes;

d) no dia da Comemoração de todos os fiéis defuntos, desde que as

celebrações se façam nos diversos tempos e observadas as

determinações acerca da aplicação da segunda e da terceira Missa[102];

e) quem concelebrar com o Bispo ou seu delegado por ocasião do

Sínodo, da visita pastoral ou de reuniões sacerdotais, pode também

celebrar outra Missa para utilidade dos fiéis. O mesmo se diga, observadas

as normas respectivas, das reuniões dos religiosos.

205. A Missa concelebrada, seja qual for a forma de que se revista,

segue as normas a observar comummente (cf. nn. 112-198), com as

particularidades ou alterações que a seguir se expõem:

206. Uma vez começada a Missa, ninguém, em caso algum, se junte ou

seja admitido a concelebrar.

207. No presbitério devem preparar-se:

a) assentos e livros para os sacerdotes concelebrantes:

b) na credência: um cálice de tamanho suficiente, ou vários

cálices.

208. Se na Missa concelebrada não estiver presente o diácono, as

funções que lhe são próprias serão realizadas por um ou outro dos

concelebrantes.

Se não estiverem presentes outros ministros, as partes que lhes

pertencem podem ser entregues a outros fiéis idóneos; se assim não for,

serão desempenhadas por alguns concelebrantes.

209. Os concelebrantes revestem-se, na sacristia ou noutro lugar

apropriado, com as vestes sagradas que costumam usar quando celebram

a Missa individualmente. Contudo, por justa causa, por exemplo, grande

número de concelebrantes e falta de paramentos para todos, podem os

concelebrantes, com excepção sempre do celebrante principal, revestir

apenas a estola por cima da alva, sem a casula ou planeta.

Ritos iniciais

210. Estando tudo devidamente preparado, organiza-se a procissão na

forma do costume, através da igreja, em direcção ao altar. Os sacerdotes

concelebrantes vão à frente do celebrante principal.

211. Chegando ao altar, os concelebrantes e o celebrante principal

fazem uma inclinação profunda, beijam o altar em sinal de veneração e vão

ocupar os lugares que lhes estão destinados. O celebrante principal

incensa a cruz e o altar, se parecer oportuno, e vai depois para a cadeira.

Liturgia da palavra

212. Durante a liturgia da palavra, os concelebrantes estão nos seus

lugares, sentados ou de pé, conforme estiver o celebrante principal.

Quando o Bispo preside, o presbítero que, na ausência do

diácono, proclamar o Evangelho, pede-lhe e recebe a bênção. Isso não se

faz na concelebração a que preside um presbítero.

213. Normalmente, faz a homilia o celebrante principal, ou então um

dos concelebrantes.

Liturgia eucarística

214. A preparação dos dons (cf. nn. 139-145) é feita pelo celebrante

principal, enquanto os outros concelebrantes permanecem nos seus

lugares.

215. Depois de o celebrante principal ter dito a oração sobre as

oblatas, os concelebrantes aproximam-se do altar e dispõem-se ao seu

redor, de tal forma, porém, que não dificultem o desenrolar dos ritos, a

acção sagrada seja facilmente vista pelos fiéis e não dificultem ao diácono

o acesso ao altar para o desempenho do seu ministério.

Se estiverem presentes sacerdotes concelebrantes, o diácono

realiza o seu ministério junto do altar, sempre que for preciso ministrar o

cálice e o Missal. Contudo, tanto quanto possível, colocar-se-á um pouco

atrás deles.

Modo de proferir a Oração eucarística

216. O Prefácio é cantado ou dito só pelo celebrante principal. O Santo

(Sanctus) é cantado ou recitado por todos os concelebrantes, juntamente

com o povo e a schola.

217. Terminado o Santo (Sanctus), os sacerdotes concelebrantes

continuam a Oração eucarística na forma que adiante se indica. Os gestos,

salvo indicação em contrário, são feitos só pelo celebrante principal.

218. As partes proferidas simultaneamente por todos os

concelebrantes, e principalmente as palavras da consagração, que todos

estão obrigados a dizer, devem ser recitadas pelos concelebrantes em voz

baixa, de modo a que se ouça claramente a voz do celebrante principal.

Deste modo, o povo pode perceber mais facilmente o texto.

As fórmulas a dizer simultaneamente por todos os concelebrantes,

e que vêm musicadas no Missal, é de louvar que sejam proferidas com

canto.

A) Oração eucarística I, ou Cânone Romano

219. Na Oração eucarística I, ou Cânone Romano, só o celebrante

principal diz, de braços abertos, Pai de infinita misericórdia (Te ígitur).

220. Convém confiar as partes Lembrai-vos, Senhor (Memento dos

vivos) e Em comunhão com toda a Igreja (Communicantes) a um ou outro

dos sacerdotes concelebrantes, que dirá sozinho estas preces, de braços

abertos e em voz alta.

221. De novo, só o celebrante principal diz, de braços abertos, Aceitai

benignamente, Senhor (Hanc ígitur).

222. Desde Santificai, Senhor (Quam oblatiónem) até Humildemente

Vos suplicamos (Supplices), o celebrante principal faz os gestos, e todos

os concelebrantes dizem tudo ao mesmo tempo, deste modo:

a) Santificai, Senhor (Quam oblatiónem), com as mãos estendidas

para as oblatas;

b) Na véspera da sua paixão (Qui prídie) e De igual modo (Símili

modo), de mãos juntas;

c) as palavras do Senhor, se parecer oportuno, com a mão direita

estendida para o pão e para o cálice; à ostensão, olham para a hóstia e

para o cálice e fazem em seguida inclinação profunda;

d) Celebrando agora o memorial (Unde et memores) e Olhai com

benevolência (Supra quae), de braços abertos;

e) Humildemente Vos suplicamos (Supplices), inclinados e de mãos

juntas, até às palavras: participando deste altar (ex hac altáris

partipatióne); erguem-se em seguida e benzem-se às palavras:

alcancemos a plenitude das bênçãos do Céu (omni benedictióne caelésti et

grátia repleámur).

223. Convém confiar as partes Lembrai-Vos, Senhor (o Memento dos

defuntos) e E a nós, pecadores (Nobis quoque peccatoribus) a um ou outro

dos concelebrantes, que as dirá sozinho, de braços abertos e em voz alta.

224. Às palavras E a nós, pecadores (Nobis quoque peccatoribus),

todos os concelebrantes batem no peito.

225. Por Cristo, nosso Senhor (per quem haec omnia) é dito só pelo

celebrante principal.

B) Oração eucarística II

226. Na Oração eucarística II, Vós, Senhor, sois verdadeiramente

Santo (Vere Sanctus) é dito só pelo celebrante principal, de braços

abertos.

227. Desde Santificai estes dons (Haec ergo dona) até Humildemente

Vos suplicamos (Et súpplices), todos os concelebrantes dizem tudo em

simultâneo, deste modo:

a) Santificai estes dons (Haec ergo dona), com as mãos estendidas

para as oblatas;

b) Na hora em que Ele Se entregava (Qui cum passióni) e De igual

modo (Símili modo), de mãos juntas;

c) as palavras do Senhor, se parecer oportuno, com a mão direita

estendida para o pão e para o cálice; à ostensão, olham para a hóstia e

para o cálice e fazem em seguida inclinação profunda;

d) Celebrando agora, Senhor o memorial (Mémores ígitur) e

Humildemente Vos suplicamos (Et súpplices), de braços abertos.

228. As intercessões pelos vivos: Lembrai-Vos, Senhor (Recordáre,

Dómine) e pelos defuntos: Lembrai-Vos também dos nossos irmãos

(Meménto étiam fratrum nostrórum) convém confiá-las a um ou outro dos

concelebrantes, que as dirá sozinho, de braços abertos.

C) Oração eucarística III

229. Na Oração eucarística III, Vós, Senhor, sois verdadeiramente

Santo (Vere Sanctus) é dito só pelo celebrante principal, de braços

abertos.

230. Desde Humildemente Vos suplicamos, Senhor (Súpplices ergo te,

Dómine) até Olhai benignamente (Réspice, quáesumus), todos os

concelebrantes dizem tudo em simultâneo, deste modo:

a) Humildemente Vos suplicamos (Súpplices ergo te, Dómine), com

as mãos estendidas para as oblatas;

b) Na noite em que Ele ia ser entregue (Ipse enim in qua nocte

tradebátur) e De igual modo (Símili modo), de mãos juntas;

c) as palavras do Senhor, se parecer oportuno, com a mão direita

estendida para o pão e para o cálice; à ostensão, olham para a hóstia e

para o cálice e fazem em seguida inclinação profunda;

d) Celebrando agora, Senhor, o memorial (Mémores ígitur) e Olhai

benignamente (Réspice, quáesumus), de braços abertos.

231. As intercessões: O Espírito Santo faça de nós (Ipse nos) e Por

este sacrifício de reconciliação (Haec hostia nostrae reconciliatiónis)

convém confiá-las a um ou outro dos concelebrantes, que as dirá sozinho,

de braços abertos.

D) Oração eucarística IV

232. Na Oração eucarística IV, as palavras Nós Vos glorificamos, Pai

santo (Confitémur tibi, Pater sancte) até e consumar toda a santificação

(omnem sanctificationem compléret) são ditas só pelo celebrante principal,

de braços abertos.

233. Desde Nós Vos pedimos, Senhor (Quáesumus ígitur, Dómine) até

Olhai, Senhor, para esta oblação (Réspice, Dómine) inclusive, todos os

concelebrantes dizem tudo em simultâneo, deste modo:

a) Nós Vos pedimos, Senhor (Quáesumus ígitur, Dómine), com as

mãos estendidas para as oblatas;

b) Quando chegou a hora (Ipse enim, cum hora venísset) e De igual

modo (Símili modo), de mãos juntas;

c) as palavras do Senhor, se parecer oportuno, com a mão direita

estendida para o pão e para o cálice; à ostensão, olham para a hóstia e

para o cálice e fazem em seguida inclinação profunda;

d) Celebrando agora, Senhor (Unde et nos) e Olhai, Senhor

(Réspice, Dómine), de braços abertos.

234. As intercessões: Lembrai-Vos agora, Senhor (Nunc ergo,

Dómine, ómnium recordáre) convém confiá-las a um dos concelebrantes,

que as dirá sozinho, de braços abertos.

235. Quanto às outras Orações Eucarísticas aprovadas pela Santa Sé,

observem-se as normas estabelecidas para cada uma delas.

236. A doxologia final da Oração eucarística é dita só pelo celebrante

principal juntamente com todos os outros concelebrantes, mas não pelos

fiéis.

Ritos da Comunhão

237. O celebrante principal, de mãos juntas, diz seguidamente a

admonição que antecede a oração dominical e depois, de braços abertos,

juntamente com os outros concelebrantes, que também abrem os braços, e

com o povo, diz a oração dominical.

