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domingo, 14 de agosto de 2011

D i d a q u é " Doutrina dos doze Apóstolos "

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D i d a q u é

" D o u t r i n a d o s d o z e A p ó s t o l o s "

I n t r o d u ç ã o

Didaqué significa “instrução” ou “doutrina”. Trata-se de um escrito que data de fins

do séc. I de nossa era e, portanto, bem próximo dos escritos do Novo Testamento. O nome

“Instrução dos Doze Apóstolos” lembra At 2,42 (“o ensinamento dos apóstolos”), mas é

difícil que a obra tenha sido escrita por algum deles ou seja de um só autor. Os estudiosos

hoje estão de acordo em dizer que ela é fruto da reunião de várias fontes escritas ou orais,

que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do séc. I. Os lugares mais prováveis de

sua origem são a Palestina ou a Síria.

A Didaqué é um manual de religião ou, melhor dizendo, uma espécie de catecismo dos

primeiros cristãos. Esse documento nos permite conhecer as origens do cristianismo, e

principalmente nos dá uma idéia de como eram a iniciação cristã, as celebrações, a

organização e a vida das primeiras comunidades. O autor(ou autores) pertence ao meio

judaico-cristão, e dirige seu ensinamento a comunidades formadas por convertidos vindos

principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e

no Novo Testamento, bem como outros escritos cristãos do séc. I d.C. O tom e os temas de

muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e diversos trechos dos

evangelhos. Dessa forma, esse catecismo das comunidades da Igreja Primitiva é testemunho

vivo de como os primeiros cristãos se alimentavam da Palavra de Deus contida nas

Escrituras, transformando e interpretando os textos bíblicos em vista de suas necessidades e

situações.

A leitura da Didaqué faz logo sentir que as comunidades cristãs daquele tempo ainda

não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm representante oficial fixo

(padre ou vigário), os bispos e diáconos são mencionados de passagem, e não sabemos bem

quais funções exerciam. Fala-se diversas vezes em “apóstolos, profetas e mestres”, dando a

impressão de que eram propriamente pregadores itinerantes a serviço de diversas

comunidades. Por outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e se resume a

celebrações feitas em clima doméstico. Os sacramentos mencionados pertencem à iniciação

cristã – batismo, confissão, eucaristia – e parecem ser todos administrados pela comunidade,

e não por um membro do clero, ainda inexistente.

Visível, contudo, é o clima que a comunidade vive, dentro de uma sociedade

estruturalmente pagã. A preocupação de não se confundir com o ambiente, de não se deixar

manipular por aproveitadores oportunistas (até mesmo disfarçados de profetas), a esperança

um pouco nervosa de uma escatologia próxima e o tema da perseverança heróica no caminho

da fé são características das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo sua

vocação e missão no mundo

***

A Didaqué é um convite para as comunidades cristãs em formação descobrirem sua

origem e jovialidade próprias. Ela nos faz lembrar que a fonte inspiradora do

comportamento, da oração e das celebrações é a Bíblia. Sobretudo, mostra que o

cristianismo não é devoção individualista, mas um caminho comunitário em que todos os

setores da vida e do comportamento devem ser penetrados pela Palavra de Deus e pela

oração. Na sua simplicidade e profundidade, estimula a viver a vida cotidiana à luz do

Evangelho vivo, dentro de um discernimento que frutifica em atos novos, geradores de

fraternidade e partilha. Escrita principalmente para os pagãos (nações), ela ainda salienta

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que o cristianismo não é uma redoma onde a comunidade se refugia, mas um fermento que se

expande para transformar toda a sociedade.

Capítulo I - Amor a Deus e ao próximo

Os dois caminhos: o da vida exige o amor a Deus e ao próximo

1 - Há dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-

28; 30,15-20; Ecli 15,15-17]. A diferença entre ambos é grande.

2 - O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez;

depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Ecli 7,30; Lev 19,18; Mt

22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12;

Lc 6,31].

