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domingo, 14 de agosto de 2011

Catecismo da Santa Missa

Micrólogo (Anônimo)

Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX, publicado em 1975 pela

EDICIONES RIALP - Madrid,

NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975

IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral

Apresentação de Angel Garcia Y Garcia

Glossário

Introdução

PRIMEIRA PARTE - Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e

as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO I - Da excelência do Sacrifício da Missa, e suas relações com toda a

religião e com o culto

CAPÍTULO II - Do sacrifício da Missa em geral e da sua necessidade

CAPÍTULO III - Os sacrifícios antigos no tempo dos Patriarcas, na Lei Mosaica e

os sacrifícios dos pagãos

CAPÍTULO IV - Do sacrifício da Nova Lei, instituído e oferecido por Nosso

Senhor Jesus Cristo

CAPÍTULO V - Da celebração da Missa: da sua instituição aos nossos dias

CAPÍTULO VI - Dos diferentes nomes e da divisão da Missa

CAPÍTULO VII - Da natureza e da existência do sacrifício da Missa

(Recapitulação)

CAPÍTULO VIII - Do valor e dos frutos do Sacrifício da Missa

CAPÍTULO IX - Das disposições para se oferecer o Santo Sacrifício da Missa

CAPÍTULO X - Da benção e aspersão da água - das procissões e da chegada do

sacerdote ao altar

SEGUNDA PARTE - Explicação das orações e cerimônias da Santa Missa

CAPÍTULO I - Primeira parte da Missa: da Preparação pública ao sacrifício e da

entrada ao altar

Catecismo da Santa Missa

1

Catecismo da

Santa Missa

Glossário

LITURGIA: palavra grega composta de leiton, que significa público, e de

ergon, que significa obra ou ato público, o que em português chamamos

de serviço divino. Os livros que contêm o modo de celebrar os santos

mistérios denominam-se liturgias.

Litúrgico: que pertence ou se refere às liturgias.

Liturgistas: escritores ouestudiosos de liturgia.

RITO: em latim ritus, significa um uso ou uma cerimônia que segue uma

ordem determinada. Diz-se também rite ou recte para indicar o que está

bem feito, com ordem, segundo o costume. Assim se diz rito romano ou

milanês conforme prescrito em Roma ou Milão.

Ritual: livro que prescreve o modo de administrar os sacramentos.

RITO MOÇÁRABE: rito utilizado nas igrejas de Espanha desde o início do

século VIII até o final do século XI. A palavra moçárabe se refere aos

espanhóis que subsistiram ao domínio dos árabes quando estes se

apoderaram da Espanha em 712, e significa árabes externos,

diferenciando-os dos de origem árabe. Este rito chamava-se normalmente

de rito gótico, por ter sido seguido pelos godos cristianizados.

SACRAMENTAL: livro que continha as orações e as palavras que os

bispos ou sacerdotes recitavam quando celebravam a Missa ou

administravam os sacramentos. Posteriormente o específico dos bispos

denominou-se pontifical, enquanto que o dos sacerdotes passou a ser

sacerdotal, ritual ou manual.

MISSAL: livro que contem tudo o que se diz na Missa no decorrer do ano.

ANTIFONÁRIO: assim era chamado o livro que continha tudo o que se

devia cantar no coro durante a Missa devido aos intróitos que tinham por

título Antiphona ad introitum; mas há tempo se utiliza esse termo para

indicar o livro que contem as antífonas das matinas, laudes e demais

horas canônicas.

ORDO ROMANO: livro que continha a maneira de celebrar as missas e os

ofícios dos principais dias do ano, em especial os dos 4 dias da Semana

Santa e da oitava da Páscoa. Este ORDO posteriormente foi aumentado e

denominado cerimonial.

ORDINÁRIO: assim é chamado há 600 anos o livro que determina o que se

diz e se faz, cada dia, no altar e no coro.

ORDINÁRIO DA MISSA: reúne o que se diz na Missa comum, para

distingui-lo do que é próprio para as festas e demais dias do ano.

MICRÓLOGO: palavra grega, composta de microse de logos; significa

breve discurso. Um escritor do século XI compôs um tratado sobre a

Missa e demais ofícios litúrgicos com este título: Micrologos de

ecclesiasticis observationibus, e como se ignora quem seja ele, diz-se o

nome Micrólogo ou o Micrólogo. Sabe-se que ele foi contemporâneo do

papa Gregório VII; mas o tratado foi escrito após a morte deste Pontífice,

motivo pelo qual a obra é colocada no ano 1090.

Catecismo da Santa Missa

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Introdução

1 - Definição

P1. Que é a Santa Missa?

R. A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o

mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente

instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo

tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos

pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

P2. Por que dizemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do

Calvário?

R. Porque na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para

nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Missa seja sem

sofrimento físico.

P3. Por que a Missa é chamada de "Santa"?

R. Porque nela é o próprio autor da santidade que se oferece como vítima,

num sacrifício perfeito a Deus, e como alimento espiritual aos fiéis na

Eucaristia, ou seja, a transubstanciação real do pão e do vinho no corpo e

sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

P4. Em que momento da Missa se realiza a transubstanciação das

espécies de pão e vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus

Cristo?

R. A transubstanciação se realiza no momento da consagração, quando o

celebrante repete as palavras que Nosso Senhor pronunciou na última

Ceia, ao consagrar o pão e o vinho, instituindo, assim, o sacramento da

Eucaristia.

2 - Prática freqüente do Santo Sacrifício da Missa

P5. Qual é a cerimônia religiosa e solene mais comum entre os católicos?

R. É a santa Missa.

P6. Por que a santa Missa é a cerimônia mais comum entre os católicos?

R. Porque, além de ser celebrada nos domingos e dias santos, quando há

obrigação rigorosa de assisti-la, ela é celebrada diariamente e fortalece a

piedade do cristão zeloso, em especial quando ele tem a graça de

comungar.

P7. Além dos domingos e dias santos, podemos assistir a Missa em

outras ocasiões?

R. Sim, e é proveitoso à alma também assisti-la em certas ocasiões

especiais tais como:

a - nos aniversários de graças importantes recebidas;

b - nos dias da quaresma;

c - na quinzena pascal.

P8. Podemos assistir Missa diariamente?

R. Sim. Sempre que o fiel tiver a possibilidade e principalmente aqueles

que receberam mais bênçãos dos céus e favores terrenos devem

entender que seria até uma ingratidão não participar do oferecimento

diário da grande vítima de ação de graças.

P9. Por que é conveniente e salutar assistir a Missa sempre que possível?

R. Porque todo o cristão, desejoso de ordenar sábia e piedosamente sua

conduta, encontra na Missa o meio de consagrar pela oblação do corpo e

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do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo os trabalhos e fadigas de cada

dia, sem esquecer as obrigações do próprio estado. Além disto, a

assistência freqüente implica em maior aproveitamento dos méritos de

Cristo.

P10. Além da piedade e do fervor, que outros motivos nos levam a assistir

a Missa?

R. Além da piedade e do fervor os cristãos se reúnem com prazer ao redor

do altar do sacrifício por muitos motivos, como:

a - no início de cada ano, para agradecer e renovar os votos desta época;

b - em certas festas religiosas, para estreitar os laços de família e a

piedade filial;

c - no dia dos mortos, para resgatar os pecados do passado com as

esperanças de melhor porvir;

d - para conseguir êxito em determinado empreendimento;

e - para a saúde de uma pessoa;

f - para que se difunde a graça de Deus na união dos esposos;

g - para oferecer ao Senhor uma criança que acaba de nascer e a mãe que

deu a luz;

h - para acompanhar diante dos altares os despojos mortais de nossos

irmãos, antes de sepultá-los.

P11. A Missa, então, é motivo para tudo?

R. Sim. Resumindo, podemos dizer que a Missa é a consagração e

santificação de todos os momentos graves, solenes e importantes da

nossa vida.

3 - Necessidade de se entender as orações e as cerimônias da Santa

Missa

P12. É necessário conhecer profundamente a Missa?

R. Um ato de religião praticado com tanta freqüência, tão precioso em

suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça

o mais possível, na medida das nossas capacidades.

P13. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?

R. Podemos conhece-la mais profundamente estudando seus mistérios,

seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas

cerimônias e orações.

P14. Para que devemos conhecer tudo isto?

R. Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais

vivos sentimentos de religião e de piedade.

P15. Que mais devemos conhecer da Missa?

R. Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo

o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do

sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e

nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também

devemos nos imolar com Ele e por Ele.

P16. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?

R. Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação

e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade.

(Ioh 1 - 4)

Catecismo da Santa Missa

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P17. Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da

Missa?

R. Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi

possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração

arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)

P18. Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do

santo sacrifício da Missa?

R. Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas

faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da

graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da

Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.

P19. Que mais é salutar conhecer?

R. Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um

conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a

explicação literal de suas orações e cerimônias.

P20. A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?

R. Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar

qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra

cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.

P21. Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da

Missa?

R. A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios

possa causar má interpretação às palavras neles contidas.

P22. Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações?

R. Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.

P23. Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa

aos fiéis?

R. Sim. Os Concílios de Mogúncia,de Colônia e de Trento, como mais

adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as

explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos

mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.

P24. Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos

mistérios da Missa?

R. A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e

impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das

cerimônias da Santa Missa.

P25. Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o

Santo Sacrifício?

R. Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa,

publicadas através dos séculos.

P26. A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes?

R. Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes

mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos

muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada

da palavra santa para cuidar da sua defesa.

Catecismo da Santa Missa

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P27. Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da

Santa Missa?

R. Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações

da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o

significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.

P28. Que mais é necessário conhecer sobre as orações?

R. É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as

orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos

padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto tornase

necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de

tudo o que constitui a Missa.

P29. A que se propõe este Catecismo?

Este Catecismo se propõe a colocar em prática os mesmos objetivos da

Igreja, de alimentar os mesmos sentimentos que ela quer infundir nos

nossos corações para que possamos orar e oferecer com ela, e não

perder o fruto produzido pelo reto conhecimento das palavras repletas de

sentimento e de mistérios que ela nos coloca nos lábios.

4 - Regras para a celebração do Santo Sacrifício da Missa

P30. Por que é necessário conhecermos as ações e as cerimônias da

Missa?

R. Porque, por meio das ações e das cerimônias expressam-se mais

vivamente as idéias do que por palavras. Além disso, elas foram

estabelecidas pela Igreja para nos edificar, nos instruir e despertar nossa

atenção, bem como Deus lhes atribuiu graças particulares.

P31. Há exemplos bíblicos de atitudes que Deus atribuiu algum favor

especial?

R. Sim; por exemplo, a Escritura nos diz que Moisés rogou com as mãos

erguidas ao céu, e, nesta cerimônia, o Senhor estabeleceu a vitória dos

judeus. (Ex 17, 11)

P32. Em que se fundamentam as cerimônias da Missa?

R. As cerimônias da Missa se fundamentam ora na necessidade, ora na

comodidade ou em outros motivos simbólicos e místicos. Na pesquisa de

todas elas, precisamos recorrer a uma infinidade de escritos em que se

acham espalhados, procurando sempre suas origens.

P33. Poderia esclarecer com um exemplo?

R. Sim. Todos sabemos que lavamos com água as mãos e o corpo, por

asseio; mas, a água usada no batismo não é para lavar o corpo pois,

como diz S. Paulo: Non carnis depositio sordium (1 Ped 3, 21). A origem

da água no batismo é puramente simbólica, ou seja, emprega-se aquele

elemento tão próprio para lavar todas as coisas, para mostrar que, por

meio do seu contato com o corpo, Deus purifica a alma de todas as

manchas.

P34. Que é preciso fazer para se pesquisar devidamente a origem das

cerimônias?

R. É preciso investigar também os tempos e os lugares em que elas

passaram a ser usadas, verificar seus escritores contemporâneos e, nas

orações contidas nos livros eclesiásticos mais antigos, analisar os

Catecismo da Santa Missa

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objetivos da Igreja naquelas cerimônias, porque muitas vezes as próprias

orações revelam seu verdadeiro sentido.

P35. Que mais devemos levar em conta para conhecer os motivos da

Igreja no uso de determinadas ações que vemos na Santa Missa?

P. Além da pesquisa aludida anteriormente, devemos levar em conta o

discernimento e bom senso que a Igreja empregou para estabelecer as

razões das ações e das cerimônias da Missa.

P36. Como se classificam as razões em que a Igreja se baseou para

estabelecer as ações e cerimônias da Missa?

R. Podemos classificar em seis razões.

P37. Qual é a primeira razão? Exemplifique.

R. A primeira razão é de conveniência ou comodidade. Há costumes que

só podem ter como causa, estes fatores.

Exemplo: o motivo pelo qual se cobre o cálice depois da oblação é por

pura precaução, para que nele não caia nada; e se o Micrólogo, que

reconhece este motivo, acrescenta outros, é mais por sua conta que da

Igreja.

P38. Qual é a segunda? Exemplifique.

R. Há usos que se fundamentam em duas causas: comodidade e

simbolismo.

Exemplo: A primeira razão do uso do cíngulo sobre a alba é para impedir

que esta caia e se arraste pelo chão; e esta razão física não impede a

Igreja de determinar aos sacerdotes de cingirem-se como símbolo da

pureza, pois S. Pedro nos recomenda a nos cingirmos espiritualmente:

Succinti lumbos mentis vestrae (1 Pet 1, 13).

Outro exemplo: a fração da Hóstia se faz também, naturalmente, para

imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo que partiu o pão, e porque é preciso

distribuí-la; mas, algumas Igrejas deram a esta fração um sentido

espiritual, dividindo a Hóstia em três partes (Itália e França), em quatro

partes (Grécia), e em nove partes (rito moçárabe).

P39. Qual a terceira causa? Exemplifique.

R. Às vezes uma causa de necessidade física foi substituída por uma

razão mística.

Exemplo: o manípulo, inicialmente, era um paninho utilizado pelos que

trabalhavam na igreja para enxugar as mãos. Há seis ou sete séculos que

não se o utiliza mais para aquele fim original; no entanto, a Igreja

continua a usa-lo para lembrar seus ministros que devem trabalhar e

sofrer para merecer a devida recompensa (Ut recipiant mercedem laboris).

P40. Qual a quarta razão? Exemplifique.

R. Às vezes um uso estabelecido anteriormente por uma razão de

conveniência foi substituído por razão simbólica.

Exemplo: até o final do século IX, quando o diácono cantava o Evangelho,

voltava-se para o Norte, onde se encontravam os homens, porque

convinha anunciar-lhes a palavra santa preferivelmente às mulheres, que

se achavam no lado oposto. Porém, desde o final daquele século, em

algumas igrejas, o diácono voltava-se ao Norte, mesmo sem a presença

masculina, por uma razão puramente espiritual, que será exposta mais

adiante.

Catecismo da Santa Missa

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P41. Qual a quinta razão? Exemplifique.

R. As vezes uma razão baseada no asseio fez desaparecer um costume

introduzido anteriormente, como um símbolo de pureza interior.

Exemplo: Na Igreja grega o sacerdote lava as mãos no início da Missa,

enquanto que na Igreja latina ele as lava também antes da oblação.

"Este uso havia desaparecido, diz S. Cirilo de Jerusalém, não por

necessidade, pois os sacerdotes se lavam antes de entrar na Igreja, mas

para salientar a pureza interior que convém aos santos mistérios".

Posteriormente, segundo S. Amalrico e a Sexta Ordem Romana, o bispo e

o sacerdote lavavam as mãos entre a oferenda dos fiéis e a oblação do

altar pois poderiam conter vestígios de pão comum distribuído aos

leigos; e, como segundo esta ordem se incensavam as oblações,

estabeleceu-se em fim a ablução dos dedos, após esta operação para

maior asseio, sem abandonar, porém, a razão espiritual primitiva.

P42. Qual a sexta razão? Exemplifique.

R. Há usos que sempre tiveram razões simbólicas e místicas. Alguns

põem em dúvida que elas tenham sido assim desde o princípio; porém

será fácil nos persuadirmos disto, se considerarmos que os primeiros

cristãos tinham sempre por objetivo elevar suas almas e seu pensamento

aos céus, que neles tudo era simbólico, e que, como os sacramentos

foram instituídos sob símbolos, eles se acostumaram a espiritualizar

todas as coisas, como vemos nas epístolas de S. Paulo, nos escritos de

S. Bernardo, de S. Clemente, de Justino, de Tertuliano, de Orígines, etc.

Exemplo: S. Paulo dá razões místicas ao povo, quanto ao costume

seguido pelos homens nas igrejas, de rezar com a cabeça descoberta; o

mesmo acontece com as explicações dos santos padres sobre as razões

de S. Paulo.

Outro exemplo: Por razão simbólica, também, durante muitos séculos os

novos batizados se trajavam de branco, indicando a inocência. Assim

aconteceu com Constantino que cobriu seu leito e revestiu seu quarto de

branco depois de ter recebido o batismo.

Mais um exemplo: quando os primeiros cristãos se voltavam para o

Oriente para rezar, era porque viam o Oriente como a figura de Nosso

Senhor Jesus Cristo; e, quando rezavam em lugares elevados e bem

iluminados, era porque a luz exterior representava o Espírito Santo, como

nos diz Tertuliano (Lib. adv. Valent, c. 3).

Ainda: Todas as cerimônias que precedem ao batismo são outros tantos

atos simbólicos. S. Ambrósio, que as explica para os que se preparavam

para receber o sacramento, diz que se faz com que os catecúmenos se

voltem para o Ocidente, para indicar que renunciam as obras de Satanás

e as resistem de frente, e que, em seguida, voltam-se ao Oriente para

olhar a Jesus Cristo, a verdadeira luz.

P43. Qual a postura recomendada para a oração na Missa durante os

quatro primeiros séculos?

R. Recomendava-se a rezar em pé nos domingos e em todo o tempo

pascal, e Tertuliano diz que era uma espécie de falta rezar de joelhos e

jejuar em tais dias (Die dominico jejunium nefas ducimos vel de geniculis

adorare, Tertuliano, Lib. de Cor., c. 3).

Catecismo da Santa Missa

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P44. Houve alguma recomendação conciliar sobre tal postura?

R. Sim. Sobre tal postura o primeiro Concílio geral estabeleceu até uma lei

no cânon 25, e S. Jeronimo e Sto. Agostinho, apesar de ignorarem este

cânon, falavam do referido costume sempre com muita veneração. Para S.

Jeronimo, tratava-se de tradição com força de lei e Sto. Agostinho

somente colocava em dúvida, se ele era seguido em todo o orbe católico.

P45. Qual a origem desse costume segundo alguns doutores?

R. Sto. Hilário, S. Basílio, Sto. Ambrósio, e muitos outros doutores,

julgavam que o costume de rezar em pé nos domingos e no tempo pascal

provinha dos apóstolos; porém os cânones e os Concílios, e todas as

obras antigas que encontramos sobre isso, apresentam razões místicas.

P46. Que razão mais adequada podemos encontrar naquele costume?

R. Segundo S. Jeronimo, os fiéis assim procediam para honrar a

ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo pois, eretos, demostravam a

esperança que tinham de participar da sua ressurreição e ascensão (Nec

curvamur, sed cum Domino coelorum alta sustullimur, S. Jeronimo, Prol.

In Ep. Ad Ephes.).

P47. Por que devemos penetrar nas razões e origens misteriosas dos

costumes que envolvem as cerimônias da Missa?

R. Porque afastarmo-nos de tais razões e origens seria um afastamento

do espírito e dos objetivos da Igreja, que claramente pede aos seus filhos

que se apliquem a penetrar nos mistérios que envolvem as cerimônias.

P48. Há algum exemplo concreto desse desejo da Igreja?

R. Sim, como prova a oração que se lê nos antigos sacramentais, repetida

todos os anos na cerimônia da benção das palmas: "Fazei, Senhor, que

os corações piedosos dos vossos fiéis compreendam com fruto o que

significa misteriosamente esta cerimônia".

5 - Objetivos e Esquema deste Catecismo

P49. Quais são os objetivos deste Catecismo?

R. O objetivo deste Catecismo é de formar um conjunto de ensinamentos

que conserve o texto da liturgia, que explique suas cerimônias e que

auxilie os fiéis a saborear por si próprios o sentido da oração pública, a

amar sua majestosa sensibilidade, e fazer brotar dela todos os princípios

e sentimentos que ela encerra.

P50. Qual é o esquema geral deste Catecismo para atingir seus objetivos?

R. Para melhor conseguir seus objetivos, este Catecismo seguirá um

plano geral dividido em duas partes, como segue:

A - Primeira Parte: Instruções Preliminares sobre o Santo Sacrifício da

Missa e as Preparações Prescritas para oferecê-lo.

B - Segunda Parte: Explicação das Orações e Cerimônias da Santa Missa.

P51. Em linhas gerais, de que trata a Primeira Parte deste Catecismo?

R. A Primeira Parte é constituída de onze Capítulos, apresentando:

A sublimidade e a excelência do sacrifício da nova lei e suas relações

com todo o culto público;

A necessidade, o valor e os frutos da Santa Missa;

A celebração da santa liturgia através dos séculos, desde Jesus Cristo

até a o Novo Ordo Missalis Romani* (imposto por Paulo VI em 1970),

Catecismo da Santa Missa

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verificando tanto a tradição como os documentos oficiais promulgados

pela Igreja;

O material utilizado no serviço divino;

A imensa preparação que o precede;

Os sentimentos que a Igreja exige do sacerdote que o celebra e dos

fiéis que o acompanham.

O caráter histórico da obra em que se baseia este Catecismo exime

qualquer adaptação ao Novo Ordo de 1970.

P52. De que trata a Segunda Parte?

R. A Segunda Parte deste Catecismo, constituída de seis Capítulos,

expõe:

Palavra por palavra e rito por rito de todo o conteúdo do Ordinário da

Missa;

Explicação própria para instruir os fiéis bem como para nutrir sua

piedade;

A relação palpável entre as orações e as cerimônias do altar com o que

aconteceu no Cenáculo e no Calvário, e o que se verifica no sublime altar

do Céu.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa/e as

preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO I

Da excelência do Sacrifício da Missa, e suas relações com toda a religião

e com o culto

P53. Qual é o maior e o mais central culto da Igreja católica?

R. O maior e o mais central culto da Igreja católica é a oblação do corpo e

do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob as espécies do pão e do

vinho, que constituem o sacrifício da Missa.

P54. Por que a Missa é o maior e o mais central culto da Igreja católica?

R. Porque na Missa, não só imolamos a Deus eterno, vivo e verdadeiro,

que a revelação nos fez conhecer e adorar perfeitamente, mas também

porque neste sacrifício temos o próprio Deus por sacerdote e por vítima.

P55. Que mais encontramos reunidas no santo sacrifício da Missa?

R. Encontramos reunidas todas as grandezas da pessoa de Jesus Cristo:

seu poder como Deus;

seu estado de imolação como homem;

vivo, para interceder por nós;

sob os símbolos da morte para nos aplicar o preço dos seus

padecimentos;

pontífice santo e sem mancha, mais elevado que os céus;

cordeiro imolado, cujo sangue correrá até a consumação dos séculos,

para lavar todos os pecados;

sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque com um sacerdócio

eterno;

oblação pura oferecida desde o ocaso até a aurora;

Catecismo da Santa Missa

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pontífice e vítima convenientes à santidade de Deus.

P56. Além das grandezas da pessoa de Cristo, que outros benefícios

relativos a Nosso Senhor a Missa nos propicia?

R. A Missa, já tão excelsa por quem a oferece e a quem é oferecida,

renova todos os prodígios da vida do Salvador e revive a história solene

dos seus mistérios e da sua doutrina, todos os dias.

P57. Como a Missa nos apresenta o mistério da encarnação do Verbo?

R. Através da Fé contemplamos o Filho de Deus no altar, concebido no

segredo do santuário pela mesma potestade, como nos esplendores da

eternidade, encarnado pela sua fecunda palavra nas mãos do sacerdote,

como no seio de Maria.

P58. Que virtudes de Nosso Senhor a Missa nos lembra, seguindo sua

vida?

R. A Missa nos renova as seguintes virtudes que acompanharam a vida de

Nosso Senhor:

1 - a obediência e as virtudes de sua vida oculta;

2 - a misericórdia e toda a bondade do seu ministério público;

P59. Que méritos a Missa aplica aos fiéis dos últimos acontecimentos da

vida de Cristo?