238. Livrai-nos de todo o mal (Líbera nos, Dómine) é dito só pelo

celebrante principal, de braços abertos. Todos os concelebrantes,

juntamente com o povo, dizem a aclamação: Vosso é o reino (Quia tuum

est regnum).

239. Após a admonição: Saudai-vos na paz de Cristo (Offérte vobis

pacem), feita pelo diácono ou, na sua ausência, por um dos

concelebrantes, todos se dão mutuamente a paz. Os que estão mais

próximos do celebrante principal recebem dele a paz, antes do diácono.

240. Enquanto se diz o Cordeiro de Deus (Agnus Dei), o diácono ou

alguns dos concelebrantes podem ajudar o celebrante principal a partir as

hóstias para a Comunhão, tanto dos concelebrantes como do povo.

241. Após a immixtio, o celebrante principal diz sozinho, em silêncio, a

oração Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo (Dómine Iesu Christe, Fili

Dei vivi) ou A comunhão do vosso Corpo e Sangue (Percéptio).

242. Terminada a oração antes da Comunhão, o celebrante principal

genuflecte e afasta-se um pouco. Os concelebrantes, um após outro, vão

ao meio do altar, genuflectem e tomam com reverência o Corpo de Cristo

com a mão direita, pondo por baixo dela a esquerda, e voltam para os seus

lugares. Podem também ficar todos nos seus lugares e tomar o Corpo de

Cristo da patena que o celebrante principal (ou um ou mais

concelebrantes) lhes apresenta; podem também passar a patena uns aos

outros.

243. Depois o celebrante principal toma a hóstia consagrada nessa

Missa, levanta-a um pouco sobre a patena ou sobre o cálice e, voltado

para o povo, diz: Felizes os convidados... Eis o Cordeiro de Deus (Ecce

Agnus Dei... Beáti qui ad cenam); em seguida, continua, juntamente com

os concelebrantes e o povo: Senhor, eu não sou digno (Dómine, non sum

dignus).

244. Depois o celebrante principal, voltado para o altar, diz em

silêncio: O Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna (Corpus Christi

custódiat me in vitam aetérnam): e comunga com reverência o Corpo de

Cristo. O mesmo fazem os concelebrantes, que comungam por si mesmos.

Depois deles, o diácono recebe do celebrante principal o Corpo do Senhor.

245. O Sangue do Senhor pode comungar-se bebendo directamente

do cálice, ou por intinção, ou por meio de uma cânula, ou por meio de uma

colherinha.

246. Se a Comunhão se faz bebendo directamente do cálice, pode

adoptar-se um dos seguintes modos:

a) O celebrante principal toma o cálice e diz em silêncio: O Sangue

de Cristo me guarde para a vida eterna (Sanguis Christi custodiat me in

vitam aeternam); bebe um pouco de Sangue e entrega o cálice ao diácono

ou a um dos concelebrantes. Em seguida, distribui a Comunhão aos fiéis

(cf. nn. 160-162).

Os concelebrantes, um após outro, ou dois a dois, se há dois

cálices, vão ao altar, genuflectem, bebem o Sangue, limpam os bordos do

cálice e retiram-se para os seus lugares.

b) O celebrante principal comunga o Sangue do Senhor na forma

habitual, ao meio do altar.

Os concelebrantes, porém, podem comungar o Sangue do Senhor

nos seus lugares, bebendo do cálice que lhes é apresentado pelo diácono

ou por um dos concelebrantes; ou então passam eles mesmos o cálice uns

aos outros. O cálice é limpo de cada vez, ou por quem dele bebe ou por

quem lho apresenta; à medida que vão comungando, os concelebrantes

regressam aos seus lugares.

247. O diácono, ao altar, bebe reverentemente tudo o que resta do

Sangue de Cristo, ajudado, se for preciso, por alguns concelebrantes;

depois leva o cálice para a credência e aí, ele ou um acólito instituído,

purifica-o como de costume, limpa-o e deixa-o devidamente arranjado (cf.

n. 183).

248. A Comunhão dos concelebrantes também pode ordenar-se de

modo que se aproximem do altar um por um e aí comunguem o Corpo do

Senhor e logo a seguir o Sangue.

Neste caso, o celebrante principal comunga sob as duas espécies

na forma habitual (cf. n. 158); mas comunga do cálice segundo o modo que

tiver sido escolhido, em cada caso, para os outros concelebrantes.

Depois de o celebrante principal ter comungado, coloca-se o cálice

sobre outro corporal no lado do altar. Os concelebrantes, um por um, vão

ao meio do altar, genuflectem e comungam o Corpo do Senhor; passam

depois para o lado do altar e ali comungam o Sangue do Senhor, segundo

o modo escolhido para a Comunhão do cálice, como acima se disse.

A Comunhão do diácono e a purificação do cálice fazem-se como

acima ficou dito.

249. Quando a Comunhão dos concelebrantes se faz por intinção, o

celebrante principal toma o Corpo e o Sangue do Senhor na forma

habitual; mas terá o cuidado de deixar no cálice o suficiente para a

Comunhão dos concelebrantes. Em seguida o diácono, ou um dos

concelebrantes, põe o cálice sobre outro corporal, no meio do altar ou no

lado, e junto do cálice a patena com as hóstias.

Os concelebrantes, um por um, vão ao altar, genuflectem, tomam a

hóstia, molham-na parcialmente no cálice e comungam, pondo a patena

por baixo da boca. A seguir, voltam para os lugares que ocupavam ao

princípio da Missa.

O diácono comunga também por intinção, da mão de um

concelebrante, que lhe diz: O Corpo e o Sangue de Cristo (Corpus et

Sanguis Christi), ao que ele responde: Amen. Depois, ao altar, bebe todo o

Sangue que resta, ajudado, se for preciso, por alguns concelebrantes, leva

o cálice para a credência e ali, ele ou um acólito instituído, purifica o cálice

do modo habitual, limpa-o e deixa-o devidamente arranjado.

Ritos de conclusão

250. Tudo o mais, até ao fim da Missa, é feito pelo celebrante principal

na forma habitual (cf. nn. 166-169), permanecendo os outros

concelebrantes nos seus lugares.

251. Antes de se retirarem, fazem todos uma inclinação profunda ao

altar. O celebrante principal beija o altar em sinal de veneração.

III. Missa com a assistência de um só ministro

252. Na Missa celebrada pelo sacerdote, com a assistência de um só

ministro que lhe responde, segue-se o rito da Missa com o povo (cf. nn.

120-169); o ministro profere, eventualmente, as partes que correspondem

ao povo.

253. Se o ministro é diácono, ele próprio realiza as funções que lhe

competem (cf. nn. 171-186), e também as outras partes do povo.

254. Não se celebre sem a assistência de um ministro ou ao menos de

algum fiel, a não ser por causa justa e razoável. Neste caso omitem-se as

saudações, as admonições e a bênção do fim da Missa.

255. O cálice prepara-se antes da Missa, colocando-o na credência ou

sobre o altar, no lado direito. O Missal, pode colocar-se oportunamente no

lado esquerdo do altar.

Ritos iniciais

256. Feita uma inclinação profunda ao altar, o sacerdote, de pé, diante

do altar, benze-se, dizendo: Em nome do Pai (In nómine Patris). Depois,

voltando-se para o ministro, saúda-o, com uma das fórmulas habituais; e

faz o acto penitencial.

257. Aproxima-se então do altar e beija-o em sinal de veneração,

volta-se para o Missal, no lado esquerdo do altar, e aí permanece até ao

fim da oração universal.

258. Então lê a antífona de entrada e diz: Senhor, tende piedade de

nós (Kýrie) e Glória, conforme as rubricas.

259. Depois, de mãos juntas, diz: Oremos (Orémus); e, após uns

momentos de silêncio, diz a oração colecta, de braços abertos. No fim o

ministro aclama: Amen.

Liturgia da palavra

260. As leituras, na medida do possível, proferem-se do ambão ou do

atril.

261. Terminada a oração, o ministro lê a primeira leitura e o salmo, e,

quando a houver, também a segunda leitura, com o verso do Aleluia ou o

outro cântico.

262. Depois o sacerdote diz, inclinado: Purificai o meu coração (Munda

cor meum), e lê o Evangelho. No fim diz: Palavra da salvação (Verbum

Dómini); ao que o ministro responde: Glória a Vós, Senhor (Laus tibi,

Christe). Então o sacerdote beija o livro em sinal de veneração, dizendo

em silêncio: Por este santo Evangelho (Per evangélica dicta).

263. A seguir, o sacerdote, juntamente com o ministro, diz o Símbolo,

conforme as rubricas.

264. Segue-se a oração universal, que também nesta Missa se pode

dizer. O sacerdote enuncia as intenções e o ministro responde.

Liturgia Eucarística

265. Na liturgia eucarística faz-se tudo como na Missa com o povo,

com excepção do que se segue.

266. Após a aclamação final do embolismo, que se segue à Oração

dominical, o sacerdote diz a oração: Senhor Jesus Cristo, que dissestes

(Dómine Iesu Christe, qui dixísti); depois acrescenta: A paz do Senhor

esteja sempre convosco (Pax Dómini sit semper vobíscum); ao que o

ministro responde: O amor de Cristo nos uniu (Et cum spíritu tuo). Se for

oportuno, o sacerdote dá a paz ao ministro.

267. Depois, enquanto diz com o ministro: Cordeiro de Deus (Agnus

Dei), parte a hóstia sobre a patena. Terminado o Cordeiro de Deus (Agnus

Dei), faz a immixtio, dizendo em silêncio: Esta união (Haec commíxtio).

268. Depois da immixtio, o sacerdote diz em silêncio a oração: Senhor

Jesus Cristo, Filho de Deus vivo (Dómine Iesu Christe, Fili Dei vivi) ou A

comunhão (Percéptio). A seguir genuflecte, toma a hóstia e, voltado para o

ministro, se este comunga, diz, levantando um pouco a hóstia sobre o

cálice: Felizes os convidados... Eis o Cordeiro de Deus (Ecce Agnus Dei...

Beáti qui ad cenam Agni); e, juntamente com o ministro, diz uma vez:

Senhor, eu não sou digno (Dómine, non sum dignus). E, voltando-se para o

altar, comunga o Corpo de Cristo. Se o ministro não recebe a Comunhão, o

sacerdote, depois de fazer a genuflexão, toma a hóstia e diz, uma vez, em

silêncio, voltado para o altar: Senhor, eu não sou digno (Dómine, non sum

dignus), e o Corpo de Cristo guarde (Corpus Christi custódiat) e comunga o

Corpo de Cristo. Em seguida, toma o cálice e diz em silêncio: O sangue de

Cristo me guarde para a vida eterna (Sanguis Christi custódiat me) e

comunga o Sangue.

269. Antes de dar a Comunhão ao ministro, o sacerdote recita a

antífona da Comunhão.