3 - Eis a doutrina relativa a estes mandamentos: Bendizei aqueles que vos

amaldiçoam, orai por vossos inimigos, jejuai por aqueles que vos perseguem. Com

efeito, que graça vós tereis, se ama is os que vos amam? Não fazem os gentios o

mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam e não tenhais inimizade [Cf Mt

5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

4 - Abstém-te dos prazeres carnais [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face

direita, dá-lhe também a outra e tu serás perfeito. Se alguém te obrigar a mil

(passos), anda dois mil com ele. Se alguém tomar teu manto, dá-lhe também tua

túnica. Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de todo o jeito não podes [Cf

Mt 5,39ss; Lc 6,29].

5 - Dá a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a vontade do Pai é

que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei,

pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver

necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em

necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu.

Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último quadrante (vintém)

[Mt 5,25s; Lc 12,58s].

6 - Mas é verdade que a este propósito também foi dito: Que tua esmola sue em

tuas mãos, até que souberes a quem dar [Cf Ecli 12,1].

Capítulo II - Deveres para com a vida (aborto)

Dos deveres para com a vida e a propriedade do próximo

1 - O segundo mandamento da Instrução (Didaqué) é:

2 - Não matarás, não cometerás adultério; não te entregarás à pederastia, não

fornicarás, não furtarás, não exercerás magia, nem bruxaria (charlatanice). Não

matarás criança por aborto, nem criança já nascida; não cobiçarás os bens do

próximo.

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3 - Não serás perjuro [Cf Mt 5,33; Ex 20,7], nem darás falso testemunho; não

falarás mal do outro, nem lhe guardarás rancor.

4 - Não usarás de ambigüidade nem no pensamento nem na palavra, pois a

duplicidade é uma trama fatal [Cf Prov 21,6].

5 - Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao contrário, seja cheia de sinceridade

e seriedade (comprovada pela ação).

6 - Não serás cobiçoso nem rapace, nem hipócrita, nem malicioso, nem soberbo.

Não nutrirás má intenção contra teu próximo [Cf Ex 20,13-17; Dt 5,17-21].

7 - Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e rezarás por outros, e ainda amarás

aos outros mais que a ti mesmo (que tua alma).

Capítulo III - Contra a paixão e idolatria

Advertências contra a paixão e a idolatria

1 - Meu filho, evita tudo o que é mau e semelhante ao mal.

2 - Não sejas odiento, pois o ódio conduz à morte; nem ciumento, nem brigalhão ou

provocador, pois de tudo isso nascem os homicidas.

3 - Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação.

Evita a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo isto nascem os adúlteros.

4 - Meu filho, não sejas dado à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Abstém-te

também da encantação (feitiçaria) e da astrologia e das purificações, nem procures

ver ou ouvir (entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.

5 - Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não sejas

avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo isto origina o roubo.

6 - Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à blasfêmia; não sejas insolente

nem malvado, pois tudo isto origina as blasfêmias.

7 - Sê, antes, manso, pois os mansos possuirão a terra [Cf Mt 5,5; Sl 31,11].

8 - Sê longânime, misericordioso, sem falsidade, tranqüilo e bom e guarda com

toda a reverência a instrução ouvida.

9 - Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu coração à insolência; não vivas

com os 'grandes', mas com os justos e humildes.

10 - Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo bons, sabendo que a Deus

nada daquilo que acontece é estranho.

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Capítulo IV - Deveres dos senhores e empregados

É melhor dar que receber. Deveres do senhor e dos escravos

1 - Meu filho, lembra-te dia e noite daquele que te anuncia a palavra de Deus e o

honrarás como ao Senhor, pois onde se proclama sua soberania aí está o Senhor

presente [Cf Hb 13,7].

2 - Todos os dias procurarás a companhia dos santos, para encontrar apoio em suas

palavras.