R. A Missa aplica aos fiéis:

1 - o preço do seu sangue derramado na sua paixão e morte;

2 - a glória e a vida nova da sua ressurreição, por meio da oferenda do

seu corpo imortal e a benção da sua ascensão.

P60. Que relação há entre a Missa e a ascensão de Nosso Senhor?

R. Assim como Nosso Senhor subiu da Terra aos céus, assim também do

altar sublime da Igreja sobe ao altar sublime do céu a oferenda santa, que

é o próprio corpo e sangue de Cristo. Do alto dos céus, e na Missa, Nosso

Salvador difunde graças, luz (entendimento da verdade) força e santidade

em nossas almas.

P61. A Missa nos lembra também o juízo final?

R. Sim, trazendo-nos as primeiras palavras da sentença do último dia pela

separação antecipada do fiel e do infiel, apresentando um pão que dá a

vida eterna ao justo, e o juízo e condenação ao pecador.

P62. Em resumo, o que nos deixou Cristo na Missa?

R. Aos que o temem, Cristo deixou uma lembrança das suas maravilhas

cheia de misericórdia e bondade (Sl 110)

P63. Que contemplamos no santo sacrifício da Missa?

R. Neste santo sacrifício contemplamos, com o sacerdote mais santo e a

vítima mais digna, com a renovação de todos os mistérios e a contínua

pregação da doutrina de Cristo, o livro mais perfeito da moral evangélica,

e a lição mais sublime da santidade necessária a um cristão.

P64. Que vemos na Missa?

R. Na Missa vemos um Deus infinitamente adorável a quem devemos o

sacrifício, e formamos do Senhor a idéia mais justa que se possa

conceber, pela excelência do dom que a Ele se apresenta.

P65. Há na Missa referências ao Antigo Testamento?

R. Sim. O segredo de quatro mil anos de promessas e de profecias se

revela aos nossos olhos; a verdade sucede à sombra, a plenitude dos

tempos se desenvolve com a abundância da graça, um manancial puro

Catecismo da Santa Missa

11

que, reluzindo da cruz, atinge a vida eterna, dando nascimento e

ressurreição, força e alento, saúde e santidade aos cristãos de todas as

idades.

P66. Esta fonte de graças vindas da cruz só se aplica ao Novo

Testamento?

R. Não. Esta fonte de graças surgida da cruz, como um sol, alcança os

primeiros dias do mundo para santificar todos os eleitos, e da cruz ainda

estende sua luz e calor até a consumação dos séculos, para salvar todos

os filhos de Deus.

P67. Que afirmou Tertuliano sobre a Missa?

R. Tertuliano, um dos padres da Igreja, disse que a Missa, mais que um

banquete de religião, é uma escola de todas as virtudes, apresentando

aos fiéis o grande exemplo de imolação contínua de um Deus, para

incentivá-los em todos os deveres e ampará-los em todos os sacrifícios,

ainda com a participação da vítima que neles se incorpora pela

comunhão.

P68. Em que culto da Igreja encontramos a união mais íntima com Deus?

R. Na celebração do santo sacrifício da Missa, porque nela encontramos a

mesa onde todos podemos comer ( Heb 13) o alimento que é o próprio

Deus, e nela há, ainda, a união mais desejada pelos homens entre si, pois

todos, sem distinção, podem sentar-se à mesma mesa, como filhos de um

mesmo pai.

P69. Haveria algum outro sacrifício equivalente?

R. Não, porque não há outro sacrifício tão sublime como a Missa em que,

com Deus, se oferece a um Deus por um sacerdote Deus; em que cada

ato da oblação recorda a doutrina de um Deus e a santidade que ela

exige, bem como a religião deste Deus em toda a sua extensão com todos

os meios de santificação.

P70. Que visão do Antigo Testamento é figura da Missa?

R. A Missa é, na realidade, aquela escada misteriosa que Jacó viu em

sonhos (Gen 28, 12), em que uma extremidade tocava a terra e a outra

atingia o céu, na qual subiam e desciam os anjos e, principalmente, o

Santo de Deus, o Anjo de Deus por excelência, o Mediador Supremo, para

levar ao Senhor nossos votos e sacrifícios, e para nos trazer sua graça e

sua benção.

P71. Que representa ainda a Missa?

R. A Missa é uma imagem antecipada do céu; nela se adora o mesmo

Deus; em seu santuário se reúnem seus filhos: nela vemos o mesmo que

é visto no céu, as orações, os cânticos, os perfumes; anjos circundando o

altar, santos que o sustentam, toda a Igreja, toda a cidade de Deus

oferecida por Jesus Cristo e unindo-se a Deus. Numa palavra, Deus

presente ainda que coberto por véus, o mesmo Deus que veremos face a

face, Deus convertido em manjar sob a aparência de um pão que já não

mais existe, o mesmo que nos confortará eternamente com sua glória

pela verdade e felicidade.

P72. Podemos, então, dizer que o santo sacrifício da Missa transforma

nossas igrejas em céu?

R. Sim, porque nele o divino cordeiro é imolado e adorado no templo

como no-lo apresenta S. João no meio do santuário celestial.

Catecismo da Santa Missa

12

P73. Os anjos também participam da adoração do cordeiro imolado na

Missa, como eles o adoram no céu?

R. Sim; os espíritos bem aventurados, sabedores do que se opera em

nossos altares, deles se aproximam para assisti-los com o temor

inspirado pelo mais profundo respeito.

P74. A Igreja admite a presença dos anjos na Missa?

R. Sim, a Igreja admitiu sempre e tanto esta verdade que S. Crisóstomo

não duvidava em dizer: "Que fiel poderá duvidar que, à voz do sacerdote

no momento da consagração, o céu se abre e os coros dos anjos descem

para assistir ao mistério de Jesus Cristo, e as criaturas celestes e

terrestres, visíveis e invisíveis, se reúnem em tão solene instante?".

P75. Então, fazemos nas igrejas, o mesmo que os santos fazem

continuamente no céu?

R. Sim, nós adoramos a vítima santa e imolada nas mãos do sacerdote, e

todos os santos adoram no céu esta mesma vítima, o Cordeiro sem

mancha representado em pé, porém como sacrificado*, em sinal da sua

imolação e da sua vida gloriosa.

* Agnum stantem quasi occisum (Apoc. 5, 6).

P76. Rezamos na Missa como os santos rezam nos céus?

R. Sim. Todas as orações e todos os méritos dos santos se elevam dos

altares das igrejas ao trono de Deus, como um suave e agradável

perfume; assim expressou-se S. João no Apocalípse (8, 3-4) ao descrever

um anjo, com um turíbulo de ouro na mão e junto ao altar, de onde se

elevavam a Deus as orações dos santos.

P77. Por que incensa-se o altar?

R. Incensa-se o altar como um sinal visível das adorações e súplicas a

Deus, feitas por todos os santos que estão na terra ou na glória eterna.

P78. Que conclusões deduzimos destas verdades da Missa?

R. Entendendo estas verdades da Missa, podemos concluir que a Missa é:

a - o centro do culto religioso da Igreja, pois reúne tudo o que se

relaciona com a religião;

b - o ponto de apoio em que se unena cruz o homem com seus destinos

gloriosos;

c - o ponto de partida de onde nos vêm, como da cruz, a graça com todos

os meios de salvação.

P79. Que considerações piedosas nos vêm à alma ao passarmos diante

de inúmeras igrejas?

R. Ao passarmos diante de majestosas catedrais ou basílicas, ou mesmo

diante de simples igrejas e capelas, lembramos que todas elas foram

erguidas pela fé católica através dos séculos, para nelas se oferecer o

santo sacrifício da Missa. A cruz que as encima é o sinal da imolação que

nelas se perpetua, e os altares nelas erigidos são para depositar a vítima

sagrada.

P80. Tudo o que vemos nas igrejas se relaciona ao santo sacrifício do

altar?

R. Sim, tudo que há nas igrejas se relaciona à Missa. Assim, por exemplo:

Catecismo da Santa Missa

13

1 - a pia batismal e de água benta e os confessionários nos lembram que

devemos lavar nossas mãos com os justos ( Sl 20, ...) para entrar no

santuário;

2 - a cátedra e o púlpito nos instruem e exortam ao sacrifício;

3 - a mesa da comunhão, que separa o presbitério da nave, onde

recebemos a Hóstia Santa;

4 - os tecidos que revestem o altar, os paramentos dos sacerdotes, a luz

das velas, o incenso que se eleva, a disposição dos bancos e

genuflexórios, tudo fala do sacrifício, tudo é para o sacrifício.

P81. Os Sacramentos também se relacionam com a Missa?

R. Sim e do seguinte modo:

1 - o Batismo: dá o direito de assistir a Missa e de receber a sagrada

Hóstia;

2 - a Penitência ou Confissão: repara aquele direito perdido ou debilitado;

3 - a Eucaristia: se realiza e é distribuída na Missa;

4 - o Crisma ou Confirmação: fortifica o fiel para a união misteriosa da

comunhão e o fortalece para sua imolação moral e contínua;

5 - a Extrema Unção: durante a celebração da Missa o sacerdote benze o

Óleo Santo para os enfermos e para outras unções;

6 - a Ordem: perpetua o sacerdócio;

7 - o Matrimônio: recebe na Missa sua ratificação e benção particular.

P82. Há relação entre os Ofícios Litúrgicos e a Missa?

R. Sim, os três Ofícios se relacionam à Missa. Assim :

1 - o Ofício da Noite: serve de preparação remota para o sacrifício;

2 - o Ofício da Manhã: serve de preparação imediata;

3 - o Ofício da Tarde: serve de conclusão e de ação de graças.

P83. Como podemos resumir a relação entre a Santa Missa e a igreja,

local da sua celebração?

R. Assim como na Missa se reúnem as maravilhas e as graças de Deus,

assim a igreja reúne na Missa todo o objeto e fruto da sua celebração.

P84. Que prescrição impôs o Concílio de Trento aos sacerdotes quanto ao

ensinamento da Missa aos fiéis?

R. O Concílio de Trento, com alta sabedoria, ordenou aos sacerdotes a

explicar com freqüência os mistérios da Missa e o que nela se lê, para que

os fiéis sejam instruídos na verdade dos seus mistérios e no sentido das

suas orações e cerimônias, objetivo deste Catecismo.

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO II

Do sacrifício da Missa em geral e da sua necessidade

P85. Que laços unem os homens a Deus?

R. Dois laços nos unem a Deus:

1 - o ser criatura de Deus;

2 - a religião.

Catecismo da Santa Missa

14

P86. Explique o primeiro laço que nos liga a Deus.

R. O primeiro fator que nos liga a Deus é o de sermos criatura ¾ e isto é

um fator necessário e sem nosso mérito: trata-se da relação de causa e

efeito, ou seja do Criador e de sua criatura. Neste sentido, todo o universo

está incluído e tudo canta a glória do Criador, tudo proclama sua

sabedoria, seu poder e sua bondade.

P87. Explique o segundo laço que nos liga a Deus.

R. O segundo fator que nos liga a Deus é a religião. Dentre todas as

criaturas, o homem é a única dotada de corpo com alma imortal, com

inteligência e livre arbítrio, que pode se oferecer a Deus por meio da

oblação voluntária de seus pensamentos e da sua vontade.

P88. Que é religião?

Denominamos religião a determinação da vontade livre do homem,

iluminada pela sua inteligência, do reconhecimento dos seus deveres de

criatura para com seu Criador, de fé e de obediência às suas leis, de

adoração e amor a Ele devidos, do agradecimento a todos os benefícios

recebidos e do arrependimento pelos pecados cometidos. O homem

manifesta toda esta disposição de união com Deus através de atos

íntimos ou públicos, denominados cultos religiosos.

P89. Que é culto religioso?

R. É a expressão pública da religião através de cerimônias instituídas e

celebradas pela Igreja, instituição fundada pelo próprio Cristo Nosso

Senhor.

P90. Como o homem manifesta sua determinação religiosa?

R. O homem manifesta sua determinação religiosa principalmente através

do sacrifício. Como o homem é composto de corpo e alma, o sacrifício

individual pode ser pode ser interior ou exterior, e manifestado

publicamente através de ação pública.

P91. Em que consiste o sacrifício espiritual ou interior?

R. O sacrifício espiritual, ou interior, consiste no oferecimento e imolação

da própria alma a Deus, pois Deus é puro espírito e quer ser adorado em

espírito.

P92. Em que consiste o sacrifício material ou exterior?

R. O sacrifício material, ou exterior, consiste no oferecimento e imolação

do próprio corpo a Deus, como reconhecimento e homenagem da criatura

ao Criador, demonstrando, assim, as disposições interiores de gratidão e

dependência para com a Divina Majestade.

P93. Por que é necessária a oblação, ou oferenda, material ou externa?

R. Porque o sacrifício exterior do corpo ou dos bens que a providência

nos colocou à nossa disposição é um sinal sensível da oblação íntima de

nós mesmos. Sem esta imolação íntima ele seria um sacrifício vazio e

inútil. Assim, através do sacrifício exterior, manifestamos a íntima união

do corpo e da alma, penetrados do espírito de adoração devido ao nosso

Criador.

P94. Em que consiste a ação pública do sacrifício?

R. É a demonstração pública dos sacrifícios internos e externos que a

sociedade presta a Deus. Como o homem vive em sociedade é natural

que esta também manifeste este sacrifício interior e exterior dos seus

membros, unidos na mesma ação pública.

Catecismo da Santa Missa

15

P95. Qual é a finalidade desta ação pública?

R. A finalidade da ação pública,como manifestação de sacrifício ao

Criador, é de reunir os homens nos testemunhos que prestam a Deus, da

sua servidão e do seu amor, em nome da sociedade.

P96. O que é sacrifício?

R. Sacrifício é a oblação exterior de uma coisa sensível, feita somente a

Deus por um ministro legítimo ( sacerdote), com destruição, consumação

ou mudança da mesma, como reconhecimento do soberano domínio de

Deus, e para as demais finalidades ao que o mesmo sacrifício é oferecido.

P97. Explique esta definição.

R. Para haver sacrifício é necessário:

1 - sacerdote: celebrante legítimo, consagrado a Deus, como

intermediário entre Deus e os homens;

2 - feito a Deus : a quem se deve adoração e toda a dependência;

3 - a oblação: ato de renúncia ao domínio de um determinado bem

relativo, que podemos normalmente usufruir;

4 - destruição, consumação, ou mudança da matéria oferecida: como a

imolação de um animal, a efusão de um licor, a evaporação de um

perfume, para:

5 - reconhecer, atestar e publicar por meio desta renúncia exterior do

domínio do uso, o domínio soberano de Deus, a quem pertence a

propriedade real.

P98. O que significa destruição ou mudança da vítima?

R. Por destruição ou mudança da vítima reconhecemos o direito de vida

ou morte que Deus tem sobre nós, ou seja, a morte que merecemos pelo

pecado, e a obrigação de nos imolarmos e de nos dedicarmos totalmente

ao seu amor e ao seu serviço.

P99. Qual é a finalidade primordial da oblação?

R. A finalidade primordial da oblação é o reconhecimento da absoluta

dependência da criatura ao Criador, denominada sacrifício de adoração

ou de latria.

P100. Quais as finalidades secundárias da oblação?

R. As finalidades secundárias, embora de grande utilidade e importância,

da oblação são:

1 - agradecer a Deus pelos benefícios dele recebidos;

2 - pedir perdão pelas nossas culpas;

3 - implorar as graças de que necessitamos.

Sob estes diversos aspectos, há o sacrifício eucarístico, ou de ação de

graças, propiciatório (aplacar a justiça divina) e impetratório (súplica a

Deus).

P101. Há outras formas de sacrifício?

R. Sim; por extensão, chamamos também de sacrifício, as orações, as

esmolas, a obediência, as boas obras, a dor pelos pecados cometidos

porque, de certa forma através delas, fazemos uma oblação a Deus por

todos estes atos de religião.

P102. Há nas Sagradas Escrituras alguma referência a estas formas de

sacrifício?

R. Sim, nas Sagradas Escrituras encontramos inúmeras referências a

estas formas de sacrifício, tais como:

Catecismo da Santa Missa

16

1 - "Oferece ao Senhor sacrifícios de justiça" (Sl 4, 6);

2 - "Oferece a Deus um sacrifício de louvor e paga ao Altíssimo os teus

votos" (Sl, 49, 14);

3 - "Um coração despedaçado pelo arrependimento é o sacrifício que

agrada a Deus e que Ele jamais desprezará" (Sl, 50, 19 );

4 - "É um sacrifício saudável observar os mandamentos" (Eccl. 35, 2);

5 - "A obediência é melhor que as vítimas dos insensatos" (Eccl. 4, 17 );

6 - "Não esqueceis a esmola e a beneficência porque Deus se aplaca com

estas hóstias" (Heb. 13, 16)

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO III

Os sacrifícios antigos no tempo dos Patriarcas, na Lei Mosaica e os

sacrifícios dos pagãos

P103. Quais seriam os deveres religiosos do homem no estado de

inocência, antes do pecado de Adão?

R. Os deveres religiosos do homem naquele estado seriam:

1 - Adorar a Deus como seu Senhor, soberano e absoluto;

2 - Manifestar seu reconhecimento a Deus como seu Criador e autor

absoluto de todos os seus bens, e manter sua vida numa perpétua ação

de graças, para que Ele conserve e aumente seus benefícios, a cada dia;

3 - Implorar a Deus graças e auxílio com oração humilde, fervorosa e

perseverante.

P104. Que afirmou Sto. Agostinho sobre os deveres religiosos dos

homens se tivessem perseverado naquele estado de inocência?

R. Nesta hipótese, sem mancha de pecado, Sto. Agostinho afirmou que os

homens deveriam se oferecer a Deus, como vítimas puras (Cidade de

Deus, 1. I, c. 26).

P105. Que conseqüências derivaram do pecado original sobre aqueles

deveres religiosos dos homens para Deus?

R. Desde que o pecado nos despojou dos nossos privilégios originais,

tornou-se necessário acrescentar, àquelas grandes obrigações religiosas,

a obrigação de apaziguar a justiça divina, ultrajada por nosso orgulho e

nossa ingratidão, bem como de conhecer mais profundamente nossa

miséria e nossa contínua dependência dos socorros celestes, em todas

as nossas necessidades espirituais e materiais.

P106. Quais são, portanto, as finalidades do sacrifício após a queda do

homem?

R. Após o pecado original, as finalidades do sacrifício a Deus são:

1 - adorá-lo;

2 - agradecer as graças recebidas;

3 - implorar a remissão dos pecados;

4 - implorar sua benção.

Catecismo da Santa Missa

17

P107. Por que o homem, após a queda, edificou templos para imolar as

vítimas do sacrifício?

R. Porque, no estado de degradação e de miséria em que se encontrou

devido ao pecado original, o coração do homem não podia mais servir de

altar e vítima. Assim, incapaz de reparar o pecado, apesar da penitência

feita, foi preciso pedir à natureza um templo, ou edificá-lo mediante ordem

expressa, para sacrificar suas vítimas.

P108. Por que a vítima era imolada sobre uma pedra?

R. Porque uma pedra fria, e sem adornos, era menos indigna que o

coração do homem, para sustentar a hóstia de propiciação.

P109. Por que se utilizavam outros elementos materiais nos sacrifícios?

R. Simples elementos da natureza, como o sangue de animais, deviam

substituir, exteriormente no holocausto, os pensamentos e os afetos do

homem culpável, e extrair o mérito da grande vítima do mundo que

representavam, bem como a fé dos sacrificadores, elevada à esperança

do cordeiro de Deus.

P110. Que nos diz S. Paulo sobre o holocausto destas hóstias ineficazes

pela sua própria natureza?

R. S. Paulo nos diz que tais hóstias eram utilizadas como perpétua

lembrança da impotência e da nulidade dos homens, imposta até o tempo

fixado para o grande restabelecimento, e abolido na plenitude dos

tempos, quando apareceu Jesus Cristo oferecendo-se, a si mesmo, em

sacrifício, dando ao homem o direito de unir-se a Deus, não somente com

um coração puro, como no dia da inocência, como também com um

coração redimido, que apresenta um Deus como vítima de adoração, de

expiação e de ação de graças.

P111. Antes da vinda de Cristo, que era oferecido a Deus como vítima do

sacrifício a Ele devido?

R. Como conseqüência da degradação do homem, que não podia oferecer

seu coração no altar, a não ser unindo-o a rudes e impotentes símbolos

da natureza, até que viesse o cordeiro de Deus, imolado em promessa e

em figura (Apoc. 13), desde a origem do mundo, houve as seguintes

ofertas:

1 - Abel oferece o melhor cordeiro do seu rebanho e, Caim, os frutos da

terra que cultiva;

2 - Noé, ao sair da arca, oferece pássaros e animais;

3 - Melquisedeque, sacerdote e rei de justiça e de paz, oferece ao Senhor

pão e vinho no altar de Deus dos exércitos, para distribuí-lo aos soldados

vitoriosos;

4 - Abraão e os patriarcas imolam hóstias solenes, conforme o número de

famílias e das tribos.

P112. Por que Deus mandou que Abraão sacrificasse seu próprio filho?

R. Para mostrar, de uma vez por todas, até onde vai o Seu direito nos

sacrifícios que Ele exige das suas criaturas, e até onde chegará um dia a

misericórdia divina, o Senhor manda Abraão imolar Isaac, seu único filho,

se bem que se contente com a obediência do santo patriarca, e aceita a

imolação de um cordeiro em seu lugar.

Catecismo da Santa Missa

18

P113. A noção da necessidade de sacrifício a Deus era prerrogativa só

dos judeus?

R. Não; mesmo os povos que se esqueceram de Deus, da sua fé e do seu

culto, para prostituir seus corações na idolatria, conservaram sempre, e

por toda parte, a oblação dos sacrifícios, como um dogma primitivo.

P114. Que diz Sto. Agostinho sobre o sacrifício dos pagãos?

R. Sto. Agostinho diz que, se os homens puderam se enganar sobre a

unidade e natureza de Deus, não se enganaram neste ponto da religião;

se suas falsas divindades exigiam, com orgulho, uma profusão de

vítimas, era porque o demônio sabia que se devia oferecê-las ao

verdadeiro Deus; e se as imolações dos gentios foram ridículas e

bárbaras, como os sacrifícios humanos, foi porque era necessário

acomodá-las às extravagâncias e às desordens da teogonia pagã.

P115. O sacrifício físico da vida do homem poderia aplacar a justiça

divina?

R. Não, porque, como a ofensa é proporcional ao ofendido, o homem

sendo criatura, portanto contingente, jamais poderia aplacar a ofensa

feita ao seu Criador, eterno e infinito.

P116. Então, só Deus poderia aplacar sua justiça devida ao pecado do

homem?

R. Sim; através da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem Deus,

Cordeiro de Deus, como canta a Igreja, contenta-se Deus com a imolação

moral do homem, e das suas paixões, aceitando-a com misericórdia

quando unida ao sacrifício do seu Deus.

P117. Deus exigiu explicitamente sacrifícios do povo eleito?

R. Sim, quando o Senhor, elegendo para seu povo os filhos de Israel, os

separou das nações idólatras, para conservar sua aliança e suas

promessas, estabeleceu, nos mandamentos ditados a Moisés, a sucessão

e a perpetuidade do sacerdócio de Aarão, a forma do seu tabernáculo, o

lugar do seu templo, o número de vítimas e os ritos de cada oblação.

P118. Que ordenou Deus ao seu povo, durante a caminhada no deserto

em direção à terra prometida, após o jugo egípcio?

R. Deus ordenou que cada família imolasse e comesse um cordeiro,

observando várias cerimônias simbólicas, e que assinalassem suas

moradas com o sangue do cordeiro pascal, e renovassem esta imolação

solene de ano em ano.

P119. Até quando durou este rito?

R. Este rito vingou até a última páscoa, quando Jesus ceou com seus

discípulos, e em que instituiu o verdadeiro Cordeiro Pascal, ou seja, seu

sangue e seu corpo, cuja aplicação por nossas almas, nos livra da

escravidão do pecado, e nos faz obter o céu, verdadeira terra prometida

aos filhos de Deus.