270. O sacerdote purifica o cálice ao lado do altar ou na credência. Se

o cálice for purificado no altar, o ministro pode levá-lo depois para a

credência, ou pode repô-lo no lado do altar.

271. Depois da purificação do cálice, é conveniente que o sacerdote

guarde uns momentos de silêncio. Em seguida, diz a oração depois da

Comunhão.

Ritos de conclusão

272. Nos ritos de conclusão procede-se como na Missa com

participação do povo, mas omite-se a despedida: Ide em paz (Ite, missa

est). O sacerdote beija o altar em sinal de veneração, como é costume, e,

depois de fazer uma inclinação profunda com o ministro, retira-se.

IV. Algumas normas gerais para todas as formas de celebração da

Missa

Veneração do altar e do Evangeliário

273. Segundo o costume tradicional, a veneração do altar e do

Evangeliário é significada pelo ósculo. Todavia, nos países em que este

sinal de veneração destoa das tradições e mentalidade dos povos, podem

as Conferências Episcopais substituí-lo por outro sinal, com o

consentimento da Sé Apostólica.

Genuflexão e inclinação

274. A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até ao solo,

significa adoração; é por isso reservada ao Santíssimo Sacramento e à

santa Cruz desde a solene adoração na Acção litúrgica da Sexta-Feira da

Paixão do Senhor, até ao início da Vigília pascal.

Na Missa, o sacerdote celebrante faz três genuflexões: após a

ostensão da hóstia, após a ostensão do cálice e antes da Comunhão. As

peculiaridades a observar na Missa concelebrada indicam-se nos lugares

respectivos (cf. nn. 210-251).

Mas, se o sacrário com o Santíssimo Sacramento estiver no

presbitério, o sacerdote, o diácono e os outros ministros genuflectem,

quando chegam ao altar, ou quando se afastam dele, não, porém, durante

a própria celebração da Missa.

Aliás, todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento genuflectem,

a não ser quando se vai em procissão.

Os ministros que levam a cruz processional ou os círios, em vez de

genuflectirem fazem uma inclinação de cabeça.

275. A inclinação significa a reverência e a honra que se presta às

próprias pessoas ou aos seus símbolos. As inclinações são de duas

espécies: inclinação de cabeça e inclinação do corpo.

a) A inclinação de cabeça faz-se ao nomear as três Pessoas divinas

conjuntamente, ao nome de Jesus, da Virgem Santa Maria e do Santo em

cuja honra é celebrada a Missa.

b) A inclinação do corpo, ou inclinação profunda, faz-se: ao altar; às

orações Purificai o meu coração (Munda cor meum) e De coração

humilhado (In spíritu humilitátis); no Símbolo às palavras E encarnou pelo

Espírito Santo (Et incarnátus est); no Cânone Romano às palavras

Humildemente Vos suplicamos (Supplices te rogamus). Também o diácono

faz inclinação profunda ao pedir a bênção, antes da proclamação do

Evangelho. Além disso, o sacerdote faz uma pequena inclinação enquanto

diz as palavras do Senhor, na consagração.

Incensação

276. O queimar incenso ou a incensação exprime reverência e oração,

como vem significado na Sagrada Escritura (cf. Salmo 140, 2; Ap 8,3).

Pode usar-se o incenso em qualquer forma de celebração da Missa:

a) durante a procissão de entrada;

b) no princípio da Missa, para incensar a cruz e o altar;

c) na procissão e proclamação do Evangelho;

d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar

as oblatas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;

e) à ostensão da hóstia e do cálice, depois da consagração.

277. O sacerdote, ao pôr o incenso no turíbulo, benze-o com um sinal

da cruz, sem dizer nada.

Antes e depois da incensação, faz-se uma inclinação profunda para

a pessoa ou coisa incensada, excepto ao altar e às oblatas para o

sacrifício da Missa.

Incensam-se com três ductos do turíbulo: o Santíssimo

Sacramento, as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas

à veneração pública, as oblatas para o sacrifício da Missa, a cruz do altar,

o Evangeliário, o círio pascal, o sacerdote e o povo.

Com dois ductos incensam-se as relíquias e imagens dos Santos

expostas à veneração pública, e só no início da celebração, quando se

incensa o altar.

A incensação do altar faz-se com simples ictus do seguinte modo:

a) se o altar está separado da parede, o sacerdote incensa-o em

toda a volta;

b) se o altar não está separado da parede, o sacerdote incensa-o

primeiro do lado direito e depois do lado esquerdo.

Se a cruz está sobre o altar ou junto dele, é incensada antes da

incensação do altar; aliás, é incensada quando o sacerdote passa diante

dela.

O sacerdote incensa as oblatas com três ductos do turíbulo,

antes de incensar a cruz e o altar, ou fazendo, com o turíbulo, o sinal da

cruz sobre as oblatas.

Purificações

278. Se algum fragmento da hóstia ficar aderente aos dedos,

sobretudo depois da fracção ou depois da Comunhão dos fiéis, o sacerdote

limpa os dedos sobre a patena ou, se parecer necessário, lava-os. Recolhe

também os que eventualmente tenham ficado fora da patena.

279. Os vasos sagrados são purificados pelo sacerdote ou pelo

diácono ou pelo acólito instituído, depois da Comunhão ou depois da

Missa, quanto possível na credência. O cálice é purificado com água ou

com vinho e água, que depois é consumida por quem o purificar. A patena

limpa-se normalmente com o sanguinho.

Deve atender-se a que o Sangue de Cristo que eventualmente

fique depois da distribuição da Comunhão, seja todo imediatamente

consumido no altar.

280. Se cair no chão alguma hóstia ou partícula, recolhe-se

reverentemente. Se acaso se derramar o Sangue do Senhor, lava-se com

água o sítio em que tenha caído e deita-se depois essa água no sumidoiro

colocado na sacristia.

Comunhão sob as duas espécies

281. A sagrada Comunhão adquire a sua forma mais plena, enquanto

sinal, quando é feita sob as duas espécies. Nesta forma manifesta-se mais

perfeitamente o sinal do banquete eucarístico, e exprime-se mais

claramente a vontade de ratificar a nova e eterna aliança selada pelo

Sangue do Senhor, bem como a relação entre o banquete eucarístico e o

banquete escatológico no reino do Pai[103].

282. Empenhem-se os sagrados pastores em recordar, da

maneira mais efic iente, aos fiéis que tomam parte no rito sagrado ou a ele

assistem, a doutrina católica acerca da forma da sagrada Comunhão,

segundo o Concílio de Trento. Antes de mais devem advertir os fiéis de

que a fé católica ensina que, mesmo sob uma única espécie, é Cristo todo

e inteiro e o verdadeiro Sacramento que se recebe; consequentemente,

quem receber uma só das duas espécies nem por isso fica privado de

qualquer graça necessária à salvação[104].

Além disso, devem ensinar também que a Igreja, na administração

dos Sacramentos, salvaguardada a sua substância, tem o poder de

estabelecer ou modificar aquilo que, atendendo às circunstâncias ou à

diversidade dos tempos e lugares, julgue mais apto para favorecer a

veneração devida aos mesmos Sacramentos e seja de maior proveito para

quem os recebe[105]. Ao mesmo tempo, não deixem de exortar os fiéis

para que participem mais intensamente no rito sagrado por aquela forma

em que se manifesta de modo mais pleno o sinal do banquete eucarístico.

283. A Comunhão sob as duas espécies é permitida, além dos casos

expostos nos livros rituais:

a) aos sacerdotes que não podem celebrar ou concelebrar a Missa;

b) ao diácono e àqueles que desempenham algum ofício na Missa;

c) aos membros das comunidades, na Missa conventual ou naquela

que é chamada «da comunidade», aos alunos dos seminários e a todos os

que fazem exercícios espirituais ou participam numa reunião espiritual ou

pastoral.

O Bispo diocesano pode definir normas para a Comunhão sob as

duas espécies na sua diocese, a observar mesmo nas igrejas dos

religiosos e nos pequenos grupos. Ao mesmo Bispo é dada faculdade de

permitir a Comunhão sob as duas espécies, sempre que tal pareça

oportuno ao sacerdote celebrante, desde que os fiéis sejam bem instruídos

e não haja perigo de profanação do Santíssimo ou que o rito não se torne

mais difícil em virtude da multidão dos participantes ou por outra causa.

Quanto ao modo de distribuir a sagrada Comunhão sob as duas

espécies aos fiéis e ao alargamento da autorização, as Conferências

Episcopais podem dar normas, confirmadas pela Sé Apostólica.

284. Quando se distribui a Comunhão sob as duas espécies:

a) habitualmente quem ministra ao cálice é o diácono, ou, na sua

ausência, o presbítero; ou também o acólito devidamente instituído ou

outro ministro extraordinário da sagrada Comunhão; ou o fiel a quem, em

caso de necessidade, se chama para este ofício em cada caso;

b) o que eventualmente sobrar do Sangue é consumido no altar

pelo sacerdote, ou pelo diácono, ou pelo acólito instituído, que ministrou ao

cálice e purifica, enxuga e arruma os vasos sagrados do modo habitual;

Aos fiéis que eventualmente queiram comungar só sob a espécie

do pão, dê-se a sagrada Comunhão desta forma.

285. Para a Comunhão sob as duas espécies deve preparar-se o

seguinte:

a) se a Comunhão do cálice se faz bebendo directamente do

cálice, preveja-se ou um cálice de tamanho suficiente ou vários cálices,

havendo sempre o cuidado de que não fique muito Sangue de Cristo para

consumir no fim da celebração;

b) se se faz por intinção, as hóstias não devem ser demasiado

finas nem demasiado pequenas, mas um pouco mais espessas do que o

costume, para tornar fácil a sua distribuição depois de parcialmente

embebidas no Sangue.

286. Se a Comunhão do Sangue se faz bebendo do cálice, o

comungante, depois de receber o Corpo de Cristo, passa para o lado do

ministro do cálice e fica de pé diante dele. O ministro diz: O Sangue de

Cristo (Sanguis Christi); o comungante responde: Amen, e o ministro

entrega-lhe o cálice, que o próprio comungante leva à boca por suas mãos.

O comungante bebe um pouco do cálice, entrega-o ao ministro e afasta-se;

então o ministro limpa com o sanguinho o bordo do cálice.

287. Se a Comunhão do cálice se faz por intinção, o comungante,

segurando a patena por baixo da boca, aproxima-se do sacerdote, que

segura o cálice, e ao lado do qual está o ministro que segura o vaso com

as sagradas partículas. O sacerdote toma a hóstia, embebe-a parcialmente

no cálice e, mostrando-a, diz: O Corpo e o Sangue de Cristo (Corpus et

Sanguis Christi); o comungante responde: Amen, recebe do sacerdote o

Sacramento na boca, e retira-se.