3 - Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam entre si. Julgarás de

maneira justa, sem considerar a pessoa na correção das faltas [Cf Dt 1,16s; Prov

31,9].

4 - Não demorarás em procurar o que te há de acontecer ou não.

5 - Não terás as mãos sempre estendidas para receber, retirando-as quando se trata

de dar.

6 - Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos, dá-o em reparação por teus

pecados.

7 - Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois algum dia reconhecerás

quem é o verdadeiro dispensador da recompensa.

8 - Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo com teu irmão, não

considerando nada como teu, pois, se divides os bens da imortalidade, quanto mais

o deves fazer com os corruptíveis [Cf At 4,32; Heb 13,16].

9 - Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas desde sua juventude os

instruirás no temor a Deus.

10 - Não darás ordens com rancor ao teu povo ou à tua serva, que esperam no

mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos.

Com efeito, Ele não virá chamar segundo a aparência da pessoa, mas segundo a

preparação do espírito.

11 - Vós, servos, sede submissos aos vossos senhores como se eles fossem uma

imagem de Deus, com respeito e reverência [Cf Ef 6,1-9; Col 3,20-25].

12 - Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.

13 - Não violarás os mandamentos do Senhor e guardarás o que recebeste, sem

acrescentar nem tirar algo.

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14 - Na assembléia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má

consciência. - Este é o caminho da vida.

Capítulo V - Do caminho da morte

Do caminho da morte

1- O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar, é mau e cheio de

maldições: mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas

mágicas, bruxarias, rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambigüidades

(falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme,

insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus;

2 - Perseguidores dos bons, inimigos da verdade, amantes da mentira, ignorantes da

recompensa da justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo, vigilantes, não

pelo bem, mas pelo mal, estranhos à doçura e à paciência, amantes da vaidade,

cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os pobres, sem cuidado para com os

necessitados, ignorantes de seu Criador, assassinos de crianças, destruidores da

obra de Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos aflitos, defensores dos

ricos, juizes iníquos dos pobres, pecadores sem fé nem lei. - Filho, fica longe de

tudo isso.

Capítulo VI - Aceita o jugo do Senhor

Perfeito é quem aceita o jugo do Senhor

1 - Vigia para que ninguém te afaste deste caminho da instrução, ensinando-te o

que é estranho a Deus [Cf Mt 24,4].

2 - Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não puderes,

faze o que puderes.

3 - Quanto aos alimentos, toma sobre ti o que puderes suportar, mas abstém-te

completamente das carnes oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses

mortos.

Capítulo VII – Celebração da Vida

Instrução sobre o batismo

1 - No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito

Santo em água corrente [Cf Mt 28,19]

2 - Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria,

faze-o em água quente.

3 - Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai

e do Filho e do Espírito Santo.

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4 - Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem,

observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois

dias.

Capítulo VIII - Sobre o jejum e oração

Sobre o jejum e a oração

1 - Vossos jejuns não tenham lugar (não sejam ao mesmo tempo) com os

hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós,

porém, jejuai na quarta-feira e na sexta (dia de preparação).

2 - Também não rezeis como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu

Evangelho: Nosso Pai no céu, que teu nome seja santificado, que teu reino venha,

que tua vontade seja feita na terra, assim como no céu; dá-nos hoje o pão

necessário (cotidiano), perdoa a nossa ofensa assim como nós perdoamos aos que

nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal [Cf Mt

6,9-13; Lc 11,2-4], pois teu é o poder e a glória pelos séculos.

3 - Assim rezai três vezes por dia.

Capítulo IX - Sobre a celebração da Eucaristia

Instrução sobre a celebração eucarística

1 - No que concerne à Eucaristia, celebrai-a da seguinte maneira:

2 - Primeiro sobre o cálice, dizendo: Nós te bendizemos (agradecemos), nosso Pai,

pela santa vinha de Davi, teu servo, que tu nos revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a

glória pelos séculos! Amém.