P120. Quando começou o sacerdócio da tribo de Levi, escolhida por

Deus, para oferecer os sacrifícios?

R. Desde o sacrifício geral da nação ordenado por Deus, em que Ele

estabeleceu que se multiplicasse o número de vítimas, devido à própria

imperfeição das oblações, para atender, quanto possível, os fins do

sacrifício, e para representar os méritos super abundantes da hóstia

única que deveria, posteriormente, substituí-las.

Catecismo da Santa Missa

19

P121. Quais eram os sacrifícios sangrentos da lei mosaica?

R. Na lei mosaica havia os seguintes sacrifícios sangrentos:

1 - O sacrifício de latria, ou holocausto: nesta imolação a vítima era

totalmente consumida no fogo, como reconhecimento do absoluto

domínio de Deus, prestando-lhe, assim, o culto de latria ou de adoração e

dependência;

2 - O sacrifício de impetração ou hóstias pacíficas: esta hóstia eucarística,

ou impetratória, era oferecida para agradecer a Deus por todos os bens

recebidos ou pedir-lhe graças, para a vida, a saúde, a paz, etc.

3 - O sacrifício de propiciação pelo pecado: instituído para expiar as faltas

cometidas e obter o correspondente perdão. Era oferecido por

particulares, pelos sacerdotes, ou por todo o povo; e, quando oferecido

por toda a nação, como sacrifício único, além de se retirar o sangue das

vítimas no Santo, sobre o altar dos perfumes e dos holocaustos, faziamno

no Santo dos Santos, como figura que o sangue de Cristo se

apresentaria ao céu, abrindo-nos, assim, suas portas.

Cada uma destas oblações eram cheias de símbolos e de esperanças.

P122. Que era o Santo dos Santos?

R. Assim era denominado o local do Templo dos judeus, onde se

encontravam o altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança, toda

recoberta de ouro, na qual havia uma urna de ouro que continha o maná,

o bastão de Aarão, que tinha brotado, e as tábuas da aliança. Nesse local

entrava somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, levando o sangue

que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo cometera por

ignorância (Heb 9, 3-7).

P123. Havia sacrifícios incruentos na Antiga Lei?

R. Sim, havia, também, os seguintes sacrifícios incruentos na Antiga Lei:

1 - A oferenda da flor de farinha, misturada ao azeite e incenso, queimada

no altar dos holocaustos;

2 - O sacrifício do bode expiatório: na festa da expiação solene o povo

apresentava dois bodes, embora um fosse degolado, o outro era

oferecido vivo. O sacerdote impunha suas mãos na cabeça da vítima,

confessava os pecados da nação, carregava-os no animal imundo e

lançava-o no deserto.

3 - O sacrifício do pássaro posto em liberdade: para purificar uma casa

infestada pela lepra, tomavam-se dois pássaros puros; imolava-se um

num vaso cheio de água, no qual se vertia seu sangue, e, o outro, era

imerso até a cabeça na água misturada com sangue, com um madeiro de

cedro, hissopo e púrpura; após espargir a água, soltava-se o pássaro

puro, livremente.

P124. Que significavam estes sacrifícios da lei mosaica?

R. Facilmente se compreenderá que todas estes sacrifícios e cerimônias

da lei mosaica eram figuras vivas do sacrifício de Jesus Cristo e dos

frutos que deles resultariam aos homens para sua salvação.

P125. Que méritos havia naquelas oferendas imperfeitas?

R. Embora imperfeitas, todo o mérito daquelas oferendas se baseava na

obediência à ordem divina que as havia prescrito, e na fé e nas

disposições interiores dos que as ofereciam, principalmente na

esperança de hóstia perfeita, que tira os pecados do mundo (Jo 1, 29).

Catecismo da Santa Missa

20

P126. Como Deus sustentava a fé e a esperança do sacrifício futuro do

Seu Filho em tais oblações?

R. Por meio de fortes e expressivas figuras como a do sacrifício de Isaac,

de Melquisedeque, do cordeiro pascal, do bode expiatório sobre o qual se

descarregavam os pecados de todos, e da ave pura, cujo sangue libertava

a outra.

P127. Que papel tiveram os profetas na expectativa da futura oblação?

R. Todos os profetas solenemente anunciavam, de século em século, a

grande vítima que deveria chegar, e clamavam, sem cessar, contra a

impotência das hóstias representativas.

P128. Que dizia o profeta Davi sobre os sacerdotes do Antigo

Testamento?

R. Nossos sacerdotes, dizia Davi, são conforme a ordem de Aarão;

sucedem-se e substituem-se quando a morte os arrebata; porém virá

outro pontífice que é o meu Senhor, a quem disse Deus: "Tu és sacerdote

eterno, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 109, 4).

P129. Que disse Davi sobre os holocaustos?

R. "Escuta Israel e entende o que diz este celeste pontífice pela boca de

um dos seus enviados: os holocaustos, ainda que ordenados por Vós,

Senhor, não lhes são agradáveis, mas Vós me destes um corpo para Vos

oferecer e eu disse: "eis que eu venho" (Sl, 39, 8).

P130. Que disse o profeta Malaquias sobre o sacrifício prometido?

R. Disse Malaquias:

1 - "A glória do segundo templo apagará o esplendor do templo erigido

por Salomão" porque eu nele aparecerei para começar meu sacrifício.

2 - Finalmente, eu "não receberei mais vítimas de vossas mãos; meu

nome não só será conhecido na Judéia, mas será grande entre todos os

povos da terra, porque desde o "ocaso até a aurora, e em todo lugar se

sacrifica e se oferece uma oblação pura em meu nome. Parece que já vejo

esta oblação, e os tempos em que ela será oferecida não estão distantes

(Mal 1, 10 -11).

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO IV

Do sacrifício da Nova Lei, instituído e oferecido por Nosso Senhor Jesus

Cristo

P131. Que significa a expressão "plenitude dos tempos" encontrada nas

Sagradas Escrituras?

R. "Plenitude dos tempos" significa a época em que a espera e a

preparação da salvação dos homens fixada por Deus, está totalmente

cumprida. Assim, depois de 4.000 anos de promessas, de figuras e de

profecias, a terra ouviu este feliz anuncio de S. João Batista: "Eis o

cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo" (Jo 1, 29).

Catecismo da Santa Missa

21

P132. Quando se iniciou o sacrifício da nova lei?

R. Podemos dizer que o sacrifício da nova lei começou no mesmo

instante da Encarnação do Verbo em Maria, ou seja, na Anunciação feita

pelo anjo Gabriel, quando ela lhe respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor.

Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Luc. 1, 38).

P133. Que nos ensina S. Paulo sobre inicio do sacrifício de Cristo?

R. Segundo S. Paulo (Heb 10, 5 - 6) Jesus Cristo ao vir ao mundo aplicou

a si as palavras do Salmo 39 e disse a Deus seu Pai: "Não quisestes

hóstias nem oblações. Em vez disso, me destes um corpo. Os

holocaustos não vos agradam, mas unistes à minha natureza divina um

corpo no qual posso padecer e imolar-me à vossa santa vontade, que

pede semelhante vítima; e eu disse: Eis que venho cumprir esta grande

vontade, que não só esta escrita no livro da vossa aliança, com também

desde este momento está gravado no meio do meu coração".

P134. O nascimento de Cristo foi um prelúdio do seu grande sacrifício?

R. Sim. No nascimento do Homem Deus, hóstia já oferecida para a nossa

salvação, ao nada a que se reduz, a privação por que passa, as lágrimas

que derrama, são prelúdios do seu sacrifício final.

P135. Que figuram o estábulo de Belém e o presépio?

R. O estábulo de Belém figura um templo, e o presépio, um altar; e as

lágrimas deste Deus Menino já teriam sido oblação suficiente para salvar

o universo, se o que bastava para o nosso resgate teria bastado à

caridade e à misericórdia do nosso Deus.

P136. Quando o Menino Jesus recebe o nome de Salvador, referência

direta ao seu sacrifício?

R. Oito dias depois do venturoso nascimento, o Menino Jesus recebe o

nome de Salvador: começa a exercer suas funções aos olhos dos

homens, e, derramando as primeiras gotas do seu sangue, se obriga, por

estas sagradas primícias, a derramá-las abundantemente no altar da Cruz.

P137. Que relação há entre a "Apresentação de Jesus no Templo" e o

sacrifício do Calvário?

R. O Menino Jesus é conduzido ao Templo nos braços de Maria, em

obediência à Lei; lá é colocado no altar do Deus verdadeiro e renova a

solene promessa de morrer para a salvação do mundo. Eis aqui a

oferenda do sacrifício cuja imolação irá se realizar no Calvário, e sua

participação no Cenáculo e na Missa.

P138. A vida inteira de Nosso Senhor Jesus Cristo é considerada como

oblação?

R. Sim. Toda a vida do Salvador, tanto no período obscuro de Nazaré,

como no esplendor do seu ministério, foi uma seqüência desta oblação:

os desejos do seu coração ansiavam, sem cessar, a consagração da

vítima, até que se cumprisse o batismo de dor e de sangue em que devia

ser imerso, para consumar o holocausto e abrasar as almas que se

uniram ao seu sacrifício.

P139. Como manifestou Nosso Senhor seu desejo pela consumação do

seu sacrifício?

R. Quando chegou a hora tão ansiada por Ele para passar deste mundo à

mansão de seu Pai celestial, Jesus declara aos seus apóstolos: "Tenho

desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes da

Catecismo da Santa Missa

22

paixão"(Lc. 22, 15), porque aquela Páscoa devia ser a última de Israel

segundo a carne, bem como o verdadeiro cordeiro pascal seria

substituído para os verdadeiros filhos de Abraão.

P140. Por que a última Páscoa, ou última Ceia de Nosso Senhor é marco

entre a Antiga e a Nova Lei?

R. Porque na última Ceia, estando à mesa com seus discípulos, Nosso

Senhor observa totalmente o preceito legal imposto por Moisés, quanto

aos alimentos a serem consumidos naquela celebração, e, após cumprir

plenamente ao estabelecido pela Antiga Aliança, institui o excelso

sacrifício da Nova Aliança, ou da Nova Lei.

P141. Que fez Nosso Senhor, porém, na última Páscoa, pouco antes da

instituição do Novo Sacrifício?

R. Nosso Senhor, cingindo-se com uma toalha derramou água numa

bacia, e lavou os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha

com que estava cingido. Esta cerimônia ficou para sempre conhecida

como "Lava-pés".

P142. Que significado tem a cerimônia do Lava-pés, antes da instituição

do Novo Sacrifício?

R. O Lava-pés é a preparação próxima e pública do sacrifício que estava

preste a ser instituído, e as palavras empregadas por Nosso Senhor,

cheias de afeto e força, são a instrução que o precede.

P143. Que fez Jesus após o Lava-pés?

R. Após o Lava-pés, Nosso Senhor tomou em suas santas e veneráveis

mãos o pão e o vinho:eis aqui a oferenda.

P144. Como Nosso Senhor instituiu o sacrifício da Nova Lei?

R. Segurando o pão e o vinho abençoou-os, deu graças ao seu Pai

Celeste e, com suas bênçãos eucarísticas, ouvem-se estas palavras

pronunciadas pelos lábios de quem criou o céu e a terra: ISTO É O MEU

CORPO, meu corpo dado, entregue e morto por vós; ISTO É O MEU

SANGUE, o sangue da Nova Aliança, derramado para a remissão dos

pecados. TOMAI E COMEI; TOMAI E BEBEI. Eis as palavras da

consagração!

P145. Que fez Nosso Senhor em seguida?

R. Nosso Senhor partiu o pão da vida eterna e o distribui; apresentou o

cálice da salvação e o deu de beber aos seus discípulos. Eis a

COMUNHÃO no SACRIFÍCIO.

P146. Que disse Nosso Senhor após aquelas sagradas palavras?

R. Nosso Senhor disse: FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM (Lc. 22, 19).

P147. Que afirmou Cristo com tais palavras?

R. Ao pronunciar Fazei isto em memória de mim, Nosso Senhor transmitiu

seu próprio poder aos apóstolos e sucessores, instituindo e

estabelecendo a ordem do novo sacerdócio.

P148. Em suma, que cerimônias Cristo estabeleceu na última Ceia?

R. Na Última Ceia, Nosso Senhor estabeleceu a s cerimônias da Nova

Aliança, ou Nova Lei, também denominada Santa Missa, ou seja:

1 - Com o Lava-pés,a preparação para a consagração;

2 - Com a benção do pão e do vinho, a própria consagração da oferenda;

3 - Com a distribuição do pão da vida e do sangue da salvação, a

comunhão.

Catecismo da Santa Missa

23

P149. Que Sacramentos Cristo instituiu na última Ceia?

R. Na última Ceia Nosso Senhor instituiu dois sacramentos:

1 - a Eucaristia; e

2 - a Ordem.

P150. Por que a Eucaristia precedeu a imolação de Cristo na Cruz?

R. A Eucaristia, sob as espécies de pão e de vinho, precedeu a imolação

de Cristo na Cruz para sustentar a fé dos discípulos.

P151. Qual a relação entre o sacrifício da Missa e o do Calvário?

R. Assim como a Eucaristia precedeu a imolação de Cristo na Cruz, assim

o sacrifício da Missa devia seguir e perpetuar a imolação do Calvário,

como sinal de que o sacrifício de Cristo foi, e sempre será, o único

sacrifício propiciatório, instituído no Cenáculo, consumado no Calvário e

perpetuado nos nossos altares.

P152. Que nos revela a oblação da Cruz?

R. Na oblação da Cruz, tudo nos é sensível e patente: a escolha da vítima,

sua oferta a Deus pelas mãos do sacerdote eterno e sua imolação

sangrenta.

P153. Que encontramos, ainda, na oblação da Cruz?

R. Esta oblação encerra, ainda, o holocausto de adoração, a hóstia dos

pacíficos e a expiação dos pecados.

P154. Podemos também ver a realização das figuras dos antigos

holocaustos?

R. Sim, neste holocausto vemos a verdade das figuras antigas, como a do

pássaro ou ave pura sacrificada para libertar a outra ave com seu sangue;

a do bode expiatório lançado fora de Jerusalém, com as prevaricações de

todo o povo; o sangue da hóstia levada ao céu, verdadeiro Santo dos

Santos, não feito pelas mãos dos homens; e, no lugar das vítimas

prescritas pela lei, que somente figuravam a salvação sem nunca poder

nos dar, temos na Cruz a única oblação de um Deus que, numa única

hóstia, estabelece para sempre a santificação dos homens (Heb 10, 14),

pelo precioso manancial que dela emanaaté a consumação dos séculos.

P155. Que conclui S. Paulo sobre este sacrifício da Cruz?

R. S. Paulo conclui não ser mais necessário que Jesus Cristo reitere seu

sacrifício sangrento para a remissão dos pecados, como se reiteravam os

sacrifícios da lei mosaica, bastando somente que os atos repetidos desta

oblação, perpetuada na Missa, apliquem seu valor e seus méritos a cada

fiel em particular.

P156. Que nos ensina, sobre isto, o Concílio de Trento?

R. Baseado na doutrina de S. Paulo, o Concílio de Trento claramente nos

ensina: "Ainda que bastasse Nosso Senhor se oferecer uma só vez ao seu

Pai, unindo-se no altar da Cruz para realizar a redenção eterna, Ele quis

deixar à sua Igreja um sacrifício visível, tal como requer a natureza dos

homens, pelo qual se aplicasse, de geração em geração, para a remissão

dos pecados, a virtude deste sangrento sacrifício, que devia cumprir-se

somente uma vez na Cruz; na última ceia, na mesma noite em que foi

entregue, declarando-se sacerdote eterno, conforme a ordem de

Melquisedeque, Ele ofereceu, a Deus Pai, seu corpo e seu sangue, sob as

espécies de pão e de vinho, os deu aos seus apóstolos, a quem os

tornou, então, sacerdotes do Novo Testamento, com estas palavras: Fazei

Catecismo da Santa Missa

24

isto em memória de mim, investindo-os, assim, e aos seus sucessores, no

sacerdócio, para que oferecessem a mesma hóstia" (Sessão XXII, I).

P157. Portanto, porque se instituiu o sacrifício da Missa?

R. O sacrifício da Missa foi instituído, portanto, para nos aplicar o preço

do sangue derramado na Cruz, para tornar a oblação única de Jesus

Cristo, eficaz e proveitosa para cada um de nós, e para nos comunicar,

pela sua própria virtude, o mérito geral e superabundante da fé e da

penitência que conduzem aos sacramentos, nos quais aperfeiçoamos a

justificação que a graça do altar começou.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO V

Da celebração da Missa: da sua instituição aos nossos dias

P158. Quando foi celebrada a primeira Missa?

R. Ainda que o Filho de Deus seja sacerdote eterno, por decisão que se

impôs como vítima dos homens, tornando-se para sempre pontífice da

Nova e Eterna Aliança; ainda que, de fato, tenha começado o sacrifício

com o primeiro batimento do seu coração, no instante da Encarnação,

para cumprir-se na Ceia e no Calvário e receber sua perfeição nos

mistérios da ressurreição e ascensão e na efusão do Espírito Santo,

pode-se e deve-se crer que a primeira Missa foi celebrada no Cenáculo, à

véspera da morte do Salvador.

P159. Que nos diz a Igreja sobre isto, no prefácio da Missa de Quinta-feira

Santa?

R. A Igreja nos diz: "Jesus Cristo, verdadeiro e eterno pontífice, único

sacerdote puro e sem mancha, ao estabelecer na última ceia, com seus

discípulos, seu sacrifício verdadeiro e permanente, se ofereceu primeiro

como vítima, ensinando aos seus apóstolos o modo de oferecê-lo". Eis a

idéia que se pode formar desta primeira Missa.

P160. Que paralelo podemos estabelecer entre o Cenáculo e a Santa

Missa?

R. Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Catecismo da Santa Missa

25

Cenáculo Santa Missa

1 - Jesus dirige-se ao Cenáculo:

acompanhado dos seus discípulos,

chega ao Cenáculo, onde estava

preparada a mesa do sacrifício e da

comunhão;

1 - O sacerdote dirige-se ao altar:

precedido dos seus ministros, onde

tudo está disposto para o sacrifício

da Santa Missa;

2 - Jesus deixa a mesa depois da

ceia prescrita pela lei, humilha -se,

ao lavar os pés dos apóstolos, e os

manda que se os lavem mutuamente,

voltando, depois, a ocupar o seu

lugar à mesa;

2 - O sacerdote desce ao pé do altar:

mesmo purificado de faltas graves,

para lavar-se e purificar-se das faltas

mais leves, o sacerdote faz a

confissão mútua com os assistentes,

subindo, depois, ao altar;

3 - Jesus senta-se à mesa

eucarística: instrui seus apóstolos, e

lhes dá o resumo da sua doutrina,

dizendo: "Eu vos dei o exemplo para

que façais como eu fiz" (Jo, 13...)

3 - O sacerdote faz no altar a

instrução pública e preparatória, com

o objetivo de explanar estes dizeres

profundos de S. Justino ( Apol. 2 ...):

"Só pode participar da eucaristia

aquele que crê que nossa doutrina é

verdadeira, que recebeu a remissão

dos pecados e que vive como Jesus

ensina".

4 - Jesus toma o pão e o vinho num

cálice, e os abençoa;

4 - O sacerdote toma o pão e o vinho

num cálice: eis a oblação, as orações

e bênçãos que a acompanham;

5 - Jesus deu graças, elevando os

olhos aos céus: embora os

evangelistas não registrem as

palavras de que Jesus se serviu

nesta ação de graças, sabemos, pela

tradição, que Ele enumerou os

benefícios da criação, da providência

e da redenção, que iriam se

concentrar nesta vítima adorável;

depois, o Senhor partiu o pão e o deu

aos seus discípulos, dizendo: "isto é

o meu corpo"; em seguido os deu

também o cálice, dizendo: "isto é o

meu sangue".

Eis a fórmula da consagração:

"Tomai e comei, tomai e bebei"; esta

é a Comunhão do Cenáculo.

5 - O sacerdote emprega as mesmas

palavras e gestos no Cânon da

Missa, repetindo a fórmula da

Consagração.:"Tomai e comei, tomai

e bebei". Esta é a comunhão na

Missa.

6 - Jesus pronuncia um hino de

reconhecimento.

6 - O sacerdote termina o sacrifício

com a ação de graças.

Catecismo da Santa Missa

26

P161. Que fizeram Jesus e os apóstolos após a Ceia?

R. Os apóstolos saíram do Cenáculo com seu Mestre, e se dirigiram ao

Horto das Oliveiras, para serem testemunhas da renovação e da

consumação do grande sacrifício da Cruz, da mesma forma que o

sacerdote se dirige ao santuário, subindo ao altar.

P162. Que paralelo podemos estabelecer entre a paixão, morte e

ressurreição de Cristo e a Santa Missa?

R. Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Cenas da Paixão, morte e

ressurreição de Nosso Senhor

Jesus Cristo

Cenas da Missa

1 - Jesus ora no Horto, com o rosto

prostrado na terra;

1 - O sacerdote, ao pé do altar, recita

o Confiteor, em humilde postura;

2 - Jesus, amarrado, sobe a

Jerusalém;

2 - O sacerdote, cingido com todos

os paramentos, sobe ao altar;

3 - Jesus foi, de tribunal em tribunal,

instruindo o povo, seus acusadores e

seus juizes;

3 - O sacerdote vai de um ao outro

lado do altar, para multiplicar e

difundir a instrução preparatória;

4 - Jesus Cristo, assim que

sentenciado e despojado de suas

roupas, oferece seu corpo à

flagelação, prelúdio da sua execução

e morte;

4 - O sacerdote descobre as

oblações, retirando o véu que cobre

o cálice e a hóstia, ainda não

consagrados, e faz a oferenda do

pão e do vinho, que vão ser

consagrados, e cuja substância vai

ser consumida;

5 - Jesus é pregado na cruz; 5 - Da mesma forma como Ele se fixa

no altar com as palavras da

Consagração;

6 - Jesus é suspenso na Cruz, entre

o céu e a terra;

6 - Como no momento da Elevação,

na Missa;

7 - Jesus expira na cruz; 7 - O sacerdote parte a Hóstia,

indicando, sensivelmente, esta

morte;

8 - Jesus é colocado no sepulcro; 8 - Na Comunhão, Jesus é colocado

no coração do sacrificador e dos

cristãos;

Catecismo da Santa Missa

27

Cenas da Paixão, morte e

ressurreição de Nosso Senhor

Jesus Cristo

Cenas da Missa

9 - Jesus ressuscita glorioso; 9 - A ressurreição é significada pelo

lançamento de um fragmento da

hóstia consagrada ( o corpo de

Cristo) no cálice que contém o

sangue de Cristo, na hora em que o

sacerdote diz a oração “Pax Domini

sit semper vobiscum”, fazendo cinco

cruzes sobre o cálice e fora dele. O

sacerdote pede o efeito desta vida

nova através das orações após a

Comunhão;

10 - Jesus sobe aos céus,

abençoando sua Igreja;

10 - O sacerdote se despede dos

fiéis e os abençoa;

11 - Jesus envia seu espírito ao

coração dos discípulos;

11 - No final da missa, é lido o início

do Evangelho de S. João, que nos

exorta a tornar-nos filhos de Deus

(Jo, 1, ...), dirigidos e movidos pelo

seu espírito, conforme estas palavras

do apóstolo S. Paulo: "aqueles que

são conduzidos pelo Espírito de

Deus, são filhos de Deus" ( Rom 8,

14).

P163. Podemos considerar a Ceia e a Paixão de Cristo como as duas

primeiras Missas?

R. Sim. Podemos considerá-las como as duas primeiras Missas,

celebradas pelo Salvador, cuja oblação Ele renovou com seus discípulos

durante os 40 dias que precederam sua ascensão aos céus, como

deduzimos da história dos discípulos de Emaús e das divinas aparições

em que o Senhor era reconhecido pela fração do pão (Lc 24, 30).

P164. Que relação há entre a Missa atual e as palavras de Cristo após a

última Ceia?

R. Nosso Senhor instituiu, após a última Ceia, a parte essencial das

orações e cerimônias da Missa atual.

P165. Quem estabeleceu as orações e as cerimônias das outras partes?