CAPÍTULO V

DISPOSIÇÃO E ADORNO DAS IGREJAS

PARA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA

I. Princípios gerais

288. Para a celebração da Eucaristia, o povo de Deus reúne-se

normalmente na igreja ou, quando esta falta ou é insuficiente, num lugar

decente e que seja digno de tão grande mistério. Por isso, as igrejas e os

outros lugares devem ser aptos para a conveniente realização da acção

sagrada e para se conseguir a participação activa dos fiéis. Além disso, os

edifícios sagrados e os objectos destinados ao culto divino devem ser

dignos e belos como sinais e símbolos das realidades celestes[106].

289. É por isso que a Igreja recorre sempre à nobre ajuda das artes, e

admite as formas de expressão artística próprias de cada povo ou

região[107]. Mais ainda, não só se empenha em conservar as obras de

arte e os tesouros que nos legaram os séculos passados[108] e, na

medida do possível, as adapta às novas necessidades, mas também se

esforça por estimular a criação de novas formas, de acordo com a maneira

de ser de cada época[109].

Por conseguinte, tanto na formação dos artistas como na escolha

das obras de arte a admitir na igreja, deve procurar-se o valor artístico

autêntico, que alimente a fé e a piedade e que, por outro lado, corresponda

à verdade do seu significado e aos fins a que se destina[110].

290. Todas as igrejas devem ser dedicadas ou ao menos benzidas. As

igrejas catedrais e paroquiais, porém, sejam solenemente dedicadas.

291. Todos os interessados na correcta construção, reparação e

adaptação dos edifícios sagrados, devem consultar a Comissão diocesana

da sagrada Liturgia e de Arte sacra. Quanto ao Bispo diocesano, recorrerá

ao conselho e ajuda da referida Comissão, sempre que tenha de

estabelecer normas sobre a matéria, aprovar projectos de novas

construções ou decidir questões de certa importância[111].

292. Na ornamentação da igreja deve tender-se mais para a

simplicidade do que para a ostentação. Na escolha dos elementos

decorativos, procure-se a verdade das coisas e o que contribua para a

formação dos fiéis e para a dignidade de todo o lugar sagrado.

293. Uma conveniente disposição da igreja e seus anexos, capaz de

satisfazer realmente às exigências do nosso tempo, requer que se atenda,

não apenas àquilo que directamente se relaciona com a celebração das

acções sagradas, mas também a tudo o que possa contribuir para a

conveniente comodidade dos fiéis, como se faz habitualmente nos lugares

onde o povo se reúne.

294. O povo de Deus, que se reúne para a Missa, tem uma estrutura

orgânica e hierárquica, que se exprime nos diversos ministérios e diversas

acções que se realizam em cada uma das partes da celebração. Portanto,

o edifício sagrado, na sua disposição geral, deve reproduzir de algum

modo a imagem da assembleia congregada, proporcionar a conveniente

coordenação de todos os seus elementos e facilitar o perfeito desempenho

da função de cada um.

O lugar destinado aos fiéis e à schola cantorum deve ser de modo a

tornar mais fácil a sua participação activa[112].

O lugar do sacerdote celebrante, do diácono e dos outros ministros

é o presbitério. Aí se preparam os assentos dos concelebrantes; quando,

porém, o seu número for grande, disponham-se os assentos noutra parte

da igreja, mas perto do altar.

Embora tudo isto deva exprimir a estrutura hierárquica e a

diversidade dos ministérios, deve também formar uma unidade íntima e

orgânica que manifeste de modo mais claro a unidade de todo o povo

santo. Por outro lado, a natureza e a beleza do lugar sagrado, bem como

de todas as alfaias do culto, devem ser de tal modo que fomentem a

piedade e exprimam a santidade dos mistérios que se celebram.

II. Disposição do presbitério para a celebração litúrgica

295. O presbitério é o lugar onde sobressai o altar, onde se proclama a

palavra de Deus e onde o sacerdote, o diácono e os outros ministros

exercem as suas funções. Deve distinguir-se oportunamente da nave da

igreja, ou por uma certa elevação, ou pela sua estrutura e ornamento

especial. Deve ser suficientemente espaçoso para que a celebração da

Eucaristia se desenrole comodamente e possa ser vista[113].

O altar e o seu adorno

296. O altar, em que se torna presente sob os sinais sacramentais o

sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é

chamado a participar quando é convocado para a Missa; o altar é também

o centro da acção de graças celebrada na Eucaristia.

297. A celebração da Eucaristia em lugar sagrado faz-se sobre o altar;

fora do lugar sagrado, também pode ser celebrada sobre uma mesa

adequada, coberta sempre com uma toalha e o corporal, e com a cruz e os

candelabros.

298. É conveniente que em cada igreja haja um altar fixo, que significa

mais clara e permanentemente Cristo Jesus, Pedra viva (1 Ped 2, 4; cf. Ef

2, 20); nos outros lugares destinados às celebrações sagradas, o altar

pode ser móvel.

Diz-se altar fixo aquele que é construído sobre o pavimento e de

tal modo unido a ele que não se pode remover. Diz-se altar móvel aquele

que se pode deslocar de um sítio para outro.

299. Onde for possível, o altar principal deve ser construído afastado

da parede, de modo a permitir andar em volta dele e celebrar a Missa de

frente para o povo. Pela sua localização, há-de ser o centro de

convergência, para o qual espontaneamente se dirijam as atenções de

toda a assembleia dos fiéis[114]. Normalmente deve ser fixo e dedicado.

300. O altar fixo ou móvel é dedicado segundo o rito descrito no

Pontifical Romano; o altar móvel, porém, pode ser simplesmente benzido.

301. Segundo um costume e um simbolismo tradicional da Igreja, a

mesa do altar fixo deve ser de pedra natural. Contudo, segundo o critério

da Conferência Episcopal, é permitida a utilização de outros materiais,

contanto que sejam dignos, sólidos e artisticamente trabalhados. O suporte

ou base em que assenta a mesa pode ser de material diferente, contanto

que seja digno e sólido.

O altar móvel pode ser construído de qualquer material nobre e

sólido, adequado ao uso litúrgico, segundo as tradições e costumes de

cada região.

302. Mantenha-se oportunamente o uso de colocar sob o altar que vai

ser dedicado relíquias de Santos, ainda que não sejam Mártires. Mas

tenha-se o cuidado de verificar a autenticidade dessas relíquias.

303. Na construção de novas igrejas deve erigir-se um só altar, que

significa na assembleia dos fiéis que há um só Cristo e que a Eucaristia da

Igreja é só uma.

Nas igrejas já construídas, quando nelas existir um altar antigo

situado de tal modo que torne difícil a participação do povo, e que não se

possa transferir sem detrimento dos valores artísticos, construa-se com

arte outro altar fixo, devidamente dedicado, e realizem-se apenas nele as

celebrações sagradas. Para não desviar a atenção dos fiéis do novo altar,

não se adorne de modo especial o altar antigo.

304. Pela reverência devida à celebração do memorial do Senhor e ao

banquete em que é distribuído o Corpo e o Sangue de Cristo, o altar sobre

o qual se celebra deve ser coberto ao menos com uma toalha de cor

branca, que, pela sua forma, tamanho e ornato, deve estar em harmonia

com a estrutura do altar.

305. Haja moderação na ornamentação do altar.

No tempo do Advento ornamente-se o altar com flores com a

moderação que convém à índole deste tempo, de modo a não antecipar a

plena alegria do Natal do Senhor. No tempo da Quaresma não é permitido

adornar o altar com flores. Exceptuam-se, porém, o domingo Laetare (IV

da Quaresma), as solenidades e as festas.

A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de

as pôr sobre a mesa do altar, disponham-se junto dele.

306. Sobre a mesa do altar, apenas se podem colocar as coisas

necessárias para a celebração da Missa, ou seja, o Evangeliário desde o

início da celebração até à proclamação do Evangelho; e desde a

apresentação dos dons até à purificação dos vasos, o cálice com a patena,

a píxide, se for precisa, e ainda o corporal, o sanguinho e o Missal.

Além disso, devem dispor-se discretamente os instrumentos

porventura necessários para amplificar a voz do sacerdote.

307. Os castiçais prescritos para cada acção litúrgica, em sinal de

veneração e de celebração festiva (cf. n. 117), dispõem-se em cima do

próprio altar ou em volta dele, como for mais conveniente, de acordo com a

estrutura quer do altar quer do presbitério, de modo a formar um todo

harmónico e a não impedir os fiéis de verem facilmente o que no altar se

realiza ou o que nele se coloca.

308. Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a

imagem de Cristo crucificado, que a assembleia possa ver bem. Convém

que, mesmo fora das acções litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal

cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor.

O ambão

309. A dignidade da palavra de Deus requer que haja na igreja um

lugar adequado para a sua proclamação e para o qual, durante a liturgia da

palavra, convirja espontaneamente a atenção dos fiéis[115].

Em princípio, este lugar deve ser um ambão estável e não uma

simples estante móvel. Tanto quanto a arquitectura da igreja o permita, o

ambão dispõe-se de modo que os ministros ordenados e os leitores

possam facilmente ser vistos e ouvidos pelos fiéis.

Do ambão são proferidas unicamente as leituras, o salmo

responsorial e o precónio pascal. Podem também fazer-se do ambão a

homilia e proporem-se as intenções da oração universal ou oração dos

fiéis. A dignidade do ambão exige que só o ministro da palavra suba até

ele.

Convém que um novo ambão, antes de ser destinado ao uso

litúrgico, seja benzido segundo o rito que vem no Ritual Romano[116].

A cadeira para o sacerdote celebrante e outros assentos

310. A cadeira do sacerdote celebrante deve significar a sua função de

presidente da assembleia e guia da oração. Por isso, o lugar mais indicado

é ao fundo do presbitério, de frente para o povo, a não ser que a

arquitectura da igreja ou outras circunstâncias o não permitam: por

exemplo, se devido a uma distância excessiva se tornar difícil a

comunicação entre o sacerdote e a assembleia reunida, ou se o sacrário

estiver situado ao centro, atrás do altar. Deve, porém, evitar-se todo o

aspecto de trono[117]. É conveniente que a cadeira, antes de ser

destinada ao uso litúrgico, seja benzida segundo o rito que vem no Ritual

Romano[118].

No presbitério, dispõem-se também assentos para os sacerdotes

concelebrantes ou para os presbíteros que, vestidos com a veste coral,

estão na celebração, mas não concelebram.

Coloque-se o assento do diácono junto da cadeira do celebrante.

Para os outros ministros disponham-se os assentos de modo a

distinguirem-se claramente dos do clero, e donde possam desempenhar

facilmente as funções que lhes estão atribuídas[119].