3 - Sobre o pão a ser quebrado: Nós te bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela

vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a glória pelos

séculos! Amém.

4 - Da mesma maneira como este pão quebrado primeiro fora semeado sobre as

colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da terra seja

unida a ti tua igreja (assembléia) em teu reino; pois tua é a glória e o poder pelos

séculos! Amém.

5 - Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não estiver batizado em nome

do Senhor. Pois a respeito dela disse o Senhor: Não deis as coisas santas aos cães!

Capítulo X - Ação de graças após a ceia

Ação de graças depois da ceia

1 - Mas depois de saciados, bendizei (agradecei) da seguinte maneira:

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2 - Nós te bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por teu santo nome, que tu fizeste

habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que tu nos

revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a glória pelos séculos. Amém.

3 - Tu, Senhor, Todo-poderoso, criaste todas as coisas para a glória de teu nome e,

para o gozo deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim de que eles te

bendigam; mas a nós deste uma comida e uma bebida espirituais para a vida eterna

por Jesus, teu servo.

4 - Por tudo te agradecemos, pois és poderoso; a ti, a glória pelos séculos. Amém.

5 - Lembra-te, Senhor, de tua Igreja, para livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no

teu amor; reúne esta igreja santificada dos quatro ventos no teu reino que lhe

preparaste, pois teu é o poder e a glória pelos séculos. Amém.

6 - Venha tua graça e passe este mundo! Amém. Hosana à casa de Davi [Cf Mt

21,15]. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência:

Maranatá! [Cf 1Cor 16,22; Apoc 22,20] Amém.

7 - Deixai os profetas bendizer (celebrar a Eucaristia) à vontade.

Capítulo XI - Os Apóstolos e Profetas

Da hospitalidade para com os apóstolos e profetas

1 - Se, portanto, alguém chegar a vós com instruções conformes com tudo aquilo

que acima é dito, recebei-o.

2 - Mas, se aquele que ensina é perverso e expõe outras doutrinas para demolir, não

lhe deis atenção; se, porém, ensina para aumentar a justiça e o conhecimento do

Senhor, recebei-o como o Senhor.

3 - A respeito dos apóstolos e profetas, fazei conforme as normas (texto grego:

dogma) do Evangelho.

4 - Todo o apóstolo que vem a vós seja recebido como o Senhor.

5 - Mas ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se necessário, mais outro. Se ele,

porém, permanecer três dias é um falso profeta.

6 - Na sua partida, o apóstolo não leve nada, a não ser o pão necessário até a

seguinte estação; se, porém, pedir dinheiro é falso profeta.

7 - E não coloqueis à prova nem julgueis um profeta em tudo que fala sob

inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas este pecado não será perdoado [Cf

Mt 12,31].

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8 - Nem todo aquele que fala no espírito é profeta, a não ser aquele que vive como

o Senhor. Na conduta de vida conhecereis, pois, o falso profeta e o (verdadeiro)

profeta.

9 - E todo profeta que manda, sob inspiração, preparar a mesa não deve comer dela;

ao contrário, é um falso profeta.

10 - Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é falso profeta.

11 - Mas todo profeta provado (e reconhecido) como verdadeiro, representando o

mistério cósmico da Igreja, não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não seja

julgado por vós, pois ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos

profetas.

12 - O que disser, sob inspiração: dá-me dinheiro ou qualquer outra coisa, não o

escuteis; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue.

Capítulo XII - Hospitalidade com Discernimento

Da hospitalidade para com os outros

1 - Todo aquele que vem a vós, em nome do Senhor, seja acolhido. Depois de o

haverdes sondado, sabereis discernir a esquerda da direita (pois tendes juízo).

2 - Se o hóspede for transeunte, ajudai-o quanto possível. Não permaneça convosco

senão dois ou, se for necessário, três dias.

3 - Se quiser estabelecer-se convosco, tendo uma profissão, então trabalhe para o

seu sustento.