R. As orações e cerimônias das outras partes foram estabelecidas pelos

apóstolos, pela Tradição, e pela Igreja, que acrescentaram o conveniente

à dignidade do sacrifício, em nada alterando o substancial da Instituição

Divina.

P166. Como podemos ter certeza disto?

R. Porque notamos, tanto nas orações como nas cerimônias introduzidas,

transcrições de circunstâncias ocorridas no Cenáculo e no Calvário,

Catecismo da Santa Missa

28

observando-se cuidadosamente o que as felizes testemunhas destas

cenas viram e conservaram, através da tradição.

P167. A Igreja utilizou a tradição somente para o sacrifício da Missa?

R. Não. Também em relação às cerimônias e orações dos sacramentos, a

Igreja faz como fizeram os apóstolos, acrescentando orações

costumeiras. No batismo, por exemplo, Nosso Senhor simplesmente

mandou que se batizasse com água, em nome do Pai, do Filho e do

Espírito Santo; as orações acessórias, que expressam seus efeitos e as

obrigações que dele derivam, nos vêm da tradição e da piedade de todos

os séculos.

P168. Quando os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios?

R. Os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios depois da

ascensão de Nosso Senhor, como constatamos em muitas passagens dos

Atos, escritos por S. Lucas, como, por exemplo:

1 - Os cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão da

fração do pão e na oração (At 2, 42) enquanto faziam o serviço público do

Senhor (At 13, 2);

2 - No primeiro dia depois do sábado (que corresponde ao Domingo),

nome já dado por S. João (Apoc. 1, 10), estando reunidos, diz S. Paulo,

para partir o pão (At. 20,7)...

P169. Destas afirmações, que idéia podemos formar da Missa e da liturgia

dos tempos apostólicos?

R. Podemos deduzir:

1 - No primeiro dia da semana, em especial, e o mais freqüente possível,

os fiéis se reuniam, sob a direção dos apóstolos, ou de pastores que eles

haviam eleitos, na casa de algum cristão, ou em lugares bem ocultos,

devido à perseguição dos judeus e dos gentios;

2 - Iniciava-se a oblação com a leitura dos profetas, das epístolas dos

apóstolos, das cartas que dirigiam às igrejas, ou mesmo das cartas que

estas mutuamente trocavam;

3 - É muito provável que, quando se escreveu o Evangelho, este passou a

ser lido nas reuniões cristãs, principalmente para prevenir os fiéis contra

a grande quantidade de Evangelhos apócrifos, que muitos se apressavam

em escrever, para confundir a doutrina que Cristo nos deixara com seus

apóstolos.

Estas leituras eram explicadas, conforme se lê em S. João, que, sendo

conduzido a Éfeso em avançada idade, e não podendo mais discursar,

limitou-se a esta curta exortação, digna do discípulo mais amado: "Meus

filhos, amai-vos uns aos outros".

4 - Em seguida benzia- se o pão e o vinho; esta oferenda era seguida de

orações e de súplicas, por todos os homens, pelas necessidades públicas

e particulares, e de ações de graças.

5 - No momento mais solene destas ações de graças, se consagravam o

pão e o vinho, com as mesmas palavras usadas por Nosso Senhor.

6 - Seguia-se a oração dominical e o ósculo da paz, que todos trocavam

mutuamente, partindo-se os dons sagrados para comunhão, depois da

qual, sob juramento, se obrigavam a evitar todo o crime, a fugir de todo o

pecado, e a morrer com Jesus Cristo e pela fé de Jesus Cristo.

Catecismo da Santa Missa

29

Finalmente, os fiéis eram despedidos com a saudação da paz de Deus e

da graça de Nosso Senhor.

P170. Que outras testemunhas temos da oblação da Eucaristia nos

primeiros séculos?

R. Temos diversas, tais como:

1 - S. Inácio, terceiro bispo de Antioquía, sucessor de S. Pedro e de

Evódio, nesta cátedra, contemporâneo dos apóstolos, e que declarou ter

visto Nosso Senhor ressuscitado, nos apresenta alguns detalhes sobre a

oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna.

2 - Nos meados do segundo século, e pouco depois da morte do último

apóstolo, S. Justino, célebre filósofo pagão que se convertera aos trinta

anos de idade, tornando-se sacerdote e mártir, contemporâneo de Simeão

(que havia ouvido Nosso Senhor), de S. Inácio, de Clemente, companheiro

de S. Paulo na pregação, de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo,

dirigiu uma apologia a Antônio , o Piedoso, para justificar as reuniões

cristãs. É um antigo e precioso monumento da tradição dos primeiros

séculos.

P171. Que nos diz, este precioso documento de S. Justino?

R. S. Justino, na sua famosa Apologia 2, escreve:

"No chamado dia do Sol (primeiro dia da semana, que corresponde ao

nosso Domingo; o segundo dia era o dia da Lua, dies lunae, etc) todos os

fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as

oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as

coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo".

"Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos.

Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e

exorta o povo a imitar tão belos exemplos".

"Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão,

vinho e água".

"O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que

são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amem!".

"Distribui-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a

qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta

comunhão aos ausentes".

"Os que possuem bens e riquezas, dão uma esmola, conforme sua

vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre

órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de

aliviar todas as necessidades".

"Celebramos nossas reuniões no dia do Sol, porque ele é o primeiro dia

da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo

ressuscitou dos mortos".

P172. Que notamos neste documento que conta 18 séculos de existência?

R. Nesta descrição do Santo Sacrifício da Missa, feita por S. Justino em

meados do século II, notamos claramente os principais traços do serviço

divino, tal como se conserva nos nossos dias, e como é praticado em

todas as igrejas.

P173. Por que a liturgia da Missa resplandece hoje com tanto brilho?

R. Porque, se acrescentarmos àquela descrição de S. Justino, em si já tão

luminosa contendo o corpo principal da Missa, os brilhantes escritos de

Catecismo da Santa Missa

30

Sto. Irineu, dos Clementes, dos Tertulianos, dos Cirilos, dos Ciprianos e

Agostinhos, só com acréscimos acidentais, teremos a resplandecente

liturgia da Santa Missa de hoje, sempre enriquecida, mas nunca alterada,

através dos séculos, renovando sempre, e em todas as partes do mundo,

na mesma forma e na mesma língua, o mesmo sacrifício propiciatório do

Calvário.

P174. Por que até a fase da paz, concedida por Constantino à Igreja, havia

poucas orações e cerimônias no sacrifício da Missa?

R. Porque assim exigia o perigo vivido pelos cristãos naqueles tempos.

Porém, tanto as orações como as cerimônias estabelecidas, deviam ser

observadas religiosamente e com muito mais cuidado, visto serem

tradições orais referentes a uma prática rigorosa e solene.

P175. Quando foram introduzidas outras orações e a majestade do culto?

R. Quando foi possível erigir grandes basílicas e oficiar publicamente,

com grande afluência do povo.

P176. Quando surgiram as primeiras redações litúrgicas?

R. No final do século IV, e início do século V, redigiu-se o corpo das

tradições litúrgicas existentes.

P177. Quais foram as primeiras redações litúrgicas referidas ao santo

sacrifício da Missa?

R. As primeiras redações litúrgicas relativas ao santo sacrifício da Missa

foram:

1 – Liturgia de Jerusalém: também denominada de S. Tiago, visto esta

igreja ter recebido e conservado a liturgia daquele seu primeiro bispo.

2 – Liturgia de Alexandria: conhecida também como de S. Marcos, cuja

tradição fora deixada por este santo bispo àquela cidade.

3 – Constituições apostólicas: atribuídas ao Papa S. Clemente I, se bem

que os autores destas diferentes obras compostas no século V, foram

testemunhas e redatores dos veneráveis usos das igrejas mais antigas.

4 - Liturgia de S. Basílio, no Oriente, conhecida sob o nome de S. João

Crisóstomo, e ainda hoje utilizada pelos orientais.

P178. Quem ordenou a liturgia no Ocidente?

R. A liturgia no Ocidente foi ordenada por Sto. Ambrósio e por outros

escritores.

P179. A liturgia de Sto. Ambrósio foi totalmente seguida?

R. Essencialmente, sim. Porém, entre os latinos, houve muita variedade

tanto nas orações acessórias como nas cerimônias não essenciais.

P180. Quem unificou as orações acessórias e as cerimônias não

essenciais?

R. Foi S. Gregório, no século VI, através do famoso Sacramental que leva

seu nome.

P181. Que estabeleceu o Sacramental de S. Gregório?

R. O Sacramental de S. Gregório estabeleceu: intróitos, o Kyrie eleison, o

Gloria in excelsis, as coletas, o tema da epístola e do Evangelho, as

orações para as oblações, o prefácio comum e o cânon até o Agnus Dei,

exatamente como o recitamos hoje.

Catecismo da Santa Missa

31

P182. O Sacramental de S. Gregório permitia ainda alguma variedade nas

orações acessórias?

R. Sim. Como cada província tinha santos bispos que acrescentavam algo

ao acessório do sacrifício, por muito tempo se respeitou esta variedade,

pela antigüidade das orações e pela santidade dos seus autores.

P183. Que resultou desta variedade acessória ao sacrifício?

R. Como conseqüência daquela variedade, surgiram os diferentes missais

e sacramentais da Igreja romana e das Igrejas particulares do Ocidente.

Porém, o essencial do sacrifício para a oblação, a consagração e

comunhão, era rigoroso e invariável em todo o mundo cristão, e a regra

secundária da liturgia manteve sua variedade até o século XIII.

P184. Que houve nesse século?

R. No século XIII foi fixado o Ordinário da Missa, tal qual permanece em

nossos dias.

P185. O Ordinário da Missa manteve algumas variantes secundárias?

P. Sim. O Ordinário da Missa do século XIII manteve algumas variantes

secundárias adotadas pelas diferentes dioceses, como, por exemplo, a

antífona e o salmo do intróito, no rito romano, não é o mesmo empregado

nas outras Igrejas. Porém, esta diferença, tolerada pela autoridade

eclesiástica, não prejudicou em nada a unidade essencial da liturgia.

P186. Houve, naquele período, alguma assimilação de orações e

cerimônias secundárias entre os diversos ritos?

R. Sim; em especial no que de edificante tinham. Roma, por exemplo,

depois de haver extinguido o rito galicano e o rito gótico, da Espanha,

não duvidou em deles tomar algumas orações e cerimônias secundárias e

inseri-las no Ordinário da Missa.

P187. Naquele tempo, todo o povo dispunha do Ordinário da Missa?

R. Do século XIII ao século XV, o Ordinário da Missa permaneceu em

poder do clero. A invenção da imprensa, porém, permitiu maior difusão

entre os fiéis.

P188. Além da invenção da imprensa, que outro acontecimento colaborou

para maior difusão do Ordinário da Missa entre os fiéis?

R. Foi a Reforma Protestante. A Igreja deu aos seus ritos a mais augusta

publicidade, para auxiliar aos leigos a examinar as orações da Missa,

visando combater as heresias de Lutero e de Calvino, que negavam, em

especial, o caráter propiciatório do divino sacrifício. Ou seja, Lutero e

Calvino afirmavam que a Missa era somente a representação da última

Ceia, uma cerimônia só de agradecimento e louvor ao Senhor, negando

seu caráter fundamental de renovação incruenta do sacrifício do Calvário,

estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre ensinado e

defendido pela sua Igreja.

P189. Houve determinação oficial da Igreja para maior divulgação dos

textos da Missa?

R. Sim. Os Concílios de Magúncia e de Colônia, em 1547, determinaram

que as orações do Ordinário da Missa fossem explicadas ao povo,

mostrando sua unidade em relação às suas finalidades, ou seja, de adorar

a Deus, de agradecer-Lhe pelos benefícios recebidos (impetração), e

pedir-Lhe o perdão pelos pecados cometidos (propiciação).

Catecismo da Santa Missa

32

P190. Que outra determinação oficial houve para isso?

P. O Concílio de Trento (1570) determinou aos párocos que, nos domingos

e dias santos, explicassem aos fiéis as orações da Santa Missa e as

fórmulas sacramentais, para instrui-los, não só na verdade dos seus

mistérios, mas também no significado das suas orações e cerimônias.

P200. O sacrifício da Missa recitado em nossos dias é o mesmo sacrifício

estabelecido por Jesus Cristo?

R. Sim é o mesmo sacrifício de Jesus Cristo que recebemos dos

apóstolos, dos santos doutores e dos nossos pais na Fé, os Padres

Apostólicos.

P201. Não houve alterações essenciais entre o estabelecido por Cristo e o

que é recitado hoje na Santa Missa?

R. Não. Essencialmente, Cristo tomou o pão e o vinho, nós tomamos a

mesma matéria de oblação; Cristo a abençoou, o sacerdote a abençoa;

Cristo deu graças, nós as damos; Cristo as consagrou pelas palavras

onipotentes relatadas no Evangelho, o padre repete as mesmas palavras

por sua ordem, a Ele unido, in persona Christi, e em Sua memória.

P202. As orações acessórias da Missa, introduzidas pelos apóstolos e

pela Igreja, não alteraram a ação de Cristo?

R. Não. As orações acessórias, introduzidas no decorrer dos tempos, em

nada alteraram a ação de Cristo porque, em relação a esta, tais orações

somente estabeleceram:

1 - a preparação pública ao santo sacrifício, com a introdução de salmos e

do Kyrie (Senhor, tende piedade);

2 - a entoação, no altar, do hino da redenção (Gloria), cantado pelos anjos

no nascimento de Jesus Cristo;

3 - o preceder e a seqüência das leituras, com orações e reflexões;

4 - o hino cantado pelos serafins (Sanctus), para que ressoe no momento

em que a vítima vai abrir os céus;

5 - o invocar por três vezes o Agnus Deis (Cordeiro de Deus), com sua

misericórdia e paz;

6 - os sinais exteriores de humildade, de esperança, de respeito e de

amor.

Trata-se, portanto, do mesmo sacrifício de Jesus Cristo, acompanhado de

orações e ritos para expressar a piedade diante de tão excelsa maravilha.

P203. Que outros fatores concretos nos certificam daquela verdade?

R. Bastaria lembrar que a Igreja recolheu as orações e cerimônias

acessórias da missa:

1 - das lembranças apostólicas e da mais remota tradição do tempo e dos

usos estabelecidos por S. João, testemunha da dupla imolação, a da Ceia

e a da Cruz;

2 - das regras e disposições de S. Paulo, instruído neste mistério pelo

mesmo Cristo, Nosso Senhor;

3 - das meditações de Sto. Agostinho, da unção de Sto. Ambrósio, de S.

Basílio e de S. Gregório;

4 - da piedade e sabedoria dos seus santos pontífices e doutores,

manifestadas no decorrer de 13 séculos.

Catecismo da Santa Missa

33

A Igreja as reuniu no mais feliz e santo modelo para regrar definitivamente

sua liturgia, cujas palavras são a aplicação maravilhosa da Sagrada

Escritura, nos infundindo admiração e respeito profundos.

P204. Por que, além das orações e cerimônias acessórias, a Igreja

também regulamentou os templos, os altares, os adornos, os trajes e as

atitudes do sacrificador?

R. Porque a Missa representa perfeitamente aquela rainha que está de pé,

à direita do trono de Deus, com manto de ouro de Ofir, realçada pela

variedade das mais ricas cores, como diz o Salmo 44. Assim, como a

Igreja não deveria regrar, para o sacrifício, também seus templos, seus

altares e seus adornos, bem como, as vestes e os movimentos do corpo,

dos olhos e das mãos do seu sacrificador?

P205. Que preocupação teve a Igreja quanto à língua em que os santos

mistérios deveriam ser celebrados?

R. Embora a Igreja jamais tivesse afirmado que o serviço divino fosse

celebrado em língua ininteligível ao povo, tão pouco ela julgou

conveniente o emprego de língua vulgar, para não submeter a Missa às

vicissitudes deste.

Assim, na celebração da santa Missa, onde estão consignados a maior

parte dos nossos dogmas, a Igreja se preocupou com o uso de língua

vulgar e, genericamente, nunca a recomendou, -- até, no Concílio de

Trento, a proibiu -- para evitar o grave inconveniente do surgimento de

erros doutrinários, que poderiam advir das variações de sentido, comuns

na linguagem viva.

P206. Inicialmente, que línguas foram empregadas na celebração da santa

liturgia?

R. Nos tempos apostólicos foi utilizado o siríaco, idioma de Jerusalém de

então, como o grego e o latim, muito divulgadas naquela época, as quais

foram conservados como língua litúrgica, mesmo quando deixaram de ser

utilizadas vulgarmente. Assim como no quirógrafo da Cruz estava escrita

a sentença de morte de Cristo em latim , grego e hebraico -- Jesus

Nazareno Rei dos Judeus -- assim, na Missa, que renova o sacrifício do

Calvário, a Igreja usa palavras em latim, grego e hebraico.

P207. A Igreja do Oriente e do Ocidente utilizaram a mesma língua na

celebração da santa liturgia?

R. Não. A Igreja do Oriente utiliza, até hoje, tanto o grego antigo como o

moderno, enquanto a Igreja do Ocidente adotou o latim, que era a língua

mais usual e mais universal.

P208. Que outros inconvenientes traria o uso da língua vulgar na

celebração dos mistérios litúrgicos?

R. Além dos já apontados, quem não compreende que seria necessário

multiplicar a publicação dos livros sagrados, não só para cada povo, mas

para cada idioma de cada nação, e em todos os dialetos de cada língua;

que seria necessário substituir as palavras conforme elas tomassem

outro sentido ou se tornassem ridículas e inconvenientes; que a

expressão da doutrina se alteraria infalivelmente em todas estas

correções (lex orandi, lex credendi); que os fiéis que se deslocassem de

uma província, ou de um país para outro, não entenderiam,

absolutamente, nada; que poderiam ser introduzidos costumes e atitudes

Catecismo da Santa Missa

34

locais, quebrando a universalidade de expressão do sacrifício; e que, si

se utilizassem línguas modernas, sem submetê-las às suas alterações e

aos perigos delas provenientes, com o tempo voltaria a surgir a

dificuldade que se pretendia solucionar, pois a própria língua pátria

chegaria a ser ininteligível, como acontece, por exemplo, com o

castelhano antigo ? Em suma, o uso do latim na Liturgia favorece a

unidade da Igreja. O uso do vernáculo na Missa, além dos inconvenientes

já apontados, de certo modo, faria da Liturgia da Igreja, uma torre de

Babel.

P209. Por que a Igreja conserva o uso do latim em seus ofícios litúrgicos?

R. A Igreja conserva em seus ofícios, e com suma prudência, sua antiga

linguagem para manter e preservar, não só a unidade e a universalidade

do santo sacrifício em si, mas também a doutrina nele contida e por ele

ensinada, que é uma, invariável e eterna, como o próprio Deus que a

instituiu. Os fiéis, que facilmente dispõem de traduções, e que recebem

explicações em língua vulgar, com o constante e contínuo

acompanhamento da liturgia em latim, irão se familiarizar com os textos

sagrados e o entenderão perfeitamente. Ademais, o culto divino, em

língua vulgar, perderia algo de sua misteriosa dignidade, por cuja única

razão não seria, de forma alguma, conveniente que a Missa fosse

celebrada em língua vulgar.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO VI

Dos diferentes nomes e da divisão da Missa

P210. Quem institui o santo sacrifício da Missa?

R. O santo sacrifício da Missa foi instituído por Nosso Senhor Jesus

Cristo, como vimos.

P211. Ao instituir este santo sacrifício, deu-lhe, Jesus, um nome

específico?

R. Não. Ao instituir o santo sacrifício, Nosso Senhor não o designou com

nenhum nome específico, pois somente disse aos apóstolos: «Fazei isto

em minha memória».

P212. Como este santo sacrifício era denominado no início da era cristã?

R. Segundo a tradição, o santo sacrifício era designado com diversos

nomes, tais como: sinaxe, ou assembléia; colecta, ou reunião; sacrifício,

oblação, súplica, e eucaristia, ou seja, ação de graças, porque nela se

realiza a solene ação de graças que Jesus Cristo presta a Deus Pai, bem

como nela se expressam todos os benefícios que lhe são inerentes e

todas as graças dela provenientes.

Também foi conhecido por expressões, como: ofícios dos divinos

sacramentos, os santos, os veneráveis, os terríveis mistérios.

Catecismo da Santa Missa

35

[Vide: Dionísio Aeropagita – (pseudo Dionísio) - De Hier, eccl. c. 5.

Anastácio, Sin. De Sinaxe. Hilário, In Psalms 65. Tertuliano, libro 1 De

Anima. S. Cypriano e Eusébio, Dem. Evang., lib.1. Conc. Laod. Can 19 e

58].

P213. Que nomes surgiram posteriormente?

R. No século VI, o santo sacrifício era denominado no plural, Missas e

Missarum solemnia. Porém, há mais de 1500 anos, a Igreja grega o chama

de liturgia, ou serviço público, e a Igreja latina de Missa.

P214. Que significa Missa?

R. Missa ou Missio significa despedida. Naquela divina ação, após a

leitura do Evangelho despedia-se dos catecúmenos, ou seja, dos que

ainda não tinham recebido o sacramento do Batismo, e dos penitentes,

que haviam perdido a graça publicamente.

P215. Por que no século VI denominavam-no Missas, no plural?

R. Porque, naquela época, havia duas despedidas: a dos catecúmenos,

antes da oblação, e a dos fiéis, depois da consumação do sacrifício,

conforme claramente indicado por Sto. Agostinho e Sto. Isidoro de

Sevilha (Sto. Agostinho, Sermonis 49 a 237; e Sto. Isidoro, Orig. 1.6, c. 19).

P216. Como eram ditas as despedidas (Missas) naquela época?

R. Após a leitura do Evangelho, o diácono dizia em alta voz: Ide, as coisas

santas são para os santos; e depois da comunhão: Ide, a hóstia acaba de

ser elevada deste altar ao trono da misericórdia, acompanhada dos

vossos votos, Ite Missa est.

P217. Quem passou a designar com a palavra Missa o sacrifício do Altar?

R. Era difícil uma palavra que representasse melhor o sacrifício da Igreja,

pois, Missa, significava o ofício em que só podiam ser admitidos aqueles

que haviam sido batizados e conservavam sua graça. O próprio povo,

marcado pela impressão causada pela palavra empregada pelo diácono,

dita no início e no fim do ofício, passou a chamar o sacrifício do Altar de

Missa (despedida), chegando até os nossos dias.

P218. Por que os ainda não batizados (catecúmenos) eram despedidos do

santo sacrifício após a leitura do Evangelho?

R. A Igreja assim fazia para lembrar a muitos que, casualmente, merecem

ser despedidos do ato a que só lhes permite assistir a indulgência da

disciplina, e neles excitar a mais profunda humildade, dor e resolução de

recorrer às fontes da graça, para que Deus não os desaloje do seu

santuário eterno, quando a Igreja os admite no altar da terra, bem como

para merecer o nome de fiéis com que ela os honra.

P219. Por que damos alguns nomes complementares à Missa?

R. Embora, em sua essência, a Missa seja uma só, isto é, a renovação do

sacrifício do Calvário, algumas circunstâncias propiciaram o surgimento

de nomes complementares. Assim, chamamos de Missa solene, quando

celebrada com toda a majestade do cerimonial; de Missa pontifícia ou

ordinária, conforme celebrada por um bispo ou por sacerdote. Missa

cantada, quando recitada com coro; Missa rezada, sem coro.

P220. Que designa a Missa paroquial?

R. A Missa paroquial é acompanhada da benção da água e do pão, de

orações, de proclamas e de admoestações, com práticas (sermão,

pregação) feitas pelo próprio pároco aos seus paroquianos.

Catecismo da Santa Missa

36

P221. Que é Missa privada?

R. É a celebrada fora ou dentro da paróquia com intenções particulares,

sem a solenidade das bênçãos, sem admoestações e práticas.

P222. Quantas partes há na Missa?

R. Na Missa há seis partes:

1 – a preparação pública: da entrada do sacerdote ao altar, até a coleta;

2 – o intróito e instrução: da coleta até o final do Credo;

3 – a oblação: do Credo ao prefácio;

4 – o cânon, ou a regra da consagração: do prefácio ao Pater Noster;

5 – a consumação: do Pater Noster à comunhão;

6 – a ação de graças: da pós-comunhão ao último Evangelho.»