III. A disposição da igreja

O lugar dos fiéis

311. O lugar destinado aos fiéis deve ser objecto de particular cuidado,

dispondo-o de modo a permitir-lhes participar devidamente nas

celebrações sagradas com a vista e com o espírito. Normalmente deve

haver para eles bancos ou cadeiras. Reprova-se, porém, o costume de

reservar lugares especiais para pessoas privadas[120]. Estes bancos ou

cadeiras, principalmente nas igrejas construídas de novo, estejam

dispostos de tal modo, que os fiéis possam facilmente adoptar as atitudes

do corpo requeridas para as diferentes partes da celebração e aproximarse

sem dificuldade da sagrada Comunhão.

Atenda-se a que os fiéis não somente possam ver quer o sacerdote

quer o diácono e os leitores, mas também consigam ouvi-los

comodamente, recorrendo aos meios da técnica moderna.

O lugar da schola cantorum e dos instrumentos musicais

312. Tanto quanto a estrutura da igreja o permita, à schola cantorum

deve destinar-se um lugar que manifeste claramente a sua natureza, como

parte da assembleia dos fiéis, e a função peculiar que lhe está reservada;

que facilite o desempenho dessa sua função, e que permita comodamente

a todos os seus componentes uma participação plena na Missa, isto é, a

participação sacramental[121].

313. O órgão e os outros instrumentos musicais legitimamente

aprovados sejam colocados num lugar apropriado, de modo a poderem

apoiar o canto, quer da schola quer do povo, e a serem bem ouvidos por

todos, quando intervêm sozinhos. É conveniente que o órgão, antes de ser

destinado ao uso litúrgico, seja benzido segundo o rito que vem no Ritual

Romano[122].

No tempo do Advento usem-se o órgão e outros instrumentos

musicais com a moderação que convém à índole deste tempo, de modo a

não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor.

No tempo da Quaresma só é permitido o toque do órgão e dos

outros instrumentos musicais para sustentar o canto. Exceptuam-se,

porém, o domingo Laetare (IV da Quaresma), as solenidades e as festas.

O lugar da reserva da santíssima Eucaristia

314. Conforme a arquitectura de cada igreja e de acordo com os

legítimos costumes locais, guarde-se o Santíssimo Sacramento no

sacrário, num lugar de honra da igreja, insigne, visível, devidamente

ornamentado e adequado à oração[123].

Habitualmente, o tabernáculo deve ser único, inamovível, feito de

material sólido e inviolável, não transparente, e fechado de tal modo que

evite o mais possível todo o perigo de profanação[124]. Convém, além

disso, que antes de se destinar ao uso litúrgico, seja benzido segundo o

rito que vem no Ritual Romano[125].

315. Está mais de harmonia com a natureza do sinal que no altar em

que se celebra a Missa não esteja o sacrário onde se guarda a Santíssima

Eucaristia[126].

A juízo do Bispo diocesano o sacrário pode colocar-se:

a) ou no presbitério, fora do altar da celebração, com a forma e a

localização mais convenientes, sem excluir algum altar antigo que já não

se utilize para celebrar (n. 303);

b) ou também nalguma capela adequada à adoração e oração

privada dos fiéis[127], que esteja organicamente unida à igreja e visível

aos fiéis cristãos.

316. Segundo o costume tradicional, junto do sacrário deve estar

continuamente acesa uma lâmpada especial, alimentada com azeite ou

cera, com que se indique e honre a presença de Cristo[128].

317. Não se esqueça também, de modo nenhum, tudo o mais que o

direito prescreve acerca da conservação da Santíssima Eucaristia[129].

As imagens sagradas

318. Pela liturgia da terra a Igreja participa, saboreando-a já, na liturgia

celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual como

peregrina se dirige, onde Cristo está sentado à direita de Deus e onde

espera ter parte e comunhão com os Santos, cuja memória venera[130].

Por isso, de acordo com a antiquíssima tradição da Igreja, expõemse

à veneração dos fiéis, nos edifícios sagrados, imagens do Senhor, da

bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos[131], as quais devem estar

dispostas de tal modo no lugar sagrado, que os fiéis sejam levados aos

mistérios da fé que aí se celebram. Tenha-se, por isso, o cuidado de não

aumentar exageradamente o seu número e que a sua disposição se faça

na ordem devida, de tal modo que não distraiam os fiéis da

celebração[132]. Normalmente, não haja na mesma igreja mais do que

uma imagem do mesmo Santo. Em geral, no ornamento e disposição da

igreja, no que se refere às imagens, procure atender-se à piedade de toda

a comunidade e à beleza e dignidade das imagens.

6CAPÍTULO VI

AS COISAS NECESSÁRIAS PARA A CELEBRAÇÃO DA MISSA

I. O pão e o vinho para celebrar a Eucaristia

319. Seguindo o exemplo de Cristo, a Igreja utilizou sempre o pão e o

vinho com água para celebrar a Ceia do Senhor.

320. O pão para celebrar a Eucaristia deve ser só de trigo,

confeccionado recentemente e, segundo a antiga tradição da Igreja latina,

pão ázimo.

321. A natureza de sinal exige que a matéria da Eucaristia tenha o

aspecto de autêntico alimento. Convém, portanto, que o pão eucarístico,

embora ázimo e apresentando a forma tradicional, seja confeccionado de

modo que o sacerdote, na Missa com participação do povo, possa

realmente partir a hóstia em várias partes e distribuí-las pelo menos a

alguns dos fiéis. Todavia, de modo algum se excluem as hóstias pequenas,

quando assim o exija o número dos comungantes ou outras razões de

ordem pastoral. No entanto, o gesto da “fracção do pão” – assim era

designada a Eucaristia na época apostólica – manifesta de modo mais

expressivo a força e o valor de sinal da unidade de todos em um só pão e

de sinal da caridade, pelo facto de um só pão ser repartido entre os irmãos.

322. O vinho para celebrar a Eucaristia deve ser de uvas, fruto da

videira (cf. Lc 22, 18), natural e puro, quer dizer, sem qualquer mistura de

substâncias estranhas.

323. Tenha-se grande cuidado em que o pão e o vinho destinados à

Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto é, que nem o vinho se

azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil partilo.

324. Se depois da consagração ou no momento da Comunhão o

sacerdote advertir que, no cálice, em vez de vinho estava água, deite esta

num recipiente, ponha vinho e água no cálice e consagre-o, proferindo só

as palavras da narração referentes à consagração do cálice, sem ter de

consagrar novamente o pão.

II. Alfaias sagradas em geral

325. Tal como para a construção das igrejas, também, no que se refere

a todas as alfaias sagradas, a Igreja admite as formas de expressão

artística próprias de cada região e aceita as adaptações que melhor se

harmonizem com a mentalidade e as tradições dos diversos povos,

contanto que correspondam adequadamente ao uso a que as mesmas

alfaias sagradas se destinam[133].

Também neste sector se deve buscar com todo o empenho aquela

nobre simplicidade que tão bem condiz com a arte verdadeira.

326. Nas alfaias sagradas, além dos materiais tradicionalmente usados,

podem utilizar-se outros que, de acordo com a mentalidade da nossa

época, se consideram nobres, resistentes e adaptados ao uso sagrado.

Nesta matéria, é à Conferência Episcopal que compete julgar para cada

região.

III. Os vasos sagrados

327. Entre os objectos requeridos para a celebração da Eucaristia,

merecem respeito particular os vasos sagrados e, entre eles, o cálice e a

patena, que servem para oferecer, consagrar e comungar o pão e o vinho.

328. Os vasos sagrados devem ser fabricados de metal nobre. Se

forem fabricados de metal oxidável, ou menos nobre que o ouro,

normalmente devem ser dourados por dentro.

329. A juízo das Conferências Episcopais, e com a confirmação da Sé

Apostólica, os vasos sagrados também podem ser fabricados com outros

materiais sólidos e que sejam, segundo o modo de sentir de cada região,

mais nobres, por exemplo, o marfim ou certas madeiras muito duras,

contanto que sejam adequadas para o uso sagrado. Neste caso, dê-se

preferência aos materiais que não se quebrem nem deteriorem facilmente.

Isto vale para todos os vasos destinados a receber as hóstias, como a

patena, a píxide, a caixa-cibório, a custódia e semelhantes.

330. Quanto aos cálices e outros vasos, destinados a receber o Sangue

do Senhor, a copa deve ser de material que não absorva os líquidos. O pé

do cálice pode ser de outra matéria sólida e digna.

331. Para a consagração das hóstias, pode usar-se convenientemente

uma patena maior, na qual se põe o pão não só para o sacerdote e o

diácono, mas também para os outros ministros e fiéis.

332. Quanto à forma dos vasos sagrados, compete ao artista fabricálos

do modo que melhor se coadune com os costumes de cada região,

contanto que sejam adequados ao uso litúrgico a que se destinam, e se

distingam claramente daqueles que se destinam ao uso quotidiano.

333. Para a bênção dos vasos sagrados, sigam-se os ritos prescritos

nos livros litúrgicos[134].

334. Mantenha-se o costume de construir na sacristia um sumidoiro,

no qual se lance a água da ablução dos vasos sagrados e dos corporais e

sanguíneos (cf. n. 280).

IV. As vestes sagradas

335. Na Igreja, Corpo de Cristo, nem todos os membros

desempenham as mesmas funções. Esta diversidade de funções na

celebração da Eucaristia é significada externamente pela diversidade das

vestes sagradas, as quais, por isso, são sinal distintivo da função própria

de cada ministro. Convém, entretanto, que tais vestes contribuam também

para o decoro da acção sagrada. As vestes usadas pelos sacerdotes e

diáconos assim como pelos ministros leigos sejam oportunamente

benzidas[135].

336. A veste sagrada comum a todos os ministros ordenados e

instituídos, seja qual for o seu grau, é a alva, que será cingida à cintura por

um cíngulo, a não ser que, pelo seu feitio, ela se ajuste ao corpo sem

necessidade de cíngulo. Se a alva não cobrir perfeitamente o traje comum

em volta do pescoço, pôr-se-á o amito antes de a vestir. A alva não pode

ser substituída pela sobrepeliz, nem sequer quando esta se envergar sobre

a veste talar, quando se deve vestir a casula ou a dalmática, nem quando,

segundo as normas, se usa apenas a estola sem casula ou dalmática.

337. A veste própria do sacerdote celebrante, para a Missa e outras

acções sagradas directamente ligadas com a Missa, salvo indicação em

contrário, é a casula ou planeta, que se veste sobre a alva e a estola.

338. A veste própria do diácono é a dalmática, que se veste sobre a

alva e a estola; contudo, por necessidade ou por menor grau da

solenidade, a dalmática pode omitir-se.

339. Os acólitos, leitores e outros ministros leigos podem vestir a alva

ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferência Episcopal em

cada região.

340. O sacerdote põe a estola em volta do pescoço, deixando-a cair

diante do peito. O diácono põe a estola a tiracolo, deixando-a cair do

ombro esquerdo, sobre o peito, e prendendo-a do lado direito do corpo.