4 - Mas, se ele não tiver profissão, procedei conforme vosso juízo, de modo a não

deixar nenhum cristão ocioso entre vós.

5 - Se não quiser conformar-se com isto, é um que quer fazer negócios com o

cristianismo. Acautelai-vos contra tal gente.

Capítulo XIII – Sustentação do profeta

Deveres para com os verdadeiros profetas

1 - Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se entre vós é digno de seu

alimento.

2 - Do mesmo modo, também o verdadeiro mestre, como o operário, é digno de seu

alimento.

3 - Por isso, tomarás as primícias de todos os produtos da vindima e da eira, dos

bois e das ovelhas e darás aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes.

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4 - Se vós, porém, não tiverdes profeta, dai-o aos pobres.

5 - Se tu fizeres pão, toma as primícias e dá-as conforme manda a lei.

6 - Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de óleo, toma as primícias e

dá-as aos profetas.

7 - E toma as primícias do dinheiro, das vestes e de todas as posses e, segundo o teu

juízo, dá-as conforme a lei.

Capítulo XIV – A Celebração Dominical

Santificação do domingo pela eucaristia

1 - Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a

eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso

sacrifício seja puro.

2 - Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de

se ter reconciliado, a fim de que vosso sacrifício não seja profanado [Cf Mt 5,23-

25].

3 - Com efeito, deste sacrifício disse o Senhor: Em todo o lugar e em todo o tempo

se me oferece um sacrifício puro, porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o

meu nome é admirável entre todos os povos [Cf Mal 1,11-14].

Capítulo XV – A Vivência Comunitária

Eleição dos bispos e diáconos

1 - Escolhei-vos, pois, bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis,

desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós a

liturgia dos profetas e doutores (mestres).

2 - Não os desprezeis, porque eles são da mesma dignidade entre vós como os

profetas e doutores.

3 - Repreendei-vos mutuamente uns aos outros, não com ódio, mas na paz, como

tendes no Evangelho. E ninguém fale com (todo) aquele que ofendeu o outro

(próximo), nem o escute até que ele se tenha arrependido.

4 - Fazei vossas preces, esmolas e todas as vossas ações como vós tendes no

Evangelho de Nosso Senhor.

Capítulo XVI – Perseverar Até o Fim

Da parusia do Senhor

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1 - Vigiai sobre vossa vida. Não deixeis apagar vossas lâmpadas nem solteis o cinto

de vossos rins, mas estai preparados, pois não sabeis a hora na qual Nosso Senhor

vem [Cf Mt 24,41-44; 25,13; Lc 13,35].

2 - Reuni-vos freqüentemente para procurar a salvação de vossas almas, pois todo o

tempo de vossa fé não vos servirá de nada se no último momento não vos tiverdes

tornado perfeitos.

3 - Com efeito, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores;

as ovelhas se transformarão em lobos e o amor em ódio [Cf Mt 24,10-13; 7,15].

4 - Com o aumento da iniqüidade, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão

mutuamente e então aparecerá o sedutor do mundo como se fosse o filho de Deus.

Ele fará milagres e prodígios e a terra será entregue em suas mãos e ele cometerá

tais crimes como jamais se viu desde o começo do mundo [Cf Mt 24,24; 2Tes 2,4-

9].

5 - Então toda a criatura humana passará pela prova de fogo e muitos se

escandalizarão e perecerão. Mas aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão

salvos por aquele que os outros amaldiçoam (pelo amaldiçoado) [Cf Mt 24,10-13].

6 - Aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da abertura no céu, depois o

sinal do som da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos [Cf Mt

24,31; 1Cor 15-52; 1Tes 4,16].

7 - mas não de todos, segundo a palavra da escritura: O Senhor virá e todos os

santos com Ele.

8 - Então verá o mundo a vinda do Senhor sobre as nuvens do céu [Cf Mt 24,30;

26,64].

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