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO VII

Da natureza e da existência do sacrifício da Missa

(Recapitulação)

P223. O que é Missa?

R. Missa é, pois, o sacrifício do corpo e do sangue de Nosso Senhor

Jesus Cristo, imolado desde o princípio do mundo pelas promessas feitas

por Deus e pela fé dos justos, aos quais se aplicavam, antecipadamente,

seus frutos.

P224. Há figuras do santo sacrifício no livro do Gênesis?

R. Sim. No Gênesis encontramos figuras do santo sacrifício, como, por

exemplo, as ofertas de Abel, de Abraão e de Melquisedec.

P225. E na lei de Moisés?

R. Encontramos, também, figuras daquele sacrifício na lei de Moisés,

como no cordeiro pascal, e na variedade de tantos outros sacrifícios por

ele estabelecidos, cujos diferentes objetos convergem para a única

imolação de valor infinito, a Missa, anunciada pelos profetas.

P226. Quando se iniciou o santo sacrifício?

R. Podemos afirmar que aquele santo sacrifício se iniciou na Encarnação

do Verbo, passando pelo nascimento de Cristo e pela apresentação no

templo.

P227. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o santo sacrifício?

R. O santo sacrifício foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na

véspera da sua morte, consumado no Calvário de modo cruento, e

continuado nos nossos altares para ser, até o fim dos tempos, o único e

verdadeiro sacrifício, que pessoalmente nos aplica o preço do sangue

divino derramado na cruz, para oferecer perpetuamente Deus (Filho) a

Deus (Pai) pelo ministério dos sacerdotes legítimos, a quem Cristo

designou este poder.

Catecismo da Santa Missa

37

P228. Como é oferecido o santo sacrifício do corpo e do sangue de

Cristo?

R. Este sacrifício é oferecido sob as espécies de pão e de vinho, que

mantém suas aparências como a cor e o sabor. Estas aparências, ou

acidentes, permanecem e subsistem mesmo depois que a substância de

pão e de vinho se convertem, realmente, no corpo e sangue do nosso

Salvador.

P229. Por que Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou o pão e o vinho ao

instituir este santo sacrifício?

R. Porque, conforme diz a Escritura, o pão é o fundamento da vida (Ps

103), e o vinho é o símbolo de tudo que encanta e alegra o coração do

homem. Assim Nosso Senhor, ao fazer deles a matéria do seu sacrifício,

quis nos ensinar a imolar, com ele e nele, a nossa vida e tudo quanto dela

nos é grato e querido.

P230. Poderia haver melhor símbolo para este santo sacrifício?

R. Não. Nenhum outro símbolo seria mais próprio, para nos dar a justa

idéia do Deus que se sacrifica, que é o autor dos nossos bens, o

conservador do nosso ser, o Senhor da vida e da morte, e o dispensador

das nossas alegrias e dos nossos pesares. Assim, nenhum outro sinal

poderia inspirar melhor o elevado pensamento da imolação do homem,

que deve unir-se a esta vítima, e de pertencer a Nosso Senhor na vida e

na morte.

P231. Que mais nos ensinam o pão e o vinho?

R. Como os alimentos nos foram concedidos por Deus, para o

indispensável sustento da nossa vida, ao consagrá-los ao Senhor

reconhecemos exteriormente que a Ele pertence nossa existência e que

Ele é o dono absoluto dos nossos dias.

P232. Há na Sagrada Escritura outras referências a ocasiões em que os

homens sacrificaram alimentos a Deus, como símbolo da Eucaristia?

R. Sim. Conforme relata a Escritura, Abel oferecia ao Senhor o leite das

suas ovelhas; Caím, os frutos da terra; depois do dilúvio, Noé e seus

descendentes sacrificavam animais que lhes eram permitido comer;

Melquisedec, imagem de Nosso Senhor, oferecia o pão e o vinho, para

expressar o reconhecimento dos soldados preservados dos perigos da

guerra. Vimos, também, a oferta da flor de farinha, o vinho, o sal e o azeite

sendo consumidos no altar judaico, as primeiras colheitas levadas com

solenidade ao templo, e Jesus Cristo, em fim, escolher o pão e o vinho

como matéria do seu sacrifício, e conservar estas aparências, mesmo

depois de ter consumado a misteriosa mudança (a transubstanciação).

P233. O que é a Eucaristia?

R. A Eucaristia é, ao mesmo tempo, sacrifício enquanto oferecida a Deus,

e alimento sacramental enquanto recebida pelo homem, conforme no-lo

explica S. Thomas. Portanto, dom de união do homem com Deus, e dos

homens entre si. Que mais ditosa imagem deste alimento espiritual e

desta união inefável, que é a participação da vítima sob as espécies de

pão e de vinho!

Catecismo da Santa Missa

38

P234. A Missa é o sacrifício da nova lei?

R. A celebração e a consagração da Eucaristia, que normalmente

denominamos Missa,é o sacrifício verdadeiro, real e propriamente dito, da

nova lei.

P235. Por que a Missa é sacrifício da nova lei?

R. Porque nela se encontram todas as condições do sacrifício instituído

pelo Nosso Salvador, para todo o sempre.

P236. Quais são as condições do sacrifício?

R. No sacrifício feito a Deus há: a oblação, o holocausto, a Eucaristia, a

hóstia de propiciação devido ao pecado, e a impetração.

P237. O que é oblação?

R. É a oferta de algo sensível, do corpo e sangue de Cristo, sob as

espécies de pão e de vinho, que são percebidas pelos nossos sentidos.

P238. A quem é feita a oblação?

R. A oblação da Missa é feita somente a Deus, conforme estabelecido

dogmaticamente pela Igreja.

P239. Quem realiza a oblação?

R. A oblação é feita por um ministro legítimo, por Jesus Cristo, pontífice

supremo, que fala por si mesmo e em seu nome, e por um sacerdote

canonicamente ordenado – o padre - que fala em nome de Jesus Cristo, a

quem empresta sua voz e o representa, e por toda a Igreja, da qual o

sacerdote é o verdadeiro e legítimo embaixador junto a Deus, para

oferecer o sacrifício em nome dos fiéis.

P240. A oblação pode ser feita pelos fiéis?

R. Não. A oblação é oferecida a Deus somente pelo sacerdote, ministro

legítimo, que fala na pessoa de Cristo.

P241. Por que se diz que a Missa é um holocausto?

R. Porque na Missa rendemos a Deus o culto de latria, ou seja, adoração

suprema e de total dependência a Deus, a quem oferecemos a adoração

do próprio Deus (Cristo), de quem reconhecemos supremo domínio, a

quem apresentamos a morte de Deus (Cristo), unindo o culto da nossa

alma e do nosso coração à adoração de Deus sacerdote (Cristo) e à morte

de Deus vítima (Cristo).

P242. Por que a Missa é Eucaristia?

R. Diz-se que a Missa é Eucaristia, ou ação de graças, porque nela

elevamos a Deus não só os dons que recebemos da plenitude da sua

misericórdia, como também o mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo,

manancial desta plenitude de graças.

P243. Por que dizemos que a Missa é uma hóstia de propiciação, devido

ao pecado, oferecida a Deus?

R. Porque, através dessa hóstia de propiciação, imploramos à

misericórdia divina para apaziguar sua justiça, oferecendo a imolação de

Cristo (o próprio Deus) que se dignou tomar sobre si todas as nossas

iniqüidade e reunir nossa fraca e insuficiente dor de arrependimento à

sua satisfação infinita.

P244. Por que a Missa é também um sacrifício de impetração?

R. Porque na Missa pedimos e recebemos todos os bens necessários à

salvação do corpo e da alma.

Catecismo da Santa Missa

39

P245. Não pedimos e recebemos esses bens em outras orações?

R. Sim, porém a diferença é que, na Missa, não somos nós quem os

suplica, mas o próprio Deus (Cristo) quem pede e quem ouve; nós

somente unimos nossa fraqueza às suas orações. Assim, por meio deste

divino intercessor nossas orações sobem aos céus, chegam ao Nosso Pai

celestial e são por Ele acolhidas favoravelmente.

P246. Como podemos nos certificar que nossas orações na Missa são

favoravelmente acolhidas pelo nosso Pai celestial?

R. S. Paulo apóstolo no-lo garante ao nos dizer: "Como Deus não nos

dará todos os bens, depois de nos ter dado seu próprio Filho para ser o

oferecimento do nosso sacrifício"?

P247. Que conclusão principal chegamos do que foi explicado acima?

R. Conclui-se que a Missa é o verdadeiro sacrifício estabelecido por

Jesus Cristo para a nova aliança.

P248. Há alguma referência no Antigo Testamento sobre a Missa, como

sacrifício da nova lei a ser estabelecido por Cristo?

R. Sim, e o profeta Malaquias anuncia (I, 11):

1º - A revogação dos sacrifícios antigos: "Eu não receberei mais oblações

das vossas mãos", disse o Senhor aos judeus;

2º - A substituição do dos sacrifícios antigos, por um novo e excelente

sacrifício: "Em todo o lugar se oferece em sacrifício ao meu nome, uma

hóstia pura"; quer dizer, será oferecida, porque, na linguagem profética o

futuro se anuncia como presente.

P249. Por que as palavras do profeta Malaquias, acima citadas, referem-se

ao santo sacrifício da Missa?

R. As palavras do profeta Malaquias referem-se ao santo sacrifício da

Missa, pois:

1º - afirmam que Deus não mais receberá nenhum sacrifício oferecido

anteriormente:

a – dos judeus, nem mesmo as vítimas legais dos seus sacrifícios, pois

Deus quer substituí-las por uma nova e excelente hóstia;

b – dos pagãos, com maior razão sacrifício algum, que nunca os aceitara,

pois seus altares impuros serviam aos demônios.

2º - afirmando que "em todo o lugar se oferece em sacrifício uma hóstia

pura", Deus também não se refere diretamente nem mesmo à imolação da

cruz, que ocorreu só uma vez no Calvário; mas refere-se claramente ao

Santo Sacrifício da Missa, que oferece a hóstia pura, e que ocorre em

todo lugar;

3º - afirmam que não será um sacrifício nem mesmo espiritual, da alma e

do coração, de agradecimento e de boas obras, que havia sido sempre

praticado, pois o texto da profecia expressa um sacrifício exterior

propriamente dito.

Seu sentido claramente nos indica um sacrifício novo, de uma vítima pura

a Ele oferecida em todo o lugar, que é exatamente a oblação da Eucaristia

na Missa, ou seja, o puro e próprio sacrifício de Deus (Cristo) vítima,

oferecido à majestade do seu nome por todos os povos e em todos os

lugares.

Catecismo da Santa Missa

40

P250. A profecia de Malaquias foi realmente cumprida?

R. Sim; e para nos certificarmos disto, basta ler os Evangelistas e S.

Paulo.

P251. Que nos dizem os Evangelistas e S. Paulo?

R. Os Evangelhos de S. Mateus (26), de S. Marcos (14) e de S. Lucas (22) e

São Paulo nos dizem que, estando com seus discípulos na noite em que

Nosso Senhor foi entregue, e após terminar a ceia da antiga páscoa, que

ia ser abolida com todos os sacrifícios da lei antiga, para ser substituída

pela oblação pura e universal do verdadeiro cordeiro pascal: (S. Mateus,

XXVI (26-28)): "Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o

benzeu, e partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei,

ISTO É O MEU CORPO." "E tomando o cálice, deu graças e deu-lho

dizendo: Bebei dele todos." "Porque este é o meu SANGUE do novo

testamento, que será derramado por muitos, para remissão dos

pecados."; (S. Marcos, XIV (22-24)): "E quando eles estavam comendo,

tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse:

Tomai, ISTO É O MEU CORPO." "E tendo tomado o cálice, depois que deu

graças, lho deu: e todos beberam dele." "E Jesus lhes disse: ESTE É O

MEU SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos."; (S.

Lucas, XXII (23-25)): "Também depois de tomar o pão deu graças e partiuo

e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto

em memória de mim." "Tomou também da mesma sorte o cálice, depois

de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que

será derramado por vós.;( I Coríntios, XI, 23-29): ""Porque eu recebi do

Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em

que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e

comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em

memória de mim. Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice,

dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em

memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes

que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do

Senhor, até que ele venha. Portanto todo aquele que comer este pão ou

beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.

Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba

deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e

bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor"

P252. No decorrer de sua pregação fez, Nosso Senhor, alguma referência

a esta instituição?

R. Sim. Aos seus discípulos, em Cafarnaum, Jesus lhes dissera que era

necessário comer sua carne e beber seu sangue, para se alcançar a vida

eterna.

Para efetuar esse milagre, disse simplesmente após a Ceia: Tomai e

comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue. Eis a

consumação deste divino sacrifício no cumprimento de todos os

mistérios.

Nele Cristo renova sua morte, sua ressurreição e sua vida gloriosa.

Através dele Cristo alimenta sua Igreja com seu próprio corpo para tornála

um corpo santo, sempre vivo, e dar-lhe a graça da imortalidade

gloriosa. Seria possível imaginar palavras mais significativas, termos

Catecismo da Santa Missa

41

mais fortes, mais enérgicos em sua sensibilidade, ou mais expressivos

em seu sentido do que os que Ele empregou? –Este é o meu corpo, este é

o meu sangue; fazei isto. Estas palavras de Jesus são absolutamente

decisivas.

P253. Por que as palavras empregadas por Nosso Senhor "Tomai e comei,

isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue" são decisivas?

R. As palavras empregadas por Nosso Senhor são decisivas porque

foram proferidas pelo próprio Deus (Filho); portanto, ao mesmo Deus

onipotente que dissera "faça-se a luz" (Gen) e a luz foi feita,

reconhecemos o infinito valor daquelas sublimes palavras.

P254. Não encontramos referência à instituição da Eucaristia no

Evangelho de S. João?

R. Apesar de não descrever a Santa Ceia, S. João penetra no coração do

Salvador e nos expõe os sentimentos que dirigiam a ação de Nosso

Senhor naquela ocasião, dizendo: "tendo Jesus amado os seus, os amou

até o fim" (Jo 13) e, podemos acrescentar, até em excesso.

P255. Por que S. João fez aquela afirmação?

R. Para nos revelar que Jesus, Deus onipotente, na Ceia, nos deu a maior

prova do seu amor, nos deixando seu próprio corpo e seu próprio sangue,

como alimento espiritual.

P256. Como essa dádiva de Jesus chega a nós?

P. Através do poder de oferecer o sacrifício instituído no Cenáculo, pois,

Nosso Salvador deu claramente aos apóstolos, e sucessores, este poder,

por meio destas palavras:"Fazei isto em minha memória".

P257. Que significa essa ordem dada aos apóstolos e sucessores por

Nosso Senhor?

R. Através dessa expressão Nosso Senhor ordena aos apóstolos e

sucessores que não devem fazê-lo somente como lembrança e simples

representação do que Ele fizera, mas sim, "Fazei isto", que Ele mesmo

fizera e como realmente fizera.

P258. Além do significado vital acima exposto, que mais podemos deduzir

daquela ordem?

R. Pelas palavras empregadas por Nosso Senhor deduz-se que Ele ordena

aos apóstolos que não façam outro sacrifício, distinto ou separado da

oblação que Ele fizera, mas sim o mesmo que Ele ofereceu: "Tomai e

comei, pois isto é o meu corpo; tomai e bebei, pois este é o cálice do meu

sangue".

P259. Que significa "em minha memória"?

R. A expressão final da ordem de Nosso Senhor quer dizer:

a – Fazei em minha memória, porque sou vosso Deus e Senhor;

b – Em memória da autoridade e poder que dei à minha Igreja;

c – Em memória dos meus padecimentos e de minha morte, que

renovareis todas as vezes que fizerdes isto;

d – Em memória da nova aliança que fiz com os homens, derramando

aqui meu sangue e, portanto, oferecendo-o em sacrifício;

e – Em minha memória, ofereceis esta oblação, ou efusão do meu sangue

misterioso, sobre esta mesa, que na Cruz confirma o Novo Testamento,

assegurando aos homens minha nova e irrevogável vontade de obter-lhes

as graças da salvação e da herança do céu, com a condição de serem

Catecismo da Santa Missa

42

fiéis aos meus preceitos e ao meu amor, e de fazer uso dos sacramentos

que estabeleci, pela remissão dos pecados.

P260. Que resumo podemos fazer, com as palavras empregadas por

Nosso Senhor, acompanhadas do seu significado, quando da instituição

da Eucaristia?

R. O relato do Evangelho, unido ao seu significado, Nosso Senhor diz:

fazei, portanto, o que eu fiz, em minha memória, em memória de minha

morte e da minha aliança; eu tomei o pão e o vinho; tomai esta matéria e

estes símbolos de oblação; eu os abençoei; abençoai-os; eu dei graças;

fazei o mesmo; eu parti o pão; parti-o; eu disse: isto é meu corpo, e eu

vos dei e vós o recebestes; tomai e dai aos outros: hoc facite.

P261. A ordem dada por Nosso Senhor era por um tempo determinado?

R. Não, pelo contrário, Nosso Senhor ordenou que se fizesse o que ele

mesmo fizera por todo o tempo que o homem deve passar na terra, pois

mandou que se renovasse a oferenda da sua paixão e morte, do seu

corpo imolado e do seu sangue vertido, até sua próxima vinda, quando

virá para julgar os vivos e os mortos. Portanto, por estas palavras, seu

poder passa para os sucessores dos apóstolos, herdeiros do mesmo

sacerdócio, e, diz Jesus, "eu estarei convosco", não só ensinando,

batizando, governando a Igreja, mas também oferecendo e consagrando

conosco, "todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat 28).

P262. Em que cerimônia da Igreja se cumpre a ordem deixada por Nosso

Senhor?

R. A cerimônia em que se cumpre a ordem de Nosso Senhor é a Missa,

que tem o poder, real e perpétuo, de oferecer e consagrar, o mesmo que

Cristo ofereceu e consagrou no Cenáculo, e no Calvário.

P263. Como podemos definir a Missa, após as explicações e significados

do que ocorreu no Cenáculo?

R. Podemos dizer que a Missa é "o altar em que temos o poder de

comer" (Heb13); "o trono em que está o Cordeiro de pé e, ao mesmo

tempo, imolado" (Apc 5), e que, nos nossos altares, continua o verdadeiro

sacrifício instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO VIII

Do valor e dos frutos do Sacrifício da Missa

P264. A Missa é somente a comemoração e a representação da cena do

Calvário?

R. Não. A Missa é a renovação e a continuação do sacrifício da cruz

repetido em nossos altares, de forma incruenta, além de também

comemorar e representar a cena do Calvário.

Catecismo da Santa Missa

43

P265. O valor da Missa é infinito? Por que?

R. Sim, o valor da Missa é infinito porque nela se oferece o corpo e o

sangue da segunda pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus

Cristo, portanto do próprio Deus.

P266. Que diferença há entre a Missa e a imolação do Calvário?

R. A diferença está no modo de se oferecer. Assim, no Calvário, a

imolação foi visível e cruenta; na Missa, a imolação é incruenta e

sacramental. No Calvário, como canta a Igreja, "somente a divindade de

Nosso Senhor estava velada aos sentidos, enquanto que na Missa está

velada também a humanidade" (Adoro te devote, Hino do Santíssimo

Sacramento).

P267. A Missa, portanto, é o mesmo sacrifício realizado na cruz?

R. Sim, por que em ambos temos o mesmo sacrificador, a mesma vítima –

que é Nosso Senhor Jesus Cristo – e, portanto, a mesma imolação.

P268. Na Missa, o sacrificador, então, não é o sacerdote que a celebra?

R. Não. O sacrificador é Nosso Senhor Jesus Cristo, que fala e atua

através do sacerdote. A Nosso Salvador, pontífice supremo, se une toda a

Igreja universal, todos os fiéis, que se oferecem com Ele, pelas mãos do

seu representante que é o bispo ou o sacerdote, ministros legítimos desta

oblação.

P269. Por quem se oferece a Missa?

R. Oferece-se a Missa por Jesus Cristo, por toda a Igreja, pelo sacerdote

que a celebra, e por todos os cristãos.

P270. Como os fiéis podem participar deste oferecimento?

R. Os fiéis podem participar do oferecimento da Missa de diversos

modos:

A – em ato, quando assistem e participam da sua celebração;

B – de modo mais precioso, quando, além de ser em ato, fazem oferecer a

vítima, Jesus Cristo, por eles e em seu nome;

C – de modo habitual, todos os fiéis, pois que, unidos a Jesus pela

caridade e à Igreja pela fé, formam um só corpo, membros recíprocos uns

dos outros, participando de todos os benefícios do corpo inteiro.

P270. Por que o sacrifício consumado no Calvário é o mesmo sacrifício

realizado na Missa?

R. Porque o essencial do sacrifício do Calvário consiste na oblação que

Jesus Cristo fez do seu corpo, que é a mesma oblação da Missa. Assim,

tanto no altar como no Calvário, apresenta-se a mesma vítima, o corpo e o

sangue de Nosso Salvador, sob as espécies de pão e vinho, para tornar

sensível a presença dessa vítima. A imolação real é a mesma, ocorrendo

em cada Missa, e em todas as Missas, sem multiplicar o sacrifício, como

veremos.

P272. Que prova o Evangelho nos dá para nos mostrar que o essencial do

sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo consiste na oblação que Ele fez

do seu corpo?

R. O Evangelho nos mostra que Nosso Senhor quis instituir o sacrifício

do seu corpo e do seu sangue na véspera da sua morte, após a Ceia, e

não no mesmo instante em que morreu, para estabelecer claramente a

verdade e a igualdade do mesmo sacrifício. Assim, Ele poderia tê-lo

Catecismo da Santa Missa

44

oferecido após a sua paixão, como em qualquer tempo antes da própria

Ceia.

P273. Então a oblação do sacrifício de Nosso Senhor independe do

tempo?

R. Sim, e ao reafirmar a oblação da cruz no dia seguinte após a morte de

Cristo, ou um ou mil anos depois, até o último dia do mundo, se oferece

absolutamente o mesmo sacrifício, e as Missas são atos da repetida

oblação da única imolação única de Jesus Cristo.

P274. Para a unidade do sacrifício não é então necessária uma união

física da imolação e da hóstia imolada?

R. Não. Pelas próprias palavras do Evangelho, basta a união moral entre a

imolação e a hóstia imolada, uma referência moral, uma relação moral ao

tempo da imolação. Assim, Nosso Senhor, na Ceia, oferece sua morte

futura, no Calvário, sua morte presente, e no céu, e no altar, sua morte

passada, pelo mesmo ato da mesma vontade de se oferecer: a oblação se

multiplica por distintos atos, mas a imolação é só uma, como único é o

sacrifício.

P275. Podemos encontrar a confirmação desse ensinamento em outros

livros da Sagrada Escritura?

R. Sim, S. Paulo, por exemplo, defende e confirma esse ensinamento em

diversas passagens. Assim declara este santo apóstolo:

1 – Hebreus 10:

a – que Jesus Cristo, desde sua vinda ao mundo, manifestou sua vontade

de se oferecer a Deus Pai em holocausto;

b – que, com este único holocausto, revogou os sacrifícios antigos, para

substituí-los com o seu ("aufert primum ut sequens statuat");

c – que, por esta única vontade, concebida desde a encarnação e

fielmente cumprida até a sua morte na cruz, fomos santificados pela única

oblação do seu corpo;

2 – Hebreus 9 e 7:

a – que Nosso Senhor não se limitou em derramar seu sangue na cruz

para a remissão dos nossos pecados (Heb 9), mas também que, na

unidade do mesmo sacrifício, o recolheu e levou-o, não ao templo judeu,

que não passava de um exemplo e uma figura, mas ao santo dos santos,

ao céu, para apresentá-lo diante de Deus em nosso favor, como mediador

e pontífice (Heb 7);

P276. Que mais nos ensina S. Paulo naquelas epístolas?

R. S. Paulo nos ensina que Jesus Cristo é o mediador de uma aliança

mais excelente que a antiga, em todos os aspectos, principalmente pela

sua duração: imortal na natureza humana com que se revestiu e, fazendose

sacerdote por toda a eternidade, seu sacerdócio é sem fim, pois, na

terra, estabeleceu sacerdotes com sucessores, enquanto que, no céu, Ele

intercede por nós.