341. O pluvial, ou capa de asperges, é usado pelo sacerdote nas

procissões e outras funções sagradas, segundo as rubricas próprias de

cada rito.

342. Quanto à forma das vestes sagradas, as Conferências Episcopais

podem definir e propor à Sé Apostólica as adaptações que entendam

corresponder melhor às necessidades e costumes de cada região[136].

343. Na confecção das vestes sagradas, além dos materiais

tradicionalmente usados, é permitido o uso de fibras naturais próprias de

cada região, bem como de fibras artificiais, contanto que estejam de

harmonia com a dignidade da acção sagrada e da pessoa. Nesta matéria,

o juízo compete à Conferência Episcopal[137].

344. A beleza e nobreza da veste sagrada devem buscar-se e pôr-se

em relevo mais pela forma e pelo matérial de que é feita do que pela

abundância dos acrescentos ornamentais. Os ornamentos podem

apresentar figuras, imagens ou símbolos, que indiquem o uso sagrado das

vestes, excluindo tudo o que possa destoar deste uso.

345. A diversidade de cores das vestes sagradas tem por finalidade

exprimir externamente de modo mais eficaz, por um lado, o carácter

peculiar dos mistérios da fé que se celebram e, por outro, o sentido

progressivo da vida cristã ao longo do ano litúrgico.

346. Quanto à cor das vestes sagradas, mantenha-se o uso

tradicional, isto é:

a) Usa-se a cor branca nos Ofícios e Missas do Tempo Pascal e do

Natal do Senhor. Além disso: nas celebrações do Senhor, excepto as da

Paixão, nas celebrações da bem-aventurada Virgem Maria, dos Anjos, dos

Santos não Mártires, nas solenidades de Todos os Santos (1 de

Novembro), de S. João Baptista (24 de Junho), nas festas de S. João

Evangelista (27 de Dezembro), da Cadeira de S. Pedro (22 de Fevereiro) e

da Conversão de S. Paulo (25 de Janeiro).

b) Usa-se a cor vermelha no Domingo da Paixão (ou de Ramos) e

na Sexta-Feira da Semana Santa, no Domingo do Pentecostes, nas

celebrações da Paixão do Senhor, nas festas natalícias dos Apóstolos e

Evangelistas e nas celebrações dos Santos Mártires.

c) Usa-se a cor verde nos Ofícios e Missas do Tempo Comum.

d) Usa-se a cor roxa no Tempo do Advento e da Quaresma. Pode

usar-se também nos Ofícios e Missas de defuntos.

e) A cor preta pode usar-se, onde for costume, nas Missas de

defuntos.

f) A cor de rosa pode usar-se, onde for costume, nos Domingos

Gaudete (III do Advento) e Laetare (IV da Quaresma).

As Conferências Episcopais podem, no que respeita às cores

litúrgicas, determinar e propor à Sé Apostólica as adaptações que

entenderem mais conformes com as necessidades e a mentalidade dos

povos.

347. As Missas rituais celebram-se com a cor própria ou branca ou

festiva; as Missas para várias necessidades com a cor do dia ou do

Tempo, ou então com a cor roxa, se se trata de celebrações de carácter

penitencial, como por exemplo, as Missas para o tempo de guerra ou

revoluções, em tempo de fome, para a remissão dos pecados (nn. 31, 33,

38); as Missas votivas celebram-se com a cor corres pondente à Missa

celebrada ou também com a cor própria do dia ou do Tempo.

V. Outras alfaias destinadas ao uso da Igreja

348. Além dos vasos sagrados e das vestes sagradas, para os quais

está prescrita determinada matéria, todas as outras alfaias destinadas ao

uso litúrgico[138], ou a qualquer título admitidas na igreja, devem ser

dignas e adequadas ao fim a que se destinam.

349. Há-de procurar-se de modo particular que os livros litúrgicos,

principalmente o Evangeliário e os Leccionários, destinados à proclamação

da Palavra de Deus e que por isso gozam de veneração especial, sejam de

facto, na acção litúrgica, sinais e símbolos das coisas do alto e, por isso

verdadeiramente dignos, de boa qualidade e belos.

350. Acima de tudo há-de prestar-se a maior atenção àquilo que, na

celebração eucarística, está directamente relacionado com o altar, como

são a cruz do altar e a cruz que é levada na procissão.

351. Tenha-se grande cuidado em respeitar, mesmo nos objectos de

menor importância, as exigências da arte, aliando sempre a limpeza a uma

nobre simplicidade.

CAPÍTULO VII

A ESCOLHA DA MISSA E DAS SUAS PARTES

352. A eficácia pastoral da celebração aumentará certamente, se a

escolha das leituras, orações e cânticos se fizer, quanto possível, de modo

a corresponder às necessidades, à formação espiritual e à mentalidade

dos que nela tomam parte. Isto consegue-se, usando criteriosamente a

múltipla liberdade de escolha que a seguir se descreve.

Por isso, no ordenamento da Missa o sacerdote deve atender mais

ao bem espiritual do povo de Deus do que aos seus gostos pessoais.

Lembre-se, além disso, de que convém fazer a escolha das partes da

Missa de comum acordo com aqueles que têm parte activa na celebração,

sem excluir os próprios fiéis, naquilo que mais directamente lhes diz

respeito.

Dado que é muito ampla esta faculdade de escolha das diversas

partes da Missa, é necessário que, antes da celebração, o diácono, os

leitores, o salmista, o cantor, o comentador e a schola, saibam

perfeitamente, cada um pela parte que lhe cabe, quais os textos que vão

ser utilizados, não deixando nada à improvisação. Com efeito, a harmónica

ordenação e realização dos ritos contribui grandemente para dispor o

espírito dos fiéis a participar na Eucaristia.

I. A escolha da Missa

353. Nas solenidades, o sacerdote é obrigado a conformar-se com o

calendário da igreja em que celebra.

354. Nos domingos, nos dias feriais do Advento, do Natal, da

Quaresma e do Tempo Pascal, nas festas e memórias obrigatórias:

a) se a Missa é celebrada com participação do povo, o sacerdote

deve seguir o calendário da igreja em que celebra;

b) se a Missa é celebrada sem participação do povo, o sacerdote

pode escolher ou o calendário da igreja em que celebra ou o seu

calendário próprio.

355. Nas memórias facultativas:

a) Nos dias feriais do Advento de 17 a 24 de Dezembro, na Oitava

do Natal e nos dias feriais da Quaresma, exceptuando a Quarta-Feira de

Cinzas e a Semana Santa, diz-se a Missa do dia litúrgico ocorrente;

todavia, se nesses dias ocorre no calendário geral uma memória, pode

tomar-se a oração colecta dessa memória, excepto na Quarta-Feira de

Cinzas e Semana Santa. Nos dias feriais do Tempo Pascal podem

celebrar-se integralmente as memórias dos Santos.

b) Nos dias feriais do Advento antes do dia 17 de Dezembro, nos

dias feriais do Natal, do dia 2 de Janeiro em diante, e nos dias feriais do

Tempo Pascal, pode escolher-se ou a Missa da féria ou a Missa do Santo

ou de um dos Santos de que se faz memória, ou ainda a Missa de um

Santo mencionado nesse dia no Martirológio.

c) Nos dias feriais do Tempo Comum, pode escolher-se ou a Missa

da féria, ou a Missa de uma memória facultativa ocorrente, ou a Missa de

um Santo mencionado nesse dia no Martirológio, ou ainda uma das Missas

para várias necessidades ou uma Missa votiva.

Sempre que celebre a Missa com participação do povo, o sacerdote

procurará não deixar frequentemente e sem motivo suficiente as leituras

indicadas para cada dia no Leccionário Ferial: a vontade da Igreja é

apresentar aos fiéis, mais abundantemente, a mesa da palavra de

Deus[139].

Pela mesma razão, deve ser moderado no uso das Missas de

defuntos, tanto mais que toda e qualquer Missa é oferecida pelos vivos e

pelos defuntos, e em todas as Orações Eucarísticas se faz memória dos

defuntos.

Quando ocorre uma memória facultativa da bem-aventurada Virgem

Maria ou dum Santo, particularmente venerada pelos fiéis, satisfaça-se a

legítima piedade dos fiéis.

Quando há possibilidade de escolha entre uma memória do

calendário geral e outra do calendário diocesano ou religioso, em

igualdade de circunstâncias, de acordo com a tradição deve dar-se

preferência à memória do calendário particular.

II. A escolha das partes da Missa

356. No que se refere à escolha das partes da Missa, tanto do

Temporal como do Santoral, observem-se as normas seguintes:

As leituras

357. Para os domingos e solenidades estão assinaladas três leituras,

isto é, do Profeta, do Apóstolo e do Evangelho. Desta forma o povo cristão

é levado a conhecer a continuidade da obra da salvação segundo a

admirável pedagogia divina. Estas leituras devem ser estritamente

utilizadas.

Para as festas vão assinaladas duas leituras. Quando, segundo

as normas, uma festa é elevada ao grau de solenidade, junta-se uma

terceira leitura, que se vai buscar ao Comum.

Nas memórias dos Santos, lêem-se habitualmente as leituras

assinaladas para as férias, a não ser que tenham leituras próprias. Nalguns

casos propõem-se leituras apropriadas, que salientam algum aspecto

particular da vida espiritual ou da acção do Santo. Não se deve urgir o uso

destas leituras, a não ser que haja uma verdadeira razão pastoral para

isso.

358. O Leccionário Ferial contém as leituras para cada dia da semana,

ao longo de todo o ano. Em princípio, estas leituras devem ler-se nos dias

em que vêm indicadas, a não ser que ocorra uma solenidade ou uma festa,

ou uma memória com leituras apropriadas do Novo Testamento, nas quais

se faça menção do Santo celebrado.

Quando, por motivo de alguma solenidade, festa ou celebração

especial, nalgum dia se interromper a leitura contínua, o sacerdote, tendo

presente a ordem das leituras para o decurso da semana, pode juntar com

outras as que seriam omitidas ou escolher os textos que preferir.

Nas Missas para grupos especiais, o sacerdote pode escolher os

textos que melhor se adaptem a essa celebração particular, contanto que

sejam tomados de entre os que vêm no Leccionário aprovado.

359. No Leccionário para as Missas rituais, em que se inserem alguns

Sacramentos ou Sacramentais, ou nas Missas que são celebradas para

várias necessidades, fez-se uma selecção especial de textos da Sagrada

Escritura.

Estes Leccionários foram compostos para que os fiéis, através da

audição de uma leitura mais apropriada, compreendam melhor o mistério

em que tomam parte e adquiram maior estima pela palavra de Deus.

Por isso, os textos a proferir na celebração devem ser escolhidos

tendo em vista, por um lado, a utilidade pastoral, por outro, a liberdade de

escolha para cada caso.