P277. Como a Igreja manifesta esse ensinamento de S. Paulo?

R. A Igreja sempre celebrou o dia da Ascensão de Nosso Senhor ao céu,

onde sem cessar Ele oferece ao seu Pai os ferimentos que sofreu por

nossas iniqüidade, e que, por meio desse contínuo oferecimento, nos

alcança a entrada perpétua na aliança de sua paz.

Catecismo da Santa Missa

45

P278. A oblação de Nosso Senhor foi sempre a mesma e única imolação?

R. Sim. O desejo da oblação de Nosso Senhor se manifesta desde a sua

Encarnação, se constitui no Cenáculo, se executa na cruz, se perpetua no

céu e, no entanto, só há uma única imolação de Jesus Cristo porque,

como diz S. Paulo (Heb 9) este Deus salvador morreu somente uma vez

para expiar os pecados de todos os homens e, agora, não morrerá mais,

pois jamais a morte terá domínio sobre Ele, depois da vitória que Ele teve

contra ela (Rom 6).

P279. Qual é, em resumo, o ensinamento de S. Paulo?

R. S. Paulo nos ensina que Jesus Cristo ofereceu, com um só desejo,

desde a Encarnação até o Calvário, e por esse mesmo desejo oferece

esse sacrifício único desde a cruz até o céu, onde renova, sem cessar, por

meio de oblações mil vezes repetidas, sua imolação já consumada e

cumprida. Assim, pelas palavras da consagração na Missa, Nosso Senhor

se apresenta no altar, não só sob os símbolos da morte e num estado de

imolação aparente, mas também como Ele se encontra, à direita de Deus

Pai, sacerdote eterno, supremo pontífice e mediador da nossa aliança, e

dom da nossa paz; sendo agora o mesmo que se apresenta na celebração

da Missa, sempre vivo e intercedendo por nós, oferecendo suas chagas

que salvaram o mundo, e perpetuando seu sacrifício sem interrupção.

P280. O que se constitui a verdadeira oblação da Missa?

R. A presença de Jesus Cristo, oferecendo sua morte se constitui na

oblação verdadeira da sua imolação real e a rigorosa continuação do seu

sacrifício na cruz; os atos de oblação são atuais, distintos e

multiplicados; mas sempre é a oblação da mesma vítima do Calvário e a

mesma imolação desta vítima.

P281. Seria possível explicar esse princípio com um exemplo?

R. Sim. Suponhamos que Deus tivesse querido estabelecer um sacrifício

muito solene para a entrada e posse do seu povo na terra prometida, e

que tivesse declarado que este sacrifício, único em sua classe, não fosse

oferecido pelos filhos de Aarão em nome dos seus irmãos, mas por cada

israelita de cada tribo e família; suponhamos ainda que a vítima fosse

representada somente por um cordeiro e que esta imolação se renovaria

por cada ato pessoal e individual. Suponhamos que Moisés, antes de dar

posse das terras além do Jordão às tribos de Gad, de Ruben e à metade

da tribo de Manasés, tivesse escolhido o cordeiro destinado ao sacrifício.

As tribos cujas possessões estariam já definidas passariam diante do

altar e, desfilando na sua ordem, apresentariam pelas mãos de cada

indivíduo aquele cordeiro para ser imolado. Moisés, já próximo da sua

morte, também o ofereceria, mas de forma mais solene. Josué, seu

sucessor para conduzir o povo de Deus, imola o cordeiro deixando-o no

altar banhado com seu sangue. As demais tribos de Israel, antes de

passar o Jordão, desfilam diante do altar e cada indivíduo oferece o

sangue derramado. Terminado o desfile e o oferecimento de todo o povo,

levam o sangue do cordeiro ao tabernáculo para ser nele conservado.

Depois os levitas o tiram todos os dias, e muitas vezes ao dia, para

oferecê-lo a Deus em nome de todo o povo, e este rito se conserva por

todas as gerações. Neste exemplo, poder-se-ia duvidar de que, apesar de

terem sido multiplicadas as oblações e que duraram por tanto tempo,

Catecismo da Santa Missa

46

somente foi efetuado por todos um só e único sacrifício, e que sua

continuação, enquanto subsistir o povo de Deus, não alteraria em nada a

sua identidade e a sua unidade?

Eis a imagem patente e o exemplo vivo do sacrifício da cruz que o

Cenáculo viu antecipar-se e que continua na Missa até a consumação dos

séculos: os justos que viveram antes de Jesus Cristo e que durante mais

de 4.000 anos passaram diante do seu altar para oferecê-lo com sua fé; e

após a consumação do sacrifício, todas as tribos da terra passam diante

deste mesmo altar, oferecendo realmente o mesmo Jesus Cristo imolado,

tornado presente pela instituição da autoridade divina o mesmo Deus do

Calvário, com seu corpo que é oferecido, com seu sangue que é

derramado sem cessar, para a remissão dos pecados.

A Missa é realmente, portanto, quer em relação ao sacerdote, à vítima e à

imolação, o mesmo sacrifício da cruz; seu preço é, portanto, de valor

infinito, como a morte do Salvador. Eis, dentre outras conseqüências, as

que podemos tirar da prática deste sentimento católico que acabamos de

expressar e de provar.

P282. Por que explicar tão detalhadamente este tema?

R. Porque, ainda que comumente se ouve dizer e repetir diariamente que

a Missa é o mesmo sacrifício da cruz e que devemos assisti-la como

diante da cena do Calvário, freqüentemente acontece que não fixamos

bem suas conseqüências nos nossos corações, visto seu entendimento

não ter penetrado profundamente na nossa razão.

P283. Como podemos colocar em prática esse conhecimento mais

aprofundado da Missa?

R. Uma vez entendido melhor esta elevada teologia de S. Paulo, vemos o

profundo respeito, a viva confiança, a plenitude de fé e de amor que

devemos ter diante dos altares, nas Igrejas, pensando se tivéssemos

assistido a oblação da imolação do Calvário, como estaríamos unidos

mais estreitamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, como teríamos

recolhido com o maior cuidado cada gota do seu sangue, como teríamos

guardado cada batimento do seu coração, cada palavra da sua boca e

diríamos mil vezes com fervor: "Lembrai-vos de mim, Senhor" -"Memento

mei, Domine" (Lc 23), e com o coração cheio de dor e de arrependimento,

repetiríamos o grito de fé e de reconhecimento: este homem é o

verdadeiro Filho de Deus – "Vere Filius Dei erat iste" (Mt 27), e

quereríamos ajudar a preparar os perfumes e a sepultura de Deus vítima

e, principalmente, a desejar que os nossos corações lhe servissem de

túmulo.

P284. Com que respeito, e disposição de alma, nós devemos assistir o

santo sacrifício da Missa?

R. Se:

A - transportados em espírito como o apóstolo S. João (Apc 5) assistimos

no sublime altar do céu, onde Nosso Senhor celebra e oferece sem

cessar, por si mesmo e sem representante, e víssemos no trono de Deus

este cordeiro em pé, imolado, abrindo o livro da liturgia eterna para nele

ler o nome dos que aproveitam do seu sangue derramado, para fazer com

que os homens se inscrevam naquelas páginas de vida, segundo as quais

Catecismo da Santa Missa

47

se concluirá no fim dos tempos a Missa definitiva e a despedida

irrevogável;

B – ouvirmos ressoar no céu estas terríveis palavras: "As coisas santas

são para os santos; a felicidade, a bem-aventurança e a benção, para os

filhos de Deus; a Missa eterna para a inocência e para o

arrependimento; ... nós nos prosternaríamos diante do cordeiro para a

adoração com o coração arrependido e humilhado, e encheríamos os

incensos de ouro com a mais pura oração.

P285. Que outros princípios devem alimentar nossa alma ao assistir a

santa Missa?

R. Como a Missa continua na terra o mesmo sacrifício que continua no

céu, e que a mesma vítima sobe de um altar ao outro levando consigo

nossos desejos, e volta a descer carregada de bênçãos, ao assistir a

Missa devemos animar nossa alma com os mesmos pensamentos que

teríamos no céu.

P286. O valor da Missa é, pois, infinito?

R. O valor da Missa é infinito por se referir a Deus vítima, à suficiência do

tesouro dos seus méritos que, oferecidos por Deus-sacerdote, serão

sempre aceitos pelo Senhor, como dignos da sua majestade e da sua

justiça; o valor da Missa é de valor finito quanto ao exercício do sacerdote

secundário, que é um homem revestido de poderes divinos, e enquanto

aplicação que o Senhor nos faz dos méritos do seu Filho,

proporcionalmente à nossa fé, nossa penitência e nosso fervor.

P287. Quais são os frutos do sacrifício da Missa?

R. A Igreja nos ensina que a Missa opera por si mesma, e por sua virtude

própria, o perdão dos pecados; mas o opera de uma forma mediata, ou

seja, que pelo próprio ato do sacrifício, e sem nenhum meio ulterior, ela

obtém, para o pecador, a graça de se converter e de receber, no

sacramento da Penitência, a remissão das suas faltas.

Exemplificando: uma pessoa que pede a Deus a graça de mudar de vida e

de se confessar, mas sem assistir ao sacrifício da Missa, poderá obtê-la

somente em virtude do seu fervor e das suas instâncias, porém sempre

terá dúvida se de fato a obteve.

Contudo, se ela assiste a santa Missa com aquela finalidade, é certo que

receberá a graça pedida, de modo eficaz, desde que não oponham

obstáculos a ela, independentemente das disposições de quem celebra e

do fervor de quem assiste a celebração, entendendo-se o mesmo quanto

às demais graças para a salvação.

P288. Se a Missa produz a graça e a aplicação dos méritos do sangue e da

morte de Cristo, em que ela se diferencia dos sacramentos?

R. A diferença é que a Missa nos concede a graça de forma mediata,

enquanto que os sacramentos nos dão a graça imediatamente; a Missa é

uma via segura que conduz à vida, à graça, e os sacramentos são a

própria vida, a própria graça, com toda a sua eficácia.

P289. Que podemos concluir desse conceito?

R. Podemos concluir que a assistência à Missa é uma excelente

disposição para o perdão e a conseqüente justificação, considerando que

a Missa é o tribunal de misericórdia de primeira instância, se é permitido

Catecismo da Santa Missa

48

assim falar, e dela se passa ao tribunal de reconciliação de último

recurso.

P290. Haveria outra diferença entre a Missa e os sacramentos?

R. Sim. Há outra diferença mais favorável ao sacrifício: os sacramentos

só aplicam o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aos que são dignos

dele, enquanto que a Missa o aplica ao justo e ao pecador, ao que merece

e ao que nem é mesmo digno de recebê-lo. Isso porque os sacramentos

só produzem seus efeitos para os vivos, enquanto que a Missa estende

seus frutos de salvação aos vivos e aos mortos.

P291. Com que disposição esses princípios nos levam a assistência à

Missa?

R. Conseqüentemente, devemos ir "com confiança ao trono da

graça" (Heb 4) para alcançar a misericórdia e, naquele mesmo trono,

encontrar os socorros necessários às nossas necessidades.

P292. Que outro ensinamento tiramos desses princípios?

R. Devemos compreender quão preciosa é a prática dos fiéis que fazem

celebrar ou que assistem a Missa, sempre que precisam pedir alguma

graça a Senhor, e como tão mais santo é o costume de assisti-la

diariamente, para fortalecer-nos sem cessar com sua santa proteção.

P293. Qual a eficácia da Missa quanto às penas temporais devidas aos

nossos pecados?

R. Quanto às penas temporais devidas aos pecados, depois de terem sido

perdoados no sacramento da Penitência, a Missa as extingue

imediatamente aos que estão em estado de graça, assim como aos justos

do purgatório, cujas penas são eliminadas também imediatamente, se

bem que eles não podem merecer mais, nem mesmo recorrer a outros

meios.

294. A Missa redime sempre e imediatamente todas as almas do

purgatório?

R. Não. A Igreja nos ensina que a redenção das almas do purgatório, por

meio da aplicação dos frutos da Missa, se realiza conforme a vontade e os

desígnios de Deus. A Igreja diz que a Missa ajuda a redimir as almas do

purgatório, conforme estabelecido na seção 25 do Concílio de Trento.

Assim os fiéis costumam oferecer freqüentemente Missas aos defuntos.

Além deste fruto eficaz do sacrifício, oferecemos também, como fruto

secundário àquelas almas, as fervorosas disposições com que assistimos

a ela.

P295. Que nos ensina S. Tomás sobre essa questão?

R. S. Tomás nos ensina que a santa oblação é aplicada a cada um

proporcionalmente à sua devoção. Neste sentido a Missa opera segundo

a santidade de quem oferece e de quem assiste a ela.

P296. Mas a Missa não é somente oferecida a Deus?

R. Sim, a Missa é oferecida somente a Deus, a quem se deve unicamente

a adoração, o culto supremo e o reconhecimento total da nossa

dependência, em proveito do sacerdote, dos fiéis e das almas do

purgatório, isto é, rogando graças para essas fiéis pessoas.

Catecismo da Santa Missa

49

P297. Por que, então, oferecemos a Missa para a Virgem, Missa para os

defuntos?

R. Essas expressões são formas comuns que empregamos, para indicar

que as orações e leituras que precedem o cânon são em memória dos

santos ou dos fiéis defuntos. Embora o sacrifício só pode ser oferecido a

Deus, nele se faz menção aos santos, pois a Missa é o sacrifício de toda a

Igreja que Nosso Senhor o oferece como a cabeça do seu corpo místico,

que é a própria Igreja.

P298. Por que a Igreja menciona o nome dos santos em certas passagens

da Missa?

R. Porque a Igreja militante se une a Jesus Cristo para oferecê-la e, pelo

mesmo motivo, se une à Igreja triunfante, inseparavelmente unida à sua

cabeça.

P299. Por que a Igreja militante se une à Igreja triunfante?

R. Estas duas partes da sociedade dos filhos de Deus se unem para

implorar, pelos méritos de Cristo, a divina misericórdia em favor da Igreja

padecente, constituída pelas almas que sofrem no purgatório.

P300. A união da Igreja triunfante com a militante visa somente as almas

do purgatório?

R. Não, pois esta lembrança dos santos no altar se faz também para

felicitá-los pelas suas vitórias, para agradecer a Deus pelos seus

triunfos, para nos incentivar a imitar seus sacrifícios consumados, e para

nos fortificar, como diz o cânon da Missa, através dos seus méritos e

orações a Deus e Jesus Cristo, único mediador todo poderoso.

P301. Em resumo, a quem podemos oferecer a santa Missa?

R. A santa Missa se oferece a Deus, pelos vivos, justos ou pecadores, e,

em geral, por todos os que professam a fé católica. (A Igreja não reza

especificamente pelos cismáticos, hereges e pagãos, senão na Sexta-feira

Santa). Oferecemo-la também para os mortos para que descansem em

Jesus Cristo, e por todos os fiéis que padecem no purgatório.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO IX

Das disposições para se oferecer o Santo Sacrifício da Missa

§ 1 – DISPOSIÇÕES MATERIAIS

P302. A que se refere o termo "material", objeto do estudo deste §1?

R. "Material", aqui, se refere aos edifícios destinados à celebração do

sacrifício da Missa, ou seja, as igrejas, incluindo tudo o que nelas contém

para tal, como os altares, e tudo relativo a eles. Neste parágrafo não

iremos tratar dos vasos, dos tecidos sagrados, dos ornamentos, do

incenso e dos demais objetos do culto.

Catecismo da Santa Missa

50

P303. Qual foi o primeiro templo especificamente usado para o sacrifício

da Missa?

R. O primeiro templo especificamente utilizado para o sacrifício da Missa

foi o Cenáculo, lugar "amplo e bem adornado" (Lc 22) para a celebração

da Eucaristia, a pedido de Jesus Cristo – Deus.

P304. Por que Nosso Senhor exigiu um local "amplo e bem adornado"?

R. O mesmo Jesus Cristo, que nasceu num estábulo, pois não tinha onde

repousar sua cabeça, e que morreu na cruz, ordenou a seus discípulos

que procurassem um local "amplo e bem adornado", para justificar a

majestade e riqueza das nossas igrejas.

P305. Qual foi o primeiro altar do sacrifício da Missa?

R. O primeiro altar em que se realizou o sacrifício de Cristo foi o Calvário.

P306. Nos tempos de perseguição, onde se realizava o sacrifício da

Missa?

R. Em geral, na época de perseguição dos cristãos, o sacrifício da Missa

era realizado nas casas de alguns fiéis privilegiados, ou escondidos em

cavernas, bosques, calabouços ou catacumbas.

P307. Quando foram construídas as primeiras igrejas para a celebração

solene e pública do sacrifício da Missa?

R. Logo após o término das perseguições foram construídas as primeiras

igrejas para a celebração pública da liturgia da Missa, em honra do

verdadeiro Deus. Posteriormente, em todas as partes, a piedade e arte de

cada século contribuíram para a grandeza e riqueza das construções,

sempre erigidas, fundamentalmente, para a celebração do sacrifício da

Missa.

P308. Dentre os diversos estilos arquitetônicos das igrejas, qual foi o

mais significativo quanto à piedade e grandeza devidas a Deus?

R. Foi o estilo gótico que consagrou a Deus suas majestosas catedrais,

com suas elegantes cúpulas e formas grandiosas. Também os elevados

campanários nas pequenas aldeias, rompendo com graça a uniformidade

da paisagem, anunciavam por toda parte o tabernáculo de Deus entre os

homens.

P309. A construção das igrejas seguia alguma regra específica?

R. Sim; seguia uma tradição específica, conforme o testemunho do autor

das "Constituições apostólicas".

P310. Que recomendava aquela tradição referente à construção de

igrejas?

R. Havia uma série de recomendações quanto:

A – a forma: que deveria ser ampla e semelhante a uma nave — daqui vem

o nome do corpo principal do templo;

B – a orientação: deveria estar voltada para o Oriente — origem da luz,

simbolizando Nosso Senhor, Luz do mundo;

C – a sacristia: ao lado do altar, onde se colocariam os objetos do culto,

incluindo os paramentos litúrgicos;

D – a cátedra, ou sedia, do bispo: localizada no fundo da catedral, com os

assentos para os sacerdotes à sua direta e à sua esquerda;

E – o altar: no meio do santuário, como são vistos nas igrejas românicas;

F – o santuário: fechado por uma balaustrada;

Catecismo da Santa Missa

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G – a frente do altar: local para os clérigos menores, seguidos dos fiéis,

onde havia o púlpito para as leituras e sermões.

P311. Como se dispunham os fiéis na catedral?

R. Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro, para melhor

conveniência do ósculo da paz. Viria depois local reservado aos

catecúmenos e aos penitentes públicos

P312. Quantas portas havia nas igrejas primitivas?

R. Em geral havia três portas: a principal, ou grande porta, à frente do

edifício; a porta menor, que separava os fiéis dos catecúmenos e

penitentes públicos; e a chamada porta santa, que fechava a parte do

santuário, e que servia de balaústre para a mesa da comunhão.

P313. Que semelhanças há entre aquelas igrejas primitivas e as atuais?

R. Há inúmeras, como por exemplo:

1 – a Cruz externa, sobre o edifício ou sobre o campanário, indicando o

sacrifício que se renova no templo católico;

2 – os sinos, como a voz do sacerdote, convocando os fiéis;

3 – as pias de água benta: ao lado da entrada, lembrando a pureza exigida

na oblação;

4 – os confessionários: como meios para, através do sacramento da

penitência, ou confissão, recuperarmos a graça de Deus, perdida pelos

pecados;

5 – a cruz na frente do altar: indicando aos fiéis que devem unir o

sacrifício do seu coração à imolação da grande vítima do mundo;

6 – local para o coro e o órgão;

7 – capelas laterais, possibilitando a multiplicidade de Missas;

8 – relicários, imagens que nos lembram a glória dos santos e que já

consumaram seu sacrifício;

9 – finalmente, e acima de tudo, o altar, que é o ponto central das nossas

igrejas.

P314. Que significa a palavra ‘altar’?

R. A palavra ‘altar’ deriva de ‘altus ’ significando ‘elevado’. Entre os

gregos, o termo utilizado era thusiasterion, que significa ‘ lugar da

imolação’.

P315. Que afirmou s. Gregório sobre o altar do sacrifício?

R. S. Gregório nos diz que o altar do sacrifício é de pedra comum,

semelhante a que usamos para levantar muros, porém devidamente

abençoado e consagrado ao Senhor.

P316. Havia altares sobre túmulos?

R. Sim, às vezes erguiam altares sobre túmulos de mártires, e sua forma

externa era de uma sepultura. Mas, como dizia Sto. Agostinho, o altar era

somente para Deus, embora contendo os restos mortais de mártires.

Disto surgiu o costume de se colocar relíquias de santos nos altares,

costume que não só nos apresenta uma imagem do céu, onde S. João viu

no altar as almas dos mártires (Apc 6), mas nos mostra também um

espetáculo digno dos anjos e dos homens: Jesus Cristo, vítima universal

oferecida a Deus sobre o corpo das suas vítimas, estimulando os fiéis ao

sacrifício das suas vidas, pelo menos moralmente.

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P317. Todos os altares são iguais?

R. Não. Os altares são diferenciados segundo a forma de sua

consagração ou da sua finalidade, havendo, basicamente, três tipos de

altares:

A – Fixo: quando a pedra inteira é consagrada;

B – Portátil: quando foi consagrada somente a pedra central;

C – Privilegiado: altar em que se permite celebrar missas de defuntos

mesmo nos dias proibidos em outros altares, ou que gozam de

indulgências temporais ou perpétuas específicas.

P318. Por que o altar está sempre acima do nível do solo?

R. O altar deve ficar acima do nível do solo, elevado pelo menos por um

degrau ou base, para corresponder ao significado literal e místico do seu

próprio nome e da sua finalidade.

P319. Como a elevação do altar acima do solo corresponde a sua

finalidade?

R. Como a oração é a elevação da alma a Deus, assim também é o

sacrifício celebrado no altar, sinal público da mais excelente oração, que

deve ser oferecido num lugar elevado para nos lembrar que devemos nos

separar da terra, e nos elevarmos para o céu, aproximando-nos

espiritualmente do trono da misericórdia de Nosso Senhor.

P320. O que deve ser colocado no centro do altar?

R. No centro do altar deve ser colocado um tabernáculo, no qual se

conservam as hóstias consagradas para a comunhão dos fiéis, ou

levadas aos enfermos, e a hóstia que é exposta à adoração nos ofícios

públicos.

P321. O que se coloca nas laterais do altar, ao lado do tabernáculo?

R. Tanto à direita como à esquerda do tabernáculo, colocam-se pequenos

degraus, com flores, e candelabros com velas. Pelo menos duas velas

devem estar acesas durante a santa celebração, multiplicando-se

conforme a solenidade dos dias.

P322. Como o altar deve ser revestido?

R. O altar deve ser coberto por três toalhas bentas, sobre as quais colocase

um missal apoiado em pequena estante, e três quadros denominados

cânones do altar (sacras), um ao centro, contendo o texto que é recitado

no meio do altar em momentos em que o sacerdote não possa ler

comodamente o missal; o da direita, contém as orações da infusão do

vinho e da água no cálice e o salmo do Lavabo; o terceiro, à esquerda,

contém o último Evangelho segundo S. João.

Nas Missas solenes e cantadas coloca-se ainda no altar o livro das

epístolas e dos Evangelhos, e antigamente os instrumentos para o ósculo

da paz.

P323. Por que se acendem luminárias durante a Missa?

R. A origem deste costume se encontra no início da era cristã, no tempo

das perseguições, em que os fiéis, obrigados a celebrar os santos

mistérios em lugares escuros e antes do raiar do dia, precisavam acender

tochas que, às vezes, eram multiplicadas como sinal de alegria.

P324. Há referência desse costume na Escritura?

R. Sim. S. Lucas, nos Atos dos Apóstolos, 20, 7- 8, nos revela que, no

local onde S. Paulo pronunciou um extenso discurso aos fiéis no primeiro

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dia da semana (domingo) havia uma grande quantidade de luminárias. Aí

lemos: "E, no primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fração do

pão, Paulo, que devia partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou

o discurso até a meia-noite. E havia muitas lâmpadas no Cenáculo, onde

estávamos reunidos".