360. Apresenta-se por vezes uma forma mais longa e uma forma mais

breve do mesmo texto. Na escolha entre estas duas formas deve ter-se

presente o critério pastoral. Convém atender à capacidade dos fiéis em

escutar com fruto o texto mais ou menos longo e à sua capacidade de

ouvir o texto mais completo, a explicar pela homilia.

361. Quando se dá a faculdade de escolher entre um ou outro texto já

determinado, ou proposto como facultativo, deverá atender-se à utilidade

dos participantes, isto é, conforme se trate de usar o texto mais fácil ou

mais conveniente à assembleia reunida, ou de repetir ou retomar um texto

indicado como próprio para alguma celebração e para outra como

facultativo, sempre que a utilidade pastoral o aconselhe.

Isso pode acontecer quando o mesmo texto se deve ler em dias

muito próximos, por exemplo, no domingo na segunda-feira seguinte, ou

quando se teme que algum texto origine certas dificuldades em alguma

assembleia de fiéis cristãos. Procure-se, porém, ao escolher os textos da

Sagrada Escritura, não excluir permanentemente algumas das suas partes.

362. Além da faculdade de escolher os textos mais adequados, de que

se fala nos números anteriores, as Conferências Episcopais têm a

faculdade de indicar, em circunstâncias especiais, certas adaptações que

se podem fazer no que se refere às leituras, contanto que os textos

escolhidos sejam do Leccionário devidamente aprovado.

As orações

363. Em todas as Missas, salvo indicação em contrário, dizem-se as

orações que lhes são próprias.

Todavia, nas memórias dos Santos, diz-se a oração colecta própria

ou, se ela não existe, a do respectivo Comum; as orações sobre as oblatas

e depois da Comunhão, se não são próprias, podem tomar-se ou do

Comum ou da féria do Tempo corrente.

Nos dias feriais do Tempo Comum podem-se dizer não somente as

orações do domingo anterior, mas as de qualquer outro domingo do Tempo

Comum, ou ainda uma das orações para várias necessidades propostas no

Missal. Também é permitido tomar destas Missas apenas a oração colecta.

Deste modo dispõe-se de uma maior riqueza de textos, através dos

quais a oração dos fiéis se alimenta com mais abundância.

Para os tempos mais importantes do ano litúrgico essa adaptação

já está feita, com as orações próprias desses tempos, como vêm indicados

no Missal para cada dia da semana.

A Oração eucarística

364. O grande número de Prefácios com que está enriquecido o Missal

Romano tem como finalidade que os temas da acção de graças da Oração

eucarística brilhem mais plenamente e pôr em relevo os vários aspectos do

mistério da salvação.

365. Na escolha das Orações Eucarísticas, que se encontram na

Ordinário da Missa, tenham-se em conta as seguintes normas:

a) A Oração eucarística I, ou Cânone Romano, pode usar-se

sempre; mas é mais indicado nos dias que têm um Communicantes (Em

comunhão com toda a Igreja) próprio, ou Missas com Hanc igitur (Aceitai

benignamente, Senhor) próprio, bem como nas celebrações dos Apóstolos

e dos Santos mencionados nessa Oração; e ainda aos domingos, a não

ser que, por motivos de ordem pastoral, pareça preferível a Oração

eucarística III.

b) A Oração eucarística II, pelas suas características especiais, é

mais indicada para os dias feriais ou em circunstâncias peculiares. Embora

tenha Prefácio próprio, pode usar-se com outros Prefácios, especialmente

com aqueles que apresentam a história da salvação em forma sintética, p.

ex., os Prefácios comuns. Se a Missa é celebrada por um defunto, pode

inserir-se no lugar próprio, antes do Lembrai-Vos também dos nossos

irmãos (Memento etiam), a fórmula especial pelo defunto.

c) A Oração eucarística III pode dizer-se com qualquer Prefácio.

Usa-se de preferência nos domingos e nas festas. Se esta Oração se

utiliza nas Missas de defuntos, pode usar-se a fórmula própria por um

defunto, inserindo-a na altura própria, isto é, a seguir às palavras

Reconduzi a Vós, Pai de misericórdia todos os vossos filhos dispersos

(Omnesque filios tuos ubique dispersos, tibi, clemens Pater, miseratus

coniunge).

d) A Oração eucarística IV tem Prefácio invariável e apresenta uma

síntese mais completa da história da salvação. Pode usar-se sempre que a

Missa não tem Prefácio próprio e nos domingos comuns. Dada a estrutura

desta Oração, não pode inserir-se nela uma fórmula especial por um

defunto.

Os Cânticos

366. Não é permitido substituir os cânticos do Ordinário da Missa, por

exemplo, o Cordeiro de Deus (Agnus Dei), por outros cânticos.

367. Na escolha dos cânticos entre as leituras, bem como dos cânticos

de entrada, do ofertório e da Comunhão, devem seguir-se as normas

estabelecidas no capítulo que a eles se refere (cf. nn. 40-41, 47-48, 61-64,

74, 87-88).

CAPÍTULO VIII

MISSAS E ORAÇÕES PARA DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS

E MISSAS DE DEFUNTOS

I. Missas e orações para diversas circunstâncias

368. Porque a liturgia dos Sacramentos e dos Sacramentais oferece aos

fiéis devidamente dispostos a possibilidade de santificar quase todos os

acontecimentos da vida por meio da graça que brota do mistério

pascal[140], e porque a Eucaristia é o Sacramento dos Sacramentos, o

Missal apresenta formulários de Missas e de orações que podem ser

utilizados nas diversas circunstâncias da vida cristã, pelas necessidades

do mundo inteiro ou pelas necessidades da Igreja universal e local.

369. Tendo em conta a ampla faculdade de escolher as leituras e as

orações, convém que as Missas para diversas circunstâncias sejam

usadas com moderação, isto é, quando o exigem razões de verdadeira

conveniência pastoral.

370. Em todas as Missas para diversas circunstâncias, salvo indicações

expressas em contrário, podem usar-se as leituras da féria, com os

respectivos cânticos intercalares, contanto que sejam adequadas à

celebração.

371. Nestas Missas incluem-se as Missas rituais, para várias

necessidades, para diversas circunstâncias e votivas.

372. As Missas rituais, estão ligadas à celebração de certos

Sacramentos ou Sacramentais. São proibidas nos domingos do Advento,

da Quaresma e da Páscoa, nas solenidades, na oitava da Páscoa, na

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, e nos dias feriais da Quarta-

Feira de Cinzas e da Semana Santa, devendo ainda ter-se em conta as

normas indicadas nos livros rituais e nas Missas respectivas.

373. As Missas para várias necessidades, usam-se em determinados

casos, quer ocasionalmente, quer em tempos fixos. De entre elas pode a

autoridade competente escolher Missas apropriadas às súplicas que a

Conferência Episcopal tiver estabelecido para o decurso do ano.

374. No caso de uma necessidade particularmente grave ou de utilidade

pastoral pode celebrar-se uma Missa apropriada, por ordem ou com

licença do Bispo diocesano, em qualquer dia, excepto nas solenidades,

nos domingos do Advento, Quaresma e Páscoa, nos dias dentro da Oitava

da Páscoa, na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, na Quarta-Feira

de Cinzas e nos dias feriais da Semana Santa.

375. As Missas votivas dos mistérios do Senhor ou em honra da bemaventurada

Virgem Maria ou dos Anjos ou de algum Santo ou de Todos os

Santos, podem celebrar-se, para satisfazer à piedade dos fiéis, nos dias

feriais do Tempo Comum, mesmos quando ocorre uma memória

facultativa. Mas não podem celebrar-se, como votivas, as Missas que se

referem aos mistérios da vida do Senhor ou da bem-aventurada Virgem

Maria, excepto a Missa da sua Imaculada Conceição, porque as suas

celebrações estão ligadas ao decorrer do ano litúrgico.

376. Nos dias em que ocorre uma memória obrigatória ou uma féria do

Advento até 16 de Dezembro, do Tempo do Natal de 2 de Janeiro em

diante, ou do Tempo Pascal depois da Oitava da Páscoa, são proibidas as

Missas para diversas necessidades e as Missas votivas. No entanto, se

uma verdadeira necessidade ou a utilidade pastoral o exige, na celebração

com o povo, a juízo do reitor da igreja ou até do sacerdote celebrante,

pode usar-se a Missa correspondente a essa necessidade ou utilidade

pastoral.

377. Nos dias feriais do Tempo Comum em que ocorre uma memória

facultativa ou se diz o Ofício da féria, é permitido celebrar qualquer Missa

ou utilizar qualquer oração para diversas circunstâncias, exceptuando as

Missas rituais.

378. Recomenda-se de modo particular a memória de Santa

Maria no sábado, porque, na Liturgia da Igreja, em primeiro lugar e acima

de todos os Santos, veneramos a Mãe do Redentor[141].

II. Missas de defuntos

379. A Igreja oferece pelos defuntos o sacrifício eucarístico da Páscoa

de Cristo, a fim de que, pela mútua comunhão entre todos os membros do

Corpo de Cristo, se alcance para uns o auxílio espiritual e para outros

consolação e esperança.

380. Entre as Missas de defuntos está em primeiro lugar a Missa

exequial, que pode celebrar-se todos os dias, excepto nas solenidades de

preceito, na Quinta-Feira da Semana Santa, no Tríduo Pascal e nos

domingos do Advento, Quaresma e Tempo Pascal, observando, além

disso, o que deve ser observado segundo as normas do direito[142].

381. A Missa de defuntos «depois de recebida a notícia da morte» de

uma pessoa, ou no dia da sepultura definitiva ou no primeiro aniversário,

pode celebrar-se também nos dias dentro da Oitava do Natal, nos dias em

que ocorre uma memória obrigatória ou uma féria, que não seja Quarta-

Feira de Cinzas nem Semana Santa.

As outras Missas de defuntos, isto é, as Missas «quotidianas»,

podem celebrar-se nos dias feriais do Tempo Comum em que ocorre uma

memória facultativa ou se diz o Ofício da féria, contanto que sejam

efectivamente aplicadas pelos defuntos.

382. Na Missa exequial deve fazer-se normalmente uma breve homilia,

excluindo, porém, qualquer género de elogio fúnebre.

383. Exortem-se os fiéis, particularmente os parentes do defunto, a

participarem também pela Comunhão no sacrifício eucarístico oferecido

pelo defunto.

384. Quando a Missa exequial se liga directamente com o rito dos

funerais, dita a oração depois da Comunhão e omitido o rito de conclusão,

segue-se o rito da última encomendação ou da despedida, que só terá

lugar se está presente o cadáver.