Além disso, Eusébio nos diz que, na noite de Páscoa, além da iluminação

das igrejas, o imperador Constantino ordenava acender todo o tipo de

tochas em todas as ruas da cidade, para que aquela noite fosse mais

brilhante que o dia mais claro (Euséb., História Ecles., 1. 5, c. 7).

Assim, o costume das luzes durante a celebração da Missa é uma

lembrança da mais remota Antigüidade, e como manifestação da alegria

espiritual dos fiéis naquele santo momento.

P325. O costume de acender luzes não surgiu, portanto, da pura

necessidade natural de iluminação?

R. Não, pois, nos séculos III e IV, apesar da profunda paz reinante, na qual

a Igreja podia celebrar livremente, e com grandiosidade, cerimônias mais

solenes, sempre se acendiam lampadários durante o dia.

P326. Há alguma referência histórica sobre esse tema?

R. Sim, por exemplo, quando o herege Vigilâncio se atreveu a acusar a

Igreja de superstição porque pessoas piedosas acendiam velas durante o

dia nos túmulos dos mártires, S. Jerônimo lhe respondeu indignado,

referindo-se aos ofícios eclesiásticos: "Nós não acendemos luzes durante

o dia senão para mesclar de alguma alegria as trevas da noite; para velar

com a luz, e evitar dormirmos como vós, na cegueira das trevas" (S.

Jerônimo, Epist. ad Vigilant ).

P327. Por que o testemunho de S. Jerônimo é importante para esse

assunto?

R. Porque ninguém como ele poderia estar melhor informado sobre esse

costume, pois ele havia visitado toda a Gália (França) e percorrido todo o

Oriente e Ocidente. Assim, podemos dizer, sob sua autoridade, que não

se acendiam luzes durante o dia porque haviam sido usadas no decorrer

da noite, mas que nas igrejas do Oriente se acendiam luzes por motivos

místicos: "Em todas as igrejas do Oriente, diz ele, se acendem velas

durante o dia quando se lê o Evangelho, não para ver claro, mas como

sinal da alegria e como símbolo da luz divina, luz da qual diz o salmo:

vossa palavra é a luz que ilumina meus passos" (Id.)

Esse mesmo motivo místico, que levou os fiéis a acender velas durante a

leitura do Evangelho, determinou o costume posterior de mantê-las

acesas durante a celebração do sacrifício em que Nosso Senhor, que é a

verdadeira luz dos homens, está realmente presente; no qual o pontífice e

o sacerdote, em suas elevadas funções, representam esta divina e

evangélica claridade.

P328. Por que a Igreja sempre aprovou esses costumes?

R. A Igreja sempre aprovou esses costumes simbólicos porque eles são

ensinamentos simples e edificantes para o povo.

P329. Há outros exemplos da utilização da luz como símbolo da fé?

R. Sim, por exemplo, o antigo costume de se colocar nas mãos do recém

batizado um círio, e S. Cirilo de Jerusalém, no ano 550, dizia que estes

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círios acesos são símbolos da fé que se deve conservar com todo o

cuidado.

P330. Por que se abençoa e se acende o círio pascal?

R. Há mais de 1200 anos se benze e se acende o círio pascal para que a

benção desta luz nos permita a contemplar a sagrada ressurreição, ou

seja, o brilho luminoso da nova vida de Jesus Cristo, como afirma o 4º

Concílio de Toledo, no ano 633, ao censurar as igrejas que não

observavam esta cerimônia.

P331. Por que se levam círios na festa da apresentação de Jesus no

Templo, e purificação de Nossa Senhora?

R. Levam-se círios na comemoração daquelas festas para que os fiéis

possam participar da alegria de Simeão ao tomar o Menino Jesus em seus

braços, expressando que Ele era a alegria das nações e para indicar que

devemos nos consumir diante do Senhor, unidos em Jesus Cristo, como

se consome a vela que levamos.

P331. Por que se acendem velas nas cerimônias fúnebres?

R. No século IV, os corpos dos fiéis que haviam falecido na fé eram

levados à igreja, em procissão com círios acesos. S. Paulo, S. Simeão

Estilista e o próprio imperador Constantino, assim foram conduzidos para

indicar, com este solene séqüito de luminárias, que eles eram verdadeiros

filhos da luz.

A quantidade de velas que ardiam, dia e noite, no túmulo dos mártires,

conforme nos dizem S. Paulino e Prudêncio, brilhavam em homenagem à

luz celestial de que usufruíam aqueles santos e que fazem a alegria dos

cristãos: "Nasce a luz para os justos, e a alegria para os retos de

coração" (Salmo 96, 11).

Da mesma forma, os círios acesos durante o dia nas igrejas foram sempre

considerados símbolos da verdadeira luz, conforme nos diz S. Jerônimo e

Sto. Isidoro (Etym., 1. 7, c. 12).

P332. Que diziam S. Pedro e S. Paulo utilizando a luz como símbolo?

R. S. Pedro dizia: todos vós sois filhos da luz e do dia; e S. Paulo: antes

vós éreis trevas, mas, agora, sois a luz no Senhor: andai como filhos da

luz.

P333. O que nos diz o Micrólogo sobre a luz nas missas?

R. Afirma que nós nunca celebramos a missa sem luz, não para dissipar o

escuro, visto que é dia, mas para figurar e anunciar a luz eterna e divina

cujos sacramentos e gloriosos mistérios celebramos.

P334. Haveria ainda algum outro motivo para se acender luzes durante a

Missa?

R. Sim. A Igreja acolhe também este costume por sua relação ao

espetáculo testemunhado por S. João no céu, quando viu o Filho do

Homem entre sete candelabros de ouro. Os círios acesos nos advertem

que devemos nos comportar como filhos da luz com a prática de atos de

caridade, de justiça e de verdade.

Catecismo da Santa Missa

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§ 2 – PREPARAÇÕES INTERIORES

Preparação particular dos sacerdotes indicadas nas rubricas

P335. Que significa o termo ‘rubrica’?

R. Deu-se o nome de ‘rubrica’ às observações escritas em letras

vermelhas no sacerdotal, texto utilizado pelos sacerdotes como

preparação da Santa Missa, e no próprio Missal. Esta expressão vem do

antigo direito romano, cujos títulos, regrasou decisões principais, eram

escritas com caracteres em vermelho (rubro). As rubricas da Missa

prescrevem o modo de recitá-la, para que fossem mais facilmente

distinguidas no texto.

P336. Quando foram ordenadas as rubricas do Missal?

R. No final do século XV, pelo mestre de cerimônias Burcard, durante o

pontificado dos Papas Inocêncio VII e Alexandre VI, sendo impressas pela

primeira vez no Missal em 1485, em Roma, e no sacerdotal alguns anos

depois, sob o pontificado de Leão X. Posteriormente, durante o Concílio

de Trento, em 1570, o Papa S. Pio V reordenou e distribuiu as rubricas nos

títulos do Missal.

P337. Que prescreve a rubrica no sacerdotal?

R. A primeira prescrição aos sacerdotes é que eles devem se confessar

caso seja necessário.

P338. Por que essa regra?

R. Porque ela é conseqüência direta do preceito do apóstolo que disse:

quem comer o pão da vida e beber o cálice do Senhor indignamente será

réu do corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; ou seja, o

sacerdote deve estar em estado de graça, que é também prescrito a todos

as fiéis para receberem o sacramento da Eucaristia. O estado de graça

não abrange somente a disposição do sacerdote e dos fiéis, mas também

inclui o discernimento conveniente entre o corpo de Nosso Senhor e o

alimento que a providência concede indistintamente a justos e pecadores.

P339. Qual é a segunda rubrica para a preparação do sacerdote?

R. Ela prescreve também que o sacerdote deva ter rezado pelo menos as

matinas e as laudes, conjunto de orações do ofício noturno e da manhã.

P340. Por que se exige dos sacerdotes pelo menos tais orações antes da

Missa?

R. Sempre foram feitas longas orações vocais antes da Missa para excitar

aqueles desejos que, como diz Sto. Agostinho na Epist. ad Probam,

produzem mais efeito quanto mais se animam. Este costume, que é a

preparação remota do santo sacrifício, remonta à antiguidade, pois já no

século VI sabemos que Sto. Atanásio celebrava as vigílias na igreja

quando teve que partir para o desterro. O motivo da celebração deste

ofício, praticado por Sto Atanásio, é que ele devia recitar na igreja a

Sinaxe, ou seja, a assembléia para o sacrifício, costume que ainda

conserva resquícios em certas catedrais em que será celebrada Missa

solene.

P341. Por que a rubrica estabelece explicitamente a condição ‘pelo

menos’?

R. Pelo menos, porque se a Missa é celebrada mais tarde exige-se então a

recitação dos demais ofícios decorridos entre laudes (5h da manhã) e a

Missa.

Catecismo da Santa Missa

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P342. Que outra rubrica é prescrita ao sacerdote antes da Missa?

R. Outra rubrica ordena ao sacerdote aplicar algum tempo à oração. De

fato, não basta a oração pública: a oração mental deve sempre estar

unida à oração vocal.

P343. Que considerações deve fazer o sacerdote nessa preparação?

R. O sacerdote deverá considerar:

A - a excelência e a majestade dos mistérios dos quais ele será o ministro,

e sua profunda indignidade em celebrá-lo;

B - dirigir sua atenção à oferenda do santo sacrifício e levar a este trono

de misericórdia a mais viva fé, a pureza mais escrupulosa e o amor mais

ardente a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Antigamente, em algumas catedrais em que seriam celebradas missas

solenes com a presença de grande número de assistentes, o celebrante

passava a semana anterior em retiro, para que essa contrita preparação

não fosse perturbada pelo movimento natural e ruído das pessoas.

P344. Quais eram as orações marcadas pela rubricas?

R. Havia muita variedade. Assim, no século X, o sacramental de Tréveris,

indica os três primeiros salmos, seguidos da ladainha aos santos. No

século XI, o Micrólogo indica os quatro primeiros salmos, como se

encontram nos missais e breviários. A Igreja deixa à devoção de cada

sacerdote a escolha das orações para sua preparação, para alimentar

melhor sua fé e a sua piedade.

§ 3 - PREPARAÇÕES EXTERIORES

P345. Qual é o primeiro dever exterior do sacerdote?

R. O sacerdote deve preparar o que deverá ler no Missal, para entendê-lo

e recitá-lo melhor, bem como para evitar enganos que poderão prejudicar

a atenção e o acompanhamento dos assistentes, fazendo-os cansar, ao

procurar a correta seqüência do texto.

P346. Que outro ato externo o sacerdote deve cumprir como preparação à

celebração do santo sacrifício da Missa?

R. Antes do sacrifício, o sacerdote deve lavar suas mãos na sacristia,

regra seguida em todas as épocas e povos. A lei antiga (Ex. 30, 18) a

determinava expressamente, e os cristãos jamais a descuidaram, como

recomendavam S. Cirilo e S. Crisóstomo. Além disso, S. Cesáreo

ordenava a todos os participantes que lavassem suas mãos para receber

a eucaristia, como respeito ao santo sacrifício.

P347. Que visava a Igreja ao prescrever aquela ablução?

R. A Igreja prescrevia lavar as mãos como sinal externo da pureza interior

necessária para entrar no santuário, como pede a oração pronunciada

durante aquele ato: “Senhor, tornai minhas mãos puras, para que eu

possa servir sem mancha alguma corporal ou espiritual.”

P348. Que mais é prescrito ao sacerdote como preparação externa do

santo sacrifício?

R. O sacerdote deve preparar o cálice como observa a rubrica do Missal.

P349. Como deve ser o cálice?

R. O cálice deve ser uma taça de prata, dourado, consagrado pelo bispo e

que serve para a consagração do vinho em sangue de Nosso Senhor

Jesus Cristo.

Catecismo da Santa Missa

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P350. Em que consiste a preparação do cálice?

R. Esta preparação consiste em ordenar:

A - o cálice, que deverá ser bem lavado e secado;

B - o purificatório, isto é, o lenço que cobre o cálice, que serve para

enxugar e purificar no altar as taças do sacrifício, e que é como um pano

sagrado da mesa divina;

C - a patena, pequena bandeja arredondada, de prata dourada,

consagrada como o cálice, na qual será colocada a Hóstia, corpo de

Nosso Senhor Jesus Cristo; ela é disposta sobre o cálice e sobre o

purificatório;

D - o pão, também chamado de hóstia ou vítima, que é a matéria

destinada a converter-se no corpo do nosso Salvador; este pão, de

farinha sem levedura, de forma redonda e fino, coloca-se inicialmente na

patena que é coberta pela palio, lenço bento, para cobrir o cálice durante

a Missa, evitando, assim, que nada caia dentro dele. A palavra pallia, vem

de pallium, que significava capa ou cobertura;

E - o pano que cobre todo o cálice, do mesmo tecido e cor dos

paramentos;

F - finalmente, a bolsa que se coloca sobre o altar, à esquerda do cálice,

que contém o lenço sagrado, denominado corporal, termo oriundo da

palavra latina corpus, que é o quarto pano estendido para receber o corpo

de Cristo e as partículas que poderiam eventualmente se desprender da

hóstia consagrada.

Após essa preparação, o sacerdote e seus auxiliares se revestem com os

paramentos específicos para rezar a Missa.

P351. Por que há variedade de cor nos paramentos do sacerdote, dos

seus auxiliares, e na ornamentação do altar, no decorrer do ano?

R. Assim como acontece nas comemorações civis, que são realizadas

com diferentes trajes conforme sua natureza, assim também nas

comemorações religiosas os fiéis usam de ornamentos específicos na

celebração do mais santo dos mistérios. Isso para melhor demonstrar aos

fiéis, através da sensibilidade, a particular natureza da comemoração:

dias festivos, como o Natal, a Páscoa, com paramentos claros;

comemorações fúnebres, como as da Paixão, com paramentos pretos, ou

seja, para realçar exteriormente o brilho ou a gravidade das funções

divinas.

P352. Quem estabeleceu os paramentos para as funções divinas?

R. Foi o próprio Deus, no antigo Testamento, quem determinou os

diferentes vestuários sagrados que deveriam ser utilizados pelos

ministros conforme a natureza do culto a ser prestado. S. Jerônimo, ao

comentar o que diz Ezequiel sobre o culto divino:

“Não devemos entrar no Santo dos Santos, nem celebrar os sacramentos

do Senhor trajando roupas comuns de uso diário... A religião divina tem

um traje para o ministério e outro para o uso comum”.

P353. É absolutamente necessário, para a celebração dos santos

mistérios, o brilho externo dos paramentos sacerdotais e ornamentos do

altar?

R. Evidentemente, não, pois não há dúvida alguma que os santos

mistérios, infinitamente grandes em si, não necessitam de nenhum brilho

Catecismo da Santa Missa

58

externo. Assim, por exemplo, no tempo das perseguições o santo

sacrifício era oferecido com uma consciência pura da sua natureza, sem o

uso de paramentos específicos, devido às circunstâncias extremamente

perigosas para os cristãos. Porém, os homens precisam de sinais

externos, visíveis e sensíveis, para lembrá-los interiormente da grandeza

invisível dos mistérios.

P354. Por que a Igreja utiliza paramentos e ornamentos extremamente

ricos?Não bastariam o asseio corporal e a simplicidade dos paramentos?

R. A Igreja nunca receou celebrar os mistérios com majestade e riqueza

porque tudo o que é excelso e valioso no mundo, vem de Deus e deve ser

consagrado para sua glória, conforme afirmou o profeta “O ouro e a prata

me pertencem, diz o Senhor”, (Ageu, 2-9) representando a glória do

templo do Desejado pelas nações.

Além disso, há inúmeras passagens na Sagrada Escritura nos revelando

como o próprio Deus determinou paramentos específicos e ricos para as

diversas cerimônias, bem como o uso de ouro e prata nos ornamentos do

Templo, como, por exemplo, Êxodo, 28 / 38 /39; I Reis 9 ; II Crônicas 3 e 5;

Esdras 8; Malaquias 3, etc.

Por isso a Igreja logo ergueu e adornou também ricamente templos tão

grandiosos, majestosos tão logo os imperadores e reis abraçaram ou

deram liberdade ao cristianismo.

P355. Há registros históricos desses acontecimentos?

R. Sim, e muitos, como por exemplo:

A - lemos em Teodoreto que o imperador Constantino deu a Macário,

bispo de Jerusalém, uma túnica tecida em ouro para que ele a usasse ao

ministrar o sacramento do Batismo;

B - Optato de Mileva escreveu que o imperador enviou muitos ricos

ornamentos para as igrejas;

C - S. Gregório Nazianzeno realça o brilho dos paramentos dos

sacerdotes;

D - Eusébio, bispo de Cesárea (313), fala dos paramentos dos bispos

como de trajes que os enobreciam;

E - o sacerdote Nepociano tinha tanto respeito e estima pela túnica que

usava para oferecer o santo sacrifício, que a deixou por testamento a S.

Jerônimo.

P356. Como foi estabelecido o traje específico do sacerdote para a

celebração da Missa?

R. Inicialmente, o uso de traje específico para a Missa foi observado por

devoção. Posteriormente, os Papas e os Concílios ordenaram aos

sacerdotes de celebrarem o santo sacrifício somente com paramentos

consagrados para esta santa ação, e proibiram, sob severas penas, de

servirem-se deles para o uso comum.

P357. Por que os paramentos da Missa devem ser abençoados pelo

bispo?

R. Para mostrar claramente o elevado e único fim a que são destinados.

P358. Como era a benção dos paramentos da santa Missa?

R. Segundo a liturgia de S. Jerônimo, os gregos os abençoavam cada um

em particular, com o sinal da cruz, acompanhado de oração específica,

sempre que os vestiam. Assim também faziam os latinos antigamente, e

Catecismo da Santa Missa

59

ainda nos nossos dias dizem orações semelhantes todas as vezes que os

impõem.

P359. Como eram, inicialmente, os paramentos utilizados pelos

sacerdotes?

R. No início os paramentos eram semelhantes ao vestuário comum, mas,

como estes sofreram algumas mudanças, assim também os paramentos

sagrados passaram por alterações, sendo hoje bem distintos uns dos

outros.

P360. Que é preciso analisar para se entender os paramentos utilizados

atualmente?

R. Para uma visão mais profunda dos paramentos é preciso estudar sua

origem, as alterações que foram estabelecidas tanto para o asseio como

para a comodidade, os objetivos da Igreja em ordenar e regulamentar seu

uso, e as orações pronunciadas pelos sacerdotes ao vesti-los.

P361. Quais são as peças dos paramentos sacerdotais para a celebração

da Missa?

R. As peças dos paramentos para a celebração da santa Missa são:

1 – O amito;

2 – A alba;

3 – O cíngulo;

4 – O manípulo;

5 – A estola;

6 – A casula;

7 – A estola dos diáconos;

8 – A dalmática;

P362. O que é o amito?

R. Amito, originário da palavra latina amicere, que significa cobrir, é um

lenço introduzido no século VIII para cobrir o pescoço, preservar a voz e

consagrá-la ao Senhor para cantar seus louvores. Em Roma, no século X,

foi considerado como um capus que ficava cobrindo a cabeça do

sacerdote enquanto este se paramentava, e o deixava cair sobre seu

pescoço imediatamente antes de começar a Missa.

P363. Qual é o procedimento atual do sacerdote ao vestir o amito?

R. O sacerdote toma o amito e pronuncia as seguintes palavras: “ Colocai

Senhor o capacete da salvação em minha cabeça.” Segundo o missal

romano, embora o amito seja colocado na cabeça e imediatamente no

pescoço, o sacerdote deve sempre lembrar-se do sinal que ele indica,

como sendo o capacete e a armadura contra os ataques do demônio e de

guarda da sua voz. A partir de então, entrar em profundo recolhimento e

guardar o mais rigoroso silêncio para celebrar o santo sacrifício.

P364. O que é a alba?

R. A alba, assim chamada devido à sua cor branca, era uma larga túnica

de linho usada por pessoas distintas, no Império Romano.

P365. Por que a Igreja passou a usá-la como paramento litúrgico?

R. Como explica S. Jerônimo (Adv. Pelag., 1, 1), a Igreja passou a usá-la

para indicar a dignidade da casa de Deus, e porque sua cor branca

simboliza a suma pureza dos que seguem na terra o cordeiro sem

mancha, e no céu, os anjos, representados e revestidos também com

túnicas brancas.

Catecismo da Santa Missa

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P366. Que oração acompanha o vestir a alba?

R. Ao vestir a alba, o sacerdote pede a Deus para torná-lo branco (puro)

no sangue do cordeiro e merecer participar das alegrias celestiais.

P367. Que é o cíngulo?

R. O cíngulo é um cinto em forma de cordão com que o sacerdote cinge a

cintura, pedindo a Deus que coloque um cinto em seus rins, para

conservar sua pureza.

P368. Que é manípulo?

R. Manípulo, originário do termo mappula, significa pequeno lenço,

chamado também de sudarium (enxugar o suor), na França e Inglaterra.

Da palavra mappula se formou o termo manípula, encontrado nos antigos

pontificais do século IX, ainda que é verossímel também que aquele termo

tenha sua origem na palavra manus, mão, porque se usava preso ao

braço ou à mão esquerda.

P369. Qual sua função no paramental litúrgico?

R. O manípulo substituiu o orarium, ou a estola, quando esta não serviu

mais para enxugar o pescoço e o rosto. Com o passar do tempo, o

manípulo passou a ser cada vez mais ornamentado, e no século XII já não

servia mais para a sua finalidade original. Assim, a partir de 1195, o

cardeal Lotário, futuro papa Inocêncio III, fala do manípulo, não mais para

enxugar o corpo, mas para enxugar a alma e o coração, para afastar o

temor dos trabalhos, suores e lágrimas evangélicas e infundir o amor às

boas obras.

P370. Com que oração o sacerdote o veste hoje?

R. Há mais de seiscentos anos os sacerdotes repetem a seguinte oração

ao vestir o manípulo: “Mereça eu, Senhor, usar o manípulo das dores e

lágrimas para receber com alegria a recompensa do trabalho”. Essa

oração se fundamenta no Salmo 125, 6: “Os que semeiam entre lágrimas,

com alegria ceifarão. Vão andando e choram, levando as sementes para

espalhar. Quando voltarem, virão com alegria, trazendo os seus

punhados.” Manípulos, no Salmo, significa também feixes, punhado.

P371. O termo manípulos, neste Salmo, tem outros sentidos?

R. Sim. No Salmo acima há dois significados para aquela palavra: o

primeiro, indica o punhado que carregavam nas mãos ao partirem para a

semeadura; o outro, do punhado que os colhedores traziam ou o seu

fruto.

P372. Que simbolizam esses dois significados?

R. Que neste mundo se planta com trabalho e sofrimentos; e que no

outro, se carrega com alegria os frutos daquele trabalho, para o qual a

Igreja nos anima.

P373. Que é a estola?

R. Estola, antigo orarium, era um lenço grande e fino, usado por pessoas

abastadas para enxugar o rosto. Geralmente, era utilizado por pessoas

que falavam em público (daí o termo orare, oratio, significando discurso)

e, por isso, era levado também pelo bispo, pelo sacerdote e pelo diácono,

nunca, porém, pelos ministros das ordens menores que não tinham o

poder de anunciar a palavra de Deus.

Catecismo da Santa Missa

61

P374. Quando passou a ser empregado, nos moldes de hoje, como

paramento pela Igreja?

R. Embora, pela tradição ele tenha sido sempre empregado na Igreja,

desde o século VI há muitas pinturas relativas à Igreja grega e à latina em

que se nota a estola, de seda e larga, como usada nos nossos dias. A

Igreja sempre a viu como um traje de honra e de autoridade espiritual.

P375. Com que oração o sacerdote veste a estola?

R. O sacerdote veste a estola com a seguinte oração: “Dai-me, Senhor, a

túnica da imortalidade que perdi pelo pecado com a queda do nosso

primeiro pai”.

P376. Que é a casula?

R. Casula era um grande manto redondo, muito largo, com uma abertura

para passar a cabeça, cobrindo todo o corpo, traje comum que todos os

homens usavam como manto, durante os sete primeiros séculos da era

cristã. Depois o povo deixou de usá-la, sendo

conservado somente pelas pessoas consagradas a Deus, como último

paramento vestido pelo sacerdote para celebrar a santa Missa.

P377. Há quanto tempo os sacerdotes utilizam a casula para a celebração

da Missa?

R. Há mais de mil anos a Igreja entrega a casula aos sacerdotes ao

ordená-los, como traje específico para oferecer o santo sacrifício.

P378. Que simboliza a casula?

R. A casula simboliza a caridade que deve cobrir o sacerdote o jugo

amável de Nosso Senhor Jesus Cristo que o sacrificador deve realizar

com graça e alegria. A casula tem a cruz desenhada às costas.

P379. Que oração recita o sacerdote ao vestir a casula?

R. A casula traz desenhada às costas a cruz. O sacerdote, que deve

fundar sua glória em levar a cruz de Cristo, ao vestir a casula, diz:

“Senhor, que dissestes: meu jugo é suave e meu peso é leve, fazei que eu

o porte de modo a merecer a sua graça”.

P380. O que é a estola dos diáconos?

R. Os diáconos, que auxiliam ao sacerdote no altar durante a celebração

da santa Missa, além do amito, da Alba, do manípulo e do cíngulo, vestem

uma estola própria, e a dalmática.

P381. Qual a origem dessa estola?

R. A estola dos diáconos teve a mesma origem da estola dos sacerdotes;

um lenço fino e largo, colocado sobre o ombro esquerdo, assim como era

usado pelos servidores romanos em suas festas solenes. S. Crisóstomo

dizia que as pontas da estola dos diáconos flutuantes ao vento imitavam

as asas dos anjos, e representavam a sua atividade (Hom. De filio

pródigo). O IV Concílio de Toledo, em 633, determinou aos diáconos que

só usassem um orarium no ombro esquerdo e, prendendo as

extremidades no lado direito, sob a dalmática.

P382. Que era a dalmática?

R. Era uma túnica com mangas curtas e próprias para facilitar os

movimentos dos que a usavam.

P383. Qual a origem da dalmática?

R. A dalmática era um vestuário usado na Dalmácia, daí seu nome; foi

introduzida em Roma no século II.

Catecismo da Santa Missa

62

P384. Como Sto. Isidoro considerava a dalmática?

R. Sto. Isidoro, no século VI, considerava a dalmática como veste

sagrada, branca e adornada com bainhas em púrpura. Por isso ela se

tornou um traje solene, devendo inspirar uma santa alegria, conforme a

expressão do pontifical (De ordin. Diac.). Além da dalmática, os diáconos

usam também a estola.

P385. Por que os sacerdotes e ministros devem usar tais paramentos?

R. Tais paramentos são utilizados pelos sacerdotes e ministros para

atender os desejos da Igreja de se revestirem de justiça (Ps 131), ou seja,

do conjunto de virtudes convenientes ao seu ministério.

P386. Qual deve ser o vestuário dos fiéis durante a celebração do Santo

Sacrifício da Missa?

R. A Igreja recomenda aos fiéis que devem se aproximar daquelas

virtudes próprias do sacrifício que oferecem através do celebrante a

Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, o amito deve lembrá-los da decência

dos vestidos e do recolhimento e do silêncio na casa de Deus; a Alba e o

cíngulo, devem lembrar a pureza e a modéstia; o manípulo lembra a santa

vida e as boas obras da fé que devem unir à santa vítima; a estola, a

dignidade da sua vocação que convida a sacrificar na terra e a reinar no

céu; a casula, lembra o fogo da fé e da lei de Deus com que devem subir

ao altar e de praticar no mundo todos os atos da sua vida; enfim, o

vestuário deve mostrar para a alma a grandeza do sacrifício, o seu tempo

de preparação e a abundância de frutos que dele devem usufruir.

P387. Por que os paramentos são de diferentes cores?

R. As cores também devem acompanhar o estado de espírito com que a

Igreja celebra as diversas festividades. Assim, já no início do século IV, a

cor era a branca, pelos mesmos motivos expostos quando tratamos da

Alba, e algumas vezes se usou a cor vermelha, ou a púrpura, que entre os

gregos era sinal de luto. O branco indicava a pureza do cordeiro sem

mancha, e a púrpura, o luto. Usava-se o branco nas solenidades e festas

comuns, e o vermelho nos dias de jejum e nas cerimônias fúnebres.

Porém, logo se passou a usar a cor preta para simbolizar o luto, a

exemplo do patriarca Acácio de Constantinopla que, para demonstrar a

aflição e a dor que sentira pela promulgação do edito do imperador

Basilisco contra o Concílio de Calcedônia, se cobriu de preto e revestindo

assim também o altar e a cátedra patriarcal.

P388. Além das cores branca e vermelha, que outras cores a Igreja latina

utilizava?

R. Além daquelas cores, a Igreja latina utilizava também paramentos azuis

para que os fiéis pensassem no céu, como dizia Ivon de Chartres. No

século XII, porém, a Igreja latina passou a usar paramentos em cinco

cores diferentes para celebrar comemorações específicas.

P389. Quais foram as cinco cores utilizadas usadas pela Igreja latina após

o século XII?

R. Foram as seguintes cores: branca, vermelha, verde, violeta e preta.

P390. Que significado tinha cada uma daquelas cores?

R. Cada cor era usada para lembrar aos fiéis as diversas disposições da

alma segundo a natureza da festividade comemorada. Assim, cada cor

significava:

Catecismo da Santa Missa

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1- Branca: simbolizava a alegria, o brilho e a pureza; utilizada nos dias

comemorativos dos mistérios gozosos e gloriosos de Nosso Senhor

Jesus Cristo, nas festas dedicadas à Nossa Senhora e à maior parte dos

santos;

2- Vermelha: lembrava o espírito de sacrifício, a efusão do sangue, o ardor

da caridade; usada na Sexta-feira Santa; no dia de Pentecostes, na festa

dos Apóstolos e dos mártires;

3- Verde: indicava aos fiéis a fecundidade do campo e da riqueza

proveniente das ações espirituais; utilizada a partir do domingo da

Santíssima Trindade até o Advento;

4- Violeta: símbolo da penitência; usada no tempo do Advento, da

Sexagésima (60 dias antes da Páscoa) e da Quaresma;

5- Preta: como sinal de luto da Igreja e dos seus filhos, no tempo da

Paixão e nas Missas fúnebres.

P391. Por que os ornamentos dos paramentos litúrgicos são sempre

dourados?

R. Os ornamentos dos paramentos são sempre dourados pois esta cor

figura todas as classes de cores.

P392. Que lição fundamental a Igreja nos dá através dos seus diversos

paramentos litúrgicos?

R. Qualquer que seja o costume estabelecido nesse campo, devemos

sempre acatar e reverenciar a Igreja como a esposa de Nosso Senhor

Jesus Cristo, de quem se escreveu: “A rainha está à vossa direita,

adornada com admirável variedade”.

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa

e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO X

Da benção e aspersão da água - das procissões e da chegada do

sacerdote ao altar

§ 1 – Benção e aspersão da água

P393. Que ordena a rubrica do Missal quanto à água?

R. A rubrica do Missal ordena que todos os domingos, antes da Missa, o

celebrante, revestido com todos os paramentos sagrados, exceto a

casula, deve benzer a água para aspergi-la sobre o povo.

P394. Quando começou essa tradição?

R. A benção e a aspersão da água sobre os fiéis é uma tradição muito

antiga. Já S. Basílio, Bispo de Cesárea e Doutor da Igreja, que viveu no

século IV, a colocava entre as tradições apostólicas. Além disso, os

padres mais antigos da Igreja nos falam dessa água purificada e

santificada pelo sacerdote, cuja finalidade, ao aspergi-la sobre o povo, é

de purificá-lo e prepará-lo para a santa oblação.

P395. Quais são os elementos utilizados na benção da água?

R. Os elementos utilizados para a benção da água são: água e sal.

P396. Por que se utiliza do sal e da água para a benção?

Catecismo da Santa Missa

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R. Porque a virtude da água é de lavar, e a do sal é de preservar da

corrupção. Ao tomar estes símbolos comuns de pureza e de salubridade,

a Igreja os exorcisa, isto é, os ordena, por parte de Deus e pelos méritos

da cruz de Jesus Cristo, que não prejudiquem os homens pelo abuso que

o demônio poderia fazer deles, e que, pelo contrário, lhes seja útil para a

salvação.

P397. Por que a Igreja invoca o poder divino sobre o sal?

R. Para que ele preserve os homens de tudo quanto possa ser prejudicial

à salvação, da mesma forma que o profeta Elias lançou sal sobre as

águas de Jericó, para torná-las salubres à terra, dizendo da parte de Deus

que estas águas não causariam a morte nem a esterilidade. Para isto

também são feitos os exorcismos que se fazem sobre a água batismal,

para a consagração das igrejas e sobre os objetos inanimados.

P398. Quando a Igreja começou a fazer exorcismos?

R. Os exorcismos remontam à mais antiga era. Tertuliano se refere a eles

quando diz que “as águas são santificadas pela invocação de Deus” (De

Bapt. C. 40); e São Cirilo afirma mais claramente que é preciso que a água

seja purificada e santificada pelo sacerdote (Epístola 70).

P399. Como o sacerdote procede à benção da água?

R. O sacerdote abençoa e mistura o sal na água, reunindo os dois efeitos

de purificar e de preservar da corrupção, dizendo: “Faça-se a mistura do

sal e da água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” , fazendo

vários sinais da cruz para indicar que só esperamos os efeitos que estes

sinais expressam, implorando a onipotência da Santíssima Trindade,

pelos méritos da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

P400. Que pede a Deus o sacerdote depois do exorcismo do sal?

R. Depois do exorcismo do sal o sacerdote pede a Deus: “Que sirva este

sal a todos quantos o tomem para a saúde do seu corpo e da sua alma, e

que tudo o que for tocado por ele se preserve de toda impureza e de

qualquer ataque do espírito da malícia”.

P401. Que diz o sacerdote após o exorcismo da água?

R. Diz ele: “Derramai, Senhor, a virtude da vossa benção sobre este

elemento preparado para as diversas purificações; a fim de que receba

vossa criatura, servindo aos vossos mistérios, o efeito da vossa divina

graça para lançar os demônios e as enfermidades; que tudo quanto seja

por ela tocado nas casas e nos demais lugares dos fiéis, se preserve de

toda a impureza e de todo o mal; q ue afaste desta água todo o sopro

pestilento, todo o ar corrompido, que a preserve de todo o ataque do

inimigo oculto, e de tudo quanto possa ser danoso à saúde e ao repouso

dos que lá vivem; e, finalmente, que se conserve contra todo o tipo de

ataques esta saúde que pedimos por invocação do vosso santo nome”.

P402. Que proveito podemos tirar dos ensinamentos acima?

R. Os ensinamentos acima nos convidam a usar da água benta na igreja,

bem como a conservá-la em nossas casas, para dela nos servir nas

tentações, ao deitar, ao despertar, para pedir o auxílio de Deus em todas

as circunstâncias de perigo, quer para o nosso corpo como para nossa

alma.

Catecismo da Santa Missa

65

P403. Por que o sacerdote asperge o altar e o santuário?

R. O sacerdote asperge o altar e o santuário para afastar o que poderia

perturbar o recolhimento dos ministros. O sacerdote asperge a si mesmo

e ao povo para dispô-lo a participar com ele das graças que ele pediu

para a Igreja na benção da água, e diz em voz baixa o salmo Miserere,

porque, para obter essas graças, é preciso manter a atitude de

arrependimento e penitência expressa neste salmo.

P404. Como responde o povo a este salmo?

R. O povo canta somente o primeiro versículo do Miserere,

acrescentando, antes e depois, esta antífona: Vós me tocareis, Senhor,

com o hisopo, e serei purificado: me lavareis e ficarei mais branco que a

neve..

P405. O que é o hisopo?

R. Hisopo é o menor arbusto; suas folhas, escuras e esponjosas, são

próprias para reter a água para a aspersão, e sua propriedade, que é de

purificar e secar os maus tumores, é feita como um sinal muito

apropriado da purificação do corpo e da alma.

P406. O hisopo foi sempre utilizado para a aspersão?

R. Sim. No Antigo Testamento havia a aspersão do sangue do cordeiro

nas portas dos israelitas como hisopo (Ex 12, 22), bem como o sangue e

cinzas da vaca e da água para purificar da lepra. Mas o profeta e a Igreja

visavam mais a aspersão do sangue de Cristo, do qual aquelas eram

figuras na lei antiga. Por isso devemos pedir nesta cerimônia, a aspersão

do sangue de Cristo, ou seja, a aplicação dos méritos deste preciosíssimo

sangue, o único que pode apagar os nossos pecados e nos preservar de

todos os males.

P407. Como o sacerdote termina esta oração?

R. O sacerdote conclui a oração dizendo:”Ouvi-nos, Senhor, Padre

Onipotente, Deus eterno; dignai-vos enviar dos céus vosso santo anjo

para que governe,vigie, proteja, visite e defenda a todos os que estão

neste lugar. Por Nosso Senhor Jesus Cristo”.

P408. A que anjo o sacerdote se refere naquela oração?

R. É o mesmo anjo que Deus enviou a Tobias e que o preservou contra

todos os ataques do espírito maligno que havia matado os sete maridos

de Sara, conduzindo-o são e salvo.

§ 2 – Procissão antes da Missa

P409. Que significa “Procissão”?

R. A palavra procissão vem do termo latino procedere, que significa

marchar, ou ir adiante. Por procissão se entende a marcha, o caminhar,

que fazem o clero e o povo rezando para determinados fins religiosos,

levando à frente a cruz de Cristo, que é o caminho e guia dos fiéis.

P410. Quais são as origens das procissões?

R. Seguindo a tradição do Antigo Testamento, havia procissões para levar

a arca santa de um lugar para outro; no século VI vemos o costume de

celebrar-se Missa nos túmulos de mártires, ou em lugares de devoção;

fazia também procissões para benzer cemitérios e lugares próximos de

igrejas.

Catecismo da Santa Missa

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P411. Quando se realizavam as procissões?

R. As procissões eram feitas no raiar do dia para imitar as santas

mulheres que se dirigiram bem cedo ao sepulcro de Nosso Senhor.

P412. Por que se fazem procissões antes da Missa nos domingos e festas

solenes?

R. A finalidade das procissões antes da Missas é de abençoar os

caminhos e as casas com a água santificada e, principalmente, pela

presença de Cristo, como nas solenes procissões da Páscoa.

P413.Há outras finalidades nas procissões?

R. Sim; como de honrar algum mistério, como a entrada de Nosso Senhor

no templo, ou sua entrada triunfal em Jerusalém no dia de ramos; da sua

ascensão ao céu; ou atrair as bênçãos de Deus sobre os bens da terra,

etc. A finalidade principal das procissões é de mostrar que o cristão é um

viajante em desterro na terra e que o céu é sua verdadeira pátria para a

qual ele se encaminha guiado por Cristo, sob a proteção de Nossa

Senhora e dos santos patronos, cujos estandartes ele leva, iluminado

pela luz da fé, pelo exercício da oração e da penitência, para chegar ao

altar visível e deste ao altar do céu, onde está o verdadeiro repouso e a

felicidade eterna: estes são os piedosos motivos que devem animar os

fiéis nas procissões.

P414. Há paramentos especiais para o sacerdote e clérigos nas

procissões?

R. Sim. Normalmente o sacerdote usa a cappa, que era um grande manto

com um capus que o abrigava da chuva; daí o nome: pluvial. Hoje, a capa

é só um ornamento.

P415. Como o povo acompanha a procissão?

R. Durante a procissão cantam-se hinos, salmos, antífonas, ladainhas e

mais freqüentemente responsórios, finalizando com uma oração geral

recitada pelo sacerdote que a dirige.

§ 3 – Chegada do sacerdote ao altar

P416. Que faz o sacerdote ao fim de tudo o que precede o Santo

Sacrifício?

R. Terminada a preparação do sacerdote à oblação propriamente dita, e

tendo se revestido dos paramentos, com as virtudes que são próprias às

suas funções, com as armas da luz e a luz mesma que lhe serve de capa

(Ps. 102), faz o sacerdote uma reverência respeitosa à cruz situada na

sacristia, recebendo como embaixador de Cristo que o envia as últimas

instruções para realizar o Santo Sacrifício.

P417. Que significa a casula que reveste o sacerdote?

R. A casula lembra Nosso Senhor Jesus Cristo subindo ao Calvário,

carregando o divino madeiro; e, avançando, o sacerdote segue em

espírito como ao sacrificador principal de que ele é indigno

representante.

P418. Que significa o caminho do sacerdote da sacristia ao altar?

R. O sacerdote se encaminha da sacristia ao altar, conforme determina a

rubrica, pois deve revestir-se na sacristia e este caminho representa o

Salvador vindo a este mundo, manifestando a vontade de se oferecer e

começando o seu sacrifício desde a Encarnação.

Catecismo da Santa Missa

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P419. Que representam os acólitos?

R. Os acólitos, portando velas acesas e precedendo o sacerdote,

simbolizam a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo e que

brilhou para os que se encontravam nas trevas e nas sombras da morte.

P420. Por que os acólitos levam a cruz, e o incenso?

R. Levam a cruz para mostrar o sacrifício que marcou a vida de um Deus

feito homem; o incenso, para indicar o perfume da doutrina e das virtudes

que ele veio ensinar ao mundo.

P421 Que representam os demais participantes da procissão que

antecedem o sacerdote celebrante?

R. Os membros da ordens menores representam a longa série de

profetas; o subdiácono e o diácono, que são como os apóstolos da Nova

Lei e do evangelho. (Nota: as ordens menores foram suprimidas após o

Concílio Vaticano II).

P422. Por que caminham com passo lento e sério?

R. Assim caminham como convém ao representante de um Deus e

dispensador dos mistérios sagrados. Em missas solenes o sacerdote é

acompanhado por outro com cappa, denominado de assistente, para

substituí-lo se por algum motivo ele não possa concluir o Santo

Sacrifício, e para auxiliá-lo e servi-lo durante a liturgia.

P423. Que mais ordena a rubrica quanto à procissão antes da Missa?

R. A rubrica determina ainda que o sacerdote deve andar de cabeça

coberta, significando que ele está revestido da autoridade de Cristo e só

se descobre quando passa diante de um altar ou diante do Santíssimo

Sacramento exposto, ou quando da elevação ou da comunhão.

SEGUNDA PARTE

Explicação das orações e cerimônias da Santa Missa

CAPÍTULO I

Primeira parte da Missa: da Preparação pública ao sacrifício e da entrada

ao altar

Esta preparação inclui o Sinal da Cruz, o salmo Judica me Deus, a

confissão dos pecados (Confiteor), as orações para alcançar o seu

perdão e para pedir a graça de subir ao altar com pureza. A entrada ao

altar compreende o uso do incenso nas Missas solenes, o Intróito, o Kyrie

e o Gloria in excelsis Deo.

§ 1 - DA PREPARAÇÂO PÚBLICA AO SACRIFÍCIO

P424. Quando surgiu a preparação pública do sacerdote à santa Missa?

R. A preparação pública para a Santa Missa surgiu no século IX, e era feita

pelo sacerdote, não no altar, mas na sacristia, enquanto o coro cantava o

salmo do Intróito, ou entrada, e o povo a ele se unia com a invocação do

Kyrie eleison. Somente no século XIII, o sacerdote passou a fazê-la diante

do altar, quando da sua entrada, iniciando a Missa.

Catecismo da Santa Missa

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P425. O que representa a chegada do sacerdote ao altar?

R. A chegada do sacerdote ao altar representa a entrada de Jesus Cristo

no mundo pela encarnação, e a humilhação do Verbo que se fez carne e

assumiu todas as nossas iniqüidades.

P426. Que outras figuras representa o sacerdote diante do altar?

R. Para se entender as cerimônias em suas menores particularidades, o

sacerdote diante do altar representa diversos personagens.

P427. Que personagens representa o sacerdote diante do altar?

R. Diante do altar, o sacerdote representa ou figura diversos

personagens, tais como:

1º - representante de Deus e dispensador de Seus mistérios;

2º - ministro da Igreja e delegado dos fiéis;

3º - homem pecador, sob cujo aspecto se confunde com os assistentes.

P428. Que deveres acarretam ao sacerdote tais representações?

R. As diversas representações do sacerdote diante do altar acarretam os

seguintes deveres:

1º - como representante de Deus, ele não pode abandonar o santuário,

lugar de sacrificador;

2º - como homem, ele se detem no primeiro degrau que leva ao altar;

3º - como delegado dos fiéis diante do Senhor, ocupa o lugar

intermediário, entre o povo e o Senhor;

4º - como pecador, se inclina profundamente e se prosterna diante da

suprema majestade;

5º - como sacerdote, se ergue e permanece em pé; porém, seguindo o

exemplo do publicano, a longe stans (Lc 18), separado do altar quanto lhe

permite o seu ministério.

Nesta atitude, em que se une e confunde a dignidade e a miséria, a

responsabilidade em relação a Deus e a mediação com os homens, a

humanidade e o sacerdócio, a santidade do ministério e a debilidade da

natureza, o sacerdote beija, com todo o respeito, o livro do Evangelho.

P429. Por que o sacerdote beija o Evangelho?

R. O sacerdote beija o livro do Evangelho para reanimar seu valor e sua

confiança para começar o sacrifício, pois, uma vez chegando ao altar, na

presença de Deus, seus passos vacilavam de terror e de respeito diante

do Todo Poderoso.

P430. Por que o Evangelho reanima e dá confiança ao sacerdote?

R. Porque este é o livro que contem seus direitos à oblação, seus títulos

de sacerdócio, a origem e a fonte dos seus poderes, a grandeza da sua

missão; é o livro em que resplandece a bondade daquele que veio a

chamar os justos e os pecadores, cuja misericórdia concedeu o cargo

pastoral ao amor arrependido.

P431. Por que o subdiácono apresenta o livro do Evangelho ao

celebrante?

R. Assim como na marcha triunfal dos imperadores romanos um arauto

os seguia para lembrar-lhes que eram homens, no caminhar do sacerdote

ao altar, um ministro deve lembrar a este homem abençoado por Deus

que ele é o sacerdote do Altíssimo e mediador de uma aliança divina. Ao

beijar o livro, o sacerdote demonstra sua modéstia e nobre confiança nas

promessas de Nosso Senhor nele contidas.

Catecismo da Santa Missa

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P432. Que representa a inclinação profunda do sacerdote ainda ao pé do

altar?

R. A prostração do sacerdote representa, além do rebaixamento do Verbo

feito carne, a pobreza do nascimento do Salvador, a obscuridade da sua

vida, as humilhações do seu ministério público e, principalmente, o início

da Paixão no Horto das Oliveiras, em que Jesus, seguido pelos seus

discípulos, afastando-se deles, rezou prostrado, com o rosto na terra, e

aceitou o cálice dos seus padecimentos.

P433. Por que o sacerdote faz essa prostração?

R. O sacerdote faz a profunda inclinação pois, ainda que sua alma esteja

preparada ao sacrifício pela santidade da sua vida, pelo recolhimento

habitual, pelo fervor da oração e da meditação, e pelas lembranças das

virtudes que Deus exige do seu representante, simbolizados pelos

paramentos sagrados que o revestem, é necessária também uma

preparação externa, pública, pela dignidade da ação que vai acontecer no

altar, e para mostrar aos fiéis que não devem tomar parte nela sem a

devida preparação.

P434. Por que o sacerdote começa a celebração da Missa com a cabeça

descoberta?

R. O sacerdote começa a celebração dessa forma porque assim prescreve

o rito antigo da Igreja e S.Paulo o recomenda. O Concílio de Roma,

presidido pelo Papa Zacarias, em 743, proíbe sob pena de excomunhão ao

bispo, ao sacerdote e ao diácono de assistir a Missa com a cabeça

coberta.

P435. Qual a postura habitual do sacerdote durante a Missa?

R. O sacerdote habitualmente mantém as mãos unidas, enquanto não há

alguma ação ou oração que o façam sair dessa postura piedosa.

Para citar este texto:

MONTFORT Associação Cultural:

(Anônimo) - "Catecismo da Santa Missa"

Catecismo da Santa Missa

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