385. No ordenamento e na escolha das partes variáveis da Missa de

defuntos (p. ex., orações, leituras, oração universal), sobretudo na Missa

exequial, deve atender-se obviamente às razões de ordem pastoral, tendo

em consideração a pessoa do defunto, a sua família e as pessoas

presentes. Os pastores de almas tenham especialmente em conta aquelas

pessoas que por ocasião dos funerais assistem às celebrações litúrgicas e

ouvem o Evangelho, mas ou não são católicos, ou são católicos que nunca

ou quase nunca tomam parte na celebração da Eucaristia, ou parecem até

terem perdido a fé. Lembrem-se os sacerdotes que são ministros do

Evangelho de Cristo para todos.

CAPÍTULO IX

ADAPTAÇÕES QUE COMPETEM AOS BISPOS

E ÀS SUAS CONFERÊNCIAS

386. A reforma do Missal Romano, levada a efeito no nosso tempo

segundo as normas dos decretos do II Concílio do Vaticano, teve a

preocupação de que todos os fiéis, na celebração eucarística, possam

chegar àquela plena, consciente e activa participação, que a própria

natureza da Liturgia exige e que é, para os próprios fiéis, por força da sua

condição, um direito e um dever[143].

Para que a celebração corresponda mais plenamente às normas

e ao espírito da sagrada Liturgia, nesta Instrução e no Ordinário da Missa

propõem-se algumas ulteriores acomodações e adaptações, que são da

competência ou do Bispo diocesano ou das Conferências Episcopais.

387. O Bispo diocesano, que deve ser considerado como o sumo

sacerdote do seu rebanho e de quem depende e deriva, de algum modo, a

vida dos seus fiéis em Cristo[144], deve promover, dirigir e velar pela vida

litúrgica na sua diocese. A ele se confia, nesta Instrução, o encargo de

moderar a disciplina da concelebração (cf. n. 202), de estabelecer normas

sobre a função de servir o sacerdote ao altar (cf. n. 107), sobre a

distribuição da sagrada Comunhão sob as duas espécies (cf. 283), e sobre

a construção e ordenamento dos edifícios da igreja (cf. nn. 291, 315). Mas

aquilo que em primeiro lugar deve ter em vista é alimentar o espírito da

sagrada Liturgia nos sacerdotes, diáconos e fiéis.

388. As adaptações de que se fala em seguida, e que requerem maior

coordenação, devem ser determinadas, segundo as normas do direito, pela

Conferência Episcopal.

389. Compete às Conferências Episcopais, em primeiro lugar, preparar

e aprovar, nas línguas vernáculas autorizadas, a edição deste Missal

Romano, para que, confirmada pela Sé Apostólica, seja utilizada nas

regiões a que se destina.

O Missal Romano deve ser editado integralmente, quer no texto

latino quer nas traduções vernáculas legitimamente aprovadas.

390. Pertence às Conferências Episcopais definir as adaptações que

se indicam nesta Instrução geral e no Ordinário da Missa e que, depois de

confirmadas pela Sé Apostólica, hão-de ser introduzidas no próprio Missal,

tais como:

– os gestos e as atitudes corporais dos fiéis (cf. acima, nn. 25,

43).

– o gesto de veneração do altar e do Evangeliário (cf. acima, n.

273);

– os textos dos cânticos de entrada, do ofertório e da Comunhão

(cf. acima, nn. 48, 74, 87);

– as leituras da Sagrada Escritura a utilizar em situações

particulares (cf. acima, n. 362);

– a forma de dar a paz (cf. acima, n. 82);

– o modo de receber a sagrada Comunhão (cf. acima, nn. 160-

161, 284);

– o material do altar e das alfaias sagradas, principalmente dos

vasos sagrados, e também o material, a forma e a cor das vestes litúrgicas

(cf. acima, nn. 301, 329, 332, 342, 345-346, 349).

Poderão ser introduzidos no Missal Romano, em lugar

conveniente, os Directórios ou as Orientações pastorais que as

Conferências Episcopais julgarem úteis, previamente confirmados pela Sé

Apostólica.

391. Às mesmas Conferências compete prestar atenção particular às

traduções dos textos bíblicos utilizados na celebração da Missa. Com

efeito, é à Sagrada Escritura que se vão buscar as leituras a ler e a

explicar na homilia e os salmos para cantar, e foi da sua inspiração e

impulso que nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos; dela

tiram a sua capacidade de significação as acções e os sinais[145].

Utilize-se uma linguagem que possa ser entendida pelos fiéis e

adaptada à proclamação pública, tendo-se, porém, em conta que são

diversos os modos de falar utilizados nos livros bíblicos.

392. Compete igualmente às Conferências Episcopais preparar com

grande cuidado as traduções dos outros textos, para que, respeitada

também a índole de cada língua, se ofereça plena e fielmente o sentido do

primitivo texto latino. Na realização deste trabalho, convém ter em conta os

diversos géneros literários que se utilizam na Missa, tais como orações

presidenciais, antífonas, aclamações, respostas, súplicas litânicas, etc.

Tenha-se bem presente que a versão dos textos não se destina

em primeiro lugar à meditação, mas antes à proclamação ou ao canto no

acto da celebração.

Utilize-se uma linguagem adaptada aos fiéis da região, mas

dotada de nobre qualidade literária, na certeza de que sempre haverá

necessidade de alguma catequese acerca do sentido bíblico e cristão de

certas palavras e expressões.

Muito convém, que nas regiões onde se utiliza a mesma língua,

haja, na medida do possível, a mesma versão para os textos litúrgicos,

principalmente para os textos bíblicos e para o Ordinário da Missa[146].

393. Tendo em conta o lugar importante do canto na celebração, como

parte necessária ou integrante da liturgia[147], pertence às Conferências

Episcopais aprovar melodias apropriadas, sobretudo para os textos do

Ordinário da Missa, para as respostas e aclamações do povo e para os

ritos especiais que ocorrem durante o ano litúrgico.

Pertence-lhes igualmente pronunciar-se sobre quais as formas

de música, melodias e instrumentos musicais que é lícito admitir no culto

divino, desde que se adaptem ou possam adaptar ao uso sagrado.

394. É conveniente que cada diocese tenha o seu calendário e o seu

próprio das Missas[148]. A Conferência Episcopal, por seu lado, organize o

calendário próprio da nação ou, juntamente com outras Conferências, o

calendário de uma região mais alargada, a aprovar pela Sé Apostólica.

Na elaboração deste trabalho há-de conservar-se e defender-se

o mais possível o domingo, como principal dia de festa, que não deve ser

sacrificado a outras celebrações que não sejam de máxima

importância[149]. Procurem também que o ano litúrgico, reformado por

decreto do II Concílio do Vaticano, não seja obscurecido por elementos

secundários.

Ao preparar o calendário da nação, indiquem-se os dias das

Rogações e das Quatro Têmporas, assim como o modo de as celebrar e

os textos[150], tendo em vista outras determinações específicas.

É conveniente que, ao editar o Missal, sejam inseridas no

respectivo lugar do calendário geral as celebrações próprias de toda a

nação ou duma região mais alargada; as celebrações da região ou da

diocese devem vir em apêndice particular.

395. Por fim, se a participação dos fiéis e o seu bem espiritual exigirem

adaptações e diversidades mais profundas, para que a celebração sagrada

corresponda à índole e às tradições dos diversos povos, as Conferências

Episcopais, de acordo com o art. 40 da Constituição sobre a sagrada

Liturgia, poderão propô-las à Sé Apostólica, e introduzi-las com o seu

consentimento, sobretudo naqueles povos onde o Evangelho foi anunciado

mais recentemente[151]. Observem-se atentamente as normas especiais

dadas pela Instrução «A Liturgia romana e a inculturação»[152].

Quanto ao modo de agir neste assunto, proceda-se da seguinte

maneira:

Em primeiro lugar, exponha-se à Sé Apostólica uma

pormenorizada proposta prévia; concedidas as devidas faculdades,

proceda-se à elaboração de cada adaptação.

Uma vez aprovadas estas propostas pela Santa Sé, levem-se a

cabo as experimentações pelo tempo e nos lugares estabelecidos. Se for o

caso, terminado o tempo de experimentação, a Conferência Episcopal

determinará a prossecução das adaptações e submeterá ao juízo da Sé

Apostólica a formulação amadurecida do assunto[153].

396. Antes, porém, de se chegar às novas adaptações, principalmente

às mais profundas, há-de cuidar-se com diligência da promoção sapiente e

ordenada da devida instrução do clero e fiéis, hão-de pôr-se em prática as

faculdades já previstas e aplicar-se-ão plenamente as normas pastorais

correspondentes ao espírito da celebração.

397. Observe-se também o princípio segundo o qual cada Igreja

particular deve estar de acordo com a Igreja universal, não só na doutrina

da fé e nos sinais sacramentais, mas também nos usos universalmente

recebidos de uma ininterrupta tradição apostólica, a qual deve observar-se,

não só para evitar os erros, mas também para transmitir a integridade da

fé, porque a “norma da oração” (lex orandi) da Igreja corresponde à sua

“norma da fé” (lex credendi)[154].

O Rito Romano constitui uma parte notável e excelente do

tesouro litúrgico e do património da Igreja católica, cujas riquezas

concorrem para o bem de toda a Igreja, pelo que perdê-las seria prejudicála

gravemente.

Esse Rito, no decurso dos séculos, não só conservou usos

litúrgicos oriundos da cidade de Roma, mas também integrou em si, de

modo profundo, orgânico e harmónico, outros elementos derivados dos

costumes e do engenho de diversos povos e de várias Igrejas particulares,

tanto do Ocidente como do Oriente, adquirindo, assim, um certo carácter

supra-regional. No nosso tempo, a identidade e a expressão unitária deste

Rito encontra-se nas edições típicas dos livros litúrgicos promulgadas por

autoridade dos Sumos Pontífices e nos livros litúrgicos que lhes

correspondem, aprovados pelas Conferências Episcopais para os seus

territórios e confirmados pela Sé Apostólica[155].

398. A norma estabelecida pelo II Concílio do Vaticano, segundo a

qual as inovações na reforma litúrgica só se devem fazer se o exigir uma

verdadeira e certa utilidade da Igreja, e procurando que as novas formas

como que cresçam organicamente das que já existem[156], também deve

aplicar-se à inculturação do Rito Romano[157]. Além disso a inculturação

precisa de bastante tempo, para não contaminar repentina e incautamente

a autêntica tradição litúrgica.

Por fim, a procura da inculturação não pretende de modo algum

a criação de novas famílias rituais, mas sim responder às exigências de

determinada cultura, de tal modo, porém, que as adaptações introduzidas,

quer no Missal quer nos outros livros litúrgicos, não sejam prejudiciais à

índole própria do Rito Romano[158].

399. Deste modo o Missal Romano, apesar da diversidade de lugares

e duma certa variedade de costumes[159], deve conservar-se no futuro

como instrumento e sinal admirável da integridade e da unidade do rito

Romano[160].